— Bom, vamos acelerar esse negócio aí, seus vagabundos.
— O-o-o-olha o r-re-re-resp-p-pe-pei-p-pei…
— Tá, tá, Moisés! Tô brincando, olha seu coração, véio. É só pra vocês acordarem, que hoje eu tô a fim de ver o dia render. E vamos lá: Leis para os sacerdotes. Arão, cê tá prestando atenção?
— Hum? Hein?
— Ai meu saco… Leis para os sacerdotes, Arão. Interesse direto seu, dos seus filhos, e dos seus descendentes. PRESTENÇÃO, PORRA!
— Tá, Javé. Tô ouvindo.
— Então anota aí. Nenhum sacerdote pode se contaminar tocando num cadáver. Só se for de algum parente chegado: pai, mãe, irmão, filhos. Os sacerdotes não raparão a cabeça nem cortarão a barba, e deverão casar-se com mulheres virgens, nunca viúvas, divorciadas ou prostitutas. Isso é porque eles oferecem os sacrifícios aqui no Tabernáculo, e devem permanecer puros.
— Peraí, Javé. A gente tem que ser cabeludo e barbudo, comer virgens e sacrificar animais?
— Isso aí.
— Legal! Vamos montar uma banda de black metal!
— Puta que pariu… Calaboca, Arão. Vai anotando aí e calaboca. Humpf. Onde é que eu estava? Hum. Se a filha de um sacerdote se prostituir, será queimada viva.
— Porra, Javé! Queimada viva??? Pega leve!
— Pega leve o cacete! Quero ver tudo funcionando direitinho, que isso aqui não é o Tabernáculo da mãe joana! Você que cuide das suas filhas direito, não é problema meu.
— M-Mas…
— M-Mas nada! Tá pegando a gagueira do seu irmão, é? Arão, imagina que uma filha sua vira puta. Aí ela tem um filho, o moleque cresce e se torna sacerdote. Eu lá vou querer um sacerdote filho da puta?
— Pra um deus idem…
— Como?
— Nada não.
— Hum. Tá, anota aí. Agora as leis para o Sumo-Sacerdote.
— Quem é esse cara?
— Putz, é hoje… VOCÊ é o Sumo-Sacerdote, Arão!
— Ah, é.
— Porra, prestenção, véio! Então. O Sumo-Sacerdote deve vir pra cá sempre penteadinho e com suas roupinhas limpinhas e passadinhas e amaciadas com Comfort.
— Com o quê?
— Cota de publicidade, fica na sua. O Sumo-Sacerdote não poderá tocar em nenhum cadáver. Nem que seja de parente próximo, nada. O cara tem que ser cem por cento puro. E ele também só poderá se casar com uma virgem.
— Ôpa! Então posso dispensar a patroa e arrumar uma cocota?
— Claro que não. Ela era virgem quando casou com você, isso é o que importa.
— Bah!
— Não reclama, velho safado. Vamos em frente. Nenhum descendente de Arão que tenha algum defeito físico poderá apresentar ofertas de alimento aqui: Cego, aleijado, deformado, capenga, cotoco, perneta, corcunda, anão, sarnento, verruguento, espinhento, capado, nada! O cara poderá fazer outras atividades aqui, e até comer da parte dos sacerdotes…
— ÊPA! DA MINHA PARTE NINGUÉM COME!
— Ai ai… Da parte da oferta de alimentos destinada aos sacerdotes, Arão.
— Ufa…
— Cáspita. Enfim. Mas o cara não poderá chegar nem perto da cortina do Tabernáculo nem do altar, para não contaminar o que é sagrado.
— P-puta d-descriminação, Ja-Javé. O ca-cara n-não t-tem c-culpa de t-ter nascido c-com de-defeito.
— E eu tenho???
— …
— Bah! Quero nem saber: A lei é minha, e vocês obedecem. Porque eu sou deus, tão me ouvindo? DEUS!!!
— Tô sabendo.
— E ainda tem mais.
— P-puta m-merda…
Categoria: Bíblia
Castigos para vários pecados (Levítico 20)
— Aê, seus vagabundos. Tô pagando vocês pra quê?
— Hum… Ja-Javé, cê n-não t-tá pa-pagando a ge-gente n-não…
— Foi só uma força de expressão, Moisés. Vamos trabalhar.
— Ô, Javé, dá um tempo. Já não tem lei demais não?
— Relaxa, Arão. Vamos falar de coisas legais agora.
— EBA!
— Anotem aí: Castigos para vários pecados…
— Ca-castigos? I-isso é b-bom?
— Se é bom eu não sei, mas eu me amarro. Agora cala a boca e toma nota aí. Se um israelita ou estrangeiro que morar no meio do povo oferecer um filho para Moloque, será morto a pedradas pelo povo.
— Pô, Javé. E o povo lá vai querer matar um semelhante?
— Ah, Arão, você nasceu há pouco mais de 80 anos, não sabe de nada. Vai por mim, eu conheço o ser humano direitinho. É o bicho mais cruel que existe. Cê vai ver, os apedrejamentos em praça pública em breve serão diversão para toda a família.
— Tem razão. É uma vergonha.
— VERGONHA??? Que nada! É nessas horas que eu fico orgulhoso por ter criado vocês. Mas onde é que eu estava? Ah, se vocês se recusarem a apedrejar o cara, eu mesmo me encarrego dele. Mas sei que isso não vai acontecer. Conto sempre com a sede de sangue de vocês, e nunca me decepcionei. E vamos em frente. Se alguém aí for atrás de médiuns, videntes, astrólogos, ciganas, babalorixás, e coisas assim será expulso do meio do povo.
— E l-ler ho-horóscopo, po-pode?
— NADA! Vê lá, hein? Bom, deixa eu ver aqui. Quem amaldiçoar o pai ou a mãe será apedrejado. Se um cara comer uma mulher casada, ambos serão mortos. E o mesmo serve para todo tipo de putaria que eu já mencionei: Tudo punido com a morte. Irmãos que tiverem relações sexuais serão banidos. E o mesmo castigo vale para o casal que trepar quando a mulher estiver menstruada.
— Pô, Ja-Javé, mas i-isso n-nem é t-tão g-grave a-assim…
— Claro que é! Eu já cansei de dizer que vocês não podem comer carne com sangue, oras. Olha, cês têm que prestar atenção nessas leis. Senão cês vão ficar iguais aquele povo lá de Canaã. E eu não suporto aqueles caras. Não respeitam nada, riem da minha cara, um inferno. Obedeçam minhas leis. Obedeçam. Direito. Senão cês tão na roça. Entenderam?
— Fazer o quê…
— Bah, Arão. Cê reclama muito.
Leis diversas (Levítico 19)
— Bom, vamos continuar? Tenho um monte de papeizinhos aqui com umas leis anotadas, tá uma zona.
— Po-porra, Ja-Javé, cê j-já f-foi me-melhor…
— Relaxa, Moisés. Essas leis não são tão importantes quanto os ingredientes do incenso, ou as leis sobre lepra nas casas.
— Mofo, Javé. MOFO!
— Ou isso. Mas como eu ia dizendo: Leis menores. Só um reforço do que já falei antes, que é pra vocês guardarem bem: Respeitem pai e mãe, não trabalhem no sábado, não adorem outros deuses, respeitem as regras para os sacrifícios. E outras bobagens aqui. Cês querem ouvir?
— Querer a gente não quer. Mas já estamos aqui mesmo, então manda.
— Tá. Mas nem precisam anotar, viu? É tudo bobeirinha mesmo. Por exemplo: Quando vocês forem colher o trigo, não colham dos pés que ficam na beira do campo, nem voltem pra pegar as espigas capidas. Da mesma forma, não façam uma segunda colheita nas suas plantações de uvas. O que for deixado pra trás é pra ficar por lá mesmo, para os pobres e estrangeiros que estiverem passando pelas suas terras.
— Isso é bobeira, Javé?
— Pois é, Arão. Tá vendo?
— MANÉ BOBEIRA! Essa é a primeira lei decente que você traz aqui! É humanitária, caridosa!
— E eu ligo pra essas coisas, Arão? Só fiz essas leis por causa da insistência do meu fi… ARRAM!
— I-insistência de q-quem? Do s-seu fi-filho???
— Não falei em filho! Não falei em filho! Insistência do meu fiSIOTERAPEUTA. Ele é cheio dessas coisas.
— Hum. Desde quando deus precisa de fisioterapia?
— Ô, Arão! Cê por acaso sabe a minha idade? Pensa que é fácil? Tô com vários problemas de velho, cara. Até pentelho branco eu tenho. Ando caducando: Fui a uma festa dia desses e dizem que eu toquei bongô na careca de um cara lá. E tô com problemas nas juntas também, então contratei esse fiSIOTERAPEUTA. Que não é meu filho. Porque eu não tenho filho. Filho! Hahaha.
— T-tá. J-já e-entendemos.
— Então vamos em frente com as leis do meu fil… fiSIOTERAPEUTA. Não roubem, não mintam, não enganem os outros. Não façam juramentos falsos. Não explorem nem roubem os outros. Não atrasem o pagamento dos trabalhadores.
— Caraca! Nem parece Javé falando! Vai fazer reforma agrária também?
— Não me torra, Arão. Vamos em frente com essas leis malucas do JC.
— Jo-jotacê?
— Hum… É. Joelmir Creosólito. Meu fiSIOTERAPEUTA.
— HAHAHAHAHA! Nomezinho escroto!
— Tá rindo de quê, Arão? A mãe de vocês chamava Joquebede!
— Sa-sacanagem i-isso a-aí, Ja-Javé.
— Sacanagem é ficar me interrompendo. Vamos lá, vamos lá. Onde é que eu estava? Ah, aqui: Não xinguem o surdo, não botem nada no caminho do cego. Eu não suporto pegadinhas.
— Po-por q-quê, Ja-Javé?
— Por causa de um episódio chato aí que me aconteceu. Não gosto de falar disso, continuemos: Quando forem julgar alguma causa, sejam rigorosos e justos, sem tentar favorecer os pobres nem lamber o saco dos poderosos. Nã sejam fofoqueiros, não façam acusações falsas. Não sejam rancorosos, corrijam com franqueza aqueles que estiverem errados. Não sejam vingativos. Cada um deve amar aos outros como ama a si próprio.
— Peraí, Javé! PERAÍ! QUE PORRA É ESSA? AMAR OS OUTROS? Cadê os castigos? Cadê os rituais?
— Hum… É mesmo, Arão. Tá uma veadagem isso aqui! Peraí, que eu vou inventar umas leis mais legais. Hum… Deixa eu ver… Ah, sei lá! Não cruzem animais domésticos de espécies diferentes.
— F-fraquinha e-essa.
— Peraí, peraí, deixa eu pensar… Não semeiem sementes diferentes no mesmo campo!
— Tá melhorando…
— Não vistam roupas feitas de tipos diferentes de tecido!
— A-aê, esse é o Ja-Javé q-que eu co-conheço!
— Isso aí! E se um homem tiver relações com uma escrava que já foi prometida pra outro cara, ele e a escrava serão castigados. Para tirar sua culpa, o homem trará um carneiro aqui para oferecer em sacrifício. Sangue! SANGUE! SAAAAAAAAAAAAAAAAAANGUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE! Ah, como é bom isso! COMO É BOM! Vamos em frente, vamos em frente! Quando vocês estiverem morando lá em Canaã e plantarem uma árvore frutífera, não comam seus frutos durante os três primeiros anos, porque serão impuros. No quarto ano, os frutos serão dedicados a mim. Só a partir do quinto ano vocês poderão comê-los.
— M-mas p-p-p…
— CALABOCA! TÔ EMPOLGADO! Não comam carne com sangue! Não façam feitiçarias nem adivinhações! Não cortem o cabelo dos lados da cabeça nem aparem a barba!
— Acho que já deu, Jav…
— NÃO ME INTERROMPA! Não entreguem suas filhas para serem prostitutas nos cultos de fertilidade! Não trabalhem no sábado!
— J-já fa-falou…
— BAH! Não procurem ajuda de médiuns, cartomantes, quiromantes, pretos-véios, porra nenhuma dessas. E… E… E… Porra, me ajudem! Mais leis! Mais rituais!
— Pô, Javé. Volta pras leis do seu fiSIOTERAPEUTA. Tava mais legal.
— Ô, merda. Tem mais umas coisas aqui. Fiquem de pé na presença das pessoas idosas e as tratem com todo o respeito. Não maltratem os estrangeiros. Eles devem ser amados como se fossem israelitas, porque vocês também já foram estrangeiros, lá no Egito. Não dêem uma de espertalhões, roubando nos pesos e medidas das mercadorias. Sejam honestos. E blablablá. É isso.
— Anotado.
— Bah! Leis sem graça…
(Autocrítica: Bah! Capítulo sem graça…)
Leis contra a put…Arram!Leis de moral sexual
(Levítico 18)
— Muito bem, vamos lá. Putaria.
— Ôba!
— Essa piada já foi, Arão.
— Ah, é. Desculpa aí, foi mal.
— Então. É o seguinte: Eu não quero que vocês ajam como os egípcios. Lembram a baixaria que era lá, a esculhambação? Pois em Canaã, pra onde vocês tão indo, é a mesma coisa. E eu não quero que vocês sejam assim. O negócio aqui é sério. Por isso resolvi fazer leis pra isso também. Vão anotando aí.
— Po-porra, Ja-Javé. Já t-tô com t-tendinite.
— Depois eu te pago uma fisioterapia, Moisés. Agora anota: É proibido comer a própria mãe. Claro, ninguém quer ser filho de um corno e de uma puta. Então tá proibido. Assim como trepar com qualquer esposa do pai. Com irmã também não pode, mesmo que seja só por parte de mãe ou de pai, ou que tenha sido criada longe. E isso vale pra filha, neta, tia, cunhada, nora.
— Avó pode?
— Claro que não, porra!
— Pô, mas se meu pai come minha mãe todo dia, seria justo eu comer a dele.
— Cê tá todo engraçadinho hoje, né Arão? Vamos trabalhar mais e deixar de conversa mole. Deixa eu ver aqui… Hum, um teste pra você. Suponha que você, Arão, comeu uma dona aí. Beleza, comeu, não ligou no dia seguinte, nunca mais viu. Vinte anos depois você encontra a filha da mulher. Linda, gostosa, uma coisa. E ela te dá bola. O que cê faz?
— Gostosa e me dando bola? Eu traço!
— TRAÇA É PORRA NENHUMA! Ela pode ser sua filha, ô burro!
— Ah, é…
— Fica esperto. Moisés, cê é casado com aquela baranga lá. Qual o nome dela mesmo?
— Z-Zípora.
— Pois então. Suponha que a Zípora tem uma irmã. Você se casaria com a irmã dela?
— C-claro que n-não!
— Muito bem! E por que não?
— P-porque na-naquela fa-família é t-tudo sangue r-ruim.
— Ai, meu saco… Não, Moisés. Você não pode se casar com a irmã de uma mulher com a qual você já esteja casado, isso é verdade. Mas é pra evitar dor de cabeça. Esse negócio de poligamia já dá uma confusão danada, cada uma das esposas querendo ser a predileta, aquele nhenhenhém. Se além disso duas delas forem irmãs, aí é que o cabra não tem sossego mesmo. Entendeu?
— E-entendi.
— Então vamos em frente. É proibido ter relações sexuais com uma mulher menstruada. Comer a mulher dos outros, nem pensar. Hum, que mais… Ah, nenhum pai deverá entregar seu filho para Moloque.
— Mo-Moloque? Q-quem é e-esse ca-cara?
— Um dos deuses lá de Canaã. Cês falam mal de mim porque peço sangue de ovelha, cabra, bezerro. Pois saibam que lá os caras oferecem os próprios filhos em sacrifício a Moloque.
— Cáspita!
— Pois é! Eu sou um deus até que maneiro, vocês que são uns ingratos. Humpf. Bom, deixa eu ver, acho que não falta mais n… ÔPA! Tava esquecendo um negócio importante: Eu não su-por-to veadagem!
— HUM!!! Não su-por-ta! Santa!
— Arão, tu anda muito abusado. Fica na sua aí que é melhor. E deixa eu continuar: Homem que ceder o berráindi, vai se ver comigo.
— Q-que fi-fizer o q-quê?
— Que der ré no quibe, Moisés.
— Co-como?
— Ai ai… Que beijar de lado.
— A-ainda não e-entendi.
— PORRA, MOISÉS! TÔ FALANDO DE EMPURRAR A JANTA! CEDER O ANEL DE COURO! DAR O REDONDO! ENTREGAR O BUTICO! LIBERAR O BRIOCO! FORNECER A CAUDA! CONCEDER O TRASEIRO! ARRENDAR OS FUNDILHOS! ATENDER PELA PORTA DOS FUNDOS! PISAR NA CHAPINHA! ESCORREGAR NO QUIABO! Entendeu?
— …
— Bah! Bota aí que é proibido dar a bunda.
— A-ah!
— Grunf. E é proibido também ter relações com os animais.
— Pô, mais e a Genov…
— Como, Arão?
— Hein? Nada não.
— Não, cê falou alguma coisa.
— Nah! Tava pigarreando! Toca o barco, Javé, toca o barco!
— Hum. Bom. São essas aí essas leis. E devem ser seguidas à risca. Uma das razões pelas quais eu odeio aquele povo lá de Canaã é por causa da putaria que é aquilo lá. Tudo anotado?
— Beleza.
— Então vamos em frente. Falta pouco.
— S-sério?
— Não.
— HUMPF.
A proibição de se comer sangue (Levítico 17)
E o papo lá dos três não acaba nunca:
— Bom, vamos falar de um assunto bom agora. Sangue.
— Bom pra você, que é sanguinário…
— Arão, se você me interrompesse menos a gente já tinha terminado essa merda. Mas vamos falar de sangue. Se alguém degolar um boi, ou ovelha, ou cabra, e não trouxer o bicho aqui pro Tabernáculo para oferecer em sacrifício, esse cara será expulso do acampamento.
— Po-porra, Ja-Javé! Ni-ninguém vai po-poder ma-matar os b-bichos de c-criação?
— Claro que não! Pensam que eu não sei? Se eu deixar, daqui a pouco vai ter nego oferecendo sacrifício pra outros deuses por aí. Conheço vocês! Tudo feladaputa! Se eu não fico esperto, só me fodo!
— Tá, Javé! Já entendemos!
— HUMPF. Isso aí vale tanto para israelitas como para estrangeiros que estiverem morando no acampamento. E também vale para quem comer sangue: Será expulso do acampamento.
— Ô, Javé. Só porque o cara comeu um pouco de sangue vai ser expulso? Que bobagem!
— BOBAGEM NADA! É no sangue que está a vida! NO SANGUE!
— Cê precisa atualizar seus conhecimentos…
— NÃO ENCHE! Eu que inventei essa porra toda, se eu digo que a vida tá no sangue, é porque tá! ORAS! Por isso quem caçar um animal, antes de qualquer coisa deverá derramar seu sangue e cobrir com terra. E quem comer a carne de um bicho que tenha sido morto por animais selvagens deverá tomar um banho e lavar suas roupas, ficando impuro até o pôr-do-sol. Se não fizer isso, será expulso e blablablá. Cês tão anotando?
— Hum… Ja-Javé?
— Fala, Moisés.
— Se-será que já não t-tá b-bom não? T-tá fi-ficando ch-chato isso, a-arrastado.
— Chato e arrastado é você falando. Ainda tem muita coisa pela frente. Mas vou dar uma maneirada: Vamos falar sobre sexo.
— O-oba! P-putaria!
— Putaria nada: Regras contra a putaria. Vai anotando…
O Dia do Perdão (Levítico 16)
Então, farisaiada. Tão pensando que a vida é só festa? Que nada! O papo lá de deus com Moisés e Arão continua. Na retomada da conversa, deus dá um toque para o sumo-sacerdote:
— Arão, tenho um negócio muito importante pra te falar. Seguinte: Cê não pode entrar a hora que quiser no Santíssimo Lugar, onde está a Arca. Só depois de ter matado um bezerro e um carneiro para oferecer como sacrifício, e de ter tomado um banho e vestido as roupas sacerdotais. Guarde bem essa lei. Isso é para evitar que, por ignorância, você acabe morrendo como seus filhos.
— Não seria mais fácil você deixar de ser truculento e ignorante, matando todo mundo que faz alguma coisa fora das suas regras?
— Ah, Arão, assim não dá! Ia virar uma esculhambação: Num dia cê esquece o bezerro, entra lá e eu faço vista grossa. No outro cê chega atrasado, não tem tempo de tomar banho, entra e eu deixo quieto. Se eu for deixando, dia desses cê me aparece pelado no Santíssimo Lugar, balançando seu Pequeníssimo Lugar na minha frente. Não posso deixar isto aqui virar zona. Porque eu sou é deus, tá sabendo? DEUS!!!
— Tá bom, vai. Toca o barco.
— Hum, muito bem. Vamos falar sobre o Dia do Perdão, também chamado Yom Kippur, também chamado O Dia Em Que O Bom Retiro E Higienópolis Param. Quando chegar o Dia do Perdão, o povo entregará a Arão dois bodes para a oferta para tirar pecados e um carneiro para holocausto. Antes de fazer qualquer coisa, Arão pegará o bezerro que será oferecido em sacrifício pelos seus próprios pecados e pelos de sua família. Depois trará os dois bodes até a entrada do Tabernáculo. Então ele vai tirar a sorte usando duas pedras, uma escrita “Javé” e outra escrita “Azazel”. O bode que ficar com a minha pedra será oferecido em sacrifício aqui. O outro será oferecido vivo e depois enviado ao deserto, para Azazel.
— A-Azazel? Q-quem é e-esse?
— Er… Um cara aí.
— Um cara aí?
— É. Um… Um… Um deus…
— UM DEUS???
— É. Fala baixo, porra.
— M-mas cê n-não fa-falou que o ú-único deus e-era vo-você?
— Falei, falei. Esse Azazel aí não é bem um deus… É um… Um demônio do deserto, pronto. Falei pra ele que tava com esse projeto de escolher um povo e inventar uma religião, e ele disse que comprava uma cota de publicidade. Me pagou uma puta grana, então eu encaixei ele nesse negócio do Yom Kippur, que é um negócio de destaque, e prometi o tal bode.
— Hum… A-anoto i-isso?
— NÃO!!! Deixa sem explicação nenhuma, melhor assim. E esquece esse assunto, vamos em frente. Feito o sorteio dos bodes, Arão trará o bezerro dele e o matará ali no altar. Depois disso, pegará dois punhados de incenso consagrado e levará para o Lugar Santíssimo, atrás da cortina. Aí ele vai botar o incenso no fogo do propiciatório, para que o lugar fique perfumadinho e Arão não morra, como os filhos dele.
— VAMOS PARAR DE FALAR DESSE ASSUNTO, PORRA???
— Tá, tá, desculpa… Depois de acender o incenso, ele aspergirá o sangue do bezerro sobre o propiciatório. Então voltará ao altar, degolará o bode que teve a sorte de ser dedicado a mim, e fará com o sangue dele o mesmo que fez com o do bezerro, aspergindo o propiciatório. Durante todo esse tempo, ninguém deverá entrar no Tabernáculo. Esse negócio aí de aspergir o propiciatório com sangue é para purificá-lo, e Arão fará o mesmo com a tenda e o altar. Terminada a purificação do Santíssimo Lugar, do Tabernáculo e do Altar, Arão trará o bode vivo. Colocará as mãos sobre a cabeça do bicho e confessará todos os pecados do povo de Israel. Desse jeito, os pecados todos cairão sobre o bode. Precisamos de um nome para esse bode, um nome de impacto… Bode Expiatório, tá aí. Depois de passar a pecadaiada toda pro bode expiatório, Arão designará um homem para levar o bicho para soltar no deserto, que é pra Azazel não me encher o saco. Cês tão anotando tudo aí?
— E-estamos, Ja-Javé. M-mas é m-meio ca-cansativo i-isso aí.
— Peraí, tô terminando. Depois de tudo isso, Arão e o homem que tiver levado o bode expiatório ao deserto deverão tomar um banho.
— JUNTOS???
— Só se você quiser, santa. É cada uma… Bom, o bode e o bezerro que foram sacrificados serão queimados fora do acampamento. O homem que ficar encarregado disso também tomará um banho. Se você quiser, Arão, pode ser junto com você e o outro cara. Respeito isso aí.
— Tá, Javé, não abusa.
— Hehe. Então é isso aí o Dia do Perdão.
— S-só f-faltou u-uma c-coisa, Ja-Javé. Di-dizer que d-dia se-será ce-celebrado o Yom K-Kippur.
— Bem lembrado, Moisés. Vai ser no décimo dia do sétimo mês desse calendário maluco de vocês. Esse dia será como um sábado, vocês não trabalharão. É um dia totalmente dedicado ao perdão dos pecados. Anotado?
— Anotado.
— Toquemos o bonde.
Leis a respeito das impurezas do homem e da mulher
(Levítico 15)
— Porra, vamos trabalhar?
— Fi-finalmente, hein, Ja-Javé?
— Não olha pra mim assim. Culpa desse Chicoteia, que só sabe falar da tal festa. Mas até que foi bom, porque eu também não estava muito a fim de falar desse assunto. Tem uns lances aí de vocês que, sinceramente, me dão nojo.
— Ô, Javé. Nojo da gente?
— Claro! Claro! Cês são cheios de porqueiras, de excreções, argh!
— U-ué, n-não f-foi vo-você que fez a ge-gente a-assim?
— Sei de nada! Sei de nada! Só sei mesmo que essas coisas me dão nojo. Corrimento, por exemplo. Tem coisa mais desagradável? Então. Aí resolvi fazer leis para essas coisas também. Vão anotando: Um homem que tiver corrimento, ficará impuro, assim como a cama em que se deitar ou o lugar em que se sentar. Uma pessoa que tocar a cama do cara ou o lugar onde se sentou, ou encostar nele mesmo deverá lavar a roupa que estiver vestindo e tomar um banho, e ficará impura até o pôr-do-sol. O mesmo vale se o cara do corrimento cuspir em alguém.
— CUSPIR??? Pra que o cara ia cuspir em alguém, Javé?
— Sei lá! Cês são todos porcos, não duvido de nada! Melhor prevenir. E a mesma lei vale também para quem tocar em qualquer coisa que tenha estado em contato com o cara do corrimento.
— Cê n-não tá e-exagerando n-não, Ja-Javé?
— Exagerando, exagerando… É só isso que vocês sabem me dizer. Quero ver se eu afrouxar e depois estiver todo mundo aí com corrimento, o que é que vocês vão vir me dizer. HUMPF. Bom. Quando o homem sarar, esperará sete dias para se purificar. Ao oitavo dia, levará duas rolinhas ao sacerdote para serem sacrificadas. Percebem o simbolismo das rolinhas? Hã? Hã? ROLINHAS!
— Tá, Javé. Entendemos. Muito engraçado. Agora toca o barco.
— Ok, foi ruim mesmo. Deixa eu ver aqui o que vem em seguida… Hum… Ah, porra!
— Qu-que foi a-agora, Ja-Javé.
— Hã?
— Cê di-disse, “po-porra!”.
— Ah, não! A lei que vou passar agora é sobre isso: Um homem que melar a cueca deverá tomar um banho, e ficará impuro até o pôr-do-sol. A cueca e qualquer outra roupa que entrar em contato com o esperma deverá ser lavada, e também ficará impura pelo mesmo período. A mesma lei vale para quando um homem e uma mulher tiverem relações sexuais: Os dois tomam banho e ficam impuros até o fim da tarde. Anotaram tudo aí?
— Tu-tudo be-beleza.
— Então continuemos. Quando uma mulher menstruar, ficará impura enquanto durar a menstruação. Aquelas leis para as coisas ou pessoas que tiverem contato com o cara com corrimento valem também para mulher menstruada. Ao fim do período, ela esperará sete dias, e então levará duas rolinhas para serem sacrificadas pelo sacerdote. E é isso.
— Hum… Javé?
— Sim, Arão?
— Será que não dava para dar uma incrementada nessa lei aí não?
— Com assim?
— Eu tava aqui pensando… A gente podia isolar as mulheres uns dias antes de começar a menstruação. Pode até ser num lugar fora do acampamento, junto com os leprosos. Aí elas ficam por lá durante a TPM e todo o período das regras, e voltam depois, quando já estiverem normais. Quer dizer, isso se não pegarem lepra nem nada assim.
— Po-porra, A-Arão, b-boa i-idéia!
— Verdade, Arão. Excelente idéia.
— Você acha mesmo, Javé? Então podemos incluir aqui nas nossas anotações?
— Não.
— Não?
— Não.
— Por que não?
— Porque eu não tô aqui pra facilitar as coisas pra vocês, oras! Me divirto com o desespero de vocês quando as mulheres enlouquecem de repente!
— Filho da puta…
— Não reclama, vamos em frente.
Leis a respeito de mofo nas casas
(Levítico 14:33-57)
— Muito bem. Quando houver lepra numa casa.
— PORRA, JAVÉ! É MOFO! MOFO! NÃO LEPRA! MOFO!
— Hum… Arão?
— Quê?
— Lembra dos seus filhos?
— Claro.
— Quer ir encontrá-los mais cedo?
— Er… Não.
— Então não abuse do Javezinho Paz e Amor aqui.
— Ok.
— Como eu ia dizendo, quando houver MOFO em uma casa…
— S-só u-uma co-coisa, Ja-Javé…
— Ai meu saco… Que foi agora?
— N-nós não te-temos c-casas. Mo-moramos em t-tendas, le-lembra?
— Eu sei, Moisés. Essa lei é pra quando vocês estiverem morando em Canaã.
— Ah, e lá nós vamos morar em casas de tijolo e tal?
— Vão sim, Arão. Tô pensando em fazer um Projeto Cingapura por lá, ou uma Cohab, ou um mutirão, não sei ainda. Mas então. Quando vocês estiverem lá em Canaã, e o dono de uma casa perceber que há mofo nas paredes, irá falar com o sacerdote. O sacerdote ordenará que tirem tudo o que houver dentro da casa e depois fará o exame. Se houver manchas esverdeadas ou avermelhadas nas paredes, o sacerdote deixará a casa fechada por uma semana.
— Com os móveis do lado de fora? E o dono da casa, fica como?
— Bah, cada um com seus problemas. A casa fica sete dias fechada, o dono que se vire. Parentes todo mundo tem. Porra, Arão, não me encha com esses detalhezinhos sem importância.
— Ok, tá bom…
— Tá aprendendo, né? Bom… Passada uma semana, o sacerdote voltará a examinar a casa. Se as manchas tiverem se espalhado, as pedras em que houver mofo serão tiradas e todo o reboco raspado, e tudo isso será jogado numa caçamba de entulho fora da cidade. Depois disso, serão colocadas pedras novas e a casa será rebocada novamente. Se depois dessa trabalheira toda aparecer mofo na casa novamente, puta que pariu, vai ter azar assim lá longe! A casa será derrubada e todo o entulho levado para a caçamba fora da cidade.
— Po-porra! O c-cara v-vai fi-ficar s-sem ca-casa só p-por ca-causa de um p-pouco de mo-mofo!
— É isso aí! Quero que vocês sejam puros!
— Você quer é que pensem que somos malucos…
— Disse alguma coisa, Arão?
— Eu disse que nessa época o deserto é cheio de macucos.
— Hã? Arão, acho que cê tá ficando caduco.
— É, acho que sim.
— Pois é… Mas continuando: Se depois da reforma o mofo não aparecer mais, a casa será declarada pura. Aí o sacerdote vai fazer toda aquela presepada com os dois passarinhos, o cedro, a lã vermelha e o hissopo.
— Que presepada é essa?
— Ah, é. Cê não tava aqui Arão. O Moisés anotou, depois ele te passa. É uma cerimônia para purificação da casa.
— Parece mais é macumba…
— Bah, vocês dois sempre com as mesmas idéias. Bom, acabou esse negócio de lepra e mofo. Vamos falar de coisas mais interessantes…
Cerimônias de purificação
(Levítico 14:1-32)
— Ué, cadê o Arão?
— L-lá fora. D-disse que p-precisava to-tomar um p-pouco de a-ar.
— Hum. Seu irmão não vai muito com a minha cara, né?
— N-não. Mas ta-também, cê q-queria o q-quê, de-depois de t-ter ma-matado o-os…
— … de ter matado os filhos dele. Tá bom, tá bom, já tô cansado desse papo. Isso já faz tanto tempo, o cara não esquece.
— F-foi se-semana p-passada!
— Ah, foi? Hum… Esse negócio de eternidade me faz perder a noção do tempo. Ok, tudo bem, vamos continuar sem o Arão. Deixa ver aqui onde eu estava. Ah, tá. Um leproso que achar que foi curado deverá vir falar com o sacerdote, que o levará para fora do acampamento para examiná-lo. Se ele estiver curado mesmo, o sacerdote mandará trazer duas aves puras, um pedaço de cedro, lã tingida de vermelho e um hissopo.
— Hi-hiss… Hi-hi-hisso… O q-quê?
— Hissopo, Moisés. Planta medicinal da família das labiadas que pode ser usada como broxa.
— U-ué, p-pra i-isso a ge-gente po-pode usar o A-Arão m-mesmo.
— Não, Moisés. Não estou falando do indivíduo sem potência sexual, mas da broxa, do francês brosse, pincel grande de pêlos curtos usado para caiação e outros serviços de pintura pouco apurada.
— Ca-caraca, Ja-Javé, tá p-parecendo um di-dicionário fa-falando.
— Pois é, comprei um Aurélio, facilita as coisas. Mas retornemos ao nosso assunto… O sacerdote vai pedir essas coisas todas. Depois mandará que matem uma das aves em cima de um pote de barro cheio de água. Mas tem que ser água da fonte, hein?
— Vi-vixe, tá pa-parecendo ma-macumba isso a-aí…
— Não enche, prestenção. Aí ele vai pegar o outro passarinho, o cedro, o pedaço de lã e o hissopo e mergulhará tudo no sangue da ave morta. Em seguida borrifará o homem sete vezes com o sangue (usando o hissopo) e o declarará limpo.
— P-pô, p-precisa me-melecar o ca-cara com sa-sangue?
— Precisar não precisa, mas é que eu gosto dessas coisas. E como quem manda aqui nessa porra sou eu, vocês vão fazer do jeitinho que eu tô dizendo. Humpf. Depois de borrifar o cara, o sacerdote soltará a outra ave no campo, para que voe linda, leve, solta, FLY AWAAAAAAAAAAAAAAAY, SKYLINE PIGEON FLYYYYYYYYYY…”
— Me-menos, Ja-Javé.
— Aham… Então. O ex-leproso deverá lavar a roupa que estiver usando, rapar todos os cabelos e pêlos do corpo e tomar um banho. Feito isso, entrará no acampamento, mas ficará sete dias fora da barraca. No sétimo dia, vai rapar de novo o cabelo, a barba, as sobrancelhas e todos os pêlos do corpo, lavar a roupa e tomar um banho, e estará limpo.
— Q-que sa-sacanagem, Ja-Javé!
— É mesmo, não é? O cara parecendo o Espiridião Amin e sendo obrigado a dormir ao relento. Rá! Me divirto com essas coisas.
— M-mas aí j-já é de-demais.
— É nada! Ainda tem mais: No dia seguinte, o cara levará ao sacerdote dois carneirinhos e uma ovelhinha de um ano, três quilos de farinha com azeite e mais um quarto de litro de azeite puro. O sacerdote levará o homem e suas ofertas até o Tabernáculo, onde matará os bichos todos e fará uma baita melequeira no ex-leproso, com sangue, azeite e farinha.
— Po-porra, Ja-Javé, o po-povo não vai a-aceitar i-isso não!
— Vai sim, Moisés. Primeiro porque eu estou mandando, e se não aceitarem eu mato todo mundo. E segundo porque você não vai falar desse jeito pra eles. Redigi o texto aqui de forma a parecer uma coisa séria, um ritual a ser seguido e tal. Passa assim pro Arão que ele nem vai perceber a sacanagem.
— Que que tem eu?
— Ô, Arão! Chegou bem na hora. Estava falando aqui pro Moisés que o próximo assunto vai interessar muito a você: lepra nas casas.
— Mofo, Javé.
— Que seje.
— Que seja, Javé.
— Não abusa.
Leis a respeito de mofo
(Levítico 13:47-59)
— Bão, vamos continuar falando de lepra. Agora sobre lepra em tecidos e couro.
— Le-lepra em te-tecidos e c-couro?
— Que foi isso, tem um eco gago aqui? Sim, Moisés: Lepra em tecidos e couro.
— Hum… Javé? Não seria mofo?
— É LEPRA! PRA MIM É TUDO LEPRA! NOJO! NOJO! AAAAAAAARGH!
— Ca-calma, Ja-Javé…
— Ok, ok. Como quiserem. Mofo, tudo bem. Mas a lei é igual: Quando aparecer mofo numa roupa ou tecido de lã ou linho, ou em alguma coisa feita de couro, e a mancha vor avermelhada ou esverdeada, então é lep…
— Mo-mofo.
— É, é. Mofo. O sacerdote vai examinar o objeto e deixar num lugar separado por sete dias. Se depois disso a mancha tiver se espalhado, a roupa, ou tecido, ou objeto, ou o que seja, será queimado. Se a mancha continuar igual, o sacerdote mandará lavar o objeto e o isolará por mais sete dias. Se depois desse tempo a mancha não tiver mudado de cor, mesmo que não tenha se espalhado, o objeto será queimado. Mas se a mancha estiver perdendo a cor, o sacerdote rasgará aquela parte da roupa e beleza. Se o mofo aparecer depois, então o objeto será queimado. Se, por outro lado, depois de lavado o objeto a mancha sumir, será lavado novamente e declarado puro.
— Hum… Javé?
— Fala, Arão?
— Cê não tá exagerando não? Precisa mesmo botar o sacerdote pra cuidar de um negócio tão besta? Não seria mais fácil passar essa lei para o povo e cada um cuidar de suas coisas?
— Tá doido, Arão? Não confio nesse povo! Tem que fazer o negócio parecer mais sério do que é, e inventar um monte de rituais, que é pra ficarem com medo. Se não for assim, não fazem nada.
— Então tá…
— Humpf. E peraí, que ainda temos que conversar mais um pouquinho sobre lepra.
— Le-lepra m-mesmo?
— É, é. Lepra mesmo. Vou explicar pra vocês as cerimônias de purificação para ex-leprosos. Mas depois, que é um negócio muito chato.
