They don’t believe me
But you won’t let those robots eat me
Chorei muito de ontem pra hoje escutando uma música que conheço há mais de 20 anos. Essa aqui:
Explico.
Semana passada, meu irmão me mandou uma página de caderno cheia de desenhos da filha mais velha dele, Gabriela, a Bibi do título. Olha aqui:

Pirei, claro. Sou um tio babão. Mas vejam isso aí. O senso artístico de uma criança de 9 anos.
Muitos maranhenses, baianos, sergipanos e japoneses precisaram se encontrar para que Bibi existisse. Dessa mistura nasceu uma menina com cara de japonesa mas uma alma do universo inteiro. Ela pensa rápido, só fala o que é preciso (necessário, e também exato), escuta e entende tudo mesmo quando parece que está em outro mundo. E desenha.
Bibi não tem medo de IA, a IA precisa ter medo de Bibi. Minha sobrinha é um lembrete de que a inteligência humana não tem nada a ver com a inteligência artificial, a gente nem devia usar a mesma palavra para as duas coisas. IA é só um monte de informação (boa parte dela roubada) maçarocada, processada, analisada estatisticamente e vomitada em padrões mais ou menos previsíveis. A inteligência humana é outra coisa. Carregamos esses 2 quilos de gelatina dentro do crânio a vida toda e não fazemos ideia de como ela funciona. Não sabemos nem o que é consciência, como ela se forma. Quem sabe se ela mora no cérebro mesmo? Eu, hein…
A inteligência humana funciona aos tropeços, com associações de ideias distantes no tempo no espaço que se conectam (onde?) e fazem um cinquentão chorar escutando uma música que conhece há décadas porque um desenho criou essa nova camada para a canção.
Bibi é minha Yoshimi; há milhões de outras por aí. Vejo amigos de várias áreas preocupados com o avanço da IA, inseguros quanto ao futuro, sem ver que é isso justamente que eles (ELES!) querem que a gente pense e sinta. Não sei se existe uma inteligência dentro de você e outra dentro de mim, ou se há uma Inteligência de onde brotamos e que nos nutre com ideias, sensações, sentimentos, eu sei lá. Só sei que IA não é nada perto disso (até porque IA nem existe, esse é só um nome que o marketing deu para um negócio muito rudimentar; seria como chamar de automóvel a primeira roda criada pelo ser humano, e mesmo isso seria mais justificado).
Da próxima vez que você sentir essa insegurança (plantada na sua mente pelo marketing pago por vagabundos cheios de dinheiro), pense na sua Yoshimi. Pode ser uma sobrinha, um filho, uma avó, seu pai, o vizinho esquisito que gosta muito de trens por algum motivo que ninguém sabe qual é (*pigarro* AUTISMO *pigarro*), pode ser você mesmo nas coisas que só você sabe fazer. Confie na inteligência da Yoshimi. Robô tá aí pra trabalhar pra gente, fazer a parte chata. O resto, já dizia Raul Yoshimi Seixas, é com vocês.
Yoshimi Battles the Pink Robots – pt 1.
Her name is Yoshimi
She’s a black belt in karate
Working for the city
She has to discipline her body
‘Cause she knows that
It’s demanding to defeat those evil machines
I know she can beat them
Oh, Yoshimi, they don’t believe me
But you won’t let those robots eat me
Yoshimi, they don’t believe me
But you won’t let those robots defeat me
Those evil natured robots
They’re programmed to destroy us
She’s gotta be strong to fight them
So she’s taking lots of vitamins
‘Cause she knows that
It’d be tragic if those evil robots win
I know she can beat them
Oh, Yoshimi, they don’t believe me
But you won’t let those robots defeat me
Yoshimi, they don’t believe me
But you won’t let those robots eat me, Yoshimi
O nome dela é Yoshimi
Ela é faixa preta de caratê
Trabalhando na prefeitura
Ela precisa de disciplina corporal
Porque ela sabe
que é é difícil derrotar aquelas máquinas do mal
Eu sei que ela pode vencê-las
Ah, Yoshimi, eles não acreditam em mim
Mas você não vai deixar esses robôs me comerem
Yoshimi, eles não acreditam em mim
Mas você não vai deixar esses robôs me derrotarem
Esse robôs de natureza maligna
Eles são programados para nos destruir
Ela precisa ser forte para enfrentá-los
Então ela toma muitas vitaminas
Porque ela sabe
Que seria trágico se aqueles robôs malignos vencessem
Eu sei que ela pode vencê-los
Ah, Yoshimi, eles não acreditam em mim
Mas você não vai deixar esses robôs me derrotarem
Yoshimi, eles não acreditam em mim
Mas você não vai deixar esses robôs me comerem, Yoshimi

