Não. Ao contrário do que o título possa sugerir, este NÃO É um capítulo sobre bestialismo e pederastia. Parem de pensar besteira e prestem atenção na história.
Conforme vimos no último capítulo, no fim das contas deus autorizou a Balaão que fosse com os moabitas. E lá foi ele montado em sua jumenta Josefina. Só que aconteceu um negócio meio chato: Javé encheu a cara de licor de jenipapo, esqueceu-se que tinha deixado o cara ir, e ficou muito puto. Não é a primeira vez que ele apresenta esse comportamento deplorável: quando Moisés saiu da casa do sogro para voltar ao Egito e cumprir a missão que lhe fôra determinada, deus também encheu a cara e quase matou o pobre gago. Dessa vez foi igual. Só que ele não conseguia nem ficar em pé, então mandou um anjo para encontrar Balaão no caminho.
E lá foi o anjo, voando com seu GPS na mão até encontrar o profeta na estrada, dormindo no lombo da jumenta. Então o anjo postou-se no meio do caminho. Balaão não viu nada, claro, mas a pobre da Josefina assustou-se e saiu da estrada, enfiando-se numa plantação. A saída da estrada causou um tranco que acordou Balaão. O profeta ficou puto:
— Ô jumenta filha da peste! Quem foi que mandou você sair da estrada? Quem foi?
E deu várias bordoadas na Josefina que, resignada como é da natureza asinina, voltou para a estrada sem reclamar. O anjo ficou puto com o contratempo e voou para outro ponto da estrada, onde o encontro fosse inevitável, e Balaão, é claro, dormiu de novo. O anjo ficou em pé num ponto do caminho entre duas plantações de uvas, que tinha um muro de cada lado. “Ah, dessa vez ele me vê”. Qual o quê! Dormia feito uma pedra enquanto a jumenta, mais uma vez assustada pelo anjo, começou a andar rente ao muro para tentar desviar-se dele. Balaão, sentindo a perna prensada contra o muro, acordou de novo, mais furibundo ainda. Desmontou e começou a xingar e bater na jumenta — “Ô Josefina feladaputa sem-vergonha mal parida!” — infelizmente de costas para o anjo, que apenas balançou a cabeça com ar impaciente e foi procurar um lugar melhor do caminho.
Balaão montou de novo e prosseguiu viagem resmungando contra a jumenta. Em pouco tempo, embalado pelos próprios resmungos, pegou no sono de novo. O anjo, por sua vez, havia se colocado numa parte estreita do caminho, por onde só passava mesmo a jumenta. Ao ver o anjo pela terceira vez, Josefina pensou “Puta merda, é hoje…” e deitou-se no chão. Balaão saiu do sério de vez:
— Ô JUMENTA DESGRAÇADA DA PESTE DA MOLÉSTIA DO CÃO! Ô JUMENTA AMALDIÇOADA! JUMENTA SEM JEITO! ARRE ÉGUA!
— Égua não. Jumenta. Mais respeito, por favor.
— !!!
— Balaão, que te fiz eu para ser tratada de forma tão cruel? Já me surraste três vezes, e proferiste inúmeros impropérios. Que pretendes com tal atitude?
— Er… Josefina… Desde quando você fala?
— Não vem ao caso. Responda-me, Balaão.
— É que você tá esquisita que só a gota hoje, Josefina! Eu juro por tudo que é mais sagrado que se eu tivesse uma esmada espada aqui, enfiava ela no teu bucho.
— Balaão, não tenho te servido por toda vida? Alguma vez apresentei comportamento estranho ou bizarro?
— Não…
— Então olha atrás de você, paspalho.
Balaão olhou e levou um susto danado ao ver o anjo em pé no meio do caminho, esmada espada na mão.. Caiu de cara no chão, implorando piedade. O anjo nem deu bola:
— Balaão, cê tá doido? Por que bateu na pobre da jumenta, uma bichinha tão leal e trabalhadeira, e além de tudo inteligente pra danar? Ela estava agindo de forma estranha por minha causa, porque eu fui mandado pra te matar. Aliás, se ela não tivesse me visto, cê já tava morto a essa hora.
— Mas… Mas Javé disse que eu poderia seguir viagem desde que fizesse apenas o que ele mandasse.
— Falou é?
— Falou. Aqui, ó.
— Rapaz, que negócio estranho… Olha, cá entre nós: O hômi tá num fogo só.
— E é? Foi o quê? Licor de jenipapo?
— Foi.
— Homem rapaz, licor de jenipapo é o cão!
— Pois é. Peraí que eu vou ligar pra ele… Aham… Alô. Senhor? Sou eu. Eu, o anjo que o senhor mandou pra matar o Balaão… Não, Bambalalão não. BALAÃO… Sim, mandou… Ah é? Sei… Sei… Tudo bem… Tá certo… Tá certo… Pode deixar… Sei como é… Toma um café forte e vai se deitar, é o melhor que o senhor faz. Tá bom… Tá… Tchau. É, Balaão, ele se confundiu um pouco. Tá mamado, coitado. Cê pode seguir seu caminho e fazer o que Javé mandar.
Que beleza! O cara esquece da ordem que deu e por isso quase mata um inocente. Não fosse a Josefina, que com ser leal à toda prova ainda era arretada de inteligente, a história de Balaão terminava aqui mesmo. Mas graças a Josefina ele seguiu viagem e chegou bem ao palácio de Balaque, que veio recebê-lo:
— Bambalalão!
— Balaão, majestade. Meu nome é Balaão.
— Sim, sim, que seja. Por que você não veio da primeira vez que eu mandei te chamar, rapaz? O assunto é urgente! Será que você achou que eu não teria condições de te pagar bem?
— Ô seu rei, eu tô aqui, não tô? Então pronto, não vamos revirar esse assunto, que negócio assim é feito merda: quanto mais a gente cutuca, mais fede. Vim pra cá, é isso que importa. Mas ainda não garanto que vá ser de grande serventia pro senhor não. Só vou poder dizer o que Javé ordenar.
— Javé?
— O deus dos israelitas.
— DOS ISRAELITAS??? Cê tá do lado deles, Balaão?
— Tô do lado de ninguém não senhor. É uma história comprida demais, deixa isso pra lá. Vamos logo com isso, vamo simbora, vamo simbora, vamo simboooora!
Diante da impaciência de Balaão, o rei Balaque tratou logo de começar os preparativos para a mandinga contra os israelitas, começando por ir com o profeta até a cidade de Huzote para oferecer sacrifícios de touros e ovelhas a seus deuses. Balaque deu um pouco da carne sacrificada a Balaão e aos mensageiros que haviam ido buscá-lo.
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas as coisas não aconteceram de acordo com os planos de Balaque. Como veremos no próximo capítulo.

(Números 22:1-21)
Depois de toda a carnificina, o povo de Israel partiu e acampou nas planícies de Moabe, a leste do Jordão, na mesma latitude de Jericó, que ficava do outro lado do rio, já na Terra Prometida. Quando o rei de Moabe — Balaque, o nome dele — soube que os israelitas estavam em seu território, cagou-se de medo. Ele, é claro, já sabia da destruição causada por aquele povo no território dos amorreus. Naquela época os moabitas estava aliados aos vizinhos midianitas, então os líderes se reuniram para decidirem o que fazer:
— Nós estamos fodidos. FODIDOS!
— Caaaaaaaalma…
— CALMA O CARALHO! Com esse povo aí não tem conversa, eles chegam matando, não querem nem saber.
— Ah, mas isso foi com os amorreus. Aliás, cê soube que os amorreus mudaram de nome?
— Mudaram?
— É. Agora são os já morreus. PESCOU? PESCOU? JÁ MORREUS!
— Calaboca, porra! A gente aqui nesse perrengue e você me vem com piadinha sem graça? Esse povo aí vai fazer com a gente o que o boi faz com o pasto!
— Tá bom, Balaque. Então o que é que você propõe?
— Sei lá, sei lá! Os amorreus eram mais fortes que nós e se foderam na mão desses caras. Imagina só o que eles vão fazer com a gente… Acho que o jeito é apelar pra mandinga.
— Porra, não é pra tanto.
— Estamos desesperados, admita!
— É… Estamos. Então o que você quer? Que chamemos o…?
— Sim senhor. Só Bambalalão pode nos ajudar.
— Balaão.
— Que seja.
Muito bem, então o jeito era chamarem Balaão. Balaão era um profeta sergipano, e repentista nas horas vagas. Morava na cidade de Petor, perto do Rio Eufrates, na Mesopotâmia. Para vocês terem uma idéia do desespero de Balaque (e da fama de Balaão): o território de Moabe era um pedaço da atual Jordânia, perto da fronteira com Israel e com a Síria. Balaão morava onde hoje fica o Iraque, cerca de mil quilômetros a leste de onde morava Balaque. Mesmo assim (e sendo provável que houvesse vários outros profetas em Moabe e nos territórios vizinhos), Balaque mandou mensageiros a Balaão, lá na casa do caralho. Depois de alguns dias de caminhada, chegaram à casa de Balaão:
— Ô de casa!
— Ô de fora!
— Podemos entrar?
— Não reparem a bagunça.
— Seu Bambalalão?
— Balaão, um seu criado.
— Ah, desculpe.
— Tudo bem, seu menino. Todo mundo confunde.
— Imagino. Pois então, Seu Balaão.
— Precisa me dar senhoria não, rapaz. Queisso! Me chama só de Balaão. Ou de Bala.
— Então, Balaão. Viemos da parte de Balaque, rei de Moabe. Conhece?
— Já ouvi falar.
— Pois então. Ele manda dizer que um povo inteiro saiu do Egito e está espalhado por todo canto. Pior: agora foram morar perto da gente. E estamos com medo deles.
— Sei, ouvi falar desse povo aí. Hebreus. O deus deles é gente boa.
— Você conhece o deus deles?
— Claro! Rapaz, eu sou um profeta arretado de bom, não sou aqueles mequetrefes que vocês têm lá em Moabe não! Conheço tudo quanto é deus que tem por aí, inclusive o dos hebreus, Javé. Meio nervosinho, mas uma boa companhia. Ele vem pra cá, a gente conversa um bocadinho, ele senta ali na rede, fica fumando um baseado, eu fico aqui tocando minha violinha, ele pede umas músicas. Gente boa mesmo.
— Bom, acho que isso facilita as coisas. Porque, como eu dizia, estamos com medo dos israelitas.
— Sei, sei. Mas o que vocês querem que eu faça, se mal lhes pergunto?
— Queremos que você vá até lá e amaldiçoe os israelitas.
— Amaldiçoar, é?
— É. Sabemos da sua fama, Balaão. Sabemos que se você os amaldiçoar teremos uma chance.
— Sei. E tem um dinheirim nisso aí?
— Claro, claro! Tá aqui, ó.
— Deixa eu ver… Hum… É, dá pras despesas da viagem e pra um licorzinho de jenipapo.
— E então, Balaão? Você vai com a gente.
— Olha, rapaz, vamos fazer o seguinte: vocês passam a noite aqui comigo. Hoje à noite Javé deve vir aqui, fiquei de entregar pra ele uma garrafada de catuaba com capim-santo. Aí eu falo com ele a respeito, talvez nem precise ir com vocês.
— Tá bom então, Balaão.
Os mensageiros de Balaque ficaram por ali. À noite, deus foi à casa de Balaão.
— Ô de casa!
— Ô de fora!
— Tudo bem aí, Balaão?
— Tudo daquele jeito, Javé.
— Fez minha garrafada?
— Fiz sim. Tá aqui, ó. Não vá exagerar, um golinho por dia já tá bom demais.
— Beleza… Tá com visita, é?
— Pois é, rapaz… Moabitas, midianitas, aquela gente lá.
— Vixe, vieram de longe. Que que eles querem?
— Querem que eu vá com eles pra amaldiçoar um povo que saiu do Egito e está por lá agora.
— Que povo? Os israelitas?
— Esses aí.
— O MEU povo, Balaão?
— É.
— E você vai fazer o que eles pedem?
— Pois é, isso é que eu queria perguntar pra você. O pagamento é bom, olha só. A gente pode repartir meio-a-meio…
— Sei não, Balaão… Trabalheira do cão conduzir esse povo por quarenta anos pelo deserto, para agora entregá-lo assim? Justo agora que estão tão perto do objetivo? Sei não… Vai ficar parecendo o time do Santos.
— Sei como é, Javé. Então o melhor é eu não aceitar a oferta deles?
— É isso aí.
— Então estamos conversados.
— Você é um bom homem, Balaão.
— Não por isso.
Na manhã seguinte Balaão serviu um café reforçado para os mensageiros (com inhame e tudo mais), devolveu o dinheiro e comunicou sua decisão. Abatidos, os mensageiros voltaram para Moabe e avisaram a Balaque que Balaão não quisera ir. Balaque, o Cagão, ficou mais desesperado ainda.
— Ai caralho! O cara não vem? Como assim, não vem???
— Pois é, majestade. Não quis vir não.
— Ô MERDA! Mas também, mandei uns zé-manés pra falar com o cara, claro que ele não se impressionou.
Então Balaque mandou outros mensageiros até Petor, dessa vez em maior número e importância.
— Ô de casa!
— Ô de fora!
— Balaão, viemos da parte de Balaque, rei de…
— Rei de Moabe, tô sabendo. Ele mandou outros sujeitos pra cá dia desses. Só que os carros deles não eram importados não…
— Er… Pois é, Balaão, é que Balaque quer MUITO que você venha nos ajudar, por isso nos mandou, os principais líderes de Moabe, para que falássemos com você.
— Sei. Mas eu já não disse que não vou, rapaz?
— Disse, disse. E respeitamos sua decisão! Mas não custa nada negociar, não é mesmo?
— Se você diz…
— Pois Balaão, o rei manda dizer que vai te pagar quanto você quiser, desde que você faça o favor de nos acompanhar até Moabe e amaldiçoar os israelitas.
— Rapaz, rapaz… Mesmo que Balaque me desse toda a riqueza de Moabe, eu não poderia fazer nada. Javé, o deus dos israelitas, me proibiu de amaldiçoar seu povo. E não sei se vocês sabem, Javé é um sujeito pedra noventa, mas o melhor é não contrariar ele. Vira bicho!
— Então tá, Balaão. Vamos voltar para nossa terra para sermos todos mortos.
— Ê, rapaz, pra que tanto drama? Olha, vamos fazer assim: hoje Javé vem aqui pra me trazer umas cordas pra viola que ele comprou na feira de Caruaru. Então passem a noite aqui e vamos ver no que dá.
Sem botarem muita fé, mas também sem alternativa melhor, os líderes ficaram na casa de Balaão. E naquela noite Javé veio de novo, e Balaão explicou pra ele o que acontecia.
— Eita, Balaão. Esses caras não desistem, né?
— Pois é, Javé. Pense nuns cabras desesperados! Me ofereceram tudo o que eu quiser como pagamento.
— Tudo o que você quiser?
— É.
— Rapaz, o tal Balaque tá mesmo com o cu na mão. Hum… Faz o seguinte: Se arruma e vai com eles pra Moabe. Mas só faça o que eu mandar, beleza?
— Tudo bem.
No dia seguinte Balaão comunicou sua decisão aos moabitas, que quase explodiram de felicidade. Só não o fizeram porque a moda dos homens-bomba ainda não havia chegado ao Oriente Médio. Brindaram ao sucesso de sua missão com licor de cupuaçu e começaram a se aprontar para a viagem de volta. Balaão também se aprontou, preparou sua jumenta e partiu com eles.
Balaão e sua jumenta protagonizarão um dos momentos mais engraçados e absurdos desse livro engraçado e absurdo que é a Bíblia. Mas fica para o próximo capítulo.

No último capítulo vimos que, depois do episódio da serpente de bronze, os israelitas andaram, andaram, depois andaram mais um pouco e chegaram ao monte Pisga, já no território de Moabe.
Pois muito bem, de lá Moisés enviou uma mensagem a Seom, rei dos amorreus, com praticamente o mesmo conteúdo da mensagem que enviara ao rei de Edom, explicando quem eram os israelitas, de onde vinham, para onde iam, e pedindo autorização para cortar caminho pelas suas terras. Os israelitas comprometiam-se a não tocarem nas plantações nem beberem da água dos poços. Porém, assim com o rei de Edom, Seom não acreditou na história de Moisés e mandou um exército para lutar contra os hebreus em Jaza. As semelhanças entre Seom, rei dos amorreus, e o rei anônimo de Edom acabam aí: os edomitas eram considerados pelos israelitas como irmãos, uma vez que descendiam de dois irmãos, Esaú e Jacó. Por isso, quando o exército edomita veio atacar Israel, o povo apenas escolheu outro caminho e continuou sua jornada. Os amorreus, no entanto, eram descendentes de Lot, sobrinho meio afrescalhado do patriarca Abraão que comeu as próprias filhos, dando origem aos moabitas e amorreus, como podemos ver aqui. Ou seja, parentes distantes e ainda frutos de incesto. Assim sendo, os israelitas não tiveram o mínimo prurido moral em reagir ao ataque, derrotando os amorreus e apoderando-se de suas terras desde Arnom até Jaboque, que era a parte fortificada da fronteira. Os israelitas tomaram todo esse território, inclusive a capital, Hesbom, e ficaram morando por ali.

— MORANDO, Chicoteia??? Ué, e a peregrinação de 40 anos dos caras pelo deserto?

Pois é. Não sei. Porque, vejam só, esses território aí já faziam parte de Canaã, a Terra Prometida. Ou seja, os israelitas já chegaram ao seu destino, e agora restava conquistar a terra. Talvez essa conquista aí é que vá levar 40 anos. Ou então há aqui um salto na narrativa, já que ficar descrevendo 40 anos de caminhada pelo deserto não dá Ibope a ninguém. Confesso que não sei, e não consigo encontrar nada que me esclareça a respeito. Vou continuar procurando e darei a explicação assim que a obtiver, tudo bem? Beleza! Então voltemos à narrativa, farisaiada.

Bom, até aí tudo bem. Os povo foi atacado, reagiu e venceu. No entanto, como vocês podem ver neste mapa, essa batalha marcava o começo da tomada de Canaã. Sim, sim, o objetivo final! Então a partir de agora começam as batalhas de conquista de território. Moisés não perdeu tempo e mandou logo espiões a Jazer, cidade vizinha, para que obtivessem as informações necessárias para a conquista da cidade, que ocorreu sem maiores problemas.
Depois de conquistarem Jazer, o povo virou-se na direção de Basã. Ogue, rei daquela terra, veio com seu exército contra ele. Os israelitas, não contentes em derrotarem o exército de Basã, ainda invadiram seu território, matando todo mundo. Aliás, em todos os lugares por onde passaram guerreando até agora, os israelitas não deixaram viv’alma. Eita povinho com sangue nos zóio!

Muito bem, meninas! Aproveitando o tom mais livre, leve e solto do blog, hoje vamos falar de COBRA! Segurem-se nas cadeiras!
* * *
Depois do massacre em Horma (o primeiro de muitos), o povo de Israel continuou seu caminho tortuoso para evitar passar por Edom. Para isso, começaram a andar pelo caminho que ligava o Monte Hor ao Mar Vermelho. O povo começou a ficar cabreiro com isso: já fazia um tempão que tinham atravessado o Mar Vermelho, e agora iam ter que voltar? E aí vocês já devem saber o que aconteceu: começaram a reclamar, desfiando a mesma ladainha de sempre, Moisés-tirou-a-gente-do-Egito-para-morrermos-nesta-porra-de-deserto. A reação de deus dessa vez pelo menos foi original: em vez de mandar outra epidemia, enviou serpentes venenosas para o meio do acampamento dos israelitas.
E a história se desenrola daquele jeito de sempre: o povo fica desesperado e vai pedir penico a Moisés, que vai falar com deus e pedir pra ele maneirar, pra que tudo isso, veja bem.
— Tá, Moisés. Mais uma vez eu vou te dar ouvidos. Mas dessa vez vai dar mais trabalho: você vai fazer uma serpente de bronze e pregá-la num poste. Quem olhar para a sua cobra ficará curado. Pescou? Pescou? SUA COBRA! HAHHAHAHAHAH!
— Hum… M-mas Ja-Javé, até e-eu a-arrumar a-alguém pra f-fazer a s-serpente, e d-depois a-até f-ficar p-pronta, v-vai m-morrer um m-monte de ge-gente!
— E daí? Você deveria ficar feliz por eu ainda dar essa chance a vocês. Há muito tempo eu já deveria ter acabado com vocês e escolhido outro povo. Não sei o que eu tinha na cabeça quando fiz minhas promessas a Abraão. Devia ter feito acordo com o antepassado dos japoneses, aqueles sim são disciplinados… Bom, vai fazer a cobra ou vai esperar o povo morrer?
— V-vou f-fazer.
— Muito bem.
Então Moisés mandou fazer a serpente de bronze e a pendurou num poste. Quando alguém era mordido por uma cobra, olhava para a escultura e ficava curado.
Essa tal serpente de bronze ainda aparece em dois momentos muito distintos na Bíblia. Cerca de 600 anos depois da peregrinação pelo deserto, o Rei Ezequias mandou destruir a serpente de bronze, porque o povo estava oferecendo incenso a ela e adorando-a como a um deus (2º Livro dos Reis, capítulo 18). E mais de 1500 anos depois, em seu famoso diálogo com Nicodemos (Evangelho de João, capítulo 3), Jesus Cristo diria que assim como a serpente levantada no deserto salvou a vida de milhares de pessoas picadas pelas cobras, era necessário que ele fosse levantado (crucificado) para salvar a humanidade do pecado. É por metáforas assim que eu gosto muito de Jesus Cristo, apesar do pai que tem.
* * *
O trecho seguinte do capítulo traça a rota dos israelitas depois do episódio das serpentes: saíram de Hor para Obote, depois para as ruínas de Abarim, no deserto, a leste de Moabe. Dali foram para Zerede e depois para a margem norte do Rio Arnom, que fazia a fronteira entre Moabe e a terra dos amorreus. Depois do Rio Arnom, foram beber num lugar chamado Beer. Não, não era um bar com nome inglês. Beer, além de ser cerveja em inglês é poço em hebraico. Ali havia um poço, claro, e finalmente puderam beber água à vontade. Saindo de Beer foram para um lugar chamado Matana, depois Naaliel e Baamote e depois para o vale abaixo do monte Pisga, em Moabe.
Esses lugares com nomes estranhos não nos interessam, é claro. Mas é bom sabermos, porque do vale os israelitas mandaram uma mensagem a Seom, rei dos amorreus. E… Bom, o que aconteceu fica para o próximo capítulo.

Bom, Arão morreu, o povo ficou de luto por 30 dias. Mas ninguém pode chorar para sempre, a vida continua, agora é bola pra frente, aquele papo todo de velório. Então o povo continuou sua caminhada pelo deserto, tomando cuidado para evitar Edom e a Filistia.
Acontece que Arade, rei de um território ao sul de Canaã, ficou sabendo que o povo de Israel se aproximava de suas terras. A fama dos israelitas já era conhecida de toda a região, todos sabiam a história do povo que tinha saído do Egito e agora marchava na direção de Canaã. E já falei aqui sobre os receios que devia despertar aquela multidão de cerca de três milhões de pessoas avançando em bloco pelo deserto. Muitos até agora temeram aquele povaréu, muitos ainda o temerão, e Arade não foi exceção: veio com seu exército e atacou os israelitas, levando alguns deles como prisioneiros.
Aí foi demais pra paciência dos hebreus. Tinham perdido um de seus líderes recentemente, sabiam-se condenados a 40 anos de peregrinação inútil pelo deserto, e ainda vinha um reizinho mequetrefe de quinta categoria atacá-los? Ah, não! E aqui, talvez pela primeira vez desde a escravidão no Egito, vemos o povo de Israel dirigindo-se diretamente a deus, sem o intermédio de Moisés:
— Javé, se você der uma força aqui pra nós, vamos acabar com a raça desses caras aí.
Javé deu ouvidos à oração do povo (precisava agradá-los, depois da injustiça contra Arão) e os israelitas não se fizeram de rogados: acabaram com o reino de Arade, matando homens, mulheres e crianças e destruindo as cidades. Aquele lugar passou a se chamar Horma, que é destruição em hebraico.
E vão se acostumando: daqui pra frente os genocídios perpetrados por Israel tornar-se-ão comuns. E tudo com a bênção de deus, é claro.

Como vimos no último capítulo, o rei de Edom proibiu os israelitas de passarem pelo seu país, o que os obrigou a tomarem outro caminho. Então sairam de Cades e foram para o monte Hor, que ficava na fronteira de Edom. Mal assentaram acampamento, deus chamou Arão e Moisés para o Tabernáculo.
— SEUS PUTOS!
— Q-que f-foi a-agora, Ja-Javé?
AQUELA PRESEPADA DE VOCÊS EM MERIBÁ AINDA ESTÁ ATRAVESSADA NA MINHA GARGANTA! IDIOTAS! PRECISAVAM BATER NA PEDRA? PRECISAVAM???
— Calma, Javé. Não é pra tanto.
— Não é pra tanto? NÃO É PRA TANTO, ARÃO??? Pois quer saber de uma coisa? Você não vai entrar em Canaã.
— Ué, disso eu já sei. Nem eu nem o Moisés.
— Ah. Então você sabe o porquê…
— Claro que sei! Porque você é um cara cheio de viadagens, que não admite ter sua vaidade ferida.
COMO É QUE É???
A-Arão, f-fica q-q-q-quieto…
— Não torra, Moisés. Já cansei dessa palhaçada. Estamos com mais de oitenta anos e temos que agüentar isso? Fazemos tudo o que o cara quer, até as coisas mais absurdas, e ele vai encanar justamente com um detalhezinho besta? Qualé a tua, Javé?
— Arão, melhor você não abusar da minha paciência.
— Abuso sim! Você já abusou demais da minha, agora é minha vez! Não agüento mais essas suas regrinhas, esses rituais todos, essas roupas ridículas que sou obrigado a vestir! EU NÃO AGÜENTO MAIS!
A-Arão, n-não f-faz i-i-isso…
— Deixa ele, Moisés. Então é isso, Arão? Você não quer mais rituais?
— Não.
— E não gosta das suas roupas?
— Não.
— Tá cansado de ser sumo-sacerdote, Arão? Quer pedir demissão?
— Quero.
— Tudo bem, então.
— Como assim, tudo bem???
— Tudo bem, oras. Você não é mais sumo-sacerdote.
— Mas assim, tão fácil? Que beleza!
— Pois é! Mas só tem uma coisinha…
— Diga.
— O seu contrato de sumo-sacerdote é vitalício. Então para rescindi-lo é necessário que você morra.
— Epa. Peraí.
— Pois é. Vai ser assim.
— Não, Javé. Calma lá! Vamos conversar!
— Já conversamos. Moisés?
S-s-sim…?
— FALA QUE NEM HOMEM, CARALHO!
— D-diga, Ja-Javé.
— Você vai subir ali no monte Hor com Arão e o filho dele, Eleazar. Lá em cima você vai tirar a roupa do seu irmão, já que ele não gosta mesmo, e vesti-la em Eleazar, que passará a ser o sumo-sacerdote. Então vocês vão descer e Arão vai morrer lá em cima.
— M-mas Ja-Javé! E-ele é m-meu i-irmão e m-meu m-melhor a-amigo!
— Tenho nada com isso. Faz o que eu mandei antes que eu fique puto com você também.
— M-mas…
— Deixa, Moisés. Se é assim que ele quer, que seja. Já estou velho, a morte é questão de pouco tempo mesmo. Pelo menos me livro do fardo que é guiar esse povo reclamão e cabeça-dura pelo deserto. Só desejo sorte a você, meu irmão. Você vai precisar.
De nada adiantaria mesmo Moisés reagir: teria que levar seu próprio irmão para a morte. E assim o fez, acompanhado de Eleazar. Vocês podem imaginar a tristeza de ambos sabendo que desceriam do monte Hor sem o irmão e o pai, respectivamente.
E foi assim a morte de Arão: sozinho e nu no alto de um monte no meio do deserto. É justo um velho que trabalhou a vida inteira para um deus ser morto por esse mesmo deus dessa maneira tão desonrosa? Responda quem puder.

Saindo de Cades, o segundo melhor caminho para Canaã era atravessando o país de Edom, como vocês podem ver no mapa. O melhor caminho era seguir para o norte, pela terra dos filisteus. Mas logo depois da travessia do Mar Vermelho o povo evitou a Filistia por causa da guerra, e ia continuar evitando-a. Pois então o jeito era mesmo passar por Edom. Então Moisés escreveu uma carta para o rei daquele país:

À Vossa Majestade, supremo Rei de Edom, protetor dos filhos de Esaú,

Como é que vai essa força, majestade? Olha, o senhor não repare eu não ter ido pessoalmente conversar aí no seu palácio. Acontece que eu sou gago, e se o senhor me recebesse não ia ter paciência para me ouvir. Vai por mim.
Bom, talvez o senhor não me conheça, mas com certeza já ouviu falar do povo que marcha pelo deserto sob minha liderança. Fomos escravos no Egito por séculos, e há coisa de um ano nosso deus nos tirou de lá. Javé, o nome dele. Meio temperamental, mas melhor do que nada. Faz umas coisas bem legais às vezes. Fez a gente passar pelo Mar Vermelho, tirou água da rocha, mandou codornas para nos alimentar. Mas de vez em quando fica nervoso por bobagem e mata vários dos nossos. Aliás, se continuar assim vamos acabar perdendo a luta com o deserto por W.O.
Enfim, melhor eu ir direto ao ponto: nós somos todos descendentes de Jacó, que era irmão de Esaú, do qual vocês, edomitas, são descententes. Podemos nos considerar parentes, portanto. Então eu queria pedir a Vossa Majestade que nos permita passar pelo seu país. Estamos agora na terra de Cades e a caminho de Canaã. O melhor caminho para nós seria pela Filistia, mas o senhor deve saber que o bicho tá pegando por lá. Se o senhor autorizar nossa passagem, prometemos não comer o fruto da terra nem beber a água de seus poços. Não sairemos da estrada principal. É só uma passagem mesmo, mais nada. Não queremos atrapalhar, só chegar mais rápido ao nosso destino.
Certo de que contarei com a bondade e compreensão de um parente, despeço-me mui atenciosamente,

Moisés, aquele.

Moisés mandou a carta por um mensageiro e ficou roendo as unhas de ansiedade na espera da resposta. Resposta que chegou depois de alguns dias:

Moisés,

Não.

Rei de Edom — quem manda nesta porra sou eu.

Moisés ainda tentou argumentar. Mandou outra carta, reafirmando que só queriam mesmo passar por Edom, sem sair da estrada principal, e que pagariam pela água que porventura bebessem. Agora, coloque-se por um momento no lugar do rei: o líder de um exército de 600 mil homens pede para passar pelas suas terras e garante que não vai fazer nada, que não vai sair da estrada principal. Você acreditaria? Não ia pensar que esse povo estava querendo mesmo era invadir seu país? Pois então, foi isso mesmo que o rei de Edom pensou: convocou seu exército para ir no encalço dos israelitas.
Só que no fim das contas Moisés estava falando a verdade, tanto que o povo de Israel nem reagiu, apenas desviou-se e seguiu por outro caminho.

Este é um capítulo deveras estranho. Começa dizendo que o povo de Israel foi para o deserto de Zim e acampou em Cades, e que ali Miriã morreu e foi sepultada. Só isso. Miriã, a irmã mais velha sem a qual Moisés talvez tivesse sido apenas um príncipe egípcio, Miriã que ajudou o irmão a fazer um som depois da travessia do Mar Vermelho. As mulheres não merecem mesmo muito destaque na Bíblia, ainda mais mulheres bocudas feito Miriã.
Bom, depois dessa menção en passant (é assim mesmo?) à morte da irmã de Moisés e Arão, ficamos sabendo que não havia água ali onde o povo estava. Então os israelitas começaram com o mesmo reme-reme de sempre: Ah, que aqui não tem água, Ah, que vocês nos tiraram do Egito para que morrêssemos no deserto, Ah, que merda, Ah, puta que pariu. Moisés e Arão, pobres coitados, foram até o Tabernáculo para perguntar a Javé o que deveriam fazer.
— O quê??? Esse povinho já tá reclamando de novo?
— P-pô, Ja-Javé, t-tenta e-entender. N-não t-tem á-água aqui n-nesse l-lugar.
— É um DESERTO, Moisés! O que você queria?
— M-mas s-sem á-água vai a-acabar m-morrendo t-todo mundo…
— Ai meu saco… Tá, tá, vou dar um jeito. Cê vai pegar a vara que está na frente da Arca, aquela que brotou e coisa e tal. Então você e Arão vão reunir o povo em volta daquela rocha ali e na frente de todos vocês vão ordenar à rocha que dê água. A água sairá da rocha e esse povo chato vai calar a boca. Entendeu, Moisés?
— E-entendi.
— E vê se faz tudo do jeito que eu falei. Não inventa.
Então Moisés pegou a vara…
Hehehehehe…
Calaboca, porra. Moisés pegou a tal vara e foi, juntamente com Arão, reunir o povo. Quando conseguiram um silêncio razoável, Moisés pronunciou-se:
— Ô p-povo b-bunda! S-será que e-eu v-vou ter q-que ti-tirar água d-dessa r-rocha p-para vocês c-calarem a b-boca?
Dizendo isso, Moisés bateu duas vezes com a vara na rocha, e dela saiu água suficiente para dar de beber a todo o povo e aos animais.
Que maravilha, não? É… Mais ou menos. Vocês não contavam com a veadagem de Javé:
MOISÉS, QUE PORRA FOI AQUELA???
— N-nem vem, Ja-Javé. F-fiz t-tudo do jeito que v-você m-mandou.
— Fez foi porra nenhuma! Do jeito que você fez parece que o milagre foi seu. E ainda bateu na rocha! Eu não mandei apenas ordenar à rocha que desse água? Cê tá querendo ser mais que eu, Moisés?
— L-longe de mim, Ja-Javé!
— Bah! Agora já decidi: Nem você nem Arão vão entrar na Terra Prometida.
— M-m-m-mas…
— E NÃO CHIE!
E assim foi decidido o futuro de Moisés: Conduzir um povo cabeça dura por um deserto desgraçado a troco de nada. É, pelo jeito deus não gosta de improviso… O lugar onde a pedra jorrou água foi chamado Meribá, que é “reclamação” em hebraico.
Peraí, ô Chicoteia! Acho que você já contou essa história…
Pois é. Já contei, vocês podem ler aqui. Mas não é culpa minha: a Bíblia repete mesmo a história do Êxodo 14, com alguns detalhes de diferença. Pra quem busca verossimilhança na Bíblia, tá aí um nó difícil de desatar.

Se vocês prestaram atenção na história até agora — do que duvido — terão notado que as cerimônias de purificação até que eram bem simples: o cara tá imundo, toma um banho, lava a roupa que estiver vestindo e ao pôr-do-sol será considerado puro novamente. Fácil, não? Só que agora os israelitas vão passar 40 anos no deserto e deus não pára um segundo de pensar em atividades para manter suas cabeças ocupadas. E quando eu digo “suas cabeças”, refiro-me às cabeças dos israelitas, não às de deus. Se é que deus… Bom, vocês entenderam.
Neste capítulo, por exemplo, ele resolveu complicar o ritual de purificação inventando uma tal água especial a ser usada na cerimônia. E preparar a tal água não era tão fácil assim: o povo levaria ao sacerdote Eleazar (filho de Arão, vocês já deviam saber, tanto pelo nome do cara como pelo fato de todos os sacerdotes serem filhos de Arão, mas vocês não prestam mesmo atenção em porra nenhuma)… Onde é que eu estava mesmo? Eu sempre me perco nesses parênteses muito longos. Ah, sim! O povo levaria ao Eleazar uma vaca vermelha.
Porra, cê se perdeu mesmo. Mané vaca vermelha!
É SÉRIO! UMA VACA VERMELHA! E uma vaca vermelha especial, que nunca tivesse trabalhado na lavoura, vejam só. A pobrezinha da vaca seria levada para fora do acampamento e sacrificada na presença de Eleazar. Feito isso, Eleazar pegaria o sangue com o dedo para borrifá-lo sete vezes na direção do Tabernáculo. Em seguida a vaca seria queimada juntamente com um pedaço de madeira de cedro, um galho de hissopo e um pedaço de lã vermelha. Feita esse despacho, Eleazar deveria tomar um banho e lavar as roupas para poder entrar no acampamento, ficando impuro até o pôr do sol.
E com isso deus mudou a cerimônia: A partir de então qualquer pessoa ou objeto que ficasse impuro por contato com um defunto deveria ser borrifado com a água da purificação, que nada mais era do que água misturada com as cinzas da pobre da vaca.
Pronto, basta de rituais. No próximo capítulo o bicho começa a pegar de novo.

Depois que quinze mil pessoas foram massacradas por causa de incenso, deus quis amainar um pouco o clima pesado falando em vara. Mas esse negócio das varas foi mal interpretado e só fez o povo ficar mais cabreiro, então deus resolveu que precisava repisar algumas regras e estabelecer outras. E aí vem mais um capítulo cheio de leis e rituais, aquela coisa chata que suportamos durante todo o Levítico e de que não conseguimos nos livrar totalmente no livro dos Números. Em resumo, as leis para os levitas e sacerdotes ficaram assim:

– Arão, seus filhos e todos os levitas seriam responsáveis pelo trabalho no Tabernáculo, mas só os sacerdotes pagariam o pato por qualquer cagada feita. Javé fez isso para evitar matar levitas toda vez que algo saísse errado na Tenda Sagrada. Porque se continuasse assim, logo logo ele ia ter que importar levitas
– Os levitas não deveriam chegar perto do Lugar Santíssimo do Tabernáculo (atrás da cortina) nem do altar
– Toda oferta que fosse trazida ao Tabernáculo e não fosse queimada seria dada aos sacerdotes. Isso incluía animais, cereais, azeite e vinho. Tudo do bom e do melhor.
– Os levitas (incluindo-se aí Arão e seus filhos, os sacerdotes) não podiam ter propriedades
– Os dízimos trazidos pelo povo pertenciam aos levitas. Só que tinha uma maracutaia aí: do que os levitas recebessem, deveriam dar dez por cento a Arão, um dízimo do dízimo. Então se um israelita tinha cem ovelhas e dava dez de dízimo, uma delas seria dada a Arão automaticamente e as restantes seriam dos levitas. Cheio de privilégios, esse Arão.
– Os outros israelitas não deveriam se aproximar do Tabernáculo. Isso foi determinado para evitar levantes e tentativas de tomada do poder no acampamento.

Basicamente é isso. Blablablá, chateação. O próximo capítulo também é chatinho, e depois as coisas voltam a acontecer. Tenham paciência.