Por que vocês continuam vindo aqui, se sabem que o autor está em crise e o blog dá toda a pinta de que vai acabar?
Categoria: Queixas
Bah
Seguinte, meu povo: eu até comecei a escrever o próximo capítulo bíblico, contando as novas peripécias de Absalão, o filho mais maluco do rei Davi. Acontece que eu não ando muito a fim de graça, e acho uma falta de respeito com vocês eu escrever de qualquer jeito, como foi o último capítulo. Então já fica aqui a resposta para “Quando é que vai ter capítulo novo?”: quando o autor largar de veadagem.
— Ai, caralho. Então vai demorar…
Atomanocu.
Salvador, 20 de outubro de 2004, 18h20min.
Um dia de evento bastou para que eu reforçasse de vez uma resolução tão recente quanto intensa. Andando pelos corredores, batendo papo ou proferindo minha palestra (não gostei, mas o povo parece que gostou), eu olhava para aquelas pessoas e pensava: eu não vou mais trabalhar com tecnologia.
Mas e então, que fazer da vida? Ah, essa é a pergunta que me tira o sono há meses. Escrever? Tá, mas escrever o quê? Para quem? E mais importante: quem paga?
E chega de excertos do diário, vocês não merecem essa veadagem toda.)
Salvador, 20 de outubro de 2004, 1h15min
Estava agora mesmo na varanda deste quarto de hotel, olhando o mar discutir com as pedras lá embaixo. Uma briga antiquíssima, anterior à existência de vida na Terra.
Eu poderia agora dizer algo pernóstico como: o mar vence sempre, é o masculino que seduz e aos poucos penetra a terra, fêmea que ao mesmo tempo resiste e cede às investidas do macho impetuoso. Mas como nunca maltrato meus leitores com metáforas burras e pretensiosas (é sempre uma coisa ou outra), digo apenas: enquanto olhava a briga lá embaixo, lembrei da morte. Da minha morte, para ser exato. Eu vou morrer — hoje mesmo, semana que vem, daqui a cinqüenta anos — e nunca mais poderei assistir ao mar quebrando na praia (é bonito, é bonito). Minha morte afetará a meia dúzia de pessoas, talvez nem isso. E as ondas continuarão a chocar-se contra o continente, indiferentes ao fim de mais uma breve existência, e sem saber o quanto eu gostava de ficar de longe, só olhando seu movimento sinuoso.
Poucas vezes me senti tão só.
Vergonha
Há tempos eu quero falar sobre isso, mas vinha adiando, evitando o assunto. É um tanto delicado, os imbecis vão gritar — é o que eles sabem fazer — e eu vou ficar enfastiado e irritado. Mas o assunto avulta-se, não tenho como ignorá-lo, então vamos a ele.
Na comunidade Monty Python do orkut, um débil mental abriu um tópico com o educadíssimo título “Sou brasileiro e escrevo em portugues onde quiser”. Em sua simpática mensagem, o imbecil diz que um “americano de merda” pediu para que os membros da comunidade postassem em inglês para facilitar a compreensão de todos. “FODA-SE A LÍNGUA OFICIAL”, diz a cavalgadura, e segue despejando impropérios saídos dos intestinos de backup que ele certamente mantém dentro da caixa craniana. E encerra: “Brasileiros desta comunidade peço que me apoiam enchendo esse topico de mensagem. Vamos lá: BRASIL NA VEIA”.
Pois muito bem: uma comunidade dedicada a um grupo de comediantes ingleses, mantida por um russo. Seria de se esperar que o grito antiamericano do boçal fosse ignorado por não ter qualquer base, não é mesmo? Ah, mas bem diz aquela campanha da TV: brasileiro não desiste nunca! Logo em seguida um outro lobotomizado concorda e vai além na argumentação inteligente: “Eu escrevo em português mesmo e vão se foder seus bostas comedores de merda”. Veja que lindo isso, seus bostas comedores de merda. Chamou os americanos de canibais e aposto que eles nem perceberam. E a isso seguiram-se outros posts de imbecis de igual calibre, entremeados de comentários de brasileiros envergonhados pelo comportamento de seus compatriotas, e ansiosos para dizerem “Epa, eu sou brasileiro mas não sou assim não, péra lá!”.
Mas adianta alguma coisa? No início da década de 60, tendo se estabelecido como o grande revolucionário (no sentido estrito da palavra, nada de barbichas e camisetas do Che Guevara) da música brasileira, João Gilberto ainda dividia um apartamento com Ronaldo Bôscoli. Um dia, desanimado, João olhava pela janela quando suspirou:
— Não adianta, Ronaldo. Eles são muitos.
Não adianta mesmo. Eles eram muitos então, e hoje seus netos são a maioria. Somos um povinho acanalhado, orgulhoso da própria estupidez, que se acha esperto e só passa vergonha, como bem demonstra esse exemplo do Orkut. Porque não é só na internet que isso ocorre, é claro. Ô, povinho bunda! Sempre que eu digo que sou honesto tenho que suportar olhares de esguelha, sobrancelhas erguidas, pose de quem-esse-cara-pensa-que-é, como se ser honesto fosse uma grande virtude da qual eu me gabasse, e não minha obrigação mais óbvia. “Esse aí acha que é santo”, juro que já ouvi isso. E estava apenas defendendo (evidentemente) uma alternativa honesta para determinado problema.
Que país, meu Deus, que povinho! Nada funciona, todo mundo quer levar vantagem, todo mundo quer se dar bem. Assim sendo, poucos têm moral para questionar o deputado que concede a si mesmo benefícios absurdos, o vereador que organiza um esquema de extorsão de camelôs, o prefeito que desvia verbas dos cofres municipais. Claro: estivesse lá, o zé-povinho faria exatamente o mesmo. E o que acontece com quem tenta ser honesto? O que acontece com os políticos honestos, por exemplo? Ora, peguemos dois exemplos: Eduardo Suplicy e Mario Covas. É essa a recompensa pela honestidade, chifres e câncer?
Ah, mas eu não devia falar isso aqui, onde é que estou com a cabeça? Sabe aquele negócio de falar o que bem entender, liberdade de expressão e coisa e tal? Tudo mentira! Suponham, por exemplo, que eu dissesse aqui: “Paulo Maluf é um salafrário, sem-vergonha, velho tarado, ladrão”. Apenas uma suposição, notem bem, eu nem disse nada! Mas suponham que eu dissesse. Sabe o que poderia acontecer? Poderiam tirar este blog do ar. Mentira? Paranóia minha? Oras, digam isso ao Gravataí Merengue, que teve seu Imprensa Marrom derrubado pela justiça porque um leitor fez um comentário falando mal de certa empresa. Pronto! O riquinho lá da empresa se feriu em seus brios e foi correndo contar pra mamãe. É isso a justiça neste paisinho mequetrefe: a mamãe superprotetora dos riquinhos bundões. Pois esse bundão em particular foi reclamar com mamãe, que imediatamente mandou o menino mau calar a boca. Pior: o menino mau nem dissera nada!
Agora vou eu tentar usufruir do meu direito à justiça. Vá você. Adianta nada. E sabe por quê? Ela não é nossa mamãe, é só deles! Não é a mamãe, não é a mamãe! Mas é claro que não faremos nada: vai que um dia eu me torno um riquinho bundão; eu vou querer ser filhinho da mamãe igual aos outros. Claro.
Povinho desgraçado. Gente estúpida, descerebrada, com seus sorrisos débeis mentais e babões enquanto o mundo lhe enfia o dedo no cu.
Não passou. Mas leiam mais sobre o caso do Imprensa Marrom aqui.
Que dia feliz…
Você me mandou e-mail recentemente? Pois então, acabo de perder minha Caixa de Entrada.
…
O/
…
Merda.
Cartada desesperada
Estou há meses cadastrado na Catho, e sempre procurando vagas de Analista de Suporte, Administrador de Redes, essas coisas. Pois bem. Hoje (depois de ficar duas horas rolando na cama sem conseguir dormir) resolvi entrar lá e começar a mandar currículos para vagas de Redator, Revisor, Jornalista, o diabo a quatro. Junto com o currículo, envio a seguinte carta de apresentação:
Como podem ver, meu CV não guarda qualquer relação com a vaga para a qual resolvi aplicar-me. O caso é que, tendo trabalhado dez anos na área de informática (em desenvolvimento e suporte técnico, principalmente), resolvi que é hora de mudar. Como cursei dois anos da faculdade de Jornalismo, achei por bem lustrar minha cara-de-pau e apresentar-me para a vaga. Tenho boa redação, como os senhores podem verificar nos sites http://baldedegelo.blogspot.com (que será publicado como livro em breve) e http://www.jesusmechicoteia.com.br (não se assustem com o nome, não morde).
Sendo assim, apresento-me como candidato à vaga, esperando que alguém seja visionário (ou maluco) o suficiente para me contratar.
Atenciosamente
Marco Aurélio Gois dos Santos
Sim, estou desesperado. E não tenho vergonha na cara. Acho que são duas boas características num ser humano. Ou mesmo em mim.
Marco Aurélio, este derrotado
Assisti Kill Bill, fiquei fascinado com o filme e decidi que não agüentaria esperar até outubro para assistir à continuação. Sendo assim, lá fui eu abrir Kazaa, Soulseek, E-mule e o caralho a quatro para caçar o Kill Bill – vol.2. Quem conhece o maravilhoso mundo do peer to peer sabe como é: vários arquivos são encontrados e você fica feliz da vida. E então começa a arrancar cabelos (caso os tenha) ao ver todo arquivo que tenta baixar como “Remotely queued” ou “Need more sources for download” ou “Your mom is sucking Satan’s cock in Hell”.
Fiquei nesse sofrimento durante dias, até que enfim encontrei um arquivo promissor. Tinha 650Mb. Começou baixando a 3,5 kilobits por segundo, baixou para 0,5, depois subiu para incríveis 45, depois estabilizou em 19. Nesse vai e vem, continuava lá firme e forte enquanto outros downloads eram abortados. Eu torcia — “Vamos lá, você consegue!” — enquanto meu pobre micro, já velho e cansado, reclamava das mais de 24 horas ligado direto. Eu não desistiria tão fácil, porém. E foi graças à minha persistência que, depois de quase dois dias ininterruptos, o download terminou e eu pude enfim assistir a essa maravilha:
Jesus, eu sou um merda…
Primeiro passo
Vocês são muito vagos. “Escreva”, “Dê a bunda”… Escrever o quê? Dar a bunda pra quem? Oras.
Então resolvi dar um primeiro passo qualquer: vou fazer curso de roteiro. Vamos ver no que dá.
Mudança
— Eu quero mudar de área.
Esse é meu mantra há anos. Trabalhando há mais de dez anos com esse negócio de informática (quase sempre com suporte técnico), sinto-me permanentemente de saco cheio. Procuro emprego sem muito empenho porque sei muito bem qual é a verdade: eu não quero mais trabalhar com isso. Não quero! É chato, é um mercado saturado, você tem que conviver com pessoas maçantes e falar sobre assuntos soníferos. Um saco, meu Deus, um saco!
Só que aí há a pergunta: como é que se muda de área? Não, não, outra mais básica: mudar para QUAL área? Eu sei que tenho que abandonar essa vida de “Você tirou o disquete do drive?” ou “A impressora está ligada?”, mas e depois? Alguém aí sabe fazer teste vocacional? Sinto-me um adolescente. O que eu faço da minha vida???
