Olha o Genoíno aí, gente! O cara já tá cutucando a bunda do Maluf, que beleza! Se o Ser do Mal não for para o segundo turno dessa vez, eu vou começar a botar fé no eleitorado paulista. Nas eleições de 1998, vários petistas tradicionais acabaram votando em Mario Covas já no primeiro turno, porque as pesquisas indicavam que poderíamos ter um segundo turno entre Maluf e Francisco Rossi, ou seja, uma amostra grátis do inferno. Eu quase caí nessa. Era mesário na época, e deixei para votar já no final, com essa dúvida na cabeça. No fim das contas, acabei votando mesmo na Marta. Finda a votação, quando tiramos o relatório da urna da nossa seção, surpresa: Marta ficara atrás de Covas por apenas alguns votos. Saímos perguntando nas outras seções, e era a mesma história, sendo que em algumas a candidata do PT ficara em segundo. E o mesmo aconteceu na apuração geral: Marta, que em algumas pesquisas aparecia em quarto lugar, acabou em terceiro, bem perto do segundo colocado. Ou seja, movidos pelo tal “voto útil”, muitos deixaram de ver no segundo turno a candidatura que preferiam. Talvez deva-se a isso a subida de Genoíno na última semana antes das eleições: Quem votou em Covas naquela época, e agora pensava em votar em Alckmin, percebeu que o erro não poderia se repetir.
Estou torcendo por um segundo turno entre Geraldo Alckimin e José Genoíno. É sempre bom ver uma eleição disputada entre homens de bem, sem bandidos no meio. Mas São Paulo é uma terra estranha. Como bem observou meu amigo André Barrocal, Paulo Maluf tem seu eleitorado cativo, que não arreda pé. Se o Maluf chega na casa de um cara desses, rouba tudo e ainda estupra a filha do cara, ainda assim ele vai votar no desgraçado.
— Mas o Maluf roubou tudo o que você tinha!
— Ele rouba mas faz.
— Faz??? A única coisa que ele fez foi estuprar sua filha!
— Ué. Estuprou mas não matou. Graaaaaaaande Maluf.
Ô povinho sem-vergonha…
Categoria: Política
Bom começo
Segunda-feira, primeiro dia de minha última semana antes das férias. Sabendo que essa semana vai se arrastar como se fosse um mês, resolvi começar bem a segunda-feira e, por conseguinte, a semana: Liguei o micro e fui logo tratando de dar uma olhada no Leite de Pato. Porque Adailton Persegonha é o cara. Pois bem, lá chegando dei de cara com o link para o Imprensa Marrom que, vergonha!, ainda não conhecia. Excelente jornal em forma de blog, ou blog em forma de jornal, feito por uma equipe dez vezes mais competente do que os pelegos que andam espalhados pelas redações. No Imprensa Marrom, tomei conhecimento do editorial da revista Carta Capital desta semana declarando abertamente apoio a Lula. (Precisa ser cadastrado pra ler mas, pombas, é de graça!)
Não é tão pioneiro como alguns hão de pensar. No segundo turno das últimas eleições para prefeito, Matinas Suzuki escreveu um editorial no Último Segundo apoiando a candidatura de Marta Suplicy. Na semana seguinte, pouco antes da votação, vários outros órgãos de imprensa de São Paulo declararam seu apoio à candidatura petista, entre eles, quem diria, o sisudo Estadão. Tratava-se, no entanto, de situação bem diferente: Era mais uma manifestação de repúdio a Paulo Maluf do que apoio propriamente dito a Marta.
O apoio de Mino Carta é diferente, por convicção, e com excelentes argumentos para a escolha do candidato. Com isso, ele ataca toda a imprensa nacional, que não toma partido explicitamente, mas demonstraria seu apoio a José Serra até na página de quadrinhos, se pudesse (no artigo, Carta só poupa o Estadão, único até agora a deixar claro seu apoio a Serra).
Ótimo começo de semana para mim. E talvez um ótimo recomeço das relações entre imprensa e poder nesse país.
Agora é Lula
Videozinho
Mas o negócio mais legal que eu vi no site do Cláudio Humberto foi este vídeo (900k). Eu já tinha ouvido falar bastante dessa ocasião em que uma piada fez muito mal para a imagem de Lula, mas nunca tinha visto. Hilário.
Pra que diploma?
A campanha de José Serra recentemente resolveu apelar para a falta de diploma de Lula como argumento. O próprio Serra pediu para que seus marqueteiros tirassem essa menção ao curso superior. Achei que tivesse sido um ato de cavalheirismo, mas nem isso. Em e-mail enviado a mim pelo Claudio Lara, fiquei sabendo que o Claudio Humberto, em sua coluna no Jornal O Dia, fez uma revelação bastante curiosa: Serra não tem diploma! O cara não terminou o curso superior aqui e fez pós-graduação e mestrado no exterior. Muitos países aceitam que qualquer um faça esses cursos, mesmo que só tenha o primário.
Não vejo nada de mais nisso. Tudo aconteceu nos anos 60, tempos difíceis para quem, como José Serra, lutava contra o regime militar. Talvez ele não tenha concluído o curso superior por ter visto que o bicho estava pegando por aqui, e era melhor sair do país. Não sei. Seja como for, Serra não tem formação universitária. Na melhor das hipóteses, isso ocorreu porque ele foi impossibilitado de cursar a universidade. Ou seja, ele não é formado pelo mesmo motivo que Lula.
Um teste que vale a pena
Achei aqui. Clique no gráfico para saber em que quadrante político você se situa. Eu estou li embaixo à esquerada, olha, socialmente bem perto do anarquismo e economicamente próximo ao comunismo.
Isso aê!
“Fernando Henrique Cardoso talvez seja, de todos os presidentes da história do Brasil, o que teve melhor imagem no exterior. Mas nós não ganhamos nada com isso. Os Estados Unidos não cederam um milésimo nas tarifas que eles impõem aos produtos brasileiros. Por quê? Porque o problema é outro. Não é falar idioma estrangeiro. É defender os interesses do país. Além disso, a diplomacia mundial exige que cada presidente fale em sua própria língua. O Helmut Kohl foi primeiro-ministro da Alemanha sem saber falar inglês. Essas cobranças são coisas de intelectual atrasado.”
(Lula, em entrevista à — bleargh! — Veja)
Profecia política
Um dos pseudo-argumentos que usam para me criticar é aquela velha falácia de que teríamos profecias bíblicas se cumprindo nos dias de hoje. Aí você vai ver, são passagens gerais demais, que podem se aplicar a várias situações. Profecia por profecia, prefiro afirmar que Rubem Braga profetizou a eleição de Luis Inácio Lula da Silva para o cargo de Presidente da República numa crônica de junho de 1935 intitulada “Luto da Família Silva”. Leiam, vale a pena:
A assistência foi chamada. Veio tinindo. Um homem estava deitado na calçada.
Uma poça de sangue. A Assistência voltou vazia. O homem catava mono. O cadáver foi removido para o necrotério. Na seção dos “Fatos Diversos” do Diário de Pernambuco, leio o nome do sujeito: João da Silva. Morava na Rua da Alegria. Morreu de hemoptise.
João da Silva — Neste momento em que seu corpo vai baixar vala comum. nós, seus amigos e seus irmãos, vimos lhe prestar esta homenagem. Nós somos os joões da silva. Nós somos os populares joões da silva. Moramos em várias casas e em várias cidades. Moramos principalmente na rua. Nós pertencemos, como você, à família Silva. Não é uma família ilustre; nós não temos avós na história. Muitos de nós usamos outros nomes, para disfarce. No fundo, somos os Silva, Quando o Brasil foi colonizado, nós éramos os degredados. Depois fomos os índios. Depois fomos os negros. Depois fomos imigrantes, mestiços. Somos os Silva. Algumas pessoas importantes usaram e usam nosso nome. É por engano. Os Silva somos nós. Não temos a mínima importância. Trabalhamos, andamos pelas ruas e morremos. Saímos da vala comum da vida para o mesmo local da morte. Às vezes, por modéstia, não usamos nosso nome de família. Usamos o sobrenome “de Tal”. A família Silva e a família “de Tal” são a mesma família. E, para falar a verdade, uma família que não pode ser considerada boa família. Até as mulheres que não são de família pertencem à família Silva.
João da Silva — Nunca nenhum de nós esquecerá seu nome. Você não possuía sangue-azul. O sangue que saía de sua boca era vermelho — vermelhinho da silva. Sangue de nossa família. Nossa família, João, vai mal em política. Sempre por baixo. Nossa família, entretanto é que trabalha para os homens importantes. A família Crespi, a família Matarazzo, a família Guinle, a família Rocha Miranda, a família Pereira Carneiro, todas essas famílias assim são sustentadas pela nossa família. Nós auxiliamos várias famílias importantes na América do Norte, na Inglaterra, na França, no Japão. A gente da nossa família trabalha nas plantações de mate, nos pastos, nas fazendas, nas usinas, nas praias, nas fábricas, nas minas, nos balcões, no mato, nas cozinhas, em todo lugar onde se trabalha. Nossa família quebra pedra, faz telhas de barro, laça os bois, levanta os prédios, conduz os bondes, enrola o tapete do circo, enche os porões dos navios, conta o dinheiro dos Bancos, faz os jornais, serve no Exército e na Marinha. Nossa família é feito Maria Polaca: faz tudo.
Apesar disto, João da Silva, nós temos de enterrar você é mesmo na vala comum. Na vala comum da miséria. Na vala comum da glória, João da Silva. Porque nossa família um dia há de subir na política…
Antes que digam alguma coisa, esse aí não é um desses textos de autoria duvidosa que circulam pela internet. Está no livro 200 Crônicas Escolhidas, e originalmente estava em O Conde e o Passarinho.
Vote Moretti!
Eu sempre vejo esse cara na Praça Ramos de Azevedo, centro de São Paulo: Barbudo, de boina vermelha, sempre conversando com algum transeunte atrás de sua banca com artigos revolucionários, bandeiras de Cuba e gravuras de Che Guevara. Nunca tinha ouvido sua voz, então fiquei surpreso ao passar por lá hoje a caminho do Marabá (melhor sala de cinema de São Paulo, não discutam) e vi o Moretti empolgado, distribuindo panfletos e berrando:
— Vote Moretti, vote pela rebeldia, vote pela maconha.
Ôpa, eu não podia perder isso. Peguei o folheto:
Enquanto lia, vi que o Grilo, velho amigo da minha família, estava lá na banquinha do Moretti conversando com outro cara. Acenei pra ele.
— Ô, e aí, Marco? Beleza? Vi esse cara falando “Vote pela maconha” então vim ver qual é que é, qual é a idéia do cara e tal. Ô, li seu site, o Jesus, me chicoteia!, mas não entendi direito. Sua intenção não é zombar da religião nem nada assim, é?
— Claro que não, Grilo. O meu negócio é humor, só isso.
— Ah, legal. Eu tava tentando entrar esses dias e não conseguia, aí só depois vi que tava digitando errado, www.jesusmechicoteie.com.
— Hum. Você que tá certo, acho que “me chicoteie” é o imperativo.
— É, acho que é. Bom, manda um abraço pra todo mundo lá.
— Falô, Grilo, té mais.
Porra, o Grilo lê isto aqui! Aê, Grilo, seja bem-vindo! E puta papo surreal que nós tivemos.
Bah, estou divagando. O negócio é esse aí, se você mora em São Paulo e ainda não tem candidato a Deputado Estadual, vote Moretti, 43073. Pela rebeldia.

