Só pode ser. Primeiro ele tava saindo da casa do Celso Furtado quando foi abraçado e beijado (mas não furtado. Rá.) pelo dançarino Carlinhos de Jesus. Depois, saindo da casa de não sei quem, foi beijado pelo Clóvis Bornay, a única bicha fossilizada do mundo.
E então, como se não bastasse o presidente eleito correr o risco de virar muso da bicharada carioca, ainda tem que agüentar o peculiar senso de humor do Sr. Fernando Henrique Cardoso: O presidente ofereceu a Granja do Torto para Lula trabalhar durante a transição. Mostraram a entrada da casa da Granja do Torto no Jornal Nacional. Tem um capacho enorme na porta, escrito: “Residência do Torto”. FHC deve estar se divertindo muito com isso. Mas eu, se fosse Lula, falava: “Torta é sua boca, caralho!” e alugava um escritório em Brasília. Não gostar do cara, tudo bem, mas chamar de torto na cara dura é sacanagem.
Categoria: Política
Gênio
Todos já devem ter percebido que não sei mais escrever, né? Então vou apelar. Verissimo, por favor.
As razões do clube
Parece mentira, né? Lula presidente. Para quem, como eu, votou nele desde a primeira tentativa, é um pouco como dar adeus a um velho hábito. Já estávamos acostumados à decepção, a perder de quatro em quatro anos só para concluir de novo que o Brasil não tinha jeito mesmo, que alguém como ele jamais seria eleito, que a maioria oprimida jamais teria vez, porque as elites, porque o capital internacional, porque os americanos… E não é que o homem me ganha? Mas o ceticismo entranhado custa a morrer. Depois dos festejos vem a desconfiança. O que deu errado desta vez? Ou, mais intrigante: o que deu certo?
A primeira tentação é a de invocar o filósofo Marx, Groucho Marx, e alertar o Lula sobre o risco de entrar num clube que aceita sócios como ele assim tão facilmente. O segundo pensamento é mais especulativo, e otimista: e se o clube mudou? E se o Lula ganhou o apoio de gente que antes assustava não apenas porque a barba preta ficou grisalha e o discurso abrandou, mas porque há um sentimento generalizado de que algo está desmoronando, algo está chegando ao fim, e que é preciso colocar outra coisa pelo menos organizada no seu lugar, antes que a pura raiva antitudo tome conta? O anti-Lula desta vez não se criou porque o sistema desanimou cedo. O Serra foi um produto do desânimo do sistema.
Fala-se muito que o governo Lula terá pouco espaço de manobra para fazer o que pretende, com os compromissos que herdará. Mas o sistema internacional também está em crise, também há luta dentro do clube deles sobre o que é conveniente e o que é negociável para que o sistema sobreviva à sua própria irracionalidade, e talvez também haja interesse em facilitar a vida do novo sócio. Que, afinal, já declarou que não vai limpar os sapatos com o guardanapo, só quer mais consideração e justiça.
Foi
Em 1989 eu tinha catorze anos de idade. Não podia votar, então apenas torcia pela vitória de Lula. E ele chegou muito, muito perto. Mas o povo brasileiro ficou com medo e preferiu eleger um maluco irresponsável que sequer conseguiu terminar o mandato. Em 1994, Fernando Henrique Cardoso tornara-se imbatível graças ao Plano Real. Eleito, preocupou-se mais em fazer um toma-lá-dá-cá para garantir a reeleição do que em governar propriamente. Em 1998, era desaconselhável que Lula concorresse, e a derrota era esperada.
E eis que chegamos a 2002. Eu duvidei até o último instante da vitória petista. É bom demais para ser verdade. Quando vi o Alexandre Garcia no Fantástico dizendo que o TSE acabara de anunciar que Lula era o novo presidente com 85% das urnas abertas, chorei feito uma bicha. E teve um certo sabor de vingança ver a Globo, que em 89 moveu o mundo para eleger Aquele Cujo Nome Não Se Deve Pronunciar, babando o ovo para o novo presidente. E agora é a vez da mil vezes maldita revista Veja, que na edição anterior ao segundo turno ainda jogou uma última cartada para tentar desestabilizar a campanha de Lula, dando aos chamados “radicais” do PT importância inexistente.
O dia da posse vai ser foda. É capaz de eu ser internado, sei lá. Não alimento falsas esperanças. Como disse meu amigo André Barrocal, a posse vai ser nosso último momento de comemoração. Queríamos o Lula de 89, o Lula-Lá, não essa coisinha abicholada de Lulinha Paz e Amor. Seja como for, no entanto, será certamente bem melhor do que José Serra jamais seria. O PSDB cometeu um erro grave ao lançar aquele ser antipático como candidato à presidência. Enfim, melhor para nós. Agora é Lula.
Caralho, ainda não consigo acreditar.
Boa notícia
Lixo eleitoral será reciclado. Ponto pra prefeitura.
Ei, peraí! Isso quer dizer que vão reciclar o Maluf???
Cara-de-pau
Delfim Netto deu uma entrevista à Folha de S. Paulo bem ao seu estilo: conciliador e com algumas piadinhas. Na entrevista, ele fala muito bem do PT e critica o governo Fernando Henrique por ter ido três vezes ao FMI. Se eu não tivesse nascido no longínquo ano de 1975, e não me lembrasse dos tempos do Delfim como Ministro da Fazenda, talvez eu não soubesse que grande parte da merda em que estamos foi cagada por ele (perdoem a metáfora grosseira e escatológica), e ele teria meu voto para a Câmara dos Deputados. Mas como eu lembro de todas essas coisas, não tenho outra alternativa a não ser mandar o Sr. Delfim Netto tomar no cu.
Messianismo
Capa do caderno especial sobre as eleições presidenciais brasileiras no jornal espanhol El Mundo:

(Dica de Prowler, o Andarilho)
Parcerias
Estava vendo agora há pouco o Horário Eleitoral Gratuito. No programa do PT, a Marta apareceu pedindo voto para o Genoíno assim:
— Com o Genoíno governador, a prefeitura vai ter o apoio que precisa do governo do estado. Aí sim eu vou ter um parceiro de verdade. E isso faz toda a diferença.
Tudo bem, eu sei que ela estava falando de parceria administrativa. Mas, fala a verdade, não parece uma indireta para o Suplicy? Essa Marta se entrega… Antes aparecia dizendo:
— Para presidente, vote Lula. Para governador, no Genoíno
Ela dizia essa parte, “no Genoíno”, com aquele tom de voz de quem diz “é claro!” e fazendo um gesto com as mãos espalmadas a uns 30 centímetros de distância uma da outra. Parecia que estava dizendo: “Pra governador, no Genoíno. É lógico! Olha o tamanhão!”
SANTA!

Aí, Lelê! O Serra cheira flor na feira! UI!
Cruz credo!
Olha o vampirão aí com medo de água benta:

Achei aqui.
— Vem, Saddam. Vem…

"Good dog!"
