— Você é muito engraçado para ser ateu.
Polzonoff me disse isso logo que nos conhecemos, e até hoje a frase não me sai da cabeça. De fato, ateus são chatos, dogmáticos, teóricos, repetitivos. Logo que eu decidi que seria ateu (vejam só que coisa mais besta), tratei de procurar sites sobre ateísmo na internet. MEU DEUS! Quanta baboseira, quanta gente espumando de ódio. Para que isso? Identificar-me com essa gente pegava mal demais, as pessoas iam parar de me convidar para festas. Decidi então adotar o rótulo mais suave e civilizado de agnóstico. Nada de mais: eu já era agnóstico mesmo quando tinha fé.
Porque — me corrijam se eu estiver falando besteira, mas só hoje — o agnosticismo apenas nega que seja possível compreender o que é sobrenatural através da razão. Em outras palavras, não se pode provar a existência ou a inexistência de Deus. Sendo assim, uma vez agnóstico você pode decidir que uma questão que não pode ser respondida pelo intelecto é irrelevante, e prefere acreditar que não há Deus, ou então crer pura e simplesmente pela fé. Minha mudança se deu desta para aquela opção, nada de muito radical, portanto.
Hoje eu já não sei mais. Eu sempre quis acreditar, e antes acreditava porque me disseram que era verdade. Mas agora isso não me basta. Agora eu quero evidências. Não estou falando em provas científicas, porque não sou doido: queria apenas intuir de alguma forma a existência de algum ser superior.
1. Notaram a grafia de Deus com “d” maiúsculo? Pois é, escrever com minúscula, eu finalmente percebi, é mera birra que só consegue atingir uns e outros de mentalidade muito limitada. Então ontem fui tomado pelo maior dos terrores: escrevendo com minúscula eu estava cometendo um erro gramatical! CÉUS! Então resolvi mudar. Não pensem, no entanto, que trata-se de um movimento na direção da fé, da salvação e do pagamento do dízimo rigorosamente em dia. Nananinanão.
2. Não sei se sou de esquerda ou de direita, não sei se creio ou não em Deus. Sei não, sei não. Tô achando que o próximo passo será questionar minha orientação sexual. Ou, pior ainda, tornar-me corintiano.

Eu sei que esse negócio de falar do Polzonoff e de deus a toda hora já tá ficando até meio suspeito, mas não consigo evitar. Estava lendo o Falecomdeus agora e tive um ataque de riso que me levou à beira da morte. A causa:

LEITOR: Senhor, os seu posts estão cada vez maiores!
DEUS: É porquê você ainda não viu o tamanho que meu pau está ficando.

Ó PUTA QUE PARIU! Rir assim a esta hora da manhã acaba com qualquer mau humor. Obrigado, deus.

Algumas pessoas, dentre elas Ale Félix e Adailton Persegonha, andam insistindo comigo para que eu escreva um livro. Sem nenhum resquício de modéstia — qualidade que me falta e não faz falta — respondo que ainda não estou pronto, que ainda tenho que ler muito, que conhecer muita gente, para então me arriscar na sagrada tarefa de escrever um romance.
E eis que hoje fui atraído pela tentação de escrever meu livro logo de uma vez. Não que tenha adquirido alguma segurança instantânea, longe disso. Mas estava pensando: sou amigo de Clarah Averbuck, Daniela Abade e Paulo Polzonoff. Dá vontade de escrever só pela possibilidade de, com esse elo comum, sermos no futuro considerados todos como parte de um mesmo grupo. Ia ser muito engraçado ver esses três entrando para a história como compadres literários…

Eu invejo os curitibanos. Primeiro porque moram perto da menina de olhos azuis que me tira o sono. E depois porque terão a oportunidade de irem ao Beto Batata na próxima quinta-feira, 6 de novembro lá pelas oito da noite para o lançamento de O Cabotino, primeiro livro do meu querido Paulo Polzonoff Jr.
Agora, se você mora em Curitiba (ou pretende estar em Curitiba no dia) e não for, puta que pariu, tá vacilando. Vá, nem que seja para jogar ovos e tomates no autor.

Paulo Polzonoff pede em seu último post que os entendidos (uia) em astrologia manifestem-se a respeito de um mapa astral. Eu, que não entendo nada, disse o que vejo sempre que olho para um mapa astral: ciclo trigonométrico, triângulos retângulos, quadrantes, senos, cossenos, tangentes, Teorema de Pitágoras… E então resolvi fazer meu próprio mapa astral. Não tenho a mínima idéia do que essas linhas aí significam, mas vejam como é bonito:

Morram de inveja do meu mapa astral.