Desde que eu comecei o blog, já me chamaram de tudo: blogueiro estrelinha, herege, filho da puta, veado, gay, homossexual, bicha, lambedor de chapeleta, canalha, safado, lindo (preciso lançar o JMC em braile) e, mais comumente, gênio. Ok, aceito tudo numa boa. Agora Xuxa do mundo blogueiro é um pouco demais, não?
Mês: agosto 2003
Direito de resposta do alter-ego do autor
Marcurélio, cê tá bicha pra caralho. Vai dar meia hora de cu pra ver se essa frescura passa, vai.
A segunda contagem do povo
(Números 26 – um capítulo escrito na maior má vontade)
Era esse o tal servicinho que deus tinha para Moisés: fazer a contagem do povo. Então ele e Eleazar saíram contando todos os homens com mais de vinte anos, e o resultado foi o seguinte:

601.730 homens, contra 603.550 da primeira contagem. Mas essa diferença de 1.820 não significava nada: conforme deus prometera num de seus muitos momentos de ira, nenhum dos homens da primeira contagem estava vivo na segunda, com exceção de Josué e Calebe.
— E o Moisés, Chicoteia?
Moisés era levita, e os levitas eram contados separadamente por serem dedicados ao serviço religioso e por não possuírem terras. Aliás, o número de levitas contados com mais de um mês de vida foi de 23 mil.
De posse dos dados fornecidos por Moisés e Eleazar, Javé decidiu que a localização do futuro território de cada tribo em Canaã fosse determinado por sorteio, enquanto o tamanho seria proporcional ao número de habitantes. Veremos mais tarde que essa regra não foi cumprida à risca: no mapa antigo de Israel há tribos pequenas ocupando enormes extensões de terra e tribos populosas espremendo-se em territórios do tamanho de Osasco. Não duvido nada que tenha rolado um por fora pra Moisés (ou Josué) nessa história.
Mas falaremos disso quando chegar a hora. Por enquanto fiquem aí esperando a próxima bobagem não-bíblica que eu escrever. Bando de hereges. Bah.
GAAAAAAAAAAAAH!
Acabo de perder um capítulo bíblico. Sim. Capítulo bíblico. Eu faço sátira da Bíblia neste blog. Estava no final do 26º capítulo do livro dos Números quando a merda aconteceu. Mas tudo bem. Ninguém lê mesmo os capítulos bíblicos. Eu escrevo um deles e recebo onze comentários. Aí em seguida escrevo uma bobagem sem sentido sobre o nome do blog e o que acontece? VINTE E NOVE COMENTÁTRIOS! Não vale a pena. Definitivamente.
Querem saber? O próximo capítulo vai ser minimalista.
Frescura sim, e daí?
Vejo por aí vários blogs que botam links para este meu sórdido espaço de heresia na internet. Agradeço muito a todos esses desavisados que assim contribuem para construir o reino de Satã na Terra. Mas só queria pedir que botassem o nome correto. Isto aqui não se chama Jesus me chicoteia. Seria uma afirmação, muito sem graça e boba. Também não é Jesusmechicoteia. Tal palavra não existe. O nome desta merda é:
Jesus, me chicoteia!
Com paixão e fúria, de preferência.
Obrigado.
(Se você é um doente feito o Apollyon, que adota como padrão não botar o nome certo em NENHUM dos links, ignore este post. Respeito o comportamento obsessivo-compulsivo alheio)
O povo de Israel adora Baal-Peor
Muito bem, onde é que estávamos? Ah, Balaão voltou pra Mesopotâmia, deixando Balaque na mão. Mas e os israelitas, o que andavam aprontando? Bom, eles perceberam que deus não falava mais com Moisés. Claro, andava ocupado compondo repentes para Balaão. Nem mesmo o narrador estava interessado no que acontecia no acampamento. Então eles olharam um para o outro e decidiram: “VAMOS TOCAR O PUTEIRO NESSA PORRA!”
Os israelitas estavam acampados num lugar chamado vale das Acácias, perto de Moabe. Então começaram a ir até os bares e boates de Moabe pra pegar mulher. Nego entrava no bar como quem não quer nada, ia até o balcão, escolhia uma mulher sozinha e atacava.
— Oi, tudo bem?
— Tudo bem.
— Qual o seu nome?
— fldkhflksaddakljadsljksda [nome moabita impronunciável]. E o seu?
— Fazanal.
— TÁ PENSANDO QUE EU SOU O QUÊ???
— Não, não! Meu nome é Fazanal!
— Nossa… Jura?
— Sim. Fazanal, seu criado.
— Puxa, deve dar muita confusão esse nome, né?
— É, dá sim. Mas às vezes até ajuda a queimar etapas. Eu chego me apresentando, “Prazer, Fazanal”, e a garota já vai respondendo “Opa!”.
— HAHAHAHAHA. De onde você é, Fazanal?
— De Israel.
— Israel? Onde fica?
— Israel fica em todo lugar. Saímos do Egito onde éramos escravos e estamos marchando em direção à Terra Prometida.
— UAU! Vocês que atravessaram o Mar Vermelho a pé?
— Sim, nós mesmos.
— Que têm um líder gago que tirou água da rocha?
— Sim, o velho Moisés.
— E que comem pão vindo do céu?
— Argh, nem me fale! Não agüento mais maná.
— Puxa vida… Achei que fosse tudo lenda.
— É nada, garota. Aliás, se você quiser a gente pode ir até a minha tenda. A gente toma um vinho e eu te conto nossas aventuras.
— Promete que conta?
— Prometo isso e muito mais.
— Ah, então vamos.
— Vamos. Só uma coisa… Faz anal?
— Opa!
E assim toda noite vários homens israelitas levavam mulheres moabitas para suas tendas e cráu. Até aí tudo bem, os caras tavam na seca, deus fez vista grossa. Só que em pouco tempo os hebreus começaram a ir até Moabe para acompanhar suas garotas em orgias em homenagem a seus deuses, principalmente um tal Baal-Peor.
Aqui cabe um parêntese: baal era a palavra para senhor nas principais línguas semíticas (hebraico inclusive). Então dizer que Baal era o deus dos moabitas faria tanto sentido quanto dizer que Lord é o deus dos ingleses. Então Baal-Peor era o Senhor de Peor, o deus adorado naquela região. Aliás, esse Baal cananeu era uma divindade ligada aos cultos da fertilidade, os quais incluíam uma boa dose de putaria. Ah, bons tempos e lugares em que a putaria recebia as bênçãos da religião oficial!
Pois bem, se Javé já não queria saber de baal nenhum, por melhor que fosse, muito menos ia gostar de ver seu povo escolhido adorando um Baal-Peor…
PESCARAM? PESCARAM? PEOR!
— Ô Chicoteia, o Balaão já fez essa piadinha infeliz…
Bah! Então vamos em frente. Javé viu aquilo e ficou puto, é claro. Chamou Moisés e soltou o verbo:
— CARALHO, MOISÉS! PUTA QUE PARIU! Que que deu nesse povo bunda agora???
— S-s-sei n-não, Ja-Javé…
— Você não sabe de porra nenhuma! Olha aqui, só tem um jeito da minha raiva passar agora: você vai reunir todos os líderes do povo e enforcá-los em plena luz do dia.
— Ai c-caralho…
— Alguma reclamação, Moisés…?
— N-não…
— Então vai logo fazer o que eu mandei, caralho!
Moisés saiu do Tabernáculo e foi pensando num jeito de aplacar a ira de deus sem matar os líderes do povo. Afinal de contas, eles não tinham culpa se os israelitas tinham dado mancada. Então a ordem que Moisés deu aos líderes do povo foi um pouco diferente das instruções que recebera:
— E-escutem a-aqui. Ja-Javé m-mandou que eu e-enforcasse v-vocês p-por c-causa do p-pecado do p-povo. M-mas eu v-vou t-tentar l-livrar a c-cara de v-vocês. P-para i-isso, q-quero que c-cada lí-líder mate os ho-homens de s-sua tribo q-que f-foram adorar o d-deus dos mo-moabitas.
Esta ordem, apesar de tirar da reta o cu dos líderes, causou extrema tristeza entre o povo, é claro. Além do mais, Javé mandara uma epidemia que se alastrava rapidamente pelo acampamento, já tendo matado vinte e quatro mil pessoas. O remorso tomou conta dos israelitas, e todos eles se reuniram em frente ao Tabernáculo para chorarem e implorarem perdão àquele deus tão bom, com Moisés à frente de todos.
E não é que com todo esse clima pesado um tal de Zinri, chefe da tribo de Simeão, ainda teve coragem de levar uma mulher midianita para sua tenda? Muito cara-de-pau, esse Zinri. Só que ele não contava com a astúcia de Finéias, filho do sacerdote Eleazar e neto do nosso saudoso Arão: Finéias viu Zinri se esgueirando pra dentro de sua tenda acompanhado da midianita, e foi atrás dele armado de uma lança. Ficou lá, só de butuca. Esperou que os dois tirassem as roupas e, quando Zinri traçava a mulher na popular posição do frango assado (que uns e outros chamam de galinha-choca), trespassou o casal feliz com a lança. A midianita (que se chamava Cosbi e era filha de Zur, eminente líder de Midiã) ainda deve ter pensado “Nossa, que grande!” antes de perceber que estava sendo penetrada por uma lança, e não pelo pau circuncidado de Zinri.
Danado esse Finéias, né? Pois Javé também achou: orgulhoso do zelo demonstrado pelo neto de Arão, fez cessar a epidemia e até se acalmou:
— Ê, Moisés! Esse seu sobrinho-neto aí é dos meus! Gostei desse cara. Pode dizer pra todo mundo que graças ao Finéias eu não vou matar ninguém no acampamento.
— F-fora os 24 m-mil que j-já e-esticaram as c-canelas…
— Como?
— N-nada…
— HUMPF! Olha, vai lá e diz pro Finéias que a partir de hoje ele pode se considerar meu amigo. E eu prometo que ele e seus descendentes sempre serão sacerdotes. Quanto a vocês, quando chegar a hora, quero que destruam completamente os midianitas. Entendeu?
— E-entendi.
— Então vamos botar uma pedra sobre esse assunto que eu tenho um trabalhinho pra você…
Exames
Colesterol total e frações, triglicérideos, glicemia, T4 livre/TSH, ecocardiograma Doppler, teste ergométrico, ultrassom de abdomen total, monitorização de pressão arterial.
Pressão arterial: 15 por 11.
E o pulso? Ainda pulsa?
Lucidez adolescente
O título deste post parece uma contradição de termos. Mas não é, se o aplicarmos ao meu sobrinho Thiago Capanema, que mandou a porrada abaixo, dentre outras:
Ele não precisou (como eu) chegar ao final do segundo ano de Jornalismo para perceber isso. Com esses dois últimos posts, o nome não vá se perder por aí ganha novo sentido.
Sobre o ato leviano de escrever
(Aviso: muitas das idéias deste post surgiram de conversas com minha sábia e querida Fer)
Desde a infância a linguagem escrita me fascinou. Eu ainda nem sabia ler e já olhava encantado para as letras impressas. Sabia que aqueles símbolos encadeados, por algum mecanismo incompreensível para mim, contavam histórias, histórias como aquelas da minha avó. As histórias sempre foram sagradas para mim graças a ela. E o fato de poderem ser transportadas para o papel e eternizadas, isso para mim sempre foi (e é) um grande Mistério, no sentido religioso da palavra.
Como era de se esperar, logo que aprendi a escrever comecei a tentar dominar os rudimentos do processo que levavam as histórias da minha cabeça para o papel. No começo parecia impossível; aos poucos fui acertando, polindo, sempre guiado pelo que aprendia nos livros de Julio Verne e Conan Doyle.
Por algum tempo, do final da infância até o meio da adolescência, alimentei a quimera de um dia viver do que escrevia. De levar as emoções inventadas por mim para dentro do coração de outra pessoa, da mesma forma que fazia minha avó. Se não contava com o imbatível talento que tinha ela para engendrar histórias, tinha ao meu lado a vantagem da palavra escrita, que vai mais longe e dura mais tempo. Mas tanta gente ridicularizou o monstrinho que eu comecei a criar, tanta gente riu e ergueu as sobrancelhas, que eu acabei desistindo. É, eles tinham razão e a única vida possível era a vida de gado que eles levavam. Pois que viesse o cabresto, eu me juntaria ao rebanho.
Só que o monstrinho era mais forte do que eu pensava, e há coisa de três anos resolveu acordar. Primeiro timidamente, cuspindo frases aqui e ali, foi ganhando forças, criou um blog, depois outro, depois mais um e começou a bostejar seus textos para centenas de pobres e desavisados leitores.
Está aí a razão de toda a crise. Porque durante o tempo em que o monstrengo permaneceu sufocado, eu construí um arremedo de carreira no inglório ramo do suporte técnico de informática. E agora? Largar tudo? Mas em troca de quê? Essa vidinha aqui vicia. Aqui eu tenho pasto verde e água fresca. E fora daqui? Sei lá, o cabresto não me deixa ver! É como a tal Alegoria da Caverna do Platão, mas sem o seu glamour.
Eu não acredito no meu talento. Eu não gosto dos meus textos. Tiraram isso de mim. Tanto falaram que esse negócio de querer escrever era ridículo que acabei acreditando fervorosamente.
Mas eu quero tentar. Estou com quase trinta anos e ainda não fiz nada. Quero tentar escrever.
Sutil como a Soninha
Aê, cambada. Vamos prestigiar o mico de nosso amado Rafael Capanema ao lado da Soninha no Blog’n’roll. Assistam aqui.
