Nah… Tinha postado um trem aqui reclamando de várias coisas, mas quero que se foda. Cada um que resolva seus problemas, eu vou comemorar meu aniversário na paz e quero mais é ver todo mundo tomando no cu mesmo. Não gostou? Vá se roçar nas ostras, então.
Ufa…
Acho que esse post aí embaixo é o maior da curta história deste blog. Desculpem, me empolguei.
O reencontro de Esaú e Jacó
— Não percam hoje, após o Domingo Legal, Silvio Santos apresentando Casa dos Artistas 2. Quem será que vai deixar a Casa hoje? Não percam! Pois bem, chegou a hora do quadro que todo mundo espera, aquele momento em que várias pessoas, íntimas ou não do convidado, levam o pobre coitado às lágrimas, ao absoluto constrangimento, ou ambos. Nosso convidado de hoje é um rapaz que tem uma linda história de vida. Ainda adolescente, saiu fugido de casa, com medo da vingança do irmão. Hoje, vinte anos depois, ele está rico. Mas não foi fácil. Pode entrar, Jacó!
[aplausos]
— Boa tarde, Jacó.
— Boa tarde, Gugu.
— Quem são essas pessoas aí?
— Bom, essas duas são Bila e Zilpa, servas das minhas esposas, e seus filhos, Dã, Naftali, Gade e Aser. Gade, tira o dedo da boca. Atrás deles, vem Léia, minha primeira mulher, com os filhos que tive com ela, Ruben, Simeão, Levi, Issacar e Zebulom.
— Zebulom, Jacó? Que nome é esse?
— Sei lá, Gugu, ela que escolheu, eu não discuto essas coisas. Ah, e tem também a menina, como é o nome dela? Diná. E ali atrás está minha querida Raquel, com nosso filhinho José. Ela é meio tímida, repare não.
— Que bonito, Jacó. Mas por que você enfileirou todo mundo assim? Se Raquel é o amor da sua vida, porque ela não está aqui na frente com você, apesar da timidez?
— Ah, Gugu, não sou bobo não! Meu irmão Esaú está para aparecer, então… Peraí, deixa eu falar baixinho… Então eu organizei assim, comigo na frente. Se Esaú vier pra matar a gente, me mata primeiro, depois as servas e seus filhos, depois Léia e as crianças, e só depois vai chegar até Raquel e José. Assim minha esposa e meu filho preferido têm mais chances de escapar. Entendeu?
— Mas tu é safo mesmo, Jacó. Eu tenho mais perguntas para fazer a você, mas antes eu quero falar aos telespectadores sobre o Kid Vibrator do Gugu®. Se você anda desconfiado do seu filhinho, se ele se tranca no quarto por horas a fio com os amiguinhos, se ele brinca de boneca, para que reprimir um menino que dá tantas mostras de ser perobo mesmo? Dê a ele o Kid Vibrator do Gugu® e faça a vida do seu filho muito mais feliz e cor-de-rosa. Pois então, Jacó, recentemente aconteceu aí uma luta e seu oponente mudou seu nome. Mas você continua usando o nome antigo, Jacó. Por quê?
— Veja bem, Gugu, eu…
— Espera, espera! A produção tá me dizendo que tem um VT com ele aí. Pode soltar o VT!
deus —Pois é, Israel. Tá lembrado de mim? Sou eu, Israel! Jeová! Que bela luta aquela nossa, hein? Nunca vou me esquecer. Você não é fraco não, admito que não foi fácil derrotá-lo. Você é bom, rapaz, tem futuro. Só fiquei chateado com um negócio: Escolhi um nome tão bonito pra você, mas você insiste em continuar se chamando Jacó. Puxa, Israel, que que eu te fiz? Bom, mas tá tudo bem, um abraço para você, te garanto que ainda vou fazer de você uma grande nação.
[aplausos]
— E aí, Jacó, cê quer explicar essa história?
— Puxa, eu quase que não reconhecia o cara. O velho Jeová… Pois é, Gugu, você deve ter visto a luta, o cara roubou na cara dura. Tô mancando até agora, e meu quadril dói quando o tempo está úmido. Além de tudo ainda quer mudar meu nome? Ah, peraí, e a trabalheira de mudar toda a documentação? Ele que vá mudar o nome das negas dele, comigo não!
— Mas ele vai fazer de você uma grande nação!
— Esse é outro negócio que me irrita. É “grande nação” pra cá, “grande nação” pra lá… Porra, deus, vira o disco! Cê já falava isso para o meu avô Abraão, depois para o meu pai, e até agora eu não vi nada!
— Pô, Jacó, mas você enriqueceu, subiu na vida. O VT que vamos mostrar agora é de uma pessoa que diz que te ajudou muito para que você chegasse aonde chegou. Sabe de quem eu estou falando?
— Não faço idéia.
— Então roda VT!
Labão—Ê, Jacó! Esse meu sobrinho é demais! Chegou aqui sem nada, corrido de casa, assustado feito um coelho. Dei emprego pra ele, ensinei uma profissão, dei condições ideais de trabalho, vale-refeição, assistência médica e odontológica, férias uma vez por ano, décimo-terceiro… E ainda deixei o danado se casar com minhas filhas, já que ele queria tanto! Achei que foi um pouco de ingratidão ele ter ido embora, mas entendo. A juventude é assim, impulsiva. Mas sei que onde quer que ele vá sempre carregará com ele tudo o que aprendeu aqui comigo, e mais importante, todo o amor que dispensei a ele. Jacó, meu querido, uma abraço do seu tio e sogro!
[aplausos. Gugu está com os olhos vermelhos]
— Jacó, apesar de tanto sofrimento na vida, cenas como essa fazem tudo valer a pena, não é?
— O que que faz valer a pena? O papo furado desse velho sem-vergonha? Ah, Gugu, faça-me o favor. Esse maldito fodeu minha vida, me fez trabalhar pra ele durante vinte anos, acabou com minha juventude, e agora vem com historinha. Labão, vai à merda!
— Eu devo lembrar, Jacó, que estamos transmitindo em TV aberta para todo o Brasil no horário vespertino, e que sua linguagem é inadequada.
— Inadequada, é? E o que você acha adequado? Essas putas balançando o rabo na frente das câmeras é adequado?
— Arran… Continuando. Outro VT pra você, Jacó.
Rebeca—Jacó, meu filhinho! Eu e papai estamos morrendo de saudades! Vê se acerta logo as coisas com seu irmão e volta pra casa! Mamãe te ama. Beijo no coração!
[aplausos. Uma lágrima furtiva se insinua no olhar do apresentador (valeu, Vavá!)]
— Ah, Jacó, pode confessar: Esse seu coraçãozinho de pedra está começando a amolecer…
— Amolecendo está é o seu cérebro. Tá, ela é minha mãe, mas se eu não tivesse acatado as idéias dela não teria me fodido tanto na vida. Esse negócio todo de enganar meu pai e meu irmão, e depois ainda ir morar com Labão, foi tudo idéia dela. Ô, mãe, não vou xingar a senhora por respeito. Mas que puta sacanagem que a senhora me aprontou!
— Jacó, você é um homem amargurado.
— Amargurado meu ovo! Vai você dormir no meio dos bodes pra ver se não fica amargurado também.
— Hum… Bom, outro VT. Pode soltar, produção.
Isaque—Oi, filho. Estou com saudades. Você foi embora há tanto tempo! Esaú sumiu também, foi morar noutras terras. Sua mãe só vive reclamando. Eu sei que sou só um velho cego e fraco, mas como eu queria a família toda reunida outra vez! Vê se volta pra casa, filho. Não guardo mágoas de você. Você sabe que eu sempre quis seu bem. Você abusou ao se aproveitar do amor do seu pai para levar vantagem, mas isso tudo foi há muito tempo. Volta, filho. Um beijo do papai.
[aplausos emocionados. Jacó não consegue conter o choro]
— Ufa, finalmente! Pensei que você não fosse…
— Cala a boca, biba! Cê queria o quê, porra? É meu pai! Meu pai, que eu tanto fiz sofrer, como se ele já não tivesse sofrido na vida. Eu tenho raiva de deus pelas coisas que me fez passar, mas troço muito pior ele fez com meu pai. Quando ele ainda era uma criança, deus pediu ao meu avô, Abraão, que ofertasse meu pai em sacrifício. Meu avô, com sua fé cega e sua faca amolada, foi correndo obedecer. O sacrifício foi impedido em cima da hora, mas meu pai carregou esse trauma para sempre.
— Que história triste, Jacó. Não sabia disso. Conta mais.
— Conto nada! Leia a bíblia! Ou pelo menos leia a versão do Jesus, me chicoteia!
— Ok, ok… Mas, Jacó, deixamos a surpresa melhor para o final. Tem alguém aí nos bastidores que veio para reencontrar você. Sabe quem é?
— Não faço a mínima.
— Uma pista: Ele não está sozinho, com ele estão quatrocentos homens.
— AI, CARAIDIASA, É O ESAÚ! Rápido, cambada, em fila, do jeito que combinamos. Ai, putaquepariu!
— Calma, Jacó, calma. Pode entrar, Esaú! Deixa seus amigos aí fora!
[Esaú entra e levanta Jacó, que tinha ficado de pernas bambas. Esaú abraça e beija o irmão. Todo mundo chora]
— Ah, meu irmãozinho, que saudades! Quem são essas pessoas que estão com você?
— São minhas esposas, senhor, e os filhos que tive com elas.
[As esposas, as servas e a molecada chegam mais perto e Esaú abraça e beija um por um]
— Tá, Jacó, vamos largar desse negócio de “senhor”. Sou teu irmão, porra! E o que eram aqueles rebanhos todos que você me mandou?
— Ah, uns presentinhos, pra ver se você consegue me perdoar.
— Queisso, Jacó! Tenho bastante, sou rico também, não preciso! Além do mais, não guardo rancor. Pode pegar tudo de volta.
— Não, faço questão. Por favor, Esaú, aceita o meu presente.
— Tá bom, vai. Ê, moleque! Tava se cagando de medo, hein?
— É, um pouquim…
— Imagino.
— Mas também, Esaú, cê vem com quatrocentos homens!
— Ah, esses aí? Porra, estávamos indo assistir a sua luta, mas não deu tempo. Muito longe. Mas ficamos sabendo da roubalheira.
— Não se pode ganhar todas.
— É isso aí.
— Pessoal de casa, vejam que cena emocionante! Os dois irmãos se encontram depois de tantos anos! Que coisa linda! Que maravilha! Que…
— Calaboca, bicha deslumbrada! Jacó, vamos voltar pra casa? Eu vou indo na frente com meu bando, você vem seguindo. O pai vai ficar doidinho de alegria.
— Esaú, acho que não consigo te acompanhar não. Você está só com homens adultos, eu estou com essas crianças e vários animais ainda filhotes. Se eu for andando no seu ritmo, logo logo o rebanho todo morre e os moleques se cansam. Não quero te atrapalhar, então vai indo, que eu sigo andando no passo da molecada. Não tenho pressa mesmo.
— Boa desculpa. Cê não consegue me acompanhar mas é por causa desse seu andar deixa-que-eu-chuto. Tá bom, manquitola. Estou indo, então. Vou dar a boa notícia aos velhos. Vê se vem logo, tá? Tchau.
— Tchau, meu irmão.
[Esaú sai. Gugu vai falar com Jacó]
— Jacó, o Silvio está chamando a gente lá do outro estúdio, quer falar com você. Fala, Silvio!
— Ha-haaaaaaaaai! Boa noite, Gugu.
— Boa noite.
— Boa noite, minhas amigas de casa, minhas colegas de trabalho. Boa noite, Jacó.
— Boa noite, Silvio.
— Jacó, você é de onde?
— Canaã, Silvio.
— Ah, um cananeu! Tem caravana de Canaã no auditório hoje? Ha-haaaaaaaaaai! Jacó, você sabe que eu sou judeu, não é?
— Sei sim. E daí?
— Como assim, “e daí”? Isso quer dizer que eu sou descendente do seu filho Judá. Em outras palavras, sou do povo de Israel.
— Xi… Então esse nome vai pegar?
— Sim senhor, vai se acostumando. Mas eu estava aqui assistindo e me emocionei com a sua história. Eu sei que você é rico, mas vou te dar um prêmio, porque achei que você merece.
— Ai, ai, ai… Deixa eu adivinhar: Carnê do Baú?
— Não, Jacó, que coisa! Ha-haaaaaaaaai! Você acaba de ganhar um terreno no valor de cem peças de prata em Siquém, Canaã, para armar suas tendas e ficar vivendo por lá, perto dos seus pais e do seu irmão!
— Puxa, Silvio, muito obrigado! Não sei como agradecer!
— Não precisa agradecer não. Apenas trate bem dos seus filhos, se não eu nunca vou existir.
— Meio confuso isso aí…
— É, eu sei. Gugu, acho que está na hora.
— Está na hora, Silvio. Amigos de casa, vocês agora ficam com Casa dos Artistas 2. Quem será que vai sair da Casa hoje? Eu fico por aqui. Até semana que cem com mais um programa Domingo Legal!
[A Técnica esquece o microfone aberto, e ainda dá para ouvir Jacó falando]
— Viadão sem-vergonha…
Butequim
E eis que estou botando mais um link aí do lado. Você quer conhecer um blog com mensagens edificantes, frases bonitas, imagens inspiradoras, todo fofinho e cor-de-rosa? Então vá pra puta que pariu, que aqui não tem link pra essas merdas não! Vai ler aquela porcaria de sorvete de casquinho! Meu link novo é para o Blog do Pedro Nunes, Butequim, cheio de insanidades, mas tudo muito bem encadeado por uma lógica admirável. Bem no estilo dele: Já foi lá? Clica no link, porra! Não vem falar sem conhecer, clica na porra do link e depois me diz o que achou do blog do cara. Vai logo, caralho! É foda…
600º comentário
Está ficando rápido o negócio por aqui. Já chegamos ao comentário de número 600! E a autora do 600º comentário é… a antropofágica JÔ!!!!
Jô, seu prêmio é ser chicoteada até urrar de prazer.
Jesus, me Chicoteia! na mídia
Bão, não é bem na mídia. Não é que tenham falado deste blog no Jornal Nacional ou na Folha. Mas saiu um artigo num site chamado Fábrica de Gasosas em que o blog herege é citado. Melhor ainda: Jesus, me Chicoteia tem a honra de ser mencionado ao lado do Fale com deus, que é, como vocês sabem, o melhor blog do mundo. Querem ler? Tá aqui. O tom geral da matéria é aquela idéia de que blog é coisa de quem não tem vida sexual. Nem ligo, mesmo porque no meu caso é a mais pura verdade.
CINCO MIL!!!
Nem tinha reparado, chegamos às cinco mil visitas! Tá, eu sei que a contagem é furada, mas vou comemorar assim mesmo. Êba!!!
Que porra foi essa?
Cazzo, entraram no meu blog pra narrar luta. Tá, é verdade que Jacó lutou com deus, mas não lembro desse leriado todo não… Jacó ficou sozinho lá perto do rio. Aí veio um homem e lutou com ele quase até o nascer do sol. Quando viu que Jacó estava levando a melhor, tocou na juntura da coxa dele, deslocando o nervo, e disse:
— Porra, me deixa ir embora que já está amanhecendo.
— Deixo nada, rapaz! Só se você me abençoar. Tô numa situação desgraçada, tô apelando até pra benzedura.
— Qual é o seu nome?
— Jacó.
— Ah! É que tá escuro, acho que vim brigar com o cara errado… Bom, a partir de hoje seu nome será Israel.
— E eu te autorizei a mudar meu nome, cabra safado?
— Eu faço o que quero.
— Ôpa, conheço essa voz. Qual o seu nome?
— Não interessa. Quer que eu te abençoe? Tá bom, sê bento. Pronto, tchau.
O homem foi embora. Jacó percebeu que estivera lutando com deus e chamou aquele lugar de Peniel. Bom, el, como vocês já devem ter percebido, é deus em hebraico. Então isso quer dizer que Peniel significa pênis de deus??? Não, seus hereges! Significa rosto de deus, porque Jacó esteve cara-a-cara com o hômi.
Ah, e Israel significa aquele que luta com deus.
Jacó luta com deus
— Muito bem, amigos da Rede Canaã. Interrompemos este blog para transmitir ao vivo com exclusividade, diretamente do Vale do Rio Jaboque, a Luta do Século, entre…
— Gabriel?
— Aqui ao meu lado o nosso comentarista, Arcanjo Miguel. Pode dizer, Miguel.
— É só uma curiosidade que eu tenho: Por que toda luta é chamada de “Luta do Século”?
— Sei lá, Miguel, deve ser para vender anúncio. Mas esta eu posso te garantir que é a Luta do Século, do Milênio, de Todos os Tempos! É pena não terem inventado ainda a televisão para o pessoal de casa poder ver este combate que promete ser sangrento, mas mesmo pelo rádio será emocionante!
— Hum… Gabriel?
— Que foi agora?
— Ainda não inventaram o rádio também.
— Não?
— Não.
— Que que esses caras inventaram até agora?
— Deixa eu ver… A roda. O arado. A escrita. Acho que é isso.
— Porra, tão de brincadeira! Então vamos ter que gravar a transmissão desta luta emocionante para a posteridade?
— Também não. Não existe gravador ainda, esqueceu?
— Ah, cê tá querendo me boicotar. Bom, vamos transmitir a luta, quem puder que ouça. Está bom agora?
— Perfeito.
— Muito bem. Pois bem, meus amigos, estamos aqui para transmitir a luta pela qual todos esperavam. Já no ringue, com um metro e setenta e dois, pesando setenta quilos, o safado, o sem-vergonha, o desonesto, o canalha Jacó, o Usurpador! Estamos esperando a entrada da grande estrela desta noite, campeão absoluto… Ôpa, lá vem ele. A platéia delira. De altura e peso desconhecidos, o Senhor dos Exércitos, o Rei das Nações, o Soberano da Terra, o Criador de Todas as Coisas, o…
— Porra, Gabriel, pára de puxar meu saco! Coisa desagradável…
— Perdão, senhor. Bom, adentrando agora o ringue, Jeová, o Todo-Poderoso! O público não se agüenta! Aplausos ensurdecedores! Duas moças já desmaiaram de emoção! Ele é o ídolo das multidões!
— Ídolo é o cacete, Gabriel! Eu sou é deus, porra!
— Perdaõ de novo, senhor. Muito bem, o juiz está dando as instruções. Vamos ouví-lo.
— Muito bem, aqui vale tudo, desde golpe baixo até puxar o elástico da cueca do adversário. Mas devo adverti-los que não será aceita a utilização de superpoderes de qualquer espécie, sendo imediatamente desclassificado o lutador que apelar para eles. Isso vale para o senhor, Jeová. Fingir que foi atingido por superpoderes também não vale, está ouvindo, senhor Jacó? Não quero saber de malandragem. Entendido?
— Entendido é teu pai.
— Perguntei se os dois compreenderam…
— Ah, entendi sim.
— Eu também.
— Muito bem, meus amigos, soou o gongo. Os adversários se estudam. Nota-se que há respeito de ambas as partes. Olha lá, Jacó tomou a iniciativa do combate, tentando um jab de esquerda, do qual Jeová se esquiva com facilidade. Aproveitando-se da guarda baixa do adversário, Jeová aplica um cruzado de direita no queixo de Jacó. Uh, doeu até em mim. Mas Jacó parece não sentir e passa uma rasteira no Todo-Poderoso. Jeová caiu! Mas olha só, ele mesmo caído conseguiu aplicar um rabo-de-arraia em Jacó. Por essa ele não esperava! É emocionante meus amigos! E este foi o primeiro assalto.
— Peraí, Gabriel, não ouvi o gongo.
— Não, Miguel, foi o primeiro assalto, acabam de levar meu relógio. Ô, situação calamitosa… Bom, de volta à luta: Jacó parece estar aprontando alguma. Está com a mão direita nas costas, o que será. EPA! EU NÃO ACREDITO NOS MEUS PRÓPRIOS OLHOS, MEUS AMIGOS! JACÓ ACABA DE JOGAR UMA TORTA NA CARA DE JEOVÁ!!!
— Gabriel, esta é a primeira vez que ocorre algo assim numa luta de nível internacional.
— É verdade, Miguel. A única coisa que eu já vi parecida com isso foi naquela luta entre Jeová e Lúcifer, quando o Canho botou uma tachinha no banco em que Jeová se sentaria no fim do primeiro assalto. Jeová ganhou aquela luta, mas passou meses sentando de ladinho. E agora está puto da vida com o golpe inesperado de Jacó. Olha lá, Jeová está fazendo alguma coisa… Ah, é o velho golpe da distração! Ele está apontando para alguma coisa atrás de Jacó. Não acredito que ele vá cair nessa. Ah, não! Jacó olhou e Jeová aplicou-lhe um telefone com as mãos em concha nos ouvidos. Ui, isso dói! Jacó está visivelmente atordoado e Jeová aproveita para tentar um fura-olho estilo Três Patetas. Mas Jacó conhece o golpe e se protege colocando o lado da mão sobre o nariz. Que reflexos, meus amigos! Que combate emocionante! Jacó já se recuperou e prepara um novo golpe. Mas Jeová foi mais rápido e deu um beliscão no braço de Jacó, chamando-o de bobo, feio e cabeça de melão! O campeão está ousado hoje! Mas não é só ele, vejam só! Jacó acaba de aplicar um peteleco no nariz do Todo-Poderoso! E outro! E mais outro! Jeová está irritado, o que só faz com que ele perca a concentração. Jacó aplica um joelhaço no saco de Jeová! Pode ser o fim da luta!
— Gabriel, deus tem saco?
— Deve ter, porque está encurvado e arfando feito um cachorro asmático. Jacó não vai perder essa oportunidade. Pronto, Jacó aplica um mata-leão no adversário. Deve ser o final do combate, meus amigos, que emocionante!
— Gabriel…
— Que foi?
— Tem uma luzinha saindo do dedo de Jeová, tá vendo ali?
— É verdade, Miguel! Parece que Jeová está querendo quebrar as regras. O dedo dele está brilhando, parece o ET! O que será que ele vai fazer? Ele está encostando o dedo na coxa de Jacó, na junta do quadril! Jacó urra de dor! Tenta se levantar, mas a perna não se move! Abre o microfone do ringue, vamos ouvir o que o juiz tem a dizer sobre isso.
— Senhor Jeová, eu avisei. O senhor usou superpoderes e está desclassificado. O vencedor da luta é Jacó.
— Juiz?
— Sim, Jeová?
— Quer ir para o inferno, quer?
— E O VENCEDOR É… JEOVÁAAAAAAAAAAAA!
— Assim que eu gosto. Me manda o prêmio via Sedex, que eu preciso ir porque já está amanhecendo. Tchau
— Meus amigos, é inacreditável o que vimos aqui hoje! Jeová trapaceou na cara dura, e mesmo assim manteve o título!
— E que papo foi esse de voltar pra casa porque já está amanhecendo?
— Sei lá, Miguel. Será que o Todo-Poderoso ia virar abóbora?
— Ouvi isso, Gabriel! Espera só até você voltar pra cá!
— Ahan… E é isso, amantes do esporte, Jeová é confirmado mais uma vez como campeão inconteste do Universo! Jacó parece estar se recuperando lentamente, e já consegui ficar em pé. Encerramos por aqui nossa transmissão e voltamos à programação normal. Boa noite, ou melhor, bom dia a todos.
Jacó se isola
Post curtinho.
Naquela mesma noite, Jacó se levantou, acordou as duas mulheres com suas servas e os onze filhos.
— Aê, macacada, é hora. Levanta todo mundo, que vocês vão viajar. Eu fico por aqui.
Depois que todos acordaram, Jacó os levou até o rio Jaboque e os fez atravessar o rio. Feito isso, voltou para onde estava dizendo que precisava treinar.
Treinar? Ué treinar pra quê? Vocês logo saberão…
