Após uma reportagem sobre a devastação da Mata Atlântica, o Jornal Nacional passa a falar da posse do novo ministro do Meio Ambiente. A matéria inclui um trecho do discurso de Lula durante a despedida da ex-ministra:
— Olhar para tua cara, ministra Marina Silva, é olhar para a cara do meio ambiente nesse país.
Ou seja: a cara da ministra está pior do que ela pensava. Coitada.
Agüentem aí
Um monte de gente cobrando capítulo novo. Fico feliz e tal, mas o negócio é que agora não dá. Tenho esquecido de jantar ultimamente, então vocês imaginem como está o blog em minha escala de prioridades. Tenham paciência, meus caros. Juro que volto.
Vida completa
Tenho internet na casa nova. Que mais um homem precisa?
Utilidade pública
Abro espaço para a mensagem do leitor incidental Julio Cesar, que manifesta (creio eu) grande indignação por algum motivo indecifrável:
O desabafo (ou sei lá o quê) foi postado como comentário nesse post de maio de 2002. Se alguém aí entender alguma coisa, faça o favor de ajudar o rapaz com esse problema aí, seja lá qual for.
Obrigado.
Dilema
A história é velha e bem conhecida, só os detalhes variam. Em uma versão são colheres gigantes, em outra são palitos e por aí vai. A versão de minha avó, porém, é muito mais legal.
Diz que no inferno todo mundo vive triste. Ninguém conversa, as pessoas mal erguem os olhos do chão. Isso porque têm os cotovelos ao contrário e não conseguem comer. Passam a eternidade desejando morrer de inanição. Não podem, então vivem tristes.
No céu todo mundo é feliz. Brincam, conversam, riem. O engraçado é que lá também todos têm os cotovelos ao contrário, exatamente como no inferno. Só que, chegada a hora das refeições, cada um leva o alimento à boca do vizinho e todos se fartam.
É uma história bonita, sempre fiquei fascinado com esse negócio de uma diferença besta mudar tudo. Mas ontem eu comecei a pensar nas implicações da situação e fiquei mais triste ainda por não ter minha avó a meu lado. Se ela estivesse por aqui, perguntaria a ela. Como não está, pergunto a vocês.
O que é pior: não limpar a bunda nunca ou passar a eternidade limpando a bunda alheia?
Mais um saque
Ontem, meu aniversário, foi também o dia em que recebi a fatura de cartão de crédito mais alta de minha vida. Viagem internacional, apartamento, casamento, emprego novo e o natural descontrole financeiro geraram essa conta que não tenho como pagar. Eu já fiz um empréstimo no banco, e a fatura assustadora me pegou de calças na mão. Então vocês imaginem a minha alegria ontem à noite.
Então hoje fui almoçar com o pessoal de uma empresa. Notícia nenhuma, a idéia era mesmo mostrar o escritório novo aos jornalistas e bater papo, um negócio que chamam de almoço de relacionamento. Durante o inevitável tour pelo escritório, o diretor nos apresentou o funcionário mais antigo da casa. A empresa está no Brasil há 71 anos e o velho está na empresa há 57. Um corno desse deve ter uma etiqueta de patrimônio com o número 00001 colada na bunda. 57 anos na mesma empresa, e essa foi a primeira mudança de escritório! Eu fiquei menos de três anos no último emprego e quase endoidei, fico imaginando como vive um feladaputa desse.
Mas aí vocês sabem como é: velho com platéia toca a contar história. Falou que tem mais tempo de empresa do que de casado, falou das mudanças do mercado, do orgulho de trabalhar lá, essas coisas. Disse que antes dava muito valor à carreira, ao dinheiro, mas que hoje dá muito mais valor ao tempo. Segundo ele, os jovens não dão valor ao tempo, acham que vai durar para sempre, quando na verdade é uma conta no banco da qual você só saca e nunca deposita.
— Aí um dia você puxa o extrato e se assusta: “Puxa, só tenho isso?”
O pessoal que estava comigo queria mais era que o velho calasse a boca, mas sua filosofia rasteira me fez pensar. Eu estava todo preocupado com dinheiro e nem pensei no saque que fiz ontem, ao completar 33 anos de vida. Mais um débito no meu extrato, e eu não tenho como saber o saldo. Em vez de me preocupar tanto com a fatura do cartão de crédito, eu devia mais era me esforçar para prolongar a vida.
Sábio velho.
Mas que ele já entrou no cheque especial faz tempo, ah, entrou…
33
Hoje chego a mais uma idade de algarismo dobrado. A cada onze anos isso me acontece, vejam vocês. Em 1975 eu tinha 00, em 1986 cheguei aos 11, em 1997 eram 22 e agora estou com espantosos 33. O algarismo dobrado tem muita importância em culturas ancestrais. Os maias acreditavam que a ocorrência dupla de um número era bom augúrio, sinal de fartas colheitas e prosperidade. Os atecas, que eram asteus Os astecas, que eram ateus e não admitiam qualquer tipo de crença, ridicularizavam os maias por suas crendices e sacrificavam virgens à Razão. Os incas, adeptos de longas sessões de cessão da seção traseira, se perguntavam por que não podemos viver todos em harmonia, respeitando e celebrando as diferenças.
Aí vieram os espanhóis e deram um basta àquela putaria.
Mas nem era isso que eu queria dizer.
Como eu disse, passei a morar no novo apartamento. Sou um adulto desde domingo. Ontem fui à casa dos meus pais. O pretexto era pegar uma tomada de telefone, o motivo real era a vontade de vê-los. Aquela coisa de conversa, atualizações sobre a família, peguei a tal tomada, me despedi, entrei no carro. Enquanto saía da garagem, vi os dois lá dentro acenando e me veio um nó na garganta. Ali estavam eles, os responsáveis por esses 33 anos felizes. Eu não consigo nem começar a calcular o quanto devo àqueles dois. Só eles sabem a verdadeira extensão dos sacrifícios que precisaram fazer durante todo esse tempo por mim e por meus irmãos.
Minha vida entra agora em uma nova fase em todos os sentidos. E eu olho para os meus pais e só espero não desapontá-los.
Coincidências
Passei minha primeira noite na casa nova. E lhes digo: essa história de casar, alugar apartamento e coisa e tal está me saindo uma história das mais improváveis. Primeiro porque encontramos o apartamento dos sonhos no primeiro dia de busca. Depois porque tudo foi convergindo: compramos uma mesa com cadeiras de uma peruana que vai voltar para seu país, uma pia no Mercado Livre e ganhamos um balcão da minha mãe. Só que quem entra na nossa cozinha pensa que foi tudo planejado, porque todos os móveis combinam. A mãe de Daniela nos deu uma escrivaninha gigantesca e ainda compramos dela um canto alemão a um preço ridículo. Juntando a isso todos os presentes de ambas as famílias, temos a casa montada com despesa quase zero.
Acabo de descobrir que Janaína morava no meu apartamento na época em que nos conhecemos, doze anos atrás. Eu chamava a Jana de anjo na época, de tanto que ela me ajudava, tadinha. E agora eu me sinto como se ela tivesse alguma coisa a ver com essa convergência toda. Sei não…
O outro lado e um mea culpa
Minha amiga Ieda e os leitores Daniel e Rafael me deram um toque sobre a resposta da livraria para a história toda. Vocês podem ler a resposta aqui e aqui. Nessa comunidade do orkut há toda uma discussão sobre o assunto. Na íntegra:
Diferentemente do que o Leonardo afirma, ele continua associado ao referido plano de saúde. A Livraria Cultura também não mudou de plano de saúde, como Leonardo menciona em sua carta. A seguradora apenas trocou a rede credenciada e, inclusive, Leonardo dispõe agora de duas redes de atendimento, a própria da seguradora e uma rede terceirizada com cobertura nacional. Ou seja, Leonardo continua tendo todo seu tratamento pago pela seguradora e ainda tem o direito de receber a medicação prescrita pelo Estado.
A Livraria Cultura é uma empresa idônea e todos os comprovantes necessários para a verificação da veracidade do que afirmamos nesta carta estão disponíveis em nossa sede, como a tutela do Estado e a apólice em vigor de seu plano de saúde. O seguro saúde empresarial contratado pela Livraria Cultura está de acordo com a Lei 9656/98 e cumpre todas as exigências da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Sem mais,
Livraria Cultura S.A
Ou seja, é possível que eu, tão metido a cético, tenha caído numa armadilha. Pior: posso ter influenciado outros. Por isso, peço desculpas a vocês. A história pode ser verdadeira ou não, mas eu não tinha o direito de publicar só um dos lados. Nada a ver com regras do jornalismo, mesmo porque este não é um blog de jornalista. Por decência mesmo. Agora releiam a história do funcionário, a resposta da livraria, e tirem suas conclusões. Eu, de minha parte, concluo que vou esperar mais desdobramentos e comprar pipoca pra ver a briga.
Livraria de terror
Leiam isso.
O que dizer? Sou cliente fiel da tal livraria há anos. Se há uma razão para essa preferência, são os funcionários: educados, informados, dão dicas de leitura aos clientes. Mas se é dessa forma que a empresa os trata, eu ainda tenho Saraiva, Submarino, Amazon. Se vocês puderem me acompanhar no boicote e espalhar a mensagem, agradeço.
