O Tonon lembrou uma coisa importante: com eleições todo ano, o povo que é chamado pra ser mesário, fiscal e o diabo a quatro ia ficar irritado. Então tenho outra proposta: acabemos com as eleições!
Não, não me apedrejem. Pensem bem: desde o fim do regime militar nós nos acostumamos a votar a pelo menos cada dois anos. E o que mudou? Nada! Para falar só em presidentes, tivemos Sarney (que não foi eleito, mas quem se importa?), Collor, Itamar, FHC e agora o Lula. O que mudou? Que marca esses homens deixaram? Nenhuma! O País vai indo aos trancos e barrancos, o povo continua na merda de sempre. Então para que eleições?
Vamos pensar em métodos alternativos para escolher nossos líderes. Por que não botar no Palácio do Planalto o candidato mais alto, por exemplo? Ou o que tiver mais dentes na boca? Ou o que beber mais (er..)? Posso pensar nessas e muitas outras maneiras de se escolher um presidente: luta no gel, corrida de saco, concurso de beleza, pau de sebo, campeonato de bafo, teste ergométrico. Podemos eleger o mais cabeludo, o mais careca, o mais barbudo, o mais engraçado, o mais esquisito, o mais verde, sei lá! Imaginem Lula, Alckmin, Garotinho, Enéas e outros zés numa gincana animada pelo Silvio Santos.
Por que tentar construir um país sério? Já tentamos todos os caminhos. A direita, o centro e a esquerda já chegaram lá e não fizeram nada. Institucionalizemos a bagunça que o Brasil sempre foi. Mostremos ao mundo que isto aqui é, sim, a casa de mãe joana.

Muito bem, então a tucanagem escolheu Geraldo Alckmin para concorrer à vaga do bebum. Excelente. Agora é só esperar pra ver algum marqueteiro sabichão vir com slogans do tipo “Alckmin é bom pra chuchu”. Querem apostar?
Aliás, estava reparando nas obras da nova linha do metrô paulistano. Rapaz, como aquilo andou rápido esta semana! O buracão da Ipiranga com a São Luís sumiu do dia pra noite. Passei por lá hoje e estava tudo asfaltado e bonitinho, e nem sinal da cratera que enfeiou durante meses a esquina onde Caetano morou. “Ano de eleição…”, pensei, com meu típico cinismo brasileiro. E então me veio a idéia: por que não instituir mandatos de um ano para todos os cargos executivos, sem limite para o número de reeleições? O prefeito, governador ou presidente atual não teriam direito a fazer campanha; a mídia seria totalmente ocupada pela oposição. Vejam só: todo ano seria ano de eleição, e neguinho ia trabalhar adoidado pra garantir suas mordomiazinhas. Eita, que isto aqui ia ser uma maravilha!

Curtindo a depressão constante, vinha eu no ônibus descendo a Consolação, testa grudada no vidro, pensando em diversas maneiras de matar (bem lentamente) dois ou três seres que vêm me aporrinhando a vida. Sem qualquer razão, meus olhos se detiveram sobre o adesivo no vidro traseiro de um Corsa. Dizia o adesivo: “Quem não tem tempo para Jesus está perdendo muito tempo”.
Vocês vão achar esquisito, mas ao ler aquela frase tão simples, banal até, eu me senti como que invadido pela luz. Sem tempo para Jesus. É assim que eu ando, é assim que muita gente anda. Todos trabalhamos, estudamos, temos família, namorada, namorado, amante, esposa, marido (estou falando de forma geral, não que cada um de nós tenha tudo isso. Bah, vocês entenderam). É tanta coisa que não nos sobra tempo para cuidar da vida espiritual, que no fim das contas é a vida que importa de verdade.
Não sei quanto a vocês, mas ao pensar nisso eu tomei a decisão de fazer minha parte para melhorar esse estado de coisas. As Organizações Jesus mexe com telha? Jesus, me chicoteia!, conglomerado dirigido por este que vos fala com punho (eta!) de ferro, lança no mercado a…

Gods Outsourcing Incorporated!

Você está sem tempo para Jesus, Javé, Maomé ou Xangô? Está adiando há mais de um ano aquela visitinha ao templo budista, à comunidade Hare Krishna, ao centro espírita? Tomado pelas obrigações e pelo estresse do mundo moderno, acabou ficando sem tempo para cuidar do espírito? Não se preocupe: TERCEIRIZE!

Mas como???

É simples! Basta cadastrar-se em nosso site, escolher a religião de sua preferência e a modalidade de assinatura do serviço que melhor lhe aprouver, e deixar o resto em nossas mãos! Levamos seus pecados ao padre e trazemos sua penitência e, por uma taxa adicional, hóstia para a comunhão. Resumimos os sermões de seu pastor preferido em lindas e didádicas apresentações em Power Point. Entregamos seu dízimo ao picareta de sua escolha (mediante taxa de 10%). Arriamos despacho em qualquer encruzilhada, praia ou cachoeira do Brasil. Transmitimos recados aos parentes desencarnados. Ah, você prefere o budismo? Nosso time de profissionais pode meditar por você. Prefere ser um monge Hare Krishna? Vendemos incenso nas principais avenidas e aeroportos do País.

Quanto vale tudo isso?

Não responda ainda! Além de todos os serviços, você ainda recebe em casa, totalmente grátis, uma edição de luxo da Bíblia, do Corão, do Livro dos Espíritos, do Necronomicon, enfim, do livro sagrado de sua religião predileta!

Mas isso tudo deve ser muito caro!

Não se preocupe! Temos desde planos populares até elaboradíssimos planos, com contingência de religião* para garantir o seu conforto no além! Temos o plano do tamanho do seu bolso! E muitas outras opções religiosas, do voduísmo haitiano aos dervixes rodopiantes da Turquia. Fale conosco hoje mesmo e durma de consciência tranqüila!

Nossa, deve ser uma fortuna!

Ah, então foda-se, miséria do cão! Vá pro inferno e não me encha o saco!
Apaporra!

*Obrigado pela lembrança, Vinicius!

1989.
Todos na sala olham para baixo, num silêncio constrangedor. O professor repete:
— Por que vocês acham que não há prostitutas em Cuba? Pode falar, pessoal, quero gerar uma discussão.
O silêncio continua. Não suportando mais, eu mais sussurro do que falo:
— Porque Cuba tem um regime que em tese é mais justo, igualitário. Ser prostituta vale tanto a pena quanto ser secretária, por exemplo.
— Exatamente! Vocês ouviram? Não? Marco Aurélio, você pode falar mais alto?
Mais seguro, eu repito a resposta, projetando a voz para que todos ouçam claramente. No paraíso comunista, as mulheres não são compelidas à prostituição. O professor sorri, e seus olhos brilham tanto quanto o broche com a foice e o martelo que ostenta na lapela. Está orgulhoso: oito anos de doutrinação mostram resultados indiscutíveis.
1993.
Estou de bata branca, sentado no primeiro banco da igreja. É dia do meu batismo. Antes de descermos às águas, porém, eu e os outros catecúmenos temos de responder a algumas perguntas. É a chamada Profissão de Fé.
— Marco, você acredita que Deus fez-se carne para morrer, ressuscitar ao terceiro dia e assim salvar a humanidade.
— Acredito.
— E por que você acredita?
— Porque está na Bíblia. E se a Bíblia falou, tá falado.
Os irmãos riem. O pastor corre os olhos pela congregação, sorrindo de orgulho. Está lançada mais uma semente do fundamentalismo protestante.
Libertar-me dessas duas prisões. Essa tem sido minha luta nos últimos cinco anos. E lhes digo: é complicado pra diabo.

Em dezembro do ano passado eu apostei com a Srta. Sofia que ela não conseguiria juntar cem pessoas numa comunidade dedicada ao finado Emotionrélio. E mais: se ela conseguisse, eu ressuscitaria meu famigerado blog de caretas. Pois bem, lascou-se. Como bem notou o Pedro, eu devia ter estipulado um prazo. Porque hoje, quase três meses depois, a centésima pessoa chegou à comunidade do Emotionrélio no orkut. Para piorar, a responsável pela marca foi a Bobie, minha colega de redação. Maldita traidora.
Enfim, aposta é aposta. O Emotionrélio vai voltar. Para fazer pedidos, entrem na comunidade. Depois eu boto lá no blog um formulário para pedidos por e-mail.
Merda.

Eu bem queria escrever um capítulo novo, mas minha capacidade de concentração é praticamente nula. Estou numa ansiedade feladaputa por conta de coisas que devem acontecer nos próximos dias. Ou não. SEI LÁ!
Torçam aí. Quando a situação se definir eu volto. Se as notícias forem boas, volto mais rápido, até.