(I Reis 15 e 16)
Não estranhem o tamanho do título, nem a quantidade de nomes estranhos. Com as mortes de Roboão e Jeroboão, os reis se sucederam nos dois tronos, sem que nenhum deles fosse propriamente digno de nota.
Abias, por exemplo, que sucedeu Roboão no trono de Judá, não fez nada além do que seu antecessor fizera. Neto de Absalão, o filho encrenqueiro de Davi, Abias subiu ao trono quando Jeroboão estava em seu décimo-oitavo ano de governo, e continuou a encrenca com o vizinho do norte. A idolatria permaneceu forte em Judá durante seu curto reinado de três anos. Um reizinho bem apagado, mas que mereceu o prêmio de ter um filho seu na linha de sucessão, graças à simpatia de Javé por seu bisavô, Davi.
Asa, filho de Abias, foi coroado quando Jeroboão ainda vivia. Foi um rei zeloso, que expulsou do país todos aqueles que não seguiam a religião oficial, e destituiu sua avó, Maacá, filha de Absalão, do posto de rainha-mãe. A velha adorava imagens, e isso não condizia com a alta santidade do neto. Asa reinou por quarenta e um anos, e viu os reis do norte sucederem-se uns aos outros enquanto ele permanecia firme no trono. No segundo ano de seu reinado, Jeroboão morreu e foi sucedido por seu filho Nadabe, que reinou por apenas dois anos. Quando Nadabe estava cercando Gibetom, uma cidade da Filistia, um tal Baasa, filho de Aías, da tribo de Issacar, armou uma conspiração contra o rei e o matou. Baasa foi então coroado rei, e sua primeira providência foi matar todos os descendentes de Jeroboão, conforme dissera Javé por meio do profeta Aías.
Depois de se garantir no poder eliminando a concorrência, Baasa resolveu invadir Judá e construir muralhas ao redor da cidade de Ramá, para assim controlar o caminho que levava a Jerusalém. O plano visava enfraquecer o Reino do Sul, e unir todo o Israel sob seu cetro. Aconteceu, porém, que Asa, o zeloso rei de Judá, enviou mensageiros a Ben-Hadade, rei da Síria, e junto com eles todo o ouro e prata que haviam sobrado no Templo e no palácio de Jerusalém. Asa pedia a Ben-Hadade que retirasse o apoio dado a Baasa, e que se unisse a ele contra o Reino do Norte. Com tantos presentes vistosos, o rei da Síria nem titubeou: enviou seu poderoso exército a Israel, e os soldados sírios conquistaram as cidades de Ijom, Dã e Abel-Bete-Maacá (pense…), a região do lago da Galiléia e toda a tribo de Naftali.
Baasa não tinha bala na agulha para responder a tamanha retaliação, então achou mais prudente interromper a construção das muralhas em Ramá e retornar a Tirza. Com Ramá livre dos israelitas, o rei Asa mandou reunir o povo para retirar todo o material trazido do norte para a construção das muralhas, e usá-lo para erguer muros em torno das cidades de Mispa e Geba, na tribo de Benjamim.
Já bem velho, Asa foi acometido por uma doença nos pés e morreu. Foi o primeiro caso registrado na História de morte por frieira.
Lá no norte, Baasa fazia tudo o que mais irritava Javé: promovia a adoração de outros deuses, espezinhava os irmãos do Sul e cagava e andava para os profetas. Javé enviou, então, o profeta Jeú, filho de Hanani, para dar ao rei de Israel o mesmo recado que Jeroboão recebera tantos anos antes: que seus descendentes seriam mortos e devorados pelos animais. O profeta levou a mensagem ao rei, que morreu pouco tempo depois. A Bíblia diz que o rei foi castigado por sua idolatria, mas principalmente por ter massacrado a família de Jeroboão. O massacre, caso vocês não se lembrem, foi uma idéia do próprio Javé. Com a morte de Bassa no vigésimo-quarto ano de reinado, o Deus de Israel celebrava a prática hoje conhecida como “tirar o cu da reta”.
Baasa foi sucedido no poder por seu filho Elá. Um dia, dois anos depois de ser coroado, Elá estava enchendo a cara na casa de Arsa, encarregado do palácio. Zinri, um dos oficiais do exército, entrou na casa e atacou o rei que, bêbado, não teve como reagir. Morto Elá, Zinri foi coroado rei no Norte, no vigésimo-sétimo ano do reinado de Asa em Judá. No primeiro dia de seu governo, a ordem corriqueira: matar todos os descendentes de Baasa.
Zinri bateu todos os recordes de brevidade em Israel. Sua conspiração só deu certo porque a maior parte do exército israelita estava novamente (ou ainda) sitiando Gibetom. Quando a notícia da conspiração chegou ao acampamento, os soldados se revoltaram e ali mesmo coroaram seu comandante, Onri. O oficial reuniu a tropa, e seguiram todos para Tirza. Quando Zinri viu que a cidade estava cercada, e por seu próprio exército, desesperou-se e tocou fogo no palácio. Zinri morreu queimado, tendo reinado em Israel por apenas sete dias.
Com a morte de Zinri, o reino dividiu-se. Parte do povo apoiava a subida de Onri ao trono, outra parte queria coroar um tal Tibni, filho de Ginate. No fim das contas, o partido de Onri prevaleceu e Tibni foi morto.
Onri ainda tentou governar a partir de Tirza, mas a cidade já não era a mesma. Com o palácio incendiado e parte da cidade destruída pelo cerco, saía mais barato mudar a capital. O rei, então, comprou umas terras de um tal Semer, pagando por elas setenta quilos de prata. As terras incluíam uma montanha, na qual Onri construiu uma cidade e defesas militares. Em homenagem ao seu primeiro proprietário, o rei chamou a cidade de Samaria. Após doze anos de reinado, durante os quais deu continuidade à idolatria dos reis anteriores, Onri morreu e foi sucedido por seu filho, Acabe.
Os reis iam e viam em Israel, e Asa continuava firme no trono de Judá. Em seu trigésimo-oitavo ano de governo, o filho de Onri foi coroado no Norte. Acabe foi, provavelmente, o rei que mais trabalho deu a Javé. Não contente em deixar que o povo continuasse a adorar os deuses que quisesse, o rei tomou alegremente parte ativa na idolatria. Casou-se com Jezabel, filha do rei de Sidom, Etbaal, e adotou o deus da família da esposa, Baal. Os altares e ídolos construídos por outros reis antes dele eram nada diante do templo erguido por Acabe em honra a Baal, em Samaria. Para piorar, permitiu que um tal Hiel de Betel reconstruísse a cidade de Jericó. Pode parecer pouco, mas após a destruição de Jericó Josué havia amaldiçoado a cidade, dizendo que quem colocasse os alicerces perderia o filho mais velho, e quem erguesse os portões perderia o caçula. Como Hiel fez as duas coisas, Hiel perdeu seu primogênito, Abirão, quando botou os alicerces, e Segube, o mais novo, quando colocou os portões na cidade pronta.
Enquanto seus antecessores pecavam apenas por omissão, Acabe deleitava-se em desafiar Javé de todas as maneiras. Para um cabra ruim assim, o Senhor dos Exércitos ia precisar arrumar um oponente daqueles. Os velhos profetas, pouco mais do que garotos de recado, não dariam conta de tamanha tarefa. Era preciso um paladino, quase um Moisés. Conseguiria Javé arrumar um sujeito assim para enfrentar Acabe? É o que veremos.
Categoria: Uncategorized
Jornalista é gado
A historieta da Intel já deu o que tinha que dar. Conversei bastante com a assessora, e parece que tudo foi uma mistura de mal-entendidos com uma presepadazinha. Nada de mais, pois. Só que a discussão pegou fogo lá no Pérolas. Estudos mostram que os jornalistas brasileiros têm em média um ego duas vezes maior do que o de um argentino comum. Então foi aquele furdunço: jornalistas de redação falando dos assessores, assessores achincalhando os repórteres, nego pregando a revolução, enfim, coisinhas divertidas. Porém, o comentário de um retardatário me chamou a atenção, justamente por referir-se a mim:
É claro que o bonitão (ou bonitona) não se dispôs a dar a cara a tapa: o comentarista se oculta por trás do escudo covarde do anonimato. Não me interessa quem seja, também. Dá para perceber que se trata de mais um que considera o jornalismo um sacerdócio, uma função sagrada a ser exercida apenas pelos iniciados. Pobre alma. Ainda não percebeu que jornalista é gado, e que segue a direção determinada por seu patrão boiadeiro. A questão toda é o diploma? Eu já estive numa faculdade de jornalismo. Se aquela papagaiada toda fez diferença na vida do caro anônimo, só tenho a lamentar. Formação cultural independe de universidade, e um texto decente nasce da leitura compulsiva, não das cadeiras mágicas da faculdade.
Não sou jornalista, e não pretendo sê-lo. É só uma profissão que exerço no momento. Se me aparecer uma atividade mais interessante, largo o jornalismo com gosto. Não vejo nada de sagrado no jornalismo, e não me sinto socialmente responsável por ser (estar) jornalista. É um trabalho: vendo parte do meu tempo e do meu parco talento para uma empresa, a empresa me paga uns caraminguás, e assim vamos vivendo. Não é um privilégio ser jornalista. Não é a coisa mais linda do mundo. Não é emocionante. Só um trabalho besta.
Agora, só não entendi uma coisa: pagando de jornalista-gatinho por todos os cantos da internet? Eita preula! E eu tenho culpa de ter um blog que as pessoas gostam de ler, e que o que eu escrevo por aqui ecoe em outros rincões da rede? Apaporra! Comecei o blog antes de ser jornalista, e este troço continuará existindo depois que eu mudar de profissão.
Jornalista é uma raça muito estranha, credo.
Tenganação
A Telefônica lançou nesta semana uma promoção válida para São Paulo e Campinas. O objetivo claro da promoção Tevolução (nomezinho besta) é levar os clientes a migrarem para os planos de minutos. Para isso, a operadora oferece descontos em ligações de longa distância, redução no preço da franquia de minutos, períodos de ligações grátis e outras mumunhas.
Claro que nada disso vem de graça. Para começo de conversa, só vale para clientes que tenham Speedy, o serviço de banda larga da empresa. Além disso, se o usuário cancelar o Speedy em menos de um ano, perde todas as vantagens. Mais uma vez o golpe da fidelidade, como vocês podem ver. A Claro tentou me aplicar um desses, depois eu conto. Porque o que mais me espantou no regulamento da tal promoção da Telefônica foi o item 9:
Como é que é? Então para participar de uma promoçãozinha fuleira sem-vergonha o Grande Satã Espanhol quer minha alma por vinte anos? Mas nem por um ramalhete de caralhos!
Javé castiga Jeroboão
(I Reis 14)
Jeroboão foi avisado pelo profeta de Judá, teve sua mão paralisada e viu o altar consagrado aos bezerros rachando ao meio. Nem assim, porém, o rei de Israel tomou tento. Vendo lá de cima que Jeroboão continuava a traí-lo com outros deuses, Javé resolveu que era hora de castigá-lo. Ergueu o punho, fez pontaria sobre a cabeça do rei, lançou sua maldição e… errou a pontaria. Jeroboão nem percebeu nada até ser avisado pela esposa que Abias, seu filho, caíra doente. Lá de cima, Javé disse “Epa” e tratou de improvisar um plano B.
Jeroboão podia ser idólatra e prepotente, mas era também um bom pai de família. Percebendo que a doença do filho podia ter alguma relação com as advertências do profeta de Judá, chamou sua mulher e lhe passou instruções:
— Minha filha, tu conhece Aías, o profeta que disse que eu ia ser rei e a porra toda, não é? Pois então: leve o barrigudim lá pro profeta, em Siló, explique a ele o leriado todo. Dê a ele uns pãezinhos, uns bolos, uns agrados, e pergunte que diacho vai acontecer ao menino. Mas vá disfarçada, viu? Se o cabra da moléstia souber que tu é minha mulher, é capaz de nem atender. Profeta é uma raça muito puxa-saco de Javé.
A esposa do rei botou então uma máscara de Groucho Marx, uma peruca azul, e foi ter com o profeta.
Aías já estava completamente cego, então a precaução de Jeroboão seria desnecessária. Seria, porque no mesmo momento em que sua mulher saía de casa para ir visitar o profeta, Javé batia à porta do velho.
— Quem é?
— É O FRIO!
— Não adianta bater, eu não deixo você ent…
— CALABOCA, AÍAS! SOU EU!
— Javé?
— É, porra!
— Já vou abrir.
— Não precisa, já estou aqui dentro.
— Eita. Como é que cê faz isso?
— EU SOU É DEUS, RAPAZ! DEUS!
— Sim, sim.
— Vim para dar um aviso. A mulher daquele desgraçado daquele Jeroboão está vindo aí. Vem num disfarce ridículo, para te enganar. Não se engane, Aías! Quando ela chegar, diga logo que sabe quem ela é e entregue este papel a ela.
— Pode deixar, Javé. O que está escrito no papel? Javé? Ô! Javé! Sumiu… Comé que ele faz isso, diacho?
Quinze minutos depois era a mulher de Jeroboão que batia à porta de Aías.
— Quem é? É a mulher do rei?
— …
— Não adianta disfarçar, minha filha. Pode entrar, fique à vontade.
— Como o senhor sabia que era eu?
— Javé me disse que a senhora viria. Pediu-me para entregar-lhe este papel.
— O que está escrito?
— Eu sei lá! O diabo do recado não está em braile.
A mulher aproximou o papel de um lampião e leu o recado terrível que Deus tinha para seu marido:
Você pensava que podia me sacanear, adorar a outros deuses e levar o povo à idolatria sem que nada lhe acontecesse? Eu avisei, eu avisei… Escolhi você para ser rei. Tomei a maior parte do reino da família de Davi e a entreguei a você. E o que você fez? FODEU COM TUDO, SEU MERDA!
Ah, que saudade de Davi! Aquele sim me obedecia. Eu dizia “vá”, e ele ia. Dizia “mate”, e ele matava. Com gosto! Você não chega nem aos pés de Davi.
Você me traiu, Jeroboão, e por causa disso eu vou trazer desgraça para sua família. Todos os seus descendentes homens terão morte horrível. Eu vou varrer sua família do mapa como quem varre um monte de bosta, que é isso que vocês são. Seus descendentes não terão sequer o direito à sepultura: serão devorados pelos cães e pelos corvos.
Que isso lhes sirva de lição
J.
Enquanto ela lia a carta, o telefone tocou. O profeta foi atender e voltou com a maior cara de tristeza do mundo.
— O que diz o recado, dona?
Ela leu a mensagem em voz alta, e Aías não precisava de visão para saber que a mulher chorava enquanto lia.
— É muito triste mesmo. E tem mais.
— Como?
— Javé ligou agora. Mandou dizer que o menino vai morrer assim que a senhora pisar na cidade.
— MEU DEUS!
— Meu também, mas o que se vai fazer? Ele diz que esse menino vai ser o único da família a ter uma sepultura decente, porque é o único de quem ele gosta de verdade.
— Gosta? GOSTA? Meu marido errou, ele castigou o menino, e ainda diz que GOSTA dele?
— Dona, eu só dou o recado. Entendo nada também. Diga isso ao rei, e diga também que Javé mandou avisar que vai castigar o povo de Israel por sua idolatria. O povo será arrancado dessa terra e espalhado por aí.
Sem acreditar no que acabara de ouvir, a esposa do rei saiu da casa de Aías sem se despedir. Vagou durante horas por estradas secundárias, sem coragem de voltar para casa. Se o que o profeta dissera era verdade, assim que ela chegasse a Tirza seu filho morreria. Depois de muito andar, percebeu que era inútil adiar: de uma forma ou de outra ela teria que voltar à cidade, e se não o fizesse Javé era capaz de adotar represálias piores ainda. Foi, portanto, para a cidade. Assim que ultrapassou as muralhas, ouviu o grito de Jeroboão. Quando entrou no quarto do menino, viu o rei chorando debruçado sobre o corpo.
O príncipe Abias, mais uma vítima inocente de Javé, foi pranteado por todo o povo de Israel e sepultado em Tirza.
Após a morte do filho, Jeroboão começou a definhar. Parou de comer e beber, não se dedicava a mais nada e vivia vagando pelo palácio com olhos vazios. Vinte e dois anos depois de assumir o trono, o rei de Israel morreu e seu filho Nadabe foi coroado. Não durou muito.
Quando Jeroboão morreu, Roboão já apodrecia em sua cova havia cinco anos. O rei de Judá morrera aos 58 anos de idade, 17 deles no trono. O comportamento de Roboão não fora melhor que o de seu colega do norte: durante seu reinado, o povo adotou os costumes e os deuses dos países vizinhos. Havia altares pagãos nas montanhas, bosques consagrados a diversas divindades e até orgias sagradas com prostitutas fazendo as vezes de sacerdotisas.
No quinto ano do reinado de Roboão, Sisaque, rei do Egito, atacou Jerusalém e saqueou o templo e o palácio construídos por Salomão. O rei mandou fazer escudos de bronze para substituir os outros, de ouro, que haviam sido levados para o Egito.
Os reis do norte e do sul mantiveram-se em guerra enquanto Roboão foi vivo. Quando ele morreu, foi enterrado no mausoléu dos reis, e seu filho Abias subiu ao trono. Também não durou muito.
Eu mereço
Direito de resposta
A Alessandra Neris, assessora de imprensa da Intel, enviou um e-mail esclarecendo o furdunço todo. Ei-lo:
Segue nossa resposta, só para por os “pingos nos iis”:
Não houve informação privilegiada. Todos os jornalistas de São Paulo e alguns de outros estados que aceitaram o convite participaram da coletiva.Todos receberam o mesmo press kit e as mesmas informações.
Depois da coletiva, houve um almoço organizado pela Burson-Marsteller (agência de comunicação da Intel) para os jornalistas de fora de São Paulo, na churrascaria Jardineira Grill, por cortesia da Intel, por terem vindo de longe. Nenhum porta-voz da Intel esteve presente nesse almoço. Além dos jornalistas de fora, alguns de São Paulo (que estavam na sala de imprensa no momento da saída para o restaurante) foram convidados (pela Burson), como se convida um colega para um almoço informal, o que de fato era.
Paul Otellini participou de um outro almoço, no próprio Hyatt, com alguns editores de publicações específicas, de interesse do executivo, apenas para relacionamento.
Como estes dois almoços estão sendo confundidos e alguns jornalistas se manifestaram ofendidos e discriminados, queremos esclarecer que EM NENHUM DESSES ALMOÇOS —– seja no de cortesia aos colegas de fora, seja no de relacionamento organizado pela Intel —– HOUVE QUAISQUER INFORMAÇÕES PRIVILEGIADAS.
Nós, da Burson-Martellers lamentamos o mal-entendido e garantimos a todos que não foi dada nenhuma informação diferente do que já havia sido dito na coletiva. O que poderá ser facilmente comprovado nas eventuais matérias publicadas sobre o evento.
A equipe de atendimento da Intel, na Burson, está à disposição para esclarecer, aos colegas jornalistas, quaisquer dúvidas sobre os fatos. E pede desculpas por eventuais transtornos que estes fatos (até então não checados) tenham causado.
A Burson-Marsteller, que há 50 anos (30 deles no Brasil) zela pelo profissionalismo e pelo bom relacionamento, jamais promoveria a discriminação em quaisquer segmentos.
Gratos,
Alessandra Neris
Innovation &Technology
Burson-Marsteller Brasil
E basta, que papo de jornalista é muito chato.
Discriminação
Nos velhos tempos de minha juventude, costumavam dizer que o Brasil era um país tão desigual que poderia ser considerado como a junção de dois países diferentes: a Bélgica e a Índia, formando a tal Belgíndia que fez a delícia dos cientistas sociais por anos. O tempo passou, e acho que hoje lá na Índia os sociólogos dizem que seu país é um Belsil ou algo assim.
O negócio é que a desigualdade ocorre em todos os setores da vida nacional. No jornalismo de tecnologia, por exemplo, existem veículos grandes e chiques, veículos médios e legaizinhos, e veículos pequeninos e humildezinhos. É normal que as assessorias de imprensa convidem para uma determinada coletiva apenas representantes dos grandes. A visita dos fundadores do Google foi assim: os chiques falaram com os caras, e nós ficamos sabendo depois. É triste, mas é parte da realidade desigual em que vivemos. O que se vai fazer? Vamos tocando a vida e tentando vez por outra passar por cima dos grandes, como quando nós aqui furamos todo mundo com as informações financeiras do Google. Momentos raros de regozijo, mas muito bem aproveitados.
Eu ainda não tinha visto, porém, nada parecido com o que aconteceu hoje numa coletiva da Intel. Jornalistas de todo canto do Brasil estavam presentes para entrevistar o CEO da empresa e mais alguns executivos daqui de baixo. Ao término da coletiva, eu e mais dois colegas fomos tomar um café e falar bobagem. Quando saímos, encontramos alguns companheiros do alto clero reunidos na calçada. Falavam de um tal almoço, perguntaram se íamos também.
— Almoço? Que almoço?
Mostraram-nos seu convite para a coletiva. Era diferente do nosso: trazia no último parágrafo a informação sobre um almoço com os executivos numa churrascaria de alto nível ali na zona Sul. Nosso convite não mencionava almoço algum.
Pois muito bem: não faço questão de ser convidado para todas as coletivas, nem de almoçar às custas das empresas. O que aconteceu, porém, é um pouco mais sério. Os jornalistas grandões (que estavam inocentes na história toda) foram almoçar com os executivos, conversaram com eles mais de perto, podem ter conseguido alguma informação exclusiva, ou no mínimo mais aprofundada. Quanto a nós, do baixo clero, ficamos apenas com as informações divulgadas durante a coletiva e nos releases de imprensa. Com esse tipo de tratamento, a Intel espera mesmo que divulguemos suas novidades? O WiMAX é muito legal, as novas tecnologias móveis idem. No entanto, se era para dar informação privilegiada a apenas um punhado de jornalistas, porque não convidaram só a estes? Todos nós, os outros, temos mais o que fazer nas redações.
Eu sei que esse assunto tem nada a ver com este blog; é mais a praia do Edu, no Pérolas das Assessorias de Imprensa. Acontece, porém, que isso não foi uma pérola. Cagada seria o termo mais adequado.
Pronto. De volta à nossa programação normal. Coleguinhas jornalistas, comentem. Leitores que têm nada a ver com isso, desculpem-me.
Javé condena a seita de Jeroboão
(I Reis 13)
É da eterna prepotência humana acreditar que Deus ouve todas as orações e as considera uma por uma. Nada mais pretensioso. O que ocorre, na verdade, é que as orações são dirigidas ao Limbo. O Limbo, como vocês sabem, é o lugar do além reservado aos infiéis virtuosos e às crianças que morrem sem batismo. Toda oração que é feita aqui da Terra, independentemente da religião de quem profere a prece, é encaminhada ao Limbo. Lá os receptores classificam as orações de acordo com a filiação religiosa e as repassam ao Purgatório.
O Purgatório, como vocês também sabem, é reservado àquelas pessoas que não foram boas o suficiente para ir para o céu nem más o bastante para queimar no inferno. Como o próprio nome diz, é um local para purgar os pecados cometidos em vida. O que vocês não sabem é que todo mundo que vai para o Purgatório é colocado para trabalhar numa central de atendimento. Cada religião, seita ou culto tem seu próprio contact center por lá. Os atendentes, sentados em suas baias com seus headsets, recebem as orações do Limbo e a encaminham ou não ao Céu (ou ao Inferno, no caso dos satanistas). Preces que tenham alguma relação com ganhar na loteria, por exemplo, são sumariamente descartadas. Pedidos para passar no vestibular são analisados caso a caso. E assim vai. Assim que a oração é repassada, cessa a responsabilidade do Purgatório.
“Mas o que tem isso a ver com o reino dividido de Roboão e Jeroboão?”, há de perguntar um que outro leitor mais impaciente. Já explico.
Aconteceu que, nos tempos de Jeroboão, um dos atendentes da empresa de contact center dedicada ao judaísmo no Purgatório recebeu uma ligação urgente do Limbo. A pessoa do outro lado da linha parecia agitada.
— A religião de vocês tem alguma coisa a ver com bezerro?
— Um momento, senhor. Vou estar verificando.
[musiquinha de espera]
— Obrigado por aguardar, senhor. No judaísmo, os bezerros são utilizados em rituais de sacrifício ao nosso deus, Javé.
— Só isso?
— É o que consta no relatório, senhor. “O bezerro vai estar sendo sacrificado a Javé, que vai estar aceitando ou não o sacrifício. Se no caso Javé não aceitar, ele vai estar fulminando quem ofereceu o sacrifício, para estar deixando de ser besta”. Mais alguma informação, senhor?
— Tenho recebido umas orações estranhas aqui, nego falando em bezerro. “Ouvi nossa prece, ó Grande Ruminante! Parai de pensar na morte da Bezerra, sua santíssima progenitora”. Essas coisas.
— Senhor, não tenho informação sobre esse tipo de oração dentro do judaísmo. O senhor tem certeza que não foi algum hindu? Sabe como é hindu: adora tudo que é coisa estranha.
— Que mané hindu! Aqui eu só recebo oração dos narigudinhos. Era judeu mesmo.
— Pois não, senhor. Vou estar anotando sua solicitação e passando ao setor responsável.
— Obrigado.
— Mais alguma informação?
— Não, só isso.
— A Shalom Contact Center agradece por sua ligação. Tenha uma ótima tarde!
— Bah.
Essa foi apenas a primeira ligação. Durante o dia, os ramais da central ficaram congestionados com tantas ligações de ouvidores do judaísmo reclamando do crescente número de preces destinadas não a Javé, mas a um bezerro. “Tem boi na linha”, comentou um atendente mais gaiato, mas foi logo advertido por seu supervisor. O supervisor passou o problema para o gerente, que o repassou para o diretor, que o empurrou para o presidente, que decidiu que aquilo era problema do Céu. Enviou, portanto, um relatório ao Paraíso. O anjo que o recebeu não soube o que fazer daquelas informações, então enviou o relatório a seu arcanjo-chefe. O arcanjo-chefe resolveu repassar o problema às potestades superiores. Resumindo: só meses depois, quando o culto dos bezerros no Reino do Norte já estava consolidado, é que Javé veio a receber a notícia. Ficou puto, esbravejou, ameaçou demitir todo mundo. Foi lembrado por um serafim, porém, que todos tinham estabilidade de emprego e não podiam ser demitidos. O Senhor dos Exércitos maldisse as leis trabalhistas, jogou a cadeira para o outro lado da sala, esmurrou a parede. Já mais calmo, procurou na agenda o telefone de algum profeta confiável que estivesse desocupado.
No judaísmo, só os profetas tinham o número do telefone vermelho de Deus. Não foi, portanto, grande surpresa para esse profeta de Judá ver em seu identificador de chamadas o nome “Javé” piscando. Atendeu, ouviu os gritos, concordou com tudo e foi cumprir sua missão
No dia seguinte, quando Jeroboão estava diante do altar de Betel oferecendo sacrifícios a seus deuses bovinos, levou um susto com o grito do profeta de Judá, recém-chegado de viagem.
— Ó, ALTAR MALDITO! JAVÉ MANDA DIZER QUE VIRÁ UM REI CHAMADO JOSIAS (1), QUE QUEIMARÁ SOBRE VOCÊ OS SACERDOTES QUE OFERECEM SACRIFÍCIOS A OUTROS DEUSES!
Em seguida, contradizendo-se, o profeta continuou:
— COMO PROVA DE QUE FUI ENVIADO POR JAVÉ, ESSE ALTAR VAI SE QUEBRAR EM PEDAÇOS.
Jeroboão nem parou para pensar em como é que o tal Josias viria a queimar gente sobre aquele altar, se ele ia se quebrar em pedaços. Em vez de entrar numa discussão que poderia ser longa e enfadonha, apelou para seus poderes reais, apontando para o profeta e gritando:
— PEEEEEEEEEEEEEEEEGA ESSE CABRA SEM-VERGONHO!
No mesmo instante o braço do rei ficou paralisado e sua mão secou. O altar implodiu e suas cinzas espalharam-se pelo chão. Assustado, quase chorando, Jeroboão disse ao profeta:
— Rapaz, faça isso não! Diga a Javé que eu tenho muito apego por essa mão, posso ficar sem ela não…
O profeta orou, e imediatamente a mão do rei voltou ao normal e ele recuperou os movimentos do braço. Aliviado, botou as mãos sobre os ombros do profeta e propôs:
— Bora lá em casa mais eu? Lhe dou um agradozinho…
— O senhor está tentando subornar?
— Subornar? Deixe disso, homem! É só uma lembrancinha, uma bestagem!
— Mas nem que o senhor me oferecesse metade da sua fortuna. Javé me ordenou que não comesse nem bebesse nada aqui, que não aceitasse nada de ninguém, e que não voltasse pelo mesmo caminho que segui para vir pra cá.
— Arre, égua! Por quê?
— Misteriosos são os caminhos do Senhor.
— Eita, piaba. Bom, tu é que sabe.
Sem pedir licença ao rei, o profeta saiu dali e começou sua viagem (por outro caminho) para o Reino do Sul.
Mal o profeta saiu, dois rapazes que ouviram a conversa correram para a casa. O pai deles era um velho profeta que morava em Betel havia muitos anos. Ao saber que um profeta viera de Judá para dar um recado ao rei, ficou encafifado. Ele era um profeta tão bom como qualquer outro, apesar da idade. Por que Javé se dera ao trabalho de chamar um profeta de tão longe, se o tinha ali à mão? Perguntou aos filhos que caminho o profeta do sul tomara, ordenou que lhe encilhassem o jumento, e tocou pela estrada até encontrar seu colega de profissão descansando à sombra de um carvalho.
— Ô, rapaz. Tu é o profeta de Judá, é?
— Sou sim.
— Eita, que faz é tempo que não encontro um colega. Bora lá em casa forrar o bucho?
— Sua hospitalidade muito me comove, mas não posso ir. Javé me ordenou que eu não comesse nem bebesse nada por aqui, nem que…
— … voltasse pelo mesmo caminho. Ora, eu tô sabendo, rapaz. Eu sou profeta também, e um anjão desses bem ‘retados que me mandou vir aqui e te chamar pra ir lá em casa.
O profeta de Judá não tinha razões para duvidar. Se o outro estava mentindo, como saberia das ordens precisas que Javé lhe dera? Além do mais, anjo chega, dá seu recado e vai embora, não deixa nada por escrito. Foi de boa fé, portanto, que ele se levantou e acompanhou o velho até sua casa em Betel, onde já os aguardava a comida pronta. Enquanto comiam, porém, o telefone da casa do velho tocou.
— Dê licença um pouco, vou só atender e já volto.
— Claro, claro.
Depois de cinco minutos, o profeta voltou esbravejando:
— FIO DUMA QUENGA!
— Como é?
— CABRA SAFADO! ERA JAVÉ NO TELEFONE, TÁ ME OUVINDO? TU DESOBEDECEU O QUE ELE TE MANDOU FAZER! ELE MANDOU, EXPLICOU, MAS TU É UM CABRA RUIM DA PORRA!
— Peraí, peraí! Você me convidou para vir até aqui, disse que um anjo tinha…
— NÃO INTERESSA, FIO DUM CÃO! TU VAI MORRÊ, E NÃO VÃO TE ENTERRAR JUNTO COM SUA FAMÍLIA, QUE É PRA TU DEIXAR DE SER UM SUJEITINHO SAFADO!
O profeta de Judá, sem entender nada, saiu depressa, montou em seu jumento e picou a mula (no sentido figurado). No meio do caminho, um leão que ia passando saltou sobre o profeta e o matou. Sim, um leão. Sim, em Israel. Não perguntem. O negócio é que o bichão ficou por ali, ao lado do jumento e do cadáver, sem nem pensar em comer nenhum dos dois. Era uma cena rara de se ver, e a notícia se espalhou rápido. Quando o velho profeta ficou sabendo, entendeu que se tratava de seu colega, e mandou novamente que preparassem sua montaria.
— Fiquem aí que eu vou lá ver o defunto. Cabra besta, desobedecer Javé desse jeito, já se viu?
Quando chegou ao lugar onde jazia o profeta de Judá (com o leão e o jumento já dormindo um do lado do outro, como personagens de desenho animado ), pediu ajuda a seus filhos e jogou o cadáver sobre o jumento, levando-o de volta a Betel. Lá o enterrou em sua própria sepultura, e chorou junto com seus filhos.
— Ah, meu irmão! Meu irmãozinho de Judá! Quando eu morrer, quero ser enterrado ao lado dele.
Pense num cabra hipócrita…
Mesmo depois do aviso do profeta, de ver sua mão secar e o altar despedaçar-se, e de saber o que acontecera ao profeta por conta de uma desobediência menor, Jeroboão não tomou jeito. Continuou a cultuar os bezerros, e nomear profeta qualquer um que quisesse sê-lo. O critério dele era semelhante ao de certas igrejas modernas para ordenar pastores: ministrava uns cursinhos de oratória, marketing e vendas, e pronto, estava o cara pronto para ser líder religioso. Ele não tardaria a sentir o peso da mão de Javé. O castigo, como de hábito, seria desproporcional e injusto. Como veremos.
A divisão do reino
(I Reis 12)
Salomão, como todos sabemos, não era besta nem nada. Escaldado pelo perrengue que fora a sucessão de Davi, com tanto sangue derramado, o sábio rei definiu seu sucessor com antecedência: seu filho Roboão. Os dois despachavam diariamente no Kibutz do Torto, em Jerusalém. Com a morte de Salomão, não restava dúvida que o rei seria Roboão, e a sucessão, pela primeira vez na curta história da monarquia israelita, tinha tudo para ser tranqüila. O clima de paz e tranqüilidade era tamanho em Israel que até Jeroboão criou coragem para voltar de seu exílio no Egito. Não era o mesmo Jeroboão, porém: transformara-se quase numa lenda nas tribos do norte, e foi natural que o povo o visse como um líder.
Aconteceu, então, que Roboão foi a Siquém para ser coroado. Uma belíssima festa com música, fogos de artifício, shows populares. Tudo estaria perfeito não fosse um detalhe: as relações entre o sul e o norte, que nunca foram das melhores, acabaram de degringolar-se durante o reinado de Salomão. O velho rei dava muita atenção a Judá e pouco fazia por Israel. Tendo isso em mente, um grupo de representantes do norte foi falar com o novo rei, tendo Jeroboão como líder:
— Majestade, a gente trabalha de sol a sol que é para Israel ser o país bom danado que sempre foi. Só que nossa vida ficou arretada de difícil com o velho Salomão. Era imposto demais e retorno de menos, não há cabra que agüente. O senhor bem podia lembrar da gente, e aliviar essa carga.
— Aí, mermão. Vou pensar. Cês voltem daqui a três dias e eu dou uma resposta, valeu?
— Pronto.
A coroação transcorreu sem maiores problemas, e os israelitas voltaram para casa na expectativa da resposta de Roboão. Quanto ao rei, tratou de reunir-se com os conselheiros de seu finado pai. A resposta dos velhos foi sóbria: se o rei atendesse ao pedido do povo do norte, o reino permaneceria unido. Roboão, porém, não se contentou com esse conselho. Era jovem, voluntarioso. Andava acompanhado de um pitbull malvado de olhos vermelhos chamado Javé, gostava de arranjar briga e andava com um grupo de baderneiros. E foi justamente a seus amigos que foi pedir conselho sobre o assunto.
— Aí, os paraíba tão querendo sossego, é? Num fode, Roboão! Fala pra eles que a partir de agora é que o bicho vai pegar. Era ruim com seu véio? Pois eles vão ver agora. Não pode dar moleza pra liso não!
Dois conselhos opostos, e é claro que Roboão resolveu seguir o segundo. Três dias depois, quando Jeroboão e os outros israelitas voltaram, foram surpreendidos pela cara de poucos amigos do rei e de Javé (o cão, não aquele que já conhecemos).
— Podem voltar pra casa, seus paraíba liso do caraio. Querem vir estrondá pro meu lado? Tão tirando onda? Num fode! Meu dedinho é mais grosso que a pica do meu pai, tão sabendo?
— Hã?
— Seus paraíba burro! Tô falando que, se meu pai dava chicotada em vocês, eu vou dar logo é pipoco nos cornos, pra vocês deixarem de ser babacas, valeu? Fui!
Ao ouvir aquilo, Jeroboão ficou transtornado. Chegou a meter a mão na cintura para puxar a peixeira, mas foi detido por seus companheiros.
— TU TÁ PENSANDO QUE É MUITA BOSTA, SEU CABRA? OLHA QUE EU TE CAPO, PORRA! BORA, BORA TODO MUNDO PRA ISRAEL. A GENTE NÃO PRECISA DE JUDÁ É PRA NADA!
Os israelitas foram embora, e Roboão percebeu que aquilo seria o início de uma revolta. Em vez de tentar negociar, resolveu provocar ainda mais os israelitas: chamou Adorão, responsável pelos tributos, e juntos foram a Israel. Ao ver quem chegava a suas terras, um grupo de israelitas começou a atirar pedras no cobrador de impostos. Já caído no chão, Adorão pediu socorro, mas o rei já havia pulado para dentro de seu carro.
— Vô ralá peito daqui, doido. Foi mal aê!
O rei voltou a Jerusalém desmoralizado, e Israel instituiu Jeroboão como rei. De um momento para outro, Roboão reinava apenas sobre Judá e Benjamim, deixando as dez tribos do norte sob a tutela do antigo pedreiro. Roboão ainda tentou armar alguma resistência, juntando soldados das duas tribos para atacar seus irmãos do norte. Foi impedido, porém, pelo profeta Semaías.
— Desista, majestade. Javé falou comigo hoje…
— Tá falando com cachorro, leke?
— Nosso DEUS Javé…
— Ah. Esse.
— É. Então, ele disse que o negócio todo da divisão do reino é coisa lá dele, e que não é pro senhor se meter.
— Porra, maluco.
— Melhor não discutir.
— Mas que merda…
Enquanto isso, livre da ascendência política de Judá, Jeroboão preocupava-se com outro tipo de influência, mais perigosa: a religião dos dois reinos ainda era uma só, e havia um só lugar para adoração, que era o templo de Jerusalém. O rei matutou, matutou, e decidiu pelo caminho mais fácil: mandou fazer dois bezerros de ouro e botou um em Betel e outro em Dã.
— Companheiros de Israel! Esses são os deuses que tiraram vocês do Egito.
— Eita preula, majestade. Duas reses?
— CALABOCA! Ir pra Jerusalém dá um trabalho amuado. Os nossos deuses são esses, e lambam.
O povo aceitou os novos deuses sem grande resistência. Afinal de contas, Jerusalém era mesmo muito longe. Além de alçar os bezerros à divindade, Jeroboão instituiu sacerdotes e sacerdotisas, e datas de festas sagradas mais ou menos coincidentes com aquelas da religião tradicional.
Estava formado o furdunço.
Uma imagem vale mais que a porra
Um questionário respondido com imagens. Copiei da Fer, que copiou da Alê. Tenho cem anos de perdão.

(Marco Aurélio, o Imperador Filósofo)
Last name:

Name of a pet:

How old you are:

The place you lost virginity:

A bad habit of yours:

Your favorite fruit or vegetable:

(pescou?)
Your favorite food:

Your favorite drink:

Your favorite animal:

Your favorite color:

Favorite place:

Jericoacoara
Favorite band:

Ele é mais que uma banda, e não me encham o saco
A movie:

Your fashion:

Your mood:

Happiness is:

A felicidade é como a pluma / que o vento vai levando pelo ar
Love is:

O amor é um bichinho / que rói, rói, rói
Your world is:
