Viram como eu tô postando feito um doido? Pois é. O negócio é que terça-feira de manhã eu embarco pra Salvador (onde participarei do IT Conference como palestrante — este mundo está mesmo perdido), e fico por lá até sexta. Então estou tentando adiantar as coisas por aqui, só para não desamparar meus leitores tão queridos.
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Elas estão no ar
Não, não me refiro às mulheres do post abaixo. Essas estão na terra, graças ao bom Deus. Falo das baratas. Não, NÃO! Das idéias.
Estava agora lendo o último post do Sr. Paulo Vivan (tive que copiar e colar no bloco de notas, porque o Chickendog é um blog que odeia o Mozilla) e levei um susto que me fez saltar da cadeira até a prateleira mais alta, e descer de volta dançando como um cossaco acometido de hemorróidas. Pois, vejam vocês, há tempos venho tentando desenvolver a Seita das Duas Baratas.
A idéia me surgiu numa noite de insônia e angústia. Eu pensava: cada um diz que a vida após a morte é de um jeito, e muitos são exclusivistas: só seguindo determinada religião sua vida no além vai ser bacana, seguindo qualquer outra (ou nenhuma), você é condenado a algo bem desagradável. Passar a eternidade sendo um cossaco com hemorróidas, por exemplo. Juntei a essa questão a minha absoluta ojeriza às baratas, e voilá!, surgiu a Seita das Duas Baratas.
Funciona assim: quando alguém morre, reencarna não como uma, mas como duas baratas. Sabem como é, baratas estão sujeitas à morte por envenenamento, ou pisoteadas por batalhões de cossacos com hemorróidas. Então você morre e reencarna em duas baratas: uma delas vive a vida de barata, cheia de aventuras e coisas nojentas; a outra fica quietinha lá no ninho, como backup. Essa barata de contingência só convive com as de sua estirpe: seria muito arriscado ter contato com as baratas normais hoje em dia, com todo mundo usando Matox. Pois então, o papel das reencarnações salteadas (uma como ser humano, outra como duas baratas) é de queimar carma rapidinho: um dia Deus percebeu que certas pessoas eram tão ruins, mas tão ruins, que levaria tempo demais para pagarem pelo que fizeram. Sendo assim, encomendou uma pesquisa para saber que tipo de vida faria esse carma ruim ser gasto mais rápido, e conclui-se que as baratas dariam conta. Então O Todo-Poderoso, em sua infinita sabedoria, dotou as baratas de grande resistência às condições mais desfavoráveis, e as incumbiu da missão de levar toda a humanidade mais rapidamente aos pés de Seu Trono, que fica entre os querubins, com Seu Amado Filho assentado à direita e toda uma comitiva de cossacos para recepcionar os recém-chegados.
…
Tão olhando o quê? Tanta religião absurda por aí. Isso aí é um rascunho ainda, só resolvi postar agora porque fiquei besta (mais) com o post do Vivan. Mas se eu trabalhar bem essa idéia, capaz de ainda ganhar uma grana…
…
Ou então! Ou então!
Na verdade as baratas foram feitas à imagem e semelhança de Deus, e nós somos apenas os dispositivos de pagamento de carma para os simpáticos ortópteros.
Acne
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”
(Carlos Drummond de Andrade – Mãos Dadas)
“Lembro, Pedro, aqueles velhos dias
quando os dois pensavam sobre o mundo
hoje eu te chamo de careta
e você me chama vagabundo.”
(Raul Seixas – Meu Amigo Pedro)
Amizade real é como acne: uma doença que aflige a todo mundo na adolescência, e depois some sem deixar rastros. Insistir em manter as amizades da adolescência é algo doentio, parecido com ter saudade das espinhas purulentas. E no entanto eu, que nunca tive espinhas, insisto nessas amizades. Telefono vez em quando, mando e-mails sempre. O que encontro do outro lado é invariavelmente um mundo estranho a mim: a vida adulta, as preocupações de gente grande, o apartamento, o casamento, os filhos. Comparando minha vida com a dos velhos amigos, sinto-me cada vez mais patético: eles transpuseram a muralha da maturidade, enquanto eu continuo do lado de cá, e achando aquilo tudo muito estranho e alheio a mim. Casamento? Sou muito novo para isso!, e me esqueço que quase trinta anos de vida já foram pelo ralo. Eles têm lá seus empregos, uns são promovidos, chegam a gerentes, metem-se nas trincheiras da política corporativa. E quanto a mim? Escrevia quando adolescente, escrevo ainda. No trabalho não me empenho: não faz o menor sentido para mim, o trabalho. Eu seria menos patético se exibisse meu rosto — já meio velho, coitado — crivado de erupções.
E agora até a pobrezinha da Ana Julia entra na dança:
— Minha sobrinha nasceu, venha vê-la!
— Minha sobrinha já está com um mês e você ainda não veio visitá-la. Venha, venha!
— Ana Julia está com quatro meses, rapaz! Sorri o tempo todo, vive observando tudo, tá linda demais. Você precisa passar lá um dia desses…
Sinto-me como a mulher que pede esmolas no metrô com uma criança no colo, esperando que isso desperte a compaixão de quem olha. Mas não dá, não dá! O piso do apartamento, a decoração da igreja, o DJ da festa, tudo isso lota a agenda dos velhos amigos. E eu, que nunca tive agenda (não para anotar compromissos, pelo menos), olho e não compreendo: então é isso a amizade na vida adulta? Apenas um crachá que se espeta no peito de certas pessoas, “Este é meu amigo desde o segundo grau, aprontamos cada uma!”?
Para quê?
Diferenças
O Brasil segundo nós, os paulistas:

E segundo eles, os cariocas:

(Complemento deste post no Uma dama não comenta)
Farisaísmo semianalfabeto
(Um tal Jesus Cristo, em Lucas 11:39-44)
A que vem essa epígrafe tão extensa e irada? Vejam só que boniteza:
Vá a merda seu desgraçado!!!
(Luiza)
Não é lindo? Quando eu vejo o quanto Jesus mudou a vida de pessoas assim, o quanto incutiu amor em seus corações, puxa, sinto-me atraído pelo suave sussurro do Espírito Santo chamando-me à redenção. Vejam o que Jesus pode fazer por mim! Além de me tornar uma pessoa melhor, mais compreensiva e tolerante, ainda passarei a escrever corretamente. Ah, seria uma bênção…
Como pode alguém sair por aí brandindo o Cristianismo como uma cimitarra, sem sequer saber como funciona o tal plano de redenção? Essa mulher não sabe nem por que Jesus morreu e acha que tem moral para usar isso contra pobres ateus indefesos como eu. Hum, não exatamente: se é para lutar usando a Bíblia como arma, quero ver quem é o crente que pode comigo. Tomem vergonha, fundamentalistas fariseus hipócritas! Leiam a Bíblia de verdade, em vez de ouvir meia dúzia de baboseiras que alguém mais despreparado que vocês fala, e vocês só aceitam porque ele está atrás do púlpito. Se o fizerem, não perderão tempo discutindo com infiéis como eu, mas combatendo o verdadeiro problema, que está dentro de suas igrejas que já foram cinemas e hoje parecem supermercados de falsos milagres.
Enfim!
Os dois das pontas, Chega de Saudade (1959) e João Gilberto (1961) eu já tinha. Hoje comprei o do meio, O Amor, o Sorriso E A Flor (1960). Os três primeiros LPs de João Gilberto, jamais lançados decentemente em CD, agora aqui na minha vitrola.
E se alguém aí tiver um toca-discos honesto para me vender, com saídas RCA, em bom estado, avise. Vou passar essas preciosidades pra mp3, mas para isso preciso de um equipamento melhorzinho.
Coisas
- Estou trabalhando, crianças. Eu trabalho, lembram-se? Então acostumem-se à falta de posts.
- Subi ao morrão mais uma vez. Vi lá a velha, mas nem quis papo: fui sentar-me do outro lado. Única novidade: contei os degraus do escadão. Noventa e dois.
- As coisas mais estranhas têm me acontecido.
- Preciso escrever um post sobre Los Hermanos, outro sobre Legião Urbana (talvez enfie os dois num post só) e um sobre urna eletrônica. Não deixem que eu esqueça.
- Estou tão acostumado a ter razão que a mera possibilidade de estar errado me aflige até o limiar do insuportável. Só que dessa vez eu quero muito descobrir que estive errado o tempo todo.
- Não é pra entender. Só deu preguiça de escrever no diário de papel.
- Tenham paciência.
Esse papo seu tá qualquer coisa…
Bons comentaristas geralmente dão pra bons blogueiros. Foi o caso de bobmacjack com seu Onipresente Ausente, e agora do Sr. Renato K., a odalisca blogueira, com seu Pra lá de Marrakech. Vai pros Profetas, com louvor.
Dica para usuários do Mozilla Firefox
Estou todo técnico hoje, né? Esse negócio de trabalhar mexe mesmo com a cabeça da gente. E com o corpo também: engordei novamente, depois de seis meses de emagrecimento. Bom, não vem ao caso. Vamos à dica.
Eu sempre gostei muito do Mozilla Firefox (versão nova, atenção), mas não o utilizava como navegador padrão porque o Avant Browser — que utiliza o mecanismo do MS Internet Explorer — oferecia um diferencial: para ele não existe esse negócio de nova janela, todo link abre numa nova aba, sai da minha aba, sai pra lá. O Firefox, por outro lado, só abria links em abas se instruído para isso.
Acontece que, depois de escrever o post sobre do RSS Feed, a nerdice tomou conta do meu ser e eu resolvi adotar de vez o Firefox, dando um jeito qualquer para que ele se comportasse da mesma forma que o Avant Browser. Demorei quase nada para descobrir: com um tal Tabbrowser Extensions eu posso configurar meu navegador para tratar “new window” como “new tab”. Pronto! E não é só isso: com essa extensão instalada, eu posso configurar o navegador para “lembrar” as abas que estava abertas e abri-las da próxima vez, ou para abrir todo e qualquer link numa nova aba, se assim o desejar, ou para carregar sempre um conjunto pré-determinado de abas. Uma maravilha, eu lhes garanto.
Caso interesse, outras extensões para o Mozilla Firefox podem ser encontradas aqui.

