Estou há meses cadastrado na Catho, e sempre procurando vagas de Analista de Suporte, Administrador de Redes, essas coisas. Pois bem. Hoje (depois de ficar duas horas rolando na cama sem conseguir dormir) resolvi entrar lá e começar a mandar currículos para vagas de Redator, Revisor, Jornalista, o diabo a quatro. Junto com o currículo, envio a seguinte carta de apresentação:

Caros senhores,
Como podem ver, meu CV não guarda qualquer relação com a vaga para a qual resolvi aplicar-me. O caso é que, tendo trabalhado dez anos na área de informática (em desenvolvimento e suporte técnico, principalmente), resolvi que é hora de mudar. Como cursei dois anos da faculdade de Jornalismo, achei por bem lustrar minha cara-de-pau e apresentar-me para a vaga. Tenho boa redação, como os senhores podem verificar nos sites http://baldedegelo.blogspot.com (que será publicado como livro em breve) e http://www.jesusmechicoteia.com.br (não se assustem com o nome, não morde).
Sendo assim, apresento-me como candidato à vaga, esperando que alguém seja visionário (ou maluco) o suficiente para me contratar.
Atenciosamente
Marco Aurélio Gois dos Santos

Sim, estou desesperado. E não tenho vergonha na cara. Acho que são duas boas características num ser humano. Ou mesmo em mim.

Assisti Kill Bill, fiquei fascinado com o filme e decidi que não agüentaria esperar até outubro para assistir à continuação. Sendo assim, lá fui eu abrir Kazaa, Soulseek, E-mule e o caralho a quatro para caçar o Kill Bill – vol.2. Quem conhece o maravilhoso mundo do peer to peer sabe como é: vários arquivos são encontrados e você fica feliz da vida. E então começa a arrancar cabelos (caso os tenha) ao ver todo arquivo que tenta baixar como “Remotely queued” ou “Need more sources for download” ou “Your mom is sucking Satan’s cock in Hell”.
Fiquei nesse sofrimento durante dias, até que enfim encontrei um arquivo promissor. Tinha 650Mb. Começou baixando a 3,5 kilobits por segundo, baixou para 0,5, depois subiu para incríveis 45, depois estabilizou em 19. Nesse vai e vem, continuava lá firme e forte enquanto outros downloads eram abortados. Eu torcia — “Vamos lá, você consegue!” — enquanto meu pobre micro, já velho e cansado, reclamava das mais de 24 horas ligado direto. Eu não desistiria tão fácil, porém. E foi graças à minha persistência que, depois de quase dois dias ininterruptos, o download terminou e eu pude enfim assistir a essa maravilha:

Jesus, eu sou um merda…

Não importa há quanto tempo você lê este blog, nem o quanto você gosta do que eu escrevo: isso não faz de você meu amigo. NÃO FAZ, ok? Mas como muita gente tem mandado e-mail perguntando, respondo aqui: estou solteiro. Meninas, mandem-me seus currículos.
E chega de generalidades: vamos à Bíblia, seus cães filisteus!

Deprimido, de saco cheio e cansado de ficar trancado em casa na frente deste computador, tomei uma decisão drástica: “Vou ao cinema”. Tão logo decidi, desliguei o micro, vesti uma calça (que eu não usava há mais de três anos, porque não servia mais, rá!), uma camiseta qualquer e rumei para o templo da cultura e do entretenimento. Só que aí lembrei que não sei onde fica o templo da cultura e do entretenimento, então me contentei em ir ao Shopping Metrô Tatuapé. Vi lá um filme qualquer, zanzei pelas livrarias, comi um negócio. Estava tomando um milkshake de Ovomaltine e lendo, quando alguém se aproximou e fez a pergunta:
— Você é o Marco Aurélio?
Levantei os olhos do meu livro. Um rapaz de sorriso franco, portanto um bloquinho de notas, e acompanhado por uma linda garota. Apresentou-se e a ela. Eu tenho um problema muito sério com nomes, mas tenho quase certeza que o nome dele era Juca. Dela eu esqueci. Desculpem, por favor, essa minha deficiência.
Bom. Os dois sentaram-se comigo, conversamos bastante. Juca elogiou meus escritos, o que é sempre desconcertante porém muito gostoso. Depois de algum tempo conversando, os dois despediram-se e saíram. Acompanhei o belo casal com o olhar. Ali estavam as pessoas que vieram para levar minha depressão embora. Muito, muito obrigado aos dois.

(Mas, na boa, custava nada vocês me avisarem que eu tava com um monte de comida no meio do aparelho, né? Cheguei em casa e minha irmã quase teve sua filha com dois meses de antecedência ao ver a maçaroca nos meus dentes…)