Estranho… Estou me sentindo muito bem hoje. Nada de dores, nada. Sei não, sei não. Acho que quando começar a doer vai ser insuportável.
Mês: dezembro 2003
A malhação faz bem ao coração
Olá, crianças. Titio Marco Aurélio acaba de chegar da …dmia.
— DE ONDE???
DA ACADEMIA, CARALHO! DA ACADEMIA! Primeiro dia hoje. E o pior foi que… que… gstei…
— HEIN???
EU GOSTEI DAQUELA PORRA! Tá, foi primeiro dia e tal, peguei leve. Mas foi legal.
Nunca tinha entrado numa academia. É engraçado. Aquele monte de pessoas andando, correndo, pedalando, subindo escada, tudo sem sair do lugar. Aí quando saem da academia, pegam o carro para irem até suas casas a duas quadras de distância. Trabalham no segundo andar e sobem de elevador. Lastimável. Além do mais, eu sempre imagino como seria um visitante de outro planeta presenciando certas situações. Creio que numa academia, vendo todas aquelas pessoas correndo em esteiras, o hipotético visitante jamais acreditaria que somos os seres dominantes do planeta. Não, de jeito nenhum: pensaria que somos os hamsters de estimação de uma espécie superior.
Considerações filosóficas à parte, academia, assim como banheiro, é lugar para se fazer esforço, e foi o que eu fiz. Cheguei e o instrutor (muito gente boa, para minha decepção: eu estava torcendo para ser um brucutu sem cérebro, só pra depois eu poder falar mal) me perguntou se eu já havia feito academia — não —, se praticava esportes — não —, se fazia alguma atividade física, qualquer atividade física, pelo amor de Deus!!! Hmmmmm… Nhá. Depois de enxugar uma lágrima furtiva do canto do olho, ele me levou até a esteira. Explicou como funcionava, regulou pra 4 km/h e me falou para fazer 40 minutos. Claro que eu sou desobediente, então fui aumentando a velocidade da esteira até chegar a 5km/h e fiz uma hora e dez. Pouco mais de cinco quilômetros. Na boa.
— Tá bom já, Marcão. Vamos fazer umas abdominais agora?
É claro que esse “vamos” era o tal de plural majestático, ou sei lá o nome desse treco: o papai aqui é que ia fazer as (os?) abdominais. E foi aí que a porca torceu o rabo, e eu também. Subi lá, o cara me explicou como funcionava o aparelho (sabem aqueles robôs de combate de Matrix Revolutions? Então, o aparelho não tinha nada a ver com eles). Olhou pra minha barriga — o que exigiu um movimento bem abrangente de olhos — e deu minha sentença:
— Duzentas, beleza? Vinte séries de dez. Acha que agüenta?
— Sei lá, não faço abdominais desde os 17 anos. Mas posso tentar.
Fiz dez séries e já queria sair correndo daquele lugar, chorando e arrancando os cabelos (da bunda). Mas depois da 12ª série o negócio foi ficando mais tranqüilo e acabei fazendo 40 séries. QUATROCENTAS ABDOMINAIS, MEU DEUS! Os músculos da minha barriga, que não davam o mínimo sinal de vida pelo menos desde 1992, me disseram “oi” hoje. Acho que amanhã eles passarão o dia gritando “FILHO DA PUTA!”, mas tudo bem.
Depois dos abdominais, o instrutor me mandou pra casa. Deve estar torcendo pra eu não aparecer mais. Doce esperança! Amanhã estou lá no mesmo horário. No fim das contas, foi um negócio bom. Entrei em contato com partes do meu corpo que eu nem lembrava mais que existiam, como o impotente que, depois de anos, finalmente resolve seguir o conselho do Pelé e falar com seu médico. Não, caralho, não fiz musculação peniana. Vocês entenderam!
E tem a mulherada da academia. Ah, se eu não fosse comprometido…
Sarah
Essa aí em cima é Sarah Martin, violinista e vocalista adivinhem-de-qual-banda, na foto da capa de adivinhem-qual-disco. Sou apaixonado por ela desde que, no show do B&S no Free Jazz Festival (que eu vi pela TV roendo os cotovelos de ódio por ter deixado pra procurar ingressos quando eles já estavam esgotados), a vi cantando “Baby”, do Caetano Veloso, num português impecável e com aquela voz lindíssima. E se já não fosse besta por ela, ficaria depois de ouvir sua composição no último disco da banda, a belíssima Asleep On A Sunbeam, que eu ouço a toda hora. Hoje, lendo a letra de Waiting For The Moon To Rise, desconfiei que também fosse dela. Bingo: uma rápida procura no fórum (sim, eu faço parte de um fórum de Belle & Sebastian. E também leio o diário do Stuart Murdoch. Sim. Nerd. Gay. Como quiserem.) me mostrou que essa também era dela. E acabei descobrindo uma outra música de sua autoria, a faixa-título do álbum Storytelling. Música que, vejam só, tem algo a ver comigo e minhas pretensões de ser um contador de histórias. Publico a letra aqui como louvor a minha querida Sarah Martin.
Storytelling
Picture a scene in your mind
Look at all the people and take note of the setting behind
Listen, watch, and wait
A plot beings to take shape
There’s a story
And then characters will come to you
Relating events as they choose to
But all their words and actions come entirely from you
If you’re a storyteller you might think you’re without responsibility
And you can lead your characters anywhere you want
You have immunity
Have you considered the way
People might react to all the things that your characters say?
And are their actions hand in hand with what you want to portray?
Are you sick?
Arre you crippled? Insane?
Expressing the desires that daren’t speak their name?
Are you the one to blamed?
Now you’re a storyteller you might think you’re without responsibility
But in directions, actions and words
Cause and effect
You need consistency
How can you finish the tale?
Lives which have played a part
Are summarised from the very start
And episodes left out to make it all go your way
“It’s a mighty big world
Some of it I’ve seen
But mostly I’ve only heard
And stories are all fiction from their moment of birth”
You’re just a storyteller
You’re not trying to escape responsibilty
If we believe you then you’re successful
But you don’t make claims of verity
O livro dos Juízes – Introdução
Não. Não vou falar de Operação Anaconda aqui, fiquem tranqüilos. Já explico que negócio é esse de “Livro dos Juízes”.
Após a morte de Josué, Israel, uma nação recém-nascida, passou por um longo período de instabilidade política. Sem uma liderança forte e centralizadora, os israelitas sentiam-se livres. Só que se esqueceram que ninguém é livre quando tem um Deus ciumento e temperamental feito Javé; então esse período foi também de muito sofrimento para Israel. Numa tentativa de botar o povo na linha, alguns líderes foram indicados por Javé. Tais líderes eram chamados juízes. Os juízes sucediam-se em rápida seqüência, e foram os chefes de Israel até a insituição da monarquia, com o rei Saul.
O livro dos Juízes é um dos mais interessantes de toda a Bíblia. Nele encontramos, por exemplo, aquele que eu considero o maior dos super-heróis: Sansão. E não só ele: é um livro repleto de aventuras, reviravoltas e, mais importante, SANGUE!!!
Assim como Josué, Juízes é um livro curto: apenas 21 capítulos. Então não se preocupem: vai doer só um pouquinho…
Mais um! Mais um!
Muito bem, meus queridos, mais um livro encerrado: agora vocês já podem baixar o PDF do livro de Josué. Portanto agora temos:
– Gênesis
– Êxodo
– Levítico
– Números
– Deuteronômio
– Josué
Seis livros da Bíblia prontos em menos de dois anos! E agora só faltam… Er… Sessenta…
A despedida de Josué
— Pooooooooovo de Israel…
— Aí, não falei? Voltou pro bis.
— É verdade. Mas bem que ele podia pular essa parte do “Pooooooooovo de Israel”.
— Pode crer. Mas vamos ouvir o cara.
— Eu tenho aqui uma carta de Javé pra vocês. Ele… Aham… Ele diz: “Há muitos séculos os antepassados de vocês moravam lá do outro lado do rio Eufrates e adoravam outros deuses. Dentre eles havia um cara chamado Tera, que tinha dois filhos: Abraão e Naor. Eu ia com a cara de Abraão, então fiz um trato com ele: se ele largasse todos aqueles deuses para servir e obedecer só a mim, eu daria a ele uma grande descendência. Abraão saiu lá da Mesopotâmia e veio morar aqui em Canaã, obedecendo a uma ordem minha. Então eu dei a ele um filho, Isaque. Um dia eu pedi a ele que oferecesse Isaque em sacrifício. Era só uma pegadinha, mas ele levou a sério e ficou puto comigo. Tudo bem, tudo bem. O que importa é que Isaque teve dois filhos, Esaú e Jacó. Mudei o nome de Esaú para Edom e dei pra ele essa região montanhosa de Seir, que até hoje é terra dos edomitas. Jacó, no entanto, desceu ao Egito junto com seus filhos…”
— Puta que pariu, não acredito que ele vai contar essa história toda.
— É. Vamos embora? Parece que vai rolar uma partida de pôquer na tenda do Aminadabe.
— É mesmo? Puxa, o pôquer do Aminadabe é sempre um bom programa… Mas vamos ouvir o discurso do Josué. Pode ser o último, né?
— É verdade.
— “… Depois enviei Moisés e Arão e acabei com tudo lá no Egito…”
— Opa, já deu uma adiantada na história.
— É.
— “… e atravessaram o Mar Vermelho. Depois que estavam do outro lado, eu fiz com que o mar se fechasse novamente sobre o exército do Faraó, matando afogados milhares de soldados. Então eu os guiei na direção da terras dos amorreus. Eles atacaram, mas eu dei a vitória a vocês. Então foi a vez de Balaque, rei de Moabe, fazer guerra contra vocês. Ele mandou chamar Balaão e…”
— Bambalalão???
— Balaão, porra, Balaão! Cê nunca ouviu essa história?
— Recordo-me vagamente. Aquele da jumenta falante?
— Ele mesmo.
— Ah…
— “… mas eu fiz com que Balaão os abençoasse, contrariando as intenções de Balaque. Vocês derrotaram os moabitas e depois atravessaram o Jordão. Os homens de Jericó quiseram lutar contra vocês, mas…”
— Porra, vamos lá pra tenda do Aminadabe. Deve estar muito mais legal.
— Ué, pra quê? Até ele deve estar aí no meio ouvindo o discurso.
— Putz, é mesmo. Merda…
— “… os heveus e os jebuseus. Eu dei a vocês uma terra prontinha pra morar. Hoje vocês vivem em cidades que não construíram e comem o fruto de parreiras e oliveiras que não plantaram.”. Moleza, não? De fato, Javé fez muito por nós.
— Opa, já terminou a leitura da carta, agora deve ser rápido.
— Prestenção, porra.
— Portanto agora é obrigação de vocês temer e servir a Javé…
— Porra, de novo esse papo?
— Ah, acho que é pra gente não esque… Eita, que gritaria foi essa?
— Sei lá! O povo todo gritou “SIM!”.
— Prestenção lá no Josué….
— Têm certeza? Eu vou repetir a pergunta: vocês prometem servir e adorar apenas a Javéééééééé?
— SIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM!
— E trocar Javé por outros deuseeeeeeeeeees?
— NAAAAAAAAAAAAAAAO!
— Então vão querer trocar Javé por uma bicicletaaaaaaaaaaaaaa?
— …
— Pô, só uma piadinha… Baterista, por favor?
[tch]
— Humpf. Então façam-me o favor de jogarem fora as imagens de outros deuses que vocês têm aí. Nananinanão, não adianta negar! Eu sei que vocês têm imagens escondidas por aí.
— …
— Mequetrefes! Os mandamentos que vocês devem seguir estão todos neste livro aqui, ó. Além disso, olhem para esta pedra! Estão vendo esta pedra? Ela ouviu tudo que foi dito hoje, e servirá de testemunha da promessa que vocês fizeram de adorarem apenas a Javé.
— Er… Tá caducando, coitado.
— Pois é.
— Agora vão pras suas casas. Ou então para a tenda do Aminadabe, que vai rolar um pôquer por lá hoje.
— Merda, aquilo vai lotar.
— Vamos correndo enquanto o povo aplaude, ué.
— Bora!
Josué terminou de falar e ficou observando o povo que se dispersava, cada grupo indo na direção das terras que tinham acabado de receber. Sentiu-se feliz pelo final bem sucedido de uma jornada que começara havia mais de 40 anos, com Moisés e Arão passando por malucos na corte do Faraó. Pensando nisso, começou a enxergar tudo difuso. Achou que começava a chorar, mas não era isso: era algo mais sério. Compreendeu de chofre o que acontecia, e sorriu. Morreu ali mesmo, aos cento e dez anos de idade, e foi sepultado em sua propriedade em Timnate-Sera, nas montanhas de Efraim. Eleazar, o sumo-sacerdote, morreu pouco tempo depois, e foi sepultado em Gibeá, cidade pertencente a seu filho Finéias, também nas montanhas de Efraim.
Os restos mortais de José, carregados pelo povo durante quarenta anos, finalmente puderam ser sepultados em Siquém, na propriedade que Jacó comprara dos filhos de Hamor séculos antes. O sepultamento de José simboliza o assentamento definitivo do povo de Israel na terra há muito prometida. Agora sim, os israelitas teriam paz e sossego.
Teriam?
Veremos.
Custa nada perguntar…
Oh love of mine
would you condescend to help me
‘cause I’m stupid and blind?
(Belle & Sebastian – The state I am in)
Teste
Ignorem este post. Estou só vendo se o w.blogar funciona com o Movable Type. Se funcionar, deus estará muito ocupado nos próximos dias.
Triste notícia
Minhas cuecas novas encolheram. Todas elas.
Oremos.
George Harrison
Vendo meus DVDs do Monty Python, o Daniel (ele e o Rafael me visitaram ontem, para minha imensa alegria) notou algo que eu nunca tinha notado:
— George Harrison, Menezes?
— Que que tem ele?
— Produtor executivo do “A Vida de Brian”?
— Não pode ser!
— Pois olhe aqui.
Ele estava certo: o guitarrista dos Beatles havia empregado um quinhão de sua fortuna na produção de um filme dos Pythons. Pesquisando a respeito na Internet, descobri algo mais e capturei uma cena do DVD:

Sim, sim, é ele mesmo em primeiro plano: George Harrison, numa rápida ponta ao lado de John Cleese.
E pensar que a Fer — que se diz fã dos Beatles e tal — viu esse filme aqui em casa e nem notou nada. Lastimável…

