Ano passado eu fiz a festa na Central das Artes. Na época não tinha número mínimo de pessoas, então eu fiz reserva para 50 e tive que deixar um cheque-caução de 250 reais. Liguei lá agora e as regras mudaram um pouco: 8 reais por pessoa, mínimo de 100 convidados. Tenho que deixar um cheque de OITOCENTOS reais. E agora? PRECISO DE PELO MENOS CEM PESSOAS NA FESTA, CARALHO! Faço na Central das Artes mesmo ou vocês conhecem outros lugares?
(Antes que venham com idéia de aluguel de salões e coisas assim: eu preciso de um lugar que já tenha toda a estrutura e que eu possa reservar para uma boa quantidade de pessoas. Não quero gastar UM TOSTÃO, ok? Entenderam? Então tá.)

(Juízes 3)

Oba, vamos começar com a sanguinolência!
Arram…
Vamos ao terceiro capítulo do livro dos Juízes, foi o que eu quis dizer.
Como vimos no capítulo anterior, alguns povos continuaram habitando Canaã ao lado dos israelitas. Eram os filisteus (Tava jogando sinuca / uma nega maluca / me apareceu / tinha um menino no colo / e dizia pro povo / que o filho era meu. / Toma que o filisteu, skindô / toma que o filisteu), mais os cananeus, sidônios e heveus que moravam nos montes Líbanos. O povo de Israel se deixou influenciar por esses caras, claro: esse negócio de ter um deus só perde totalmente a graça quando se convive com povos politeístas. Depois de algum tempo a maior parte dos israelitas nem se lembrava mais de quem era Javé. Ele, furibundo, tratou de refrescar a memória do povo permitindo que Cuchã-Risataim, rei da Mesopotâmia, conquistasse Israel. E quando eu falo em conquistar, é claro que não estou falando em mandar flores, levar para jantar, nada disso: Cuchã-Risataim veio com seu exército, matou um monte de israelitas e anexou Israel a seu território. E é claro que o povo se lembrou de Deus quando a água bateu na bunda: os israelitas começaram a implorar a Javé que os libertasse.
Javé atendeu o pedido do povo mandando que Otoniel, filho de Quenaz (que era irmão mais novo de Calebe, neguinho, Calebe!), assumisse a liderança daquela balbúrdia e guiasse o povo. Esse Otoniel já havia se destacado numa ocasião, quando Calebe foi expulsar os anaquins de suas terras. Ele já havia conquistado Hebrom, mas ainda faltava Debir (ainda chamada Quiriate-Sefer). Então teve a idéia de dar a mão de sua filha, Acsa, em casamento àquele que conquistasse Quiriate-Sefer. Otoniel juntou uns homens, foi até lá, derrotou os anaquins e desposou sua prima. Acsa era dessas mulheres mandonas, e exigiu que Otoniel fosse falar com Calebe para que este desse ao casal terras que tivessem fontes de água. Pode parecer bobagem, mas no meio do deserto água é o bem mais precioso. Calebe, gente boa como sempre, deu à filha e ao sobrinho/genro todas as fontes de suas terras.
Graças a sua intrepidez (uia!), Otoniel foi escolhido para ser o primeiro dos Juízes. Tratou logo de trabalhar: reuniu seu exército, declarou guerra à Mesopotâmia e venceu, libertando Israel. Depois disso ele ainda viveu mais quarenta anos, e houve paz durante todo esse tempo.
Depois da morte de Otoniel, porém, o povo voltou a assimilar a cultura dos povos da região, adorando seus deuses e emputecendo Javé. A conseqüência não tardou: Eglom, rei de Moabe, aliou-se aos amonitas e amalequitas, invadiu Israel e tomou Jericó, a Cidade das Palmeiras. Israel viveu sob o domínio dos moabitas por dezoito anos. Quando, no entanto, o povo resolveu voltar a pedir ajuda a Javé, este escolheu um tal de Eúde para ser líder do povo. Esse Eúde, benjamita, era canhoto e muito malandro, como veremos.
De tempos em tempos os israelitas tinham que enviar seus impostos a Eglom. Os impostos eram recolhidos, conferidos e levados por um mensageiro. Quando calhou de Eúde ser o escolhido para levar o dinheiro ao Rei de Moabe, ele resolveu que Israel já tinha sofrido demais. Preparou então um punhal de quase meio metro de comprimento e botou o pé na estrada junto com alguns carregadores. “Pô, mas um punhal de meio metro? Para que tanto?”. Pois acontece que Eglom era gordo. Muito gordo. Coisa de circo mesmo. Um punhal de tamanho normal apenas arranharia suas várias camadas de tecido adiposo.
Eúde escondeu o punhalzão sob as roupas, foi para Gilgal (cidade onde ficava o palácio de Eglom) entregou os tributos e mandou os carregadores de volta pra casa. Feito isso, foi falar com o rei, que estava jantando:
— Majestade, tenho uma informação ultra-secreta para dar ao senhor.
— O que é? — perguntou o rei, de boca cheia — Seu povo está tramando alguma? Olha que eu acabo com a raça de vocês!
— Não. É… É outra coisa.
— Fala, porra! Fala logo, senão cê tá fodido! — ameaçou Eglom, borrifando farofa por todo o recinto.
— Mas é que…
— É o quê? Ah, não quer falar na frente dos outros? Fresco… Tudo bem! Saiam todos daqui, que o israelita quer me contar alguma coisa.
Todo mundo saiu da sala.
— Muito bem. O que é que você quer dizer de tão importante? Vai, desembucha!
— É um recado de Javé para o senhor.
— De quem?
— Javé, o nosso Deus.
— Pff… E o que o deusinho de vocês tanto quer me dizer?
— Ele me mandou dizer o seguinte… Er… O senhor poderia chegar mais perto?
— Ô inferno! — Eglom levantou-se, com muita dificuldade, e se aproximou de Eúde — Pronto. Agora fala logo, caralho!
— Chega só mais um pouquinho…
— ASSIM TÁ BOM?
— É que eu prefiro cochichar, se o senhor não se importar, é claro. Sabe como é, as paredes têm ouvidos…
— Ó, MEU SACO! — a contragosto, o rei inclinou-se na direção de Eúde — Agora fala!
— Seguinte. Javé mandou dizer o seguinte: Gordo, baleia, saco de areia!
COMO É Q…
Mas Eglom não teve tempo de expressar sua indignação: Eúde já havia metido a mão esquerda por dentro da roupa e puxado o punhal, que enterrou com força na barriga do rei. O punhal atravessou a pele, tooooooooda a gordura, a carne, os órgãos internos e saiu entre as pernas. Capado e, pior ainda, morto, nunca mais Eglom ia fazer neném. Depois de matar o rei, Eúde agiu rápido: trancou todas as portas, saiu pela janela e foi embora assoviando. Os empregados do palácio chegaram e viram que as portas estavam trancadas, mas nem se preocuparam: o rei devia estar cagando, que era só o que ele fazia, além de comer. Anoiteceu, porém, e nada do rei abrir a porta. “Que cagança comprida é essa?”, perguntavam-se os empregados. Bateram à porta e nada de Eglom responder. Então pegaram a chave, abriram a porta, e deram com seu soberano caído morto no chão, a gordura saindo pela ferida aberta pelo punhal. Coisa bem nojenta de se ver.
Enquanto os empregados ainda não sabiam da morte de Eglom, Eúde já havia chegado às montanhas de Efraim. De lá, tocou uma corneta de chifre de carneiro para chamar os israelitas para a guerra.
— Vãobora, povo! Vamos acabar com a raça dos moabitas! Já matei o leão-marinho que eles chamam de rei; vamos pegá-los agora que estão de cabeça quente!
Os soldados desceram e tomaram a região do Rio Jordão por onde os moabitas costumavam passar. Mataram dez mil moabitas na batalha, reconquistando a soberania de Israel. Dessa vez houve um período de paz bem longo: 80 anos, até a morte de Eúde. Nesse meio tempo, só os filisteus chegaram a dar algum trabalho. Mas um tal Sangar, filho de Anate, cuidou bem da situação, matando seiscendos seiscentos filisteus com um ferrão de tocar bois.
É óbvio que depois que Eúde morreu o povo voltou a adorar outros deuses, aquele negócio de sempre. Foi quando surgiu Débora, a primeira liderança feminina da história de Israel. Mas falaremos bastante dela nos próximos capítulos.

Agora sim, eu tô todo dolorido! Que beleza! Minhas coxas [pausa para os suspiros femininos] parecem feitas de cordas de violoncelo prestes a arrebentar. Não reclamo: gosto de fazer esteira. O problema é que me sinto igual o Jamiroquai no clipe de Virtual Insanity. Odeio Jamiroquai. Vou requisitar à academia uma esteira mais larga, com manequins grudados. Assim pelo menos eu posso ir andando e esbarrando neles, para me sentir como o Richard Ashcroft no Bittersweet Symphony.
Os músculos do meu abdômen, que eu nem sabia que ainda existiam, já disseram que não vão à academia hoje, Marcurélio que vá sozinho. Abusei dos pobrezinhos, também: no primeiro dia o instrutor regulou o aparelho que não tem nada a ver com os robôs do Matrix Revolutions, botando aquele pininho no primeiro peso. Fiz 400 abdominais na boa. Então ontem, depois de 6 quilômetros andando na esteira, e ainda disposto a mais, resolvi que ia fazer pelo menos 500 abdominais. Me ajeitei lá no aparelho e fiz a primeira série de dez. Quase não consigo. “Ué, troço estranho…”. Mais dez. Quase morro. Mais dez. Desisti. Então olhei, por acaso, para os pesos. O pininho estava láaaaaaaaa no sétimo. Disfarcei, saí do aparelho, me espreguicei e botei o danado no terceiro peso, pra não ficar tão chato. Fiz mais cem abdominais e fui tomar banho. Oras.
E agora estou todo dolorido. Mas é uma dor boa. Um monte de gente me falou isso ontem e eu achei uma bobagem, mas é verdade. É como a ansiedade que venho sentindo nas últimas semanas: quase me mata, mas é boa.

(Juízes 1 e 2)

Ê, já começou na base da preguiça…
Nada disso, nada disso! Esses dois primeiros capítulos do livro dos Juízes são, na verdade, uma rápida narração do que aconteceu no período entre a morte de Josué e a subida dos Juízes ao poder. Sendo assim, achei por bem condensá-los num só capítulo por aqui.
Logo no começo, então, ficamos sabendo que as tribos de Judá e Simeão aliaram-se para expulsarem os cananeus e perizeus de seus territórios. Eles expulsaram os dois povos, matando dez mil homens numa cidade chamada Bezeque. Por lá encontraram um certo Adoni-Bezeque. Sei não, mas acho que não era o nome do cara: baseado em meus rudimentares conhecimentos de hebraico, arriscaria dizer que Adoni-Bezeque significa “O Senhor de Bezeque”. Bom, não importa: o negócio é que os judaítas (ou judeus!) e simeonitas perseguiram e prenderam Adoni-Bezeque. Esse cara tinha o costume de cortar os polegares e dedões dos pés dos reis das cidades que conquistava. Já havia feito isso com setenta reis, que então apanhavam megalhas sob sua mesa. Os israelitas, inspiradíssimos, fizeram a ele o que ele havia feito aos outros, e o levaram cativo para Jerusalém, onde morreu.
Jerusalém??? Pois é! Jerusalém foi incorporada ao território israelita pela primeira vez na História: os homens de Judá mataram todos os seus habitantes e atearam fogo à cidade. Depois disso, lutaram contra os cananeus que moravam nas montanhas, no deserto ao sul e nas planícies de Judá. Conquistaram também Zefate, e só não conseguiram expulsar os moradores de Gaza, Asquelom e Ecrom, cidades litorâneas, porque possuíam carros de ferro. Ué, alguém há de perguntar, mas Javé não podia dar uma forcinha? Eu devolvo a pergunta.
O que eu disse no parágrafo anterior? Que os homens de Judá invadiram Jerusalém e mataram seus moradores, certo? Pois é, mas verossimilhança não é o forte da Bíblia, então logo na segunda metade do primeiro capítulo de Juízes temos uma contradição gritante: é dito agora que os homens da tribo de Benjamim não expulsaram os jebuseus de Jerusalém, passando a conviver com eles. Nem vou tentar entender isso, pulo para a parte seguinte: Os povos das tribos de José (Efraim e Manassés) saíram juntos para a guerra. Quando foram atacar Betel (antes chamada Luz), pegaram um homem que ia saindo da cidade e o ameaçaram de morte caso não dissesse como os israelitas podiam entrar na cidade. O tal homem, que não era nada besta, entregou logo o serviço e os israelitas tomaram a cidade. Todos os habitantes foram mortos, com exceção do traidor e sua família, que se mudaram para a terra dos heteus e fundaram uma cidade chamada Luz, em homenagem a seu antigo lar.
Muito bem, uma conquistazinha aqui, um genocidiozinho ali, e os israelitas iam tomando posse definitiva da terra. Só que no processo foram desleixados algumas vezes. A tribo de Manassés, por exemplo, não expulsou os habitantes de Bete-Sã, Taanaque, Dor, Ibleão e Megido. A tribo de Efraim não expulsou os habitantes de Gezer, pelo contrário, ficaram morando com eles ali. A tribo de Zebulom não matou nem expulsou os moradores de Quitrom e Naalol, mas os fez escravos. O mesmo fez Aser com as cidades de Aco, Sidom, Alabe, Aczibe, Hleba, Afeca e Reobe, e Naftali com Bete-Semes e Bete-Anate. A tribo de Dã deu vexame maior ainda: foi expulsa para as montanhas pelos amorreus. Coisa triste.
Como se vê, os israelitas deixaram de cumprir uma ordem clara de Deus: matar todo mundo que estivesse no caminho. Javé ficou puto, como era de se esperar, e mandou um anjo para dar um recado a Israel:
— Aê, seus mequetrefes! Eu fiz de tudo por vocês, e vocês prometeram que seriam fiéis a mim, que me obedeceriam e não sei o que mais. Pois foi só o Josué morrer pra vocês começarem a fazer cagada, né? Acham que eu não tô vendo que há vários estrangeiros morando aí com vocês, é? Mas deixem estar: agora EU é que não vou querer que esses povos sejam expulsos: eles vão continuar morando aí entre vocês, e eles acabarão sendo seus inimigos. CÊS TÃO FODIDOS!
Quando o anjo terminou de dar seu rescado, o povo abriu o berreiro e começou a oferecer sacrifícios a Javé, pra ver se aplacava sua ira. Adiantou nada. Mesmo porque, influenciado pelos cananeus remanescentes em suas cidades, os israelitas começaram a adorar outros deuses. O que aumentou mais ainda a raiva de Javé, claro. Ele tentou até consertar a situação, indicando juízes para liderarem o povo.
E com isso começamos o tempo dos juízes, um período de grande instabilidade em Josué Israel. E com um começo muito chato, como acabamos de ver.

O JMC foi citado na Folha de S. Paulo, numa matéria sobre sites de humor, ao lado de gênios como Laerte e Andre Dahmer. Vejam aqui (só para assinantes UOL).

Update: Jonosbelson Lospa fez o favor de passar o link para quem não é assinante UOL. Vejam aqui. E só agora eu vi que a lista foi elaborada pelo próprio André Dahmer. Já sei pra que ele queria aquela grana, então. E eu nem estou em tão boa companhia quanto pensava: moskito tá na lista também…

Vocês já devem ter visto um amuleto japonês (ou chinês, ou coreano, sei lá) que consiste num boneco pavoroso com os olhos vazados. Ei-lo:

Funciona assim: você pega o boneco, pinta um dos olhos dele e diz que só vai pintar o outro quando arrumar aquele emprego/fulana der pra você/fulano notar que você cortou o cabelo/seu time for campeão. Uma vez alcançada a graça, você vai lá e pinta o outro olho do boneco. A lógica é a mesma seguida pelos navegantes do século XVI que, durante uma tempestade, enfiavam as imagens dos santos dentro d’água e só as retiravam quando a tormenta passasse; ou das solteironas que deixam uma imagem de Santo Antônio de cabeça pra baixo dentro de um jarro d’água enquanto não desencalham; ou da Permuta dos Santos: chantagear a entidade (seja santo, orixá ou boneco pavoroso), para alcançar aquilo que se quer mais rapidamente. Algo bem parecido com um seqüestro, na verdade.
Pois bem, mas estamos no século XXI e essas superstições ultrapassadas já não fazem mais sentido. Amuletos de barro, gesso, madeira ou metal são ridículos. Um amuleto eficiente hoje seria uma imagem JPG, por exemplo. Já existe (há algum tempo, aliás) um amuleto nesses moldes, mas tenho hesitado em torná-lo público. Depois de muito pensar nisso, porém, percebi que era minha obrigação compartilhar com todos algo que só pode trazer o bem. Então apresento a vocês:

Marcurelinho - o Amuleto do Século XXI
MARCURELINHO
O amuleto dos blogueiros

Procedimento: coloque o Marcurelinho no logo do seu blog e peça a ele uma graça. Mas peça com fé, senão não adianta nada. Diga a ele que só vai tirá-lo dali quando arrumar aquele emprego/fulana der pra você/fulano notar que você cortou o cabelo/seu time for campeão. Incomodado pela posição humilhante que é estar no logo de um blog, Marcurelinho tratará logo de atender a seu pedido. O moskito experimentou e pode atestar a eficácia do novo amuleto. Testem vocês também!