Vejam só o que acaba de me chegar por email:

“Bom, se vc tá lendo isso é pq consegui fazer vc me abrir… hehe… abrir o e-mail, infelizmente. Karacas… sou facinada por vc. Ow… to te falando. Não é tua fama. Nem a tua inteligência… to falando serio agora. Nem tenho pq mentir. Já querto te avisar que não sou nenhuma puta on line, mas tenhu muito tesão. Nossa… Fiko aqui imaginando coisas… Bom, melhor eu deixar pra lá…
Só precisava que vc soubesse. Precisava falar, saka?
Meu, eu sou branquinha e fico imaginando vc assim, um preto encardido… nossa… enfim, vc mexe comigu. Mesmo. Muito.
Foi incontrolável. Precisava falar.
To sabendo que talvez nunca receba uma resposta desse e-mail… mas carai… já to aliviada… ou melhor, mais excitada ainda. Vou ter que parar e ir ali resolver isso. Comendo muito chocolate… rs
Beijos e sorte”

Pois é, meu povo. Como bem diz aquele funk, elas estão descontroladas. Essa maluca aí tem um blog no melhor estilo “coisinhas fofinhas”, apesar de ter 29 anos e se dizer psicóloga. É casada, tem dois filhos e ama a Jesus (tá tudo lá no blog dela, cujo endereço não posso revelar: sou sacana, porém cavalheiro). É metida a poeta: Tem um poema lá em que ela rima advérbios de modo (inclusive um doloroso “concientemente”). Que coisa difícil!
Então eu lhes pergunto: O que leva uma mulher a escrever coisas desse tipo para um homem que não conhece? Ou será que ela me conhece e não passa de um trote muito mal feito (o “preto encardido” indica essa direção)? Seja qual for a real, é muito triste que alguém perca seu tempo escrevendo coisas assim.
Há alguns meses eu responderia só pra ver no que dava. Mas estou noutra agora. E não lamento.

UPDATE: Reli agora o email e acho que eu jamais teria coragem de levar adiante uma conversa, que dirá qualquer tipo de aproximação, com uma mulher que escreve desse jeito.

Melvin Udall: I’ve got a really great compliment for you, and its true.
Carol Connelly: I’m so afraid you’re about to say something awful.
Melvin Udall: Don’t be pessimistic, it’s not your style. Anyway, here goes: I’ve got this, what, ailment. Now, my doctor, this shrink I used to go to all the time, says that in fifty to sixty percent of cases, a pill really helps. I HATE pills, hate them. I’m using the word “hate” about pills. Anyway, my compliment to you is the night after you came over and said that you would never . . . well, you were there, you know what you said. Anyway, the very next morning, I started taking the pills.
Carol Connelly: I don’t quite get how that’s a compliment for me.
Melvin Udall: You make me want to be a better man.

Ontem eu fui ao cinema. Nem pretendia ir, saí tarde daqui por causa de um vírus maldito. Enfim, resolvi ir ao cinema. Comprei ingresso para “Carandiru” e fui comer alguma coisa enquanto não dava a hora da sessão.
Estava eu na praça de alimentação saboreando umas porcarias, quando passaram três sujeitos vestidos de preto, de sobretudo e óculos escuros. Matrixers, conforme o Pedro disse dia desses (não sei se o termo já existia ou se ele inventou). Tive que conter um ataque de riso, mesmo porque não queria borrifar guaraná na senhora sentada à minha frente. Será MESMO que aqueles caras vestidos de Neo (um deles tinha até o mesmo corte de cabelo do Predestinado) não percebem o papel ridículo que fazem? Ainda se fossem adolescentes eu dava um desconto, adolescentes têm essa coisa de andar em grupos homogêneos e seguir certos padrões inspirados em seus ídolos. Mas os três tinham aproximadamente a minha idade e, por favor, esse tipo de presepada não pega bem para homens de quase trinta anos. Oras, vocês sabem o quanto eu gosto de João Gilberto. Nem por isso ando por aí de terno azul-marinho, camisa branca e gravata.
Hum… Mau exemplo…
Ah, já sei. Sou fã do Chico Buarque. Idolatro mesmo o cara. Mas não saio por aí com um par de olhos ardósia e um sorriso aberto de dentes brancos comendo tudo quanto é mulher. PORQUE EU TENHO PERSONALIDADE!