Todo dia eu fico olhando o rio Pinheiros pra tentar ver alguma capivara. Dizem que tem uma família de capivaras no rio Pinheiros.
Hoje, como sempre, não vi nenhuma. Mas vi uma cegonha.
Uma cegonha indo pros lados de Santo Amaro, carregada de peruas escolares.
Peruas escolares com suas mochilas nas costas, fichários nas mãos, jóias espalhafatosas e maquiagem pesada.
Maquiagem pesada que quase lhes cai a cara.
Acho que a Philip Morris anda botando ingredientes estranhos no Marlboro branco.

Marcurélio resolveu escolher alguns privilegiados para terem acesso ao seu blog secreto de coisinhas sentimentais e aviadadas. Para participar da promoção, faça um comentário NESTE POST respondendo à pergunta:
Por que eu mereço ler as viadagens que Marcurélio escreve?
Os contemplados comprometem-se desde já a não revelarem o conteúdo total ou parcial do referido blog a quem quer que seja.

— Bom, vamos acelerar esse negócio aí, seus vagabundos.
— O-o-o-olha o r-re-re-resp-p-pe-pei-p-pei…
— Tá, tá, Moisés! Tô brincando, olha seu coração, véio. É só pra vocês acordarem, que hoje eu tô a fim de ver o dia render. E vamos lá: Leis para os sacerdotes. Arão, cê tá prestando atenção?
— Hum? Hein?
— Ai meu saco… Leis para os sacerdotes, Arão. Interesse direto seu, dos seus filhos, e dos seus descendentes. PRESTENÇÃO, PORRA!
— Tá, Javé. Tô ouvindo.
— Então anota aí. Nenhum sacerdote pode se contaminar tocando num cadáver. Só se for de algum parente chegado: pai, mãe, irmão, filhos. Os sacerdotes não raparão a cabeça nem cortarão a barba, e deverão casar-se com mulheres virgens, nunca viúvas, divorciadas ou prostitutas. Isso é porque eles oferecem os sacrifícios aqui no Tabernáculo, e devem permanecer puros.
— Peraí, Javé. A gente tem que ser cabeludo e barbudo, comer virgens e sacrificar animais?
— Isso aí.
— Legal! Vamos montar uma banda de black metal!
— Puta que pariu… Calaboca, Arão. Vai anotando aí e calaboca. Humpf. Onde é que eu estava? Hum. Se a filha de um sacerdote se prostituir, será queimada viva.
— Porra, Javé! Queimada viva??? Pega leve!
— Pega leve o cacete! Quero ver tudo funcionando direitinho, que isso aqui não é o Tabernáculo da mãe joana! Você que cuide das suas filhas direito, não é problema meu.
— M-Mas…
— M-Mas nada! Tá pegando a gagueira do seu irmão, é? Arão, imagina que uma filha sua vira puta. Aí ela tem um filho, o moleque cresce e se torna sacerdote. Eu lá vou querer um sacerdote filho da puta?
Pra um deus idem…
— Como?
— Nada não.
— Hum. Tá, anota aí. Agora as leis para o Sumo-Sacerdote.
— Quem é esse cara?
— Putz, é hoje… VOCÊ é o Sumo-Sacerdote, Arão!
— Ah, é.
— Porra, prestenção, véio! Então. O Sumo-Sacerdote deve vir pra cá sempre penteadinho e com suas roupinhas limpinhas e passadinhas e amaciadas com Comfort.
— Com o quê?
— Cota de publicidade, fica na sua. O Sumo-Sacerdote não poderá tocar em nenhum cadáver. Nem que seja de parente próximo, nada. O cara tem que ser cem por cento puro. E ele também só poderá se casar com uma virgem.
— Ôpa! Então posso dispensar a patroa e arrumar uma cocota?
— Claro que não. Ela era virgem quando casou com você, isso é o que importa.
— Bah!
— Não reclama, velho safado. Vamos em frente. Nenhum descendente de Arão que tenha algum defeito físico poderá apresentar ofertas de alimento aqui: Cego, aleijado, deformado, capenga, cotoco, perneta, corcunda, anão, sarnento, verruguento, espinhento, capado, nada! O cara poderá fazer outras atividades aqui, e até comer da parte dos sacerdotes…
— ÊPA! DA MINHA PARTE NINGUÉM COME!
— Ai ai… Da parte da oferta de alimentos destinada aos sacerdotes, Arão.
— Ufa…
— Cáspita. Enfim. Mas o cara não poderá chegar nem perto da cortina do Tabernáculo nem do altar, para não contaminar o que é sagrado.
— P-puta d-descriminação, Ja-Javé. O ca-cara n-não t-tem c-culpa de t-ter nascido c-com de-defeito.
— E eu tenho???
— …
— Bah! Quero nem saber: A lei é minha, e vocês obedecem. Porque eu sou deus, tão me ouvindo? DEUS!!!
— Tô sabendo.
— E ainda tem mais.
— P-puta m-merda…