À esquerda, Rafael. À direita, usando o blazer que ganhou de mim, Thiago. Ao centro, sorrindo feliz, o Pedro. “O Pedro sorrindo?”, dirão vocês, espantandos. “Que cena rara!”. Nah. Tem raridade nenhuma aí. Esse é o Pedro de verdade. Guardem essa imagem. Quando vocês lerem coisas mal humoradas, ácidas, agressivas escritas por ele, saibam que isso sim é raro. O Pedro é isso aí que vocês estão vendo: Um garoto. Um garoto sorridente. Um cara capaz de fazer de tudo pelos amigos. E que sabe perdoar e compreender a estupidez das pessoas.
Pedro, você é um doce.

Dica dela (de cadela, HAHAHAHA): Tudo o que não precisamos. Blog recém-inaugurado pelo Marcelo, aquele grandão de cabelos macarrônicos, que hospedou a cariocada em casa, protagonizou várias cenas de veadagem comigo, e quase no fim da festa me disse coisas tão lindas que eu quase dei pra ele. Mas tudo na maior masculinidade, claro.
Vão lá, seus porras. O primeiro post é o tipo do negócio que faz você rir com gosto.

Fazia tempo que não tinha novidade ali nos “Profetas”, né? Pois peguem aí: menina da torre. Escreve de um jeito elegante, agradável. Dá pra ver que ela escreve com amor. Além de escritora perfeita, é uma garota muito legal. Queria tê-la por perto mais vezes, queria ter podido conversar mais com ela. Porque ela parece que nem é desse mundo, de tão boa que é.

Porra, tenham calma. Preciso fazer uns agradecimentos:
– Ser meu estagiário já é uma merda. Agora imaginem se o cara resolver acumular a função de motorista. Pois foi o que o Pelezinho fez: Acho que o carro dele fez uma quilometragem equivalente ao Trópico de Capricórnio esse fim-de-semana, entupido de gente. E ele sempre com um sorriso no rosto. Não sei como ele consegue. O cara é excelente profissional, músico, amigo. Eu não entro em discussões com ele, porque aprendi que ele sempre está certo. Aconselho vocês a fazerem o mesmo: Não discutam com o Pelezinho. Se o fizerem, ele vai ganhar e ficar fazendo a dancinha do Kiko. Moleque filho da puta…
– Pra que servem os amigos? Oras, pra quê! Pra encher bexigas, claro! E foi o que meus loiros, Tonon e Daniela, fizeram: Dezenas, milhares, bilhões de bexigas amarelas. Idéia dela, minha decoradora de banheiros predileta. Amo vocês, meus amigos.
– Hospedar pessoas é sempre legal. E quando o hóspede é alguém como o moskito (reparem na expressão “como o moskito”), é mais legal ainda. O cara é gente finíssima, engraçado, educado, prestativo, o genro que mamãe pediu a deus. Saudade, pequeno inseto.
– Da Alê e o Rubens acho que nem falo mais nada. Os dois são muito foda. Meus mecenas. Receberam as pessoas, ofereceram ajuda a todo mundo que precisava, mostraram a cidade pros cariocas, ajudaram pra caralho na festa e ainda tiveram disposição pra receber todo mundo na casa deles no dia seguinte. Foda.
– Bah, tinha muita gente lá. Obrigado a todos.
– O lugar é muito legal, né não? Muito obrigado ao Pierre e a todo o pessoal do Central das Artes. Quem mora em São Paulo e estiver pensando em fazer uma festa, não pense duas vezes: Ligue para lá e reserve. Não custa nada. Juro. NADA!
– E em agradecimento que se preze, não pode faltar a gratidão a deus. Por ser ele quem é, por escrever o que escreve e por ter me tirado várias vezes de crises agudas de depressão, sem nem mesmo saber disso.
Tá, Chicoteia. Agora acabou a viadagem ou não?
Acho que sim.

Eu acho que queria ser mais novo. Há coisa de quinze anos, eu preencheria folhas e mais folhas do meu caderno com seu nome. E tudo seria lindo. Mas acho que já passei do ponto: Fazer isso seria ridículo na minha idade, então fico preenchendo minha mente com seu nome, seu rosto, seu sorriso, suas palavras. E dói, às vezes.
Acho que preciso de um caderno.
(Aos curiosos: Não é de vossa conta)


Eu duvido que alguém saiba responder de imediato se eu fizer a pergunta: “O que você estava fazendo há exatamente 23 anos?”. Bom, eu sei que a resposta da maioria será: “Eu nem era nascido em fevereiro de 1980”, mas vocês entenderam. É difícil lembrar de algo tão específico.
Pois eu me lembro. Eu não tinha nem cinco anos de idade ainda, mas me lembro como se fosse ontem: Naquela noite de 10 de fevereiro eu andava ansioso pela casa. Já tinha tentado dormir, mas de nada adiantava. Deitava na cama e não conseguia parar de pensar que a qualquer momento meus pais poderiam chegar com uma novidade: Meu irmão, que nascera no dia anterior.
Novidade para os outros. Para mim ele já era uma preocupação desde que minha mãe anunciara a gravidez. Porque eu queria de qualquer forma escolher o nome dele, e minha mãe insistia que meu irmão ia se chamar Ricardo. Bah, Ricardo. Será que só eu percebia que um irmão caçula naquela família precisava se chamar Roberto? Além do mais, meus pais deviam erguer as mãos para o céu pelo amadurecimento que eu demonstrei no período entre o nascimento dos irmãos: Quando minha irmã nasceu, eu queria que ela se chamasse Relssona. Oras! Roberto não era nada perto disso. Pelo contrário, era um nome muito legal. Mas minha mãe dizia que não:
— Roberto é nome de moleque de rua. Você quer que seu irmãozinho seja um moleque de rua?
— …
(Claro que quero! Cê quer o quê, que ele seja um babaca feito eu, que vive na expectativa de aprender a ler para poder devorar todos os livros do mundo, enquanto o mundo lá fora gira???)
— Então, tá vendo? Roberto não dá.
— Mas mãe… Você gosta do Roberto Carlos. O Roberto Carlos é moleque de rua?
— Er… Não.
— Arrá! Então o nome do meu irmão vai ser Roberto e pronto.
Sim, eu era folgado. Mas entendam, eu precisava fazer valer a minha voz naquela casa. Minha irmã era esperta demais para se envolver nessas bobagens, mas para mim era uma questão crucial: Eu tinha cedido para escolher o nome dela, não deixaria acontecer de novo.
E lá estava eu, dando a centésima volta pela casa, quando ouvi o barulho do Fusca entrando na garagem. Saí correndo para recepcionar o novo membro da família. E, claro, vender meu peixe:
— Cês trouxeram o Roberto???
Meus pais trocaram um olhar divertido, e na mesma hora eu saquei que tinha vencido a batalha: Eu queria Roberto, pois seria Roberto. E se viesse a ser um moleque de rua, tanto melhor.
Logo no começo da vida ele demonstrou de forma inequívoca que seria mesmo um sacana. Antes de começar a engatinhar direito, ele saía rastejando pela casa feito, sei lá, uma lagartixa. E bastava ver minha mãe varrendo o chão que ele ia até lá, barriga arrastando, só pra atrapalhar. Quando já tinha cerca de um ano de idade (época da foto acima), ele se escondeu no guarda-roupa, no meio das bonecas da minha irmã. Na hora em que minha mãe abriu a porta e viu aquela boneca virando a cabeça lentamente, quase teve o segundo troço na vida (o primeiro fui eu).
(E até hoje confundem meu irmão com boneca. Ops.)
E assim foi, sempre. No começo minha mãe ainda dizia que tinha avisado, que Roberto era nome de moleque descarado e sem-vergonha. Mas eu nem ligava: Meu irmão era um barato. Ria das minhas bobagens, como quando eu botava todas as bonecas da Cristina-Relssona para dançarem Can-Can pra ele. Ou quando passávamos a tarde inteira fazendo resgate de tatuzinho em formigueiro. Ou quando jogávamos futebol na sala, apesar das constantes proibições. E até mesmo quando numa brincadeira de luta rachei a cabeça dele, que teve que levar uns pontos (nada de mais, dado o tamanho da cabeça da criança).
Não dá para resumir esses 23 anos de convivência aqui. É muita coisa. Lembro-me de ter dado umas dicas de fonoaudiologia pra ele aprender a falar o “r” (ele vacila até hoje, mas quase ninguém percebe). Lembro de uma noite quente em que fiquei até altas horas abanando meu irmão com um caderno, para os pernilongos não chegarem perto. Sei que não sou um irmão à altura dele. Ele merecia coisa bem melhor. Mas amo meu irmão aqui do meu jeito, meio seco, todo tímido e desajeitado e grosseiro.
Sei que ele é feito de um material muito melhor do que o meu. Se eu tivesse passado por metade do sofrimento que ele passou, já teria desistido. Ele não desiste nunca. Não perde a fé. E continua sacaneando todo mundo. Nome é sina.
Parabéns, moleque.