Aê, mais um blog ali nos profetas. É o JORNALECO!, do Carlos, que acompanha isto aqui desde o primeiro dia. A idéia do blog é legal pra caralho, ele discorre sobre notícias mais ou menos esdrúxulas, sem nenhuma preocupação em seguir uma linha de raciocínio definida, preocupando-se mais com a associação de idéias. Surpreendente para quem não conhece o cara, mas eu já sabia que quando ele fizesse um blog seria genial
Mês: agosto 2002
Dear Lady Averbuck:
Vai tomar no cu. E aproveita pra fazer chorar a puta que pariu, porque eu estou velho e vou acabar tendo um ataque do coração um dia desses, e a culpa vai ser toda sua. Isso não se faz. Caralho. Tomar no cu. Agora.
Não digo mais nada

O bicho
Existe esse bicho, sabe? É um escaravelho venenoso. Quando ele morde a gente e inocula o veneno na corrente sangüínea, as palavras resolvem sair voando das prateleiras do cérebro, e aí o jeito é escrever. Muita gente já foi mordida por esse bicho. Se existe algum antídoto, ninguém sabe. Até tentaram, criaram as universidades e todo o sistema que obriga as pessoas a viverem uma rotina sem sentido algum como se fosse uma coisa normal. Mas não adianta.
Como manda a seleção natural, esse escaravelho foi sofrendo mutações com os anos. Mas nada se compara a um espécime que foi encontrado na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo. Com o dobro do tamanho dos outros escaravelhos, este mal conseguia voar, tamanha era a quantidade de veneno que suas glândulas produziam. Infelizmente ele não foi capturado a tempo de salvar a vida de um pobre rapaz: Thiago Capanema, morador daquela cidade, foi mordido pelo bicho, e agora escreve feito um filho da puta e é amigo íntimo das palavras. Vão por mim, eu tive acesso a seus escritos secretos, e posso afirmar que o pobre garoto está contaminado pro resto da vida. Já declarou que não pretende fazer faculdade, nem se vender ao mercado de trabalho. Pobre menino, colhido assim, na flor de seus dezesseis anos. Pena.
* * *
Essa palhaçada toda foi pra dizer que eu me rasgo de inveja desse tal Thiago Capanema. Filho da puta, vai escrever bem assim lá na residência do Sr. Pênis! Só não vou aí quebrar sua fuça porque você me mandou esse negócio tão legal. Let’s celebrate Jesus, Thiagão!
Coisinhas que eu ganhei hoje
Primeiro, a cobrança do Moskito. De forma muito bem-humorada, como de hábito:
Güentaí, Moskito. Estamos no meio do processo. Blá-blá-blá.
E aí recebi um fansign do Jaime. Ele contou uma puta historinha furada sobre a mulher da foto, mas é claro que eu não vou acreditar. Sou cético até a alma. Que não existe, a propósito.
A travessia do Mar Vermelho
Lá vai aquela multidão. Seiscentos mil homens adultos, no total talvez sejam três milhões de pessoas. E mais animais, carroças, uma multidão a se perder de vista. O caminho para Canaã é curto, basta passar pela Filistia, olha ali no mapa, a seta cinza. Mas a Filistia estava em guerra, e deus achou melhor levar o povo por outro caminho. Vai que os caras vêem a guerra, ficam com medo e resolvem voltar pro Egito? Pois é. Então vão por outro caminho.
— M-Mas J-Ja-Javé, no ma-mapa n-não t-tem o-outra ro-rota!
— Eu traço outra rota, aqui ó, em vermelho, tá vendo? Além do mais, eu vou na frente, mostrando o caminho. Eu vou andando, fumando meu baseado, e vocês vão seguindo a coluna de fumaça.
— T-tá bom e-então.
E lá se foi o povo, por um caminho desconhecido no meio do deserto, guiado pela fumaça do baseado de deus durante o dia, e pela brasa à noite.
* * *
— ÔOOOOOOOOO, Moiséeeeeeeeeeeeeeeeeeeees! WHASSSUUUUUUUUUUUUP?
— Bo-bota a li-língua pra d-dentro, J-Ja-Javé. Co-coisa f-feia…
— Hihihi. WHASSSSUUUUUUUUUUUP??????
— Po-porra, me d-deixa d-d-d-dormir.
— Tá, tá. Hehehe. Seguinte, Moisés. Prestenção. Tá me ouvindo? Tá’scutando? Então prestenção. Ó. Hehehe. Seguinte: O Faraó se arrependeu de deixar vocês irem.
— CO-CO-CA-CO-C-COMO???
— Peraê, peraê. Calma lá, prestenção: Ele tá planejando vir atrás de vocês. Mas cês vão fazer assim, ó. Se liga. Ó como cês vão fazer: Cês vão acampar perto de Pi-Hairote, entre a cidade de Migdol e o Mar Vermelho. Aí, olha só. O Faraó. O Faraó, aquele, tá ligado? Então. Ele vai pensar que cês tão perdidos. E aí… E aí… E aí…
— E a-a-aí…?
— Hum. Esqueci. Mas tá tudo lá no computador. Amanhã a gente vê isso, que agora eu num tô bãaaaaaaaao Num tô meeeeeeeeeeesmo. UUUUUUUUUUUH!!!! Tchau.
* * *
E não é que deus, apesar de bem louco, estava certo? O Faraó acordou muito puto no meio da noite.
— PORRA! Que foi que eu fiz??? Deixar esse povo todo ir embora, caralho??? ONDE É QUE EU ESTAVA COM A CABEÇA.
Começou a ligar para seus oficiais, que vieram correndo para o palácio. Traçaram um plano de batalha madrugada adentro, e começaram a convocar soldados e preparar carros e cavalos para a perseguição aos hebreus.
— Faraó, uma boa notícia! Eles estão acampados em Pi-Hairote. Se viermos por trás… Hehehe… “Se viermos por trás”. HAHAHAHA. Ha. Hum. Arram. Então, o fato é que eles ficarão encurralados contra o Mar Vermelho. Não têm a mínima chance.
— Ah, mas que beleza… Então preparem tudo, que no fim da tarde nós começamos a marcha para o deserto. Hebreu que não quiser voltar para trabalhar, será morto sem dó. Entendido?
— Quem, eu? Eu não, Faraó, tá me estranhando? Tenho mulher, até amante eu tenho, sou macho…
— Ai meu saco. Perguntei se você entendeu, comandante.
— Ah, sim. Claro. Entendi tudo. Perfeitamente.
— Ótimo.
Estavam os israelitas acampados, já anoitecia e todos se preparavam para dormir quando ouviram um rumor vindo do oeste. Alguns foram ver do que se tratava e voltaram com as piores notícias possíveis.
— Fodeu! É o exército do Faraó! O filho da puta tá vindo atrás da gente!
Desesperado, o povo reclamava com Moisés:
— MOISÉS! Ô, Moisés! Os cemitérios do Egito estavam lotados, por isso você trouxe a gente pra cá, pra morrer no deserto? PORRA! A gente cansou de dizer que não queria sair do Egito. Lá nós tínhamos nossa vidinha sossegada. Mas não! Você e seu irmão vieram com esse papo de Javé, de Terra Prometida, o caralho a quatro! E agora, Moisés? E AGORA???
— Ca-calma, p-p-pe-pessoal! Ja-Javé v-v-vai d-dar um j-j-jeito!
— Que jeito??? Todo o exército egípcio está vindo de um lado, e do outro lado temos o mar. O que é que Javé vai fazer?
— O-oras! Ja-Javé v-vai… Va-vai… Ele v-v-v-vai… Pe-peraí um i-in-instantinho. — Pegou o celular e ligou pra Javé — Ô. Q-que cê va-vai fa-fazer m-m-mesmo?
— Ué, porque cê pergunta pra mim? Manda o povo andar na direção do mar.
— T-TÁ M-M-MA-MALUCO???
— Confia em mim, Moisés. Eu sou é deus! Levanta a sua vara em direção ao mar, e dê ordens ao povo para marchar naquela direção.
— M-Mas e a-aí??? Os e-e-egípcios t-tão ch-chegando!
— Ah, dá-se um jeito. Prestenção.
Deus então puxou uma tragada que queimou o baseado até o dedo, prendeu por um tempo e depois soltou a fumaça na direção de onde estavam os soldados egípcios. Ficou tudo escuro por lá e eles ficaram desnorteados.
— É agora, Moisés. Manda o povo marchar, que eles vão ver a melhor mágica de todos.
Moisés deu a ordem. O povo não queria, mas iam fazer o quê? O tal de Javé era maluco, capaz de aprontar mais uma.
E aprontou mesmo: De repente as águas começaram a se agitar sem razão aparente. Alguma coisa estava acontecendo, aquele movimento da água do mar não era normal. Alguma coisa começou a surgir. Uma estrutura. O que era aquilo?
Uma… Uma ponte?
— U-Uma po-ponte, J-Ja-Javé?
— “Uma ponte” não! Essa aí é a Ponte Rio-Niterói. Nessa época de seca esse trecho do Mar Vermelho tem só dez quilômetros de largura, dá e sobra pra vocês passarem por cima da ponte.
— Pu-puxa… Eu e-e-esperava que v-você f-f-fosse di-dividir o m-mar no me-meio?
— Acho que cê assistiu muito filme do Cecil B. DeMille. Não reclama, eu trouxe essa ponte de muito longe, no tempo e no espaço. Agora bota esse povo pra correr, que o fumacê não vai durar muito.
Dessa maneira o povo de Israel atravessou o mar. O exército egípcio veio atrás, mas quando estavam no meio da ponte, os hebreus já estavam a salvo do outro lado. Então deus levou a ponte de volta para o Rio de Janeiro e os soldados morreram afogados no Mar Vermelho.
* * *
— Governadora! Governadora! Acorda, governadora!
— Ô, mas que diabo! Não se pode dormir em paz. Que foi, metralharam a prefeitura de novo?
— Não senhora. Muito pior.
— Pior? O que foi? Desembucha!
— A ponte Rio-Niterói sumiu.
— A pon… Ah, vai à merda! Que brincadeira é essa? É coisa do Gugu, vieram me acordar? Cadê o Rodolfo e o ET?
— É serio, governadora. Vamos lá, a senhora vai poder conferir.
Pegaram o carro e em alguns minutos chegaram. A ponte estava lá, como sempre.
— Ah, pelamordedeus. Nem sei porque me dei ao trabalho de vir até aqui.
— Mas… Mas… A ponte tinha sumido, juro!
— Rapaz, você é muito bom assessor e tudo mais. Mas precisa parar com o que quer que esteja tomando. Tá afetando seriamente a sua cabeça.
— Mas… Mas…
— Mas nada. Me leva de volta pra casa, que eu quero ver se volto a dormir e continuo a sonhar com a queda do palanque do Garotinho. Ô, cena linda…
Xingamento do Risadinha
— Seu ridículo!
Respondam: É ou não é uma bicha sem-vergonha?
A volta do boêmio
Vejam só que coisa. Parece que o cara do Chicote Verbal resolveu voltar do além.
Blogamp
Olhem ali do lado, depois dos “Fiéis”, e saibam o que eu estou ouvindo. Legal, né? Tá, eu sei que todo mundo já conhecia o Blogamp. Mas eu não, e foi dica desse cara. Valeu!
Esclarecimento
É ficção, ok? Eu e a Loira somos solteiros até demais. Esse negócio de casal bloguista tá começando a queimar meu filme com a mulherada. Eu tento ser galanteador e elas logo sacam um “Ué, mas você não namora aquela moça, seu sacripanta?”. Calma lá, calma lá!
