Então no meio desse turbilhão de mau humor, resolvi tomar um remédio. E como os sintomas dessa vez são bastante sérios, resolvi tomar uma dose cavalar: O Sentido da Vida, do Monty Python. E uma coisa esquisita aconteceu: A cada piada genial, eu começava a chorar. Porque se já é bem triste fazer o humor rasteiro que faço aqui, imagino o quão doloroso deve ser fazer aquele tipo de humor sofisticado.
Todo palhaço é triste, porque percebe a vida como ela é de verdade: Ridícula, mais nada.

Tenho em minha mesa um troféu que ganhei no final de 2000. Muito bonito, de acrílico, traz escrito em azul: “DESTAQUES 2000 – Marco Aurélio Gois dos Santos – Senso de Humor”. Naquele ano, fizeram uma eleição para escolher funcionários que se destacavam em vários aspectos, e meus colegas me escolheram pelo senso de humor. Pode-se achar isso uma coisa meio besta, prêmio de consolação para quem frustrou a própria vida, mas foi recebido por mim com muito carinho e ostentado com certo orgulho.
De uns tempos para cá, no entanto, uma profunda mudança foi operada e o bom humor foi abolido da empresa. Os funcionários devem cultivar a sisudez e exercitar uma mentalidade cinzenta. Que pena. Meu troféu tão querido irá para a gaveta, juntamente com meu outro troféu (de viado), os vários brinquedos, as fotos engraçadinhas.
Vou me esforçar para mudar, a começar pela decoração da minha área de trabalho. Talvez grudar os Dez Mandamentos na minha mesa, botar o Sagrado Coração de Jesus como fundo de tela. E minhas fotos são mesmo muito inadequadas: Tenho cara de palhaço, o que não condiz com o cenário. Preciso procurar alguma foto que melhor se adapte ao ambiente. Adolf Hitler, talvez.