A mulher do compadre Mané Pedro

Eu passei metade da vida perguntando a todo mundo se alguém conhecia um filme em que Paulo César Pereio cantava uma linda canção que incluía os seguintes versos:
A mulher do compadre Zé Pedro
Tem cabelo no cu que faz medo
Ela chorava, ela gemia
Era os cabelos do cu que doía.

Cheguei a perguntar aqui no blog, sem sucesso. O Lelê canta essa música sempre, mesmo sem ter visto o filme, de tanto eu repeti-la nesses nossos treze anos de convivência. Tantos anos, e nunca tive notícia do filme.
E eis que ontem, na companhia de amigos, alguém (acho que foi o Ney. É sempre o Ney) estava trocando de canal e caiu justamente nesse filme, justamente nessa cena. Então eu entendi porque nunca encontrara nem pista do que procurava: era o Nelson Dantas, não o Pereio, e era compadre Mané Pedro, e não compadre Zé Pedro. Ao chegar em casa, de posse dessas informações, descobri que se tratava de Cabaret Mineiro, de Carlos Alberto Prates Correia. Ontem, enquanto assistia ao filme, relembrei algumas outras cenas: Tânia Alves cantando nos momentos mais inesperados, uma mulher nua em meio a ruínas, um corpo humano girando num espeto de churrasco, uma mulher vestida como onça sendo abatida por Nelson Dantas. Tudo assim mesmo, sem nada que ligasse uma cena à outra. E eis que descubro que o filme ganhou sete Kikitos no Festival de Gramado de 1981: filme, diretor, ator (Dantas), fotografia (Murilo Sales), trilha sonora (Tavinho Moura), atriz coadjuvante (Tânia Alves) e montagem (Idê Lacreta). Agora, se alguém aí já viu o filme, faça-me o favor de explicar o porquê de tantos prêmios para uma produção tão rasteira. Será por que é “baseado livremente” na obra de Guimarães Rosa? Sei não, sei não… Só sei que pelo menos o prêmio de melhor trilha sonora foi merecido. Basta prestarmos atenção na letra da canção que ficou em minha mente por tantos anos, agora reencontrada graças ao Google no blog The Rabbi of Chelm:
Vamo dançá tudo nu – tudo nu
todo mundo com dedo no cu – menos eu
todo mundo com a bunda de fora – é agora
você disse que dava – e não deu.
Espora no pé tá tinindo, tá tinindo
pica no cu tá sumindo, tá sumindo
larga o teu marido, mulher, e vem fuder mais eu
teu marido é bom, mulher, mas não fode como eu
a foda é boa de madrugada, de manhã cedo não vale nada.
A pica tá dura que tá danada,
ela entra enxuta, ela sai molhada
a mulher do compadre Mané Pedro…
tem cabelo no cu que faz medo…
ela chorava, ela gemia,
era os cabelos do cu que doía
ela chorava, ela gemia,
era os cabelos do cu que doía
Seu Guilherme do pilão de Sapucaia
disse que o bicho que mata homem mora debaixo da saia
adonde a pica trabaia.

Um primor, eu lhes digo. Um primor!

18 comments

  1. Marcuaurélio, muito obrigada pela risada frouxa, longe longe do meu canto, mas com um humor que não nega meu sangue nordestino.
    Queria mandar um e-mail dizendo que linkei você no meu blog mas o e-mail volta.
    Avisei.

  2. Show de Cultura!
    Esses dias eu vi um pedaço de um filme brasileiro, tinha uma cena que um poeta declarava:
    “ó rios de merda, ventanias de bosta..”
    Outro q o Lima Duarte falava: “quem desenhou caralhinhos voadores na parede do banheiro!!” hehehe.. hilário

  3. Marco Aurélio, eu aprendi essa música alguns anos atrás e o enigma sobre sua origem sempre me corroeu.
    Agradeço por sua pesquisa e por compartilha-la conosco. Vou dormir um sono mais tranquilo hoje.

  4. Como diria Shakespeare,
    What a big brown river!
    For the last 2 years
    I have been swimming in it.
    Oh! Big brown river!
    River of shit!
    Ou foi Camões???
    Dúvida atroz.

  5. Eu canto essa musica a muitos anos por causa do filme, porem, nao me lembrava de qual filme pertencia esta bela cancao. Agora sim estou feliz e satisfeito, posso canta-la sem medo, sem acanhamento e livremente!!!!

  6. puta que pariu cara , voce é foda memo!
    achou o nome do filme e a musica que eu cantava pros meus amigo! muito loka né! eles cagam de dar risada até hoje!

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