Meu tempo é hoje

Ontem Bárbara, Camila e eu fomos assistir ao documentário Paulinho da Viola – Meu Tempo é Hoje, de Izabel Jaguaribe. É claro que eu achei o filme perfeito. Paulinho da Viola está entre os meus maiores ídolos. Suas maneiras suaves, suas relações familiares (há um trecho comovente do documentário em que Paulinho, seu pai César Faria e seu filho João tocam juntos), seu talento de artesão e seu perfeccionismo, tudo isso se reflete em sua música. E o documentário também sofre essa influência: é suave, despretensioso, bem humorado de um modo sutil.
Há problemas no filme, é claro. Aliás, há UM problema chamado Marina Lima. Não sei se vocês sabem mas Para Um Amor No Recife ocupa um lugar bem perto de Chega de Saudade no topo da lista das minhas músicas prediletas (se não sabiam, leiam aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Pois bem, anos atrás Marina Lima gravou uma versão lamentável e completamente equivocada de Para Um Amor No Recife. Até aí tudo bem, azar dela e de quem quiser ouvir aquele lixo. O problema é que algum cabeça de bagre resolveu chamar a Marina para participar do documentário e a desgraçada fez um dueto com o Paulinho cantando daquele jeito nojento dela. E mesmo quando o Paulinho cantava ela atravessava o ritmo. Eu só queria saber quem foi que falou pra Marina que declamar soluçando é a mesma coisa que cantar…
Bom, mas esqueçamos Marina. O filme conta com Marisa Monte em dois belos momentos, Elton Medeiros, Velha Guarda da Portela, Zeca Pagodinho, Nelson Sargento. E tem Paulinho da Viola cantando Coisas do Mundo, Minha Nêga, que fez a Bárbara quase pular da cadeira e se jogar dentro da tela. Uma pena ele não ter cantado a última estrofe, que é a parte mais bonita. Mas tudo bem, vai a letra inteira aí pra vocês:

Coisas do mundo, minha nega

Hoje eu vim, minha nega como veio quando posso
Na boca as mesmas palavras, no peito o mesmo remorso
Nas mãos a mesma viola onde gravei o teu nome

Venho do samba há tempo, nega, vim parando por aí
Primeiro achei Zé Fuleiro que me falou de doença
Que a sorte nunca lhe chega, está sem amor e sem dinheiro
Perguntou se eu não dispunha de algum que pudesse dar
Puxei então da viola, cantei um samba pra ele
Foi um samba sincopado que zombou do seu azar

Hoje eu vim, minha nega, andar contigo no espaço
Tentar fazer em seus braços um samba puro de amor
Sem melodia ou palavra pra não perder o valor

Depois encontrei seu Bento, nega, que bebeu a noite inteira
Estirou-se na calçada sem ter vontade qualquer
Esqueceu do compromisso que assumiu com a mulher
Não chegar de madrugada, e não beber mais cachaça
Ela fez até promessa, pagou e se arrependeu
Cantei um samba pra ele, que sorriu e adormeceu

Hoje eu vim, minha nega, querendo aquele sorriso
Que tu entregas pro céu quando te aperto em meus braços
Guarda bem minha viola, meu amor e meu cansaço

Por fim eu achei um corpo, nega, iluminado ao redor
Disseram que foi bobagem, um queria ser melhor
Não foi amor nem dinheiro a causa da discussão
Foi apenas um pandeiro que depois ficou no chão
Não tirei minha viola, parei, olhei e vim-me embora
Ninguém compreenderia um samba naquela hora

Hoje eu vim, minha nega, sem saber nada da vida
Querendo aprender contigo a forma de se viver
As coisas estão no mundo só que eu preciso aprender

(Paulinho da Viola)

Ah, e depois do filme comemos pizza e bebemos cerveja na preciosa companhia da Kátia. Ah, como é bom o convívio com pessoas que cultivam e apreciam a ironia e a inteligência…

17 comments

  1. Marina Lima sempre estragou tudo pelo que passou. Uma espécie de Átila da música; mas sem a agressividade huna, ou seja, nem mesmo esse charme ela tem.
    Fez uma cagada homérica com “Nosso Estranho Amor” (precisou do mestre para dar um mínimo de melodia vocal).
    Conseguiu ser “a pior entre os piores”; no Acústico dos Titãs, fez aquela patacoada com “Cabeça Dinossauro”.
    Achei estranho ela própria ter demorado tanto para fazer um Acústico. Afinal, é inaceitável que exista um compartimento da desgraça musical sem que este seja ocupado por Marina, a Lima.

  2. Bom, sou apenas mais um expressando minha ojeriza pela figura da Marina Lima. Nunca tolerei este pseudo-intérprete metido a artista-pop-compositora.
    A mulher canta mal, toca mal, escreve mal e ainda assim continua por aí.

  3. Paulinho da Viola resume o que há de nobreza no samba. Estou muitíssimo a fim de ver esse documentário, apesar da sra. Marina Lima (“Para um Amor no Recife”, a original, é impecavelmente linda -o que ela fez com a música seria punido com injeção letal ou cadeira elétrica em alguns Estados americanos). Sugiro a vocês que dêem uma olhada no texto que o Ricardo Calil, do “no mínimo”, escreveu sobre o documentário. Acho que concordo com tudo o que está ali. Abraços gerais.

  4. gosto da Marina e a versão dela para
    a música “Para um amor no Recife” está bem longe de ser lamentável, não ouvi todo o acústico que ela gravou mas a vi cantando um trecho de uma música do Martinho da Vila que ficou muito bom..

  5. Me pergunto qual o nível de conhecimento musical destas pessoas que defendem a marina lima. Gostar de música e gostar de marina é no mínimo uma contradição. Alias, não se trata nem do mesmo assunto, aquilo que ela faz é qualquer coisa menos música… ela é muitissímo péssima.

  6. Ah, gosto do Paulinho, do Zé Ramalho, de cultura brasileira, cinema nacional e blá, blá, blá… mas não fiquei muito estimulada para assistir ao documentário dele, não. Ele parece ter uma vidinha tão assim, assim, tão mais ou menos… um sujeito calmo, pacato, sem grandes emoções. Me parece coisa pra fanzoca mesmo. Aquele pessoal que adora qualquer coisa que vem do ídolo… Devo me estimular e assistir a vida do paulinho?

  7. O seu idiota!!!!! Não sei como vc pode ter ouvidos pra ouvir esta bosta de Paulinho da Viola… MARINA LIMA sim é musica d verdade. Cala tua boca antes d falar dela, vc e todas estas putas q tão se achando no direito d falar alguma coisa. Quenga maldita!

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