A prova das águas amargas (Números 5:11-29)

O livro de Números até que estava indo bem com aquele negócio de contagem do povo, ordem das tribos no acampamento, divisão de tarefas. Só que deus não agüentou por muito tempo: Na primeira oportunidade que teve, desviou o assunto para leis, rituais e castigos, temas que já apoquentaram bastante no Levítico. Veio com aquela ladainha de pessoas impuras, depois o pagamento de prejuízos, e lá vamos nós chafurdar no meio das leis.
Mas a verdade deve ser dita: Vez por outra ele inventa umas leis bem interessantes (para não dizer esdrúxulas). Essa tal prova dos ciúmes, por exemplo, também conhecida como prova das águas amargas.
Desde os tempos mais remotos o homem busca resposta para três questões que não param de incomodá-lo nem durante o sono, quais sejam:
1. De onde viemos?
2. Para onde vamos?
3. Será que aquela feladaputa tá me chifrando?

Para as duas primeiras, deus inventou a religião. E para a terceira (e mais importante), inventou a prova das águas amargas. Era assim: O cara começa a notar a esposa diferente. Mais solta, mais leve, com um sorriso de Mona Lisa na cara o tempo todo. Vendo a transformação da mulher, outrora tão recatada e apagadinha, a desconfiança ganha força a cada dia. Ou então nem isso: Paranóico por natureza, ele começa a desconfiar da mulher sem razão alguma. O que fazer? Conformar-se? Cultivar e polir os novos adereços de cabeça? Ou revoltar-se de vez e matar a piranha desgraçada, correndo o risco de cometer uma injustiça? Em que sinucas de bico pode um corno se enfiar, não?
E aí entra a tal prova: Desconfiado, o candidato a chifrudo leva a esposa até o sacerdote, juntamente com um quilo de farinha. Farinha de cevada, não aquela do Beiramar. Então. Dentro do Tabernáculo, diante do altar, o sacerdote inicia um ritual no mínimo estapafúrdio: Coloca terra do chão do tabernáculo dentro de um jarro com água e entrega a farinha na mão da mulher, depois de soltar os cabelos (da mulher, não do sacerdote, que não é mulher de L’oreal). Feito isso, o sacerdote diz: “Seguinte, minha filha. Teu marido aí tá desconfiado da tua honestidade. Pois vamos fazer o seguinte: Se for só paranóia dele, nada te acontecerá por beber essa água. Mas se ele for corno mesmo, que tua genitália seque e teu útero inche”. Então a mulher diz “Amém” que, como vocês sabem, significa “Que assim seja”.
Muita presepada? Que nada, ainda tem mais! Depois disso, o sacerdote escreve o juramento todo numa tira de couro e lava a tira na mesma água, oferece a farinha no altar, e dá a água para a mulher beber.
O que acontece depois não é bem claro. O que este capítulo do livro de Números diz é que, depois de beber a tal água, nada acontece se a mulher for inocente. Se for culpada, no entanto, a maldição se cumpre, a genitália seca, o útero incha e a mulher fica estéril (além de ser amaldiçoada para sempre). Sobrenatural, hein? Pois bem, mas há uma tradição que diz que o negócio era muito mais simples: A mulher bebia a tal água. Se fizesse careta, era considerada culpada. E eu só queria saber quem é que toma água com terra e tinta sem fazer careta.
— Ô, Chicoteia! E se fosse o contrário? E se a mulher desconfiasse do marido?
Ia chorar na cama, que é lugar quente. Isso é que é justiça, não?

7 comments

  1. oProfeTa!
    Essa última pergunta, a da careta é fácil…
    Só toma água com terra sem fazer careta as inocentes!!! rs…
    Mas já deixei minha teoria a respeito das mulheres aqui, naquele episódio da Menina da Torre, Risadinha e tal… Por falar nisso, vc chegou a fazer o teste com ela?!?! rs…
    Ficou legal esse post!!

  2. Profeta, seu feladaputa! Eu ia falar da menina da torre nesse capítulo e esqueci. Justamente na hora em que eu estava editando o post me chegou o email com seu comentário. Aí perdeu a graça.
    Te odeio pra sempre.

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