Padrinho


Quando eu conheci o Lelê, tínhamos ambos 15 anos de idade. Ficamos amigos logo de cara, e uma das primeiras confidências que ele me fez foi sobre a paixão de sua vida, uma menina linda mais que tudo, que tinha um Escort. Oras, ele era apenas um moleque, e apaixonado por uma mulher maior de idade! Não podia dar certo. Mas de algum jeito, acabou rolando. Desde então, foram muitos os desencontros entre ele e a Alessandra. Terminaram e voltaram um sem-número de vezes, passaram juntos por grandes alegrias e sofrimentos quase insuportáveis. Hoje os dois se conhecem e se amam mais que nunca, e marcar o casamento foi só um desdobramento natural. Então, em junho do ano que vem teremos mais um casalzinho lindo em seu apartamento com flores na janela.
Ok. Nesses doze anos as surpresas foram paulatinas, em conta-gotas. Mas hoje o Lelê acordou com vontade de me matar do coração. Entrou no ICQ logo cedo pra me dizer uma coisa bem normal, que a gente ouve todo dia:
— Estou te convidando para ser meu padrinho de casamento na Igreja. Você topa?
Assim, na lata. Pelo ICQ! Acho que vou chorar. Gordo filho da puta…

Deixe uma resposta