Olá, vocês ainda estão aí?
Sim, eu sei. Precisamos de novos posts. Acreditem, também sinto falta de escrever por aqui. Mas minha vida tem sido uma correria constante. Amanhã, por exemplo, parto para uma estadia de quatro dias em Águas de Lindóia. Aposentadoria precoce? Quem dera! Vou cobrir o CSO Meeting. Empolgante, não? Pois é.
Então esperem, esperem. Eu volto. Por enquanto, se virem a próxima B2B Magazine nas bancas, comprem. A matéria de capa foi escrita por mim. Exportação de software e serviços.
Empolgante, não?
Pois é.

(I Reis 5)
Vimos no último capítulo a organização do reino de Israel sob o comando de Salomão. Tal organização era tão eficiente que chamou a atenção até de estrangeiros, entre eles Hirão, rei de Tiro. O rei fenício fora muito amigo de Davi, e assistira de longe à subida de seu filho ao trono. Agora, porém, tendo tomado conhecimento da enorme sabedoria do novo rei, enviou a Israel uma missão diplomática. E Salomão, mostrando mais uma vez sua sabedoria, aproveitou a visita dos emissários de Hirão para dar início a um projeto grandioso. Para começar, mandou uma carta ao monarca fenício:

Caro Hirão,
Pela órdi?
Saúdo-vos em nome de Deus.
Estais vós ligado que meu véio pai Davi não pôde construir um templo para Javé, uma vez que o bicho tava pegando vivia em guerra contra seus inimigos. Eis, pois, todavia no entanto, que eu, seu filho, sentei o dedo mandei subir me vi livre dos meus inimigos internos por graça de Deus, e consegui diplomaticamente viver em paz com os países vizinhos, de modos que estou de boa em paz.
Sendo assim, ó Hirão, pretendo eu agora levantar a goma construir uma casa para Javé, o Deus de Israel, pois foi assim que Ele prometeu a meu pai. Eu queria, então, pedir a você que mandai-me a mim cortar cedros do Líbano. Enviar-te-lo-ei meus empregados, que vão dá um trampo trabalharão juntamente com os seus, e eu pagarei o salário de todo mundo.
mano Salomão, rei de Israel

Hirão ficou muito feliz ao receber essa mensagem, pois estava mesmo ansioso para colaborar com Israel, uma nação que começava a prosperar. Então enviou sua resposta a Salomão:

Cara Salomón,
Bendita seja a Deus de Israel, que deu a Davi uma filho tón sábia.
Gostei muito de seu mensagem, e já estou tomando os providências. Minhas servos vão começar a cortar os cedras para levá-los da Líbano até onde a senhor quiser, de jangadas pelo mar.
Negócia fechada, entón? Certinha, certinha.
Só um coisinha: o ticket-refeiçón das minhas trabalhadores fica por seu conta. Tudo bem?
Abraço,
Hirão, rei de Tiro.

Negócio fechado, os dois reis começaram os preparativos para a construção do templo. Hirão enviava a Israel todo o cedro e pinho que Salomão solicitava. Em troca, o rei de Israel fornecia anualmente duas mil toneladas de trigo e quatrocentos mil litros de azeite para os trabalhadores fenícios. Além desses, o rei convocou trinta mil israelitas para os trabalhos forçados, com Adonirão por chefe. O contingente foi dividido em três grupos de dez mil homens, e cada grupo passava um mês no Líbano e dois em casa. Além desses, Salomão mandou oitenta mil homens para cortarem pedras nas montanhas, e outros setenta mil para carregá-las. Esse grupo de pedreiros e carregadores, responsáveis pelas pedras para os alicerces do templo, tinha três mil e trezentos chefes.
Quatrocentos e oitenta anos depois de chegar a Canaã, o povo de Israel finalmente começava a construir um Templo para Javé. Tendo uma casa de verdade para morar em vez de uma barraca, talvez ele deixasse de ser tão estressado.

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Sim, sim: sou eu na Revista da Folha, dizendo que os imbecis são sempre maioria. Bom, eu disse outras coisas, mas essa valeu até título. Débora Yuri, autora da matéria, entendeu bem quem eu sou: “Aparelho nos dentes, careca, gordinho, falante e usuário compulsivo de palavrões”, ela define. Excelente. Só não gostei daquele negócio de “ateu sem argumentos”. A expressão fez parte de uma declaração mais elaborada, em que eu deixava bem claro que estava me afastando do ateísmo por achá-lo mais estúpido do que qualquer religião.
Quando a Débora veio aqui me entrevistar, uma das coisas que me perguntou foi sobre o que me irritava.
— Ah, sei lá. Falsidade.
— Hum…
— Não, porra! Não anota não. Estou sendo irônico. Tem muita coisa que me irrita, cazzo. O que você quer saber?
— Ah, por exemplo: quando eu estou andando na rua e o vento bate de frente, joga o cabelo todo na cara, eu não gosto.
— Bom, eu não sei o que é isso…
— AI! DESCULPA!
Ficou sem graça de verdade. Como é bom deixar as pessoas sem graça, não? No fim das contas, disse que o que me irritava era o Código Da Vinci.
Bom, comprem o jornal. Ou leiam a matéria na internet, se forem assinantes do UOL.

E lá fui eu fazer a prova do Detran pela terceira vez (primeira, segunda). Dessa vez foi diferente: a autoescola antiga se dedicava à venda de habilitações. Os instrutores se encarregavam de deixar os alunos nervosos no dia da prova, e depois ofereciam a carteira de motorista por 400 reais. A nova autoescola, lá perto de casa, tem bons instrutores, responsáveis, didáticos, a porra toda. Além de tudo, falam bobagem o tempo todo. Ou seja: ambiente ideal para mim.
Com tudo a meu favor, fui lá fazer o teste. Chegamos ao estacionamento do Shopping Aricanduva e o instrutor foi nos apresentar o percurso. Mostrou de onde deveríamos sair, onde fazer a baliza e a ladeira. O lugar da ladeira era uma curva.
Epa.
Você, caro leitor mais velho, talvez não saiba, mas nós, os jovens, temos uma dificuldade a mais no teste de ladeira: o carro deve parar a exatamente um palmo da guia (o que os estrangeiros chamam de meio-fio). Como é que eu ia ter essa precisão toda numa curva? Comecei a tremer nessa hora.
O instrutor terminou de dar a volta e chegou nossa vez. Antes de mim foram quatro alunos: três passaram, uma menina foi reprovada. Na minha vez eu fiquei semi-inconsciente. Se o sujeito do Detran perguntasse meu nome eu não saberia responder. Mas fui, saí direitinho com o carro.
— Faz a primeira baliza, lá da frente.
Fui, parei o carro um pouco à frente do cone e engatei a ré. Soltei a embreagem e o bicho foi para a frente. Pisei de novo, ré outra vez, e o danado indo pra frente. Na terceira oportunidade, consegui engatar a marcha direito e fiz a baliza perfeitamente. Saí da baliza e fui fazer a tal da ladeira na curva. Para minha total e absoluta estupefação, consegui parar o carro do jeito certo e sair sem deixar que ele descesse.
Aí vem a desgraça: logo depois da ladeira havia um cruzamento. Num estacionamento de shopping center às nove da manhã, achei que não haveria ninguém passando por ali e entrei sem olhar. Mas um desgranhento dum corno feladaputa resolveu passar justamente naquela hora.
— A preferencial era dele.
— É, eu sei.
Se fosse só esse erro, eu ainda teria chances. Só que estava nervoso, e mais adiante esqueci de dar uma seta. Quatro pontos, até a próxima.
E na próxima eu não peço torcida de ninguém. Cambada de ingratos.

Recado para os que dizem que eu deveria comprar a CNH: vocês são um bando de canalhas, uma gente sem conceito de honra. O que eu penso de comprar a carteira está aqui; o que eu penso de vocês está aqui. E não discuto. Canalhas. Não me venham falar mal do Congresso Nacional: vocês são piores do que eles.

Crianças são seres angelicais que semprem fazem brotar um sorriso em meu semblante cansado. Agora mesmo, no ônibus vindo para casa, ouvia a conversa de dois meninos de cerca de nove anos. Um deles, um pretinho mirrado vestido de rapper, disse ao outro, um gordinho todo cor-de-rosa, com cara de quem é vestido pela mãe:
— Eita, cabeça de paçoca mordida, hein?
Olhei para trás e tive que rir: o moleque tinha mesmo cabeça de paçoca mordida; não me peçam para explicar. O gordinho nem se abalou:
— Cala a boca, macaco, senão não ganha banana.
— Cê vai ver a bananona que eu vou te dar. Coberta de chocolate, do jeito que cê gosta.
— Dá pra sua mãe.
— Não bota a mãe no meio, viado.
— Tá bom. Boto o pai.
— Fica quieto, ô. Sua mãe toca siririca com luva de boxe.
— E a sua… A sua… A sua mãe USA BONÉ!
Não adianta: quando se recebe certos xingamentos certeiros e bem elaborados, o melhor é ficar quieto. Como o que aconteceu com meu amigo Zezinho.
O Zezinho é o melhor contador de histórias que existe. Em qualquer mesa de bar ele se torna o centro das atenções sem esforço. Um invejável talento nato, que deve muito ao fato de ele nunca ficar desconcertado com nada. Bom, quase nunca.
Aconteceu que o Zé — que tem a minha idade, 30 anos — passou um tempo desempregado. Por opção, é claro: sem emprego ele ganhava mais dinheiro do que todos nós, os amigos cansados da labuta. Sem ter muito o que fazer, inventava. E um dia inventou que ia empinar pipa. Pensou em comprar uma pipa, mas a loja era longe. Pensou em fazer uma, mas dava trabalho. Então chegou à solução mais simples e rápida: roubar de alguma criança.
Imbuído desse propósito, saiu para a rua e não demorou a encontrar um grupo de moleques entretidos com seus carretéis de linha. Chegou perto do menorzinho e arrancou a pipa das mãos dele:
— Dá aqui essa porra, moleque.
— Ô! Me devolve meu pipa!
— Devolvo uma porra. Cala a boca.
(Os outros moleques, assustados, tinham atravessado a rua e assistiam de longe à cena)
— Devolve, filho da puta!
— O quê? Do que cê me chamou moleque? CÊ É DOIDO?
— …
— Filho-da-puta é você, moleque do caralho. Sua mãe é uma puta, uma vaca, uma piranha, uma…
— … E sua mãe é uma coruja!
— … cadela, uma horizontal, uma… Hein? Minha mãe é o quê?
— UMA CORUJA!
— Cê é retardado, moleque? Minha mãe é uma coruja?
— É! Senta no pau e arregala uns zoião assim, ó.
Não tinha mais o que dizer. Do outro lado da rua, os moleques aplaudiam. Derrotado, o Zezinho devolveu a pipa ao moleque e entrou em casa novamente.
Ah, as crianças…