De todos os comentários, apenas dois ou três que prestem (Marcus e Fry, muito obrigado). O resto é só o de sempre: nego enchendo o saco. Se não sabem como ajudar, me deixem, calem a boca e vão tomar no cu.
Categoria: Ofensas
Direitos iguais
Nessa conversa toda sobre arrogância (que descambou para uma discussão sobre espiritismo; deus-me-livre de falar mal do espiritismo), lembrei de um sujeito que trabalhava comigo. Bom, não exatamente: eu trabalhava numa empresa grande, o tal sujeito era da subsidiária carioca. Assim que nos conhecemos (juro, logo depois de apresentados) ele olhou para minha barriga e disse:
— Precisa se cuidar, hein, bicho? Jogar um futebolzinho, pedalar. Não pode ficar gordão assim na sua idade, rapá! Olha o coração, olha o coração!
Eu pensei em várias respostas, mas me contentei em mandá-lo tomar no cu mesmo. O que mais me espantou, porém, foi a falta de reação das outras pessoas presentes. Ninguém se mostrou minimamente constrangido diante daquela clara invasão.
Depois dessa, passei a considerar a possibilidade de começar a agir assim, partindo do princípio da igualdade de direitos. Da próxima vez em que ouvir alguém falando uma bobagem, ou que ler algo horrendamente escrito num blog (ou nos comentários deste blog, algo muito comum), ou qualquer coisa assim, terei o direito de comentar:
— Precisa se cuidar, hein? Ler um livro que não seja espírita, assistir a uns filmes, sei lá. Não pode ser burro assim não, mano! (sou paulista) Olha o cérebro, olha o cérebro!
Pretensioso que sou, assino embaixo
FOLHA – Houve um retrocesso no humor brasileiro com relação aos anos da ditadura?
JAGUAR – Sim. Essa coisa de não poder chamar crioulo de crioulo, por exemplo. Fui casado dez anos com uma crioula. Não é pejorativo. Não vou começar a dizer que casei com uma afro-descendente. É uma hipocrisia.
Mas a maioria dos humoristas hoje é muito certinha. Criou-se um limite e, se a gente passa um pouco, leva pito. Eu não levo mais porque sou velho e sou o Jaguar. Aí as pessoas dizem: “Ah, é o Jaguar, deixa ele”.
Daqui.
Enfiem o diploma no cu
Jornalista é uma raça do inferno. Nos bastidores, muitos coleguinhas queridos torcem o nariz diante do fato de eu ser editor de dois sites (em breve reformulados) sem ter diploma de jornalismo nem de qualquer outra coisa. Tempos atrás, um sujeito até comentou no Pérolas que eu ficava “pagando de jornalista gatinho” nas coletivas de imprensa. Confesso que cheguei a me incomodar com isso, tanto que até me esforcei ao máximo para passar no processo seletivo da Uninove (com o Bernardinho fungando no meu cangote).
E eis que hoje, por acaso, descubro que Ricardo Feltrin, editor-chefe da Folha Online, não é formado em jornalismo nem em nada. Assim como eu, começou várias faculdades e não concluiu nenhuma.
Então eu digo: se ele pode, eu posso. Foda-se o corporativismo besta dos jornalistas que se acham sacerdotes. Vou lá fazer a tal faculdade só porque eu sei que os idiotas sempre vencem, e que mais cedo ou mais tarde algum deles vai pular na minha frente exigindo o documento. Que será apresentado depois que eu limpar a bunda com ele (o diploma, não o idiota).
Ah, jornalistas!
Meu parente Ancelmo Gois escreveu ontem em sua coluna no Globo:
João Gilberto, 75 anos, gênio da MPB, acaba de saber que é pai de uma menina de dois anos e meio, fruto de uma relação com uma fã carioca.
O mestre já tem uma filha famosa, a cantora Bebel Gilberto, com Miúcha
Relevo esse lance de chamar de “gênio da MPB” um cara cuja carreira já estava mais do que consolidada quando a sigla surgiu. De resto, a nota do Ancelmo está certinha. Notem que ele diz que João tem uma filha famosa. Então a Folha, triste e furada, dá sua versão hoje:
Eu sempre soube que Bebel não era a única filha de João. Ou será que João Marcelo morreu e eu não fiquei sabendo? Ou pior: será que só conta filho famoso? Eita preula. Eita preguiça de conferir uma informaçãozinha que seja. Eita raça.
Das virtudes do espírito ditatorial
O sujeito lê sobre este blog na malfadada matéria da Época. Não gosta. Faz “fiau” e fecha a janela do browser? Claro que não! Furibundo, escreve um comentário em que despeja um temporal de asnices. O comentário não é aprovado, é claro, e o sujeito ainda recebe um e-mail do autor tachando-o de imbecil. O que ele faz? Responde com outro e-mail imenso e ainda faz um novo comentário no blog. Leiam:
Valha-me, Deus! Ou o sujeito tem uma mentalidade muito sutil e — sabendo de minha tendência à intolerância e de meu gosto por fazer chacota da burrice — escreveu um comentário assim de propósito só para ser aprovado e ainda comentado em post, ou o fulano é mesmo dolorosamente estúpido. Percebem, bons leitores, de que tipo de poluição mental eu os livro filtrando os comentários? Agradeçam-me, putões!
Foda-se
Eu comecei um post sobre eleições. Ia falar do meu apoio a Lula em 2002 (neste blog, inclusive), da minha ida a Brasília para a posse e da maior decepção política de minha vida.
Pensando bem, porém, fodam-se as eleições. Roubam no Congresso, no Palácio do Planalto, na Esplanada dos Ministério, nas assembléias legislativas e câmaras de vereadores? Bem feito para esse povo feladaputa, canalha e desonesto que elege seus semelhantes. Os nojentos paulistas falam que Lula permanece forte apesar da corrupção por causa da ignorância dos “lá de cima”, referindo-se aos nordestinos, e orgulham-se de ter levado a disputa presidencial para o segundo turno ao votarem em peso em Geraldo Alckmin. Enquanto isso, botam na Câmara dos Deputados o velho ladrão Paulo Maluf, o patético Clodovil (à guisa de voto de protesto, talvez), o assustador Enéas, o neoladrão e mensaleiro-mor Valdemar da Costa Neto. Ao mesmo tempo, ligam o desconfiômetro errado, e quase elegem Afif no lugar do inofensivo e dolorosamente honesto Suplicy. “Somos a locomotiva do país”, dizem os paulistas batendo no peito. Porra de locomotiva, que se empenha em levar a composição toda para o brejo.
Fodam-se as eleições. Foda-se o Brasil. Foda-se o desonesto e safado povo brasileiro.
E no entanto…
… eu quero que Deus se foda.
(Só pra não deixar dúvidas)
Mamãe eu quero mamar
Cineastas que dizem que os filmes devem ter um viés social (ou seja lá qual for o nome que dão praquele negócio de olhar pros pobres e dizer “ô, coitados…”) são os mesmos que se perfilam para mamar nas tetas do governo. Já repararam?
Para ir ao cinema, o pobre precisa de dinheiro. Para ter dinheiro, precisa trabalhar. Para trabalhar, precisa estudar. Para estudar, precisa comer. Para comer, precisa ter dinheiro. Só que não pode estudar, comer ou trabalhar porque o dinheiro que poderia ser investido em educação, agricultura e emprego vai para certos cineastas mostrarem crianças ranhentas em close na tela grande.
Atravessadores!
E o Movimento Literatura Urgente, hein? O que não faz a preguiça de trabalhar… Abjeta essa fila de escritores beijando a mão do Ministro Rebolante em troca de migalhas.
Não, não. Sério. Os caras querem um Programa de Compra Direta de Livros do próprio autor inspirado no Programa de Compra Direta de Alimentos da Agricultura Familiar. Como se escrever um livro fosse tão importante quanto plantar batatas. E NÃO É! Pelamordedeus, NÃO É!
E não querem só dinheirinho não, viu? Além de fomento daqui, fomento dacolá, os danados ainda querem passear. Querem que o governo (o governo uma porra, eu e você) financie viagens para eles. Citando:
Caravanas de cinco escritores e poetas deverão circular pelas universidades das cinco regiões do Brasil (Norte, Nordeste, Centro, Sudeste, Sul), para debates sobre literatura, leituras públicas e lançamentos de livros e revistas. Cada caravana deverá passar por, no mínimo, cinco cidades diferentes. Serão, portanto, cinco caravanas simultâneas, com cinco escritores cada. Total: 25 escritores. Essas caravanas deverão ser trimestrais. Sugestão de nome: Projeto Waly Salomão.
Ah, que beleza! “Vamos batizar o projeto com o nome de um finado amigo do Ministro Saracoteante, quem sabe ele não amolece?”. E não é só! Também querem um programa desse, de turismo, em parceria com governos estaduais e municipais. E mais! Intercâmbio com outros governos de latinoamerica para passeios de escritores pra lá e pra cá. Eita! Onde é que eu assino? Tenho um livro publicado, também quero mamar. Que que é? Só eu sou bobo agora?
Não sei o que meus pais tinham na cabeça quando me ensinaram que nada vem fácil, que é preciso trabalhar e coisa e tal. Agora, aos 30 anos, percebo que os ensinamentos que recebi na infância estavam equivocados. Pena.
E leiam o que o Mercuccio escreveu a respeito.
Quero ser português!
Chega. Cansei dos brasileiros sendo insuportavelmente constrangedores no orkut, nos fotologs, nos blogs. Cansei do dialeto internetês, das miguxas, desse povo que está sempre di bowa. Chega, chega! Sinto-me como um personagem de Invasores de Corpos, ou de Eles Vivem: parte de uma minoria que vê seres alienígenas tomarem conta do mundo. Eles são muitos, e eu desisto. Quero asilo cultural em Portugal. Ah, os blogs portugueses! Ah, o idioma bem escrito, a fina ironia, a vasta cultura dos portugueses!
Pensando nisso tudo, criei uma comunidade no orkut para reunir outros que pensem como eu. Vamos nos organizar e migrar em massa para Portugal. E os portugueses não precisam se preocupar: somos pouquíssimos, não causaremos explosão demográfica em vossa terra.
Estamos cercados. Vamos, pois, antes que seja tarde.
