
Inveja de vocês, que poderão contar com esse lançamento triplo. Aproveitem por mim.
Categoria: Leituras
Más intenções
Algumas pessoas, dentre elas Ale Félix e Adailton Persegonha, andam insistindo comigo para que eu escreva um livro. Sem nenhum resquício de modéstia — qualidade que me falta e não faz falta — respondo que ainda não estou pronto, que ainda tenho que ler muito, que conhecer muita gente, para então me arriscar na sagrada tarefa de escrever um romance.
E eis que hoje fui atraído pela tentação de escrever meu livro logo de uma vez. Não que tenha adquirido alguma segurança instantânea, longe disso. Mas estava pensando: sou amigo de Clarah Averbuck, Daniela Abade e Paulo Polzonoff. Dá vontade de escrever só pela possibilidade de, com esse elo comum, sermos no futuro considerados todos como parte de um mesmo grupo. Ia ser muito engraçado ver esses três entrando para a história como compadres literários…
O Cabotino
Eu invejo os curitibanos. Primeiro porque moram perto da menina de olhos azuis que me tira o sono. E depois porque terão a oportunidade de irem ao Beto Batata na próxima quinta-feira, 6 de novembro lá pelas oito da noite para o lançamento de O Cabotino, primeiro livro do meu querido Paulo Polzonoff Jr.
Agora, se você mora em Curitiba (ou pretende estar em Curitiba no dia) e não for, puta que pariu, tá vacilando. Vá, nem que seja para jogar ovos e tomates no autor.
Santa Rita de Cássia
Como eu disse, estou lendo Viver Para Contar, livro autobiográfico de Gabriel Garcia Márquez, por influência de dois luminares das letras nacionais (Polzonoff, me deve um chope por essa puxada de saco. Adailton Sem-Vergonha, de você eu nem cobro mais nada). Estou lendo o livro do jeito como o próprio Gabo descreve sua leitura de A Ilha do Tesouro: devorando “… letra por letra com a ansiedade de saber o que acontecia na linha seguinte e ao mesmo tempo com a ansiedade de não saber para não perder o encanto”. Pois bem: hoje, na hora do almoço (eu vou almoçar sozinho para poder ler sossegado, e leio enquanto como. Fodam-se as boas maneiras) li um trecho que me fez rir muito, e depois me fez chorar um pouquinho escondido por me lembrar MUITO as histórias de minha avó. Ele conta que uma de suas irmãs recebeu o nome de Rita devido à devoção da família por Santa Rita de Cássia, baseada principalmente na paciência da santa com um marido sangue ruim:
— O que você quer comer?
O homem soltou um rugido:
— Merda.
A esposa então levantou o prato e disse com santa doçura:
— Está servida.
A história conta que o próprio marido se convenceu na hora da santidade da esposa, e converteu-se à fé de Cristo.
Ah, Dona Donata! Queria que a senhora estivesse aqui para eu te contar essa. Seria uma boa para contar para o bisneto que vem aí.
Budapeste

Mas é claro que eu não sei fazer nada direito: tem gente que resolve acumular talentos e não deixa nada pros outros. É o caso desse filho da puta desse Chico Buarque, que agora resolveu provar de uma vez o grande escritor que é. Covardia.
Ainda estou sob efeito da leitura, quatro dias depois de terminar. Estou pensando seriamente em reler, porque o livro é muito bom. Quando eu conseguir digerir, escrevo a respeito. Chico Buarque, eu te amo!
Leiam Budapeste. Apenas R$ 23,60 no Submarino, com frete grátis:

Sim, sim, eu fui engolfado pelo sistema… Oh!
Escritor sou eu, porra!
Estava vendo o Fantástico agora há pouco, e fiquei sabendo que a “escritora” (muuuuuitas aspas) Ilana Casoy foi a ÚNICA pessoa fora da polícia autorizada a acompanhar a reconstituição do chamado “Crime do Brooklin”.
Explico o porquê das aspas: a mulher escreveu um livro, Serial Killer: Louco ou Cruel? em que narra casos de serial killers célebres. As histórias são muito boas, mas durante a leitura estranhei a diferença de tom entre as narrativas do livro e o posfácio escrito pela autora. No livro, as histórias são escritas de forma concisa e rigorosamente científica. O posfácio soa imaturo, cheio exclamações e reticências desnecessárias, além das irritantes fugas para explicações meio religiosas, como na frase em que explica a razão de ser do livro: “OS MORTOS TÊM QUE PODER CONTAR O QUE LHES ACONTECEU, TÊM O DIREITO À VERDADE E À JUSTIÇA” (Assim mesmo, tudo em maiúsculas). Terminado o livro, resolvi visitar os websites que a autora cita como fontes. Foi um susto: encontrei as mesmas histórias, narradas exatamente da mesma forma e na mesma ordem que no livro. Exceto pelo fato de estarem em inglês, os casos eram contados nos sites exatamente como no livro. Ficou claro para mim que o livro era mera tradução de textos disponíveis na Internet.
Até aí, azar meu: dei dinheiro para essa impostora, quando poderia muito bem ter lido os textos de graça. Minha reação resumiu-se à raiva típica dos otários quando caem num conto do vigário. Mas comentei o caso com o Jaime que, com sua alma inquieta e questionadora, resolveu ele também comprar o livro (enriquecendo mais um pouco a cara-de-pau) e fazer as comparações com mais cuidado. Muito mais revoltado que eu, ele resolveu fazer um site, The Serial Copier, em que desmascara com grande número de provas essa pseudo-escritora, que publica um livro, vende que nem água e ainda ganha espaço no Fantástico, enquanto escritores de verdade, como o Jaime, precisam vender o corpo para sobreviver. Isto é uma ver-go-nha, como diria aquele parente da escritorazinha.
Saramago visita o Jesus, me chicoteia!
Já ficou dito que as obras do Tabernáculo foram iniciadas, ocioso seria descrever pormenores da construção, cansados estamos de saber as formas, as medidas e os materiais especificados por Javé, e triste figura faria o narrador repetindo toda aquela cantilena de côvados e siclos. Note-se, porém, que Moisés e Javé ainda conversam entre si, talvez até mais acaloradamente, porém sobre assuntos corriqueiros, velhos amigos que são. Acontece mesmo de vez por outra entregarem-se àquele silêncio agradável de quem sabe que tudo já foi dito, e o que ainda não o foi pode esperar, e é assim que os encontramos no Monte Sinai, ambos contemplando a paisagem, Moisés pensando na distância que ainda separa a si e seu povo da Terra Prometida, Deus pensando que talvez a criação dos desertos tenha sido um erro, estejam eles assim, esparramados em infindas superfícies, ou encerrados nos pobres corações humanos. Levando tal sorte de pensamentos adiante, talvez fosse Deus tentado, pois da tentação nem mesmo ele está livre, que o diga seu filho, ele também Deus, tentado no deserto, cá estamos a falar em deserto novamente e não concluímos a frase anterior, o que dizíamos é que se Deus levasse adiante suas reflexões sobre os tipos de deserto, talvez chegasse à conclusão de que erro mesmo foi criar o homem, o resto se ajeita. Felizmente para nós, Moisés interrompe a cadeia de pensamentos divinos, Que faremos quando estiver concluída a obra, Ora, Moisés, isso muito me espanta, Minha ignorância sobre o que fazer, Não, a ausência de sua gagueira, É verdade, não gaguejo, e não teria percebido não fosse você chamar-me atenção para o fato, Que aconteceu, Ora, que sei eu, se calhar foi um milagre, Impossível, Não crê nos milagres, Creio, Então por que diz ser impossível que o gago volte a falar direito, Não reside aí a impossibilidade, Então em quê, Se fosse um milagre eu saberia, Sabe de todos os milagres, Sei de todas as coisas, Então deves saber o que houve com minha gagueira, Não o sei, Como é possível, São os mistérios insondáveis de Deus, Isso serve de escusa para tudo, Alguma vantagem eu teria de obter do fato de ser Deus.
Vejam só!
Escrevi um post sobre falsa autoria de textos que circulam pela internet, e acabei descobrindo que eu mesmo fui vítima de um desses enganos. Não, não se trata do texto do Verissimo que publiquei hoje. A crônica é dele mesmo. Bom, pelo menos foi publicada na edição de hoje d’O Globo como se fosse, nunca se sabe… Mas existe um texto ntitulado “Ter ou não ter namorado” que eu sempre achei que fosse do Carlos Drummond de Andrade, e na verdade é do Artur da Távola. Fiquei sabendo graças a esta matéria da revista Época. Cáspita!
Verissimo, sempre ele
Vez por outra circulam pela internet textos supostamente engraçados atribuídos a Luis Fernando Verissimo. Não sei como há gente que recebe esses textos e passa para frente, acreditando mesmo na falsa autoria. O Verissimo tem um estilo muito marcante, e é inexplicável como alguém pode acreditar que uma croniqueta de humor rasteiro digno do Zorra Total possa ter sido escrita por ele. Pelamordedeus, leiam mais Verissimo, vocês perceberão a diferença. A crônica de hoje, por exemplo:
Só entre em pânico se…
Como vou passar uma semana em deslocamento (estarei em Londres ao mesmo tempo que o presidente, mas não foi nada planejado) você verá aqui, nos próximos dias, algumas crônicas tiradas do providencial baú. Esclareço que não serão autoplágios canadenses: em todos os casos, aproveitei tudo, e não apenas a idéia.***
Muitas vezes você se preocupa à toa dentro de um avião. Uma sacudida mais vigorosa, um ruído diferente, e você olha para a aeromoça para ver se ela também está assustada. Não é nada. Tudo normal. Para você não se desesperar sem necessidade, eis alguns sinais certos de que realmente há problemas com o avião e você tem razão para se preocupar. Só entre em pânico se:
1) Você ouvir a voz do comandante pelo sistema de som fazendo um “Ahnm…”, prolongado, como quem não sabe como começar uma má notícia.
2) As aeromoças começarem a distribuir latas cheias de Coca-Cola para todos, em vez de copinhos, explicando que não há mais sentido em racionar.
3) Todas as aeromoças passarem correndo e chorando pelo corredor.
4) O comandante passar correndo e chorando pelo corredor.
5) O compartimento sobre a sua cabeça se abrir e a máscara de oxigênio não cair porque o avião está de cabeça para baixo.
6) Você ouvir, acidentalmente, a conversa do comandante com o controle de terra e o comandante está dando instruções detalhadas sobre o que fazer com o seu apartamento, o sítio e as ações.
7) Você olhar para fora do avião e ver alguém olhando para fora do avião ao lado.
8) Você olhar para fora do avião e ver peixinhos passando pela janela.
9) Você olhar para fora do avião e ver as aeromoças passando pela janela.
10) Você ouvir a voz do comandante pelo sistema de som dizendo “Repitam comigo…”
Bragas
Sempre me espantou o fato de Cachoeiro do Itapemerim, uma cidade pequena do Espírito Santo, ter dado ao Brasil dois grandes nomes: Rubem Braga e Roberto Carlos — refiro-me ao Roberto Carlos gente boa, não àquele outro, falso, mascarado, pipoqueiro e que acha bonito tirar bola da grande área dando bicileta, coisa que o outro RC não faria, mesmo que quisesse. Mas só hoje me dei conta de uma coisa: O sobrenome Braga, comum aos dois. Sim, o nome do Rei é Roberto Carlos Braga. Então pergunto: Alguém aí sabe qual o grau de parentesco entre os dois? Porque não é possível que não sejam pelo menos primos meio distantes.

