Eu tenho várias coisas para escrever. Poderia, por exemplo, contar a vocês sobre minha recente e tardia beatlemania, devidamente alimentada por minha traficante. Ou então postar um capítulo bíblico novo; já sei até por onde começar, o que não é pouca coisa. Só que hoje é um dia daqueles — esses últimos dias têm sido. Então tenham paciência, conversem aí nos comentários ou leiam posts randômicos. Eu volto quando alguma coisa acontecer.
(Cruzem os dedos)
Categoria: Eu
Cabelos de beterraba e o blogueiro mercenário
O Balde de Gelo, bloglivro escrito a quatro mãos por Daniela Macedo e este que vos fala, é uma obra de ficção. Os leitores ocasionais enfrentam grandes dificuldades para compreender isso: até hoje recebo mensagens perguntando sobre o bebê. Bom, pode-se sempre contar com a estupidez humana. Entre as várias histórias, porém, há pelo menos uma inspirada em uma situação verídica: o episódio do cabelo cor de beterraba. Conto.
Apesar de minha mais do que comprovada heterossexualidade, Daniela insiste em pensar que sou seu amigo gay. Então. Cinco e meia da manhã de uma segunda-feira, uns cinco anos atrás. O telefone toca. Acordo sobressaltado: telefonema a essa hora só pode ser tragédia. Atendo com o coração aos pulos. Demoro para reconhecer a voz de Daniela entre os soluços.
— Que aconteceu?
— UUUUUUH MELABELOBLAHUNFRAAAAAAABAAAAAAAAA!
— Calma, Daniela. Respira. Pelamordedeus, que aconteceu?
— Snif… Meu cabeeeeeeeeeeeeeelo!
— Que que tem o seu cabelo?
— Beterraaaaaaaaaaaaaaaabaaaaaaaa!
— Que que tem a beterraba?
— Meu cabelo tá cor de beterraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaba!
— …
— Comprei a tintura, fiz tudo direitinho, mas… Buáaaaaaaaaaa! UM DESASTRE, MARCO!
— …
— Snif… Cê tá aí?
— Você pintou o cabelo e deu errado. É isso?
— É…
— Você sabe que horas são?
— Não…
— CINCO E MEIA DA MANHÃ! VOCÊ ESTÁ ME ROUBANDO PRECIOSAS HORAS DE SONO!
— EU NÃO DORMI AINDA POR CAUSA DESSE DESASTRE! NÃO TEM SALÃO DE CABELEIREIRO ABERTO A ESTA HORA PRA CONSERTAR A CAGADA!
— Daniela… O que você pretendia fazer na rua agora, de madrugada?
— …
— Tem alguém aí te vendo com os cabelos de beterraba?
— Não…
— Então dorme, ESPERA A PORRA DO SALÃO ABRIR, enfia um lenço na cabeça e vai consertar esse negócio!
— Puxa. Obrigada.
— Tá mais calma?
— Tô.
— Tchau.
— Tchau.
Por que lembrei dessa história? Oras, por quê! Porque surgiu a oportunidade de ganhar uns caraminguás com esse assunto. A Dove está com uma promoção nova, com prêmios e não sei mais o quê. Para participar, basta clicar no selinho ao lado e responder a pergunta “Qual foi a maior loucura que você já fez para tratar os cabelos?” (respondam lá no site, beócias, não aqui).
A frase vencedora ganha 5 dias no spa do hotel Hyatt e as 100 melhores frases ganham iPods. A promoção vai até 18 de novembro.
Pronto, ganhei um dinheirim. Estou feliz.
… mas chega de falar de mim
Vamos falar de vocês, leitores e leitoras. Quero conhecê-los, e quero que se conheçam. Apresentem-se, façam da caixa de comentários seu chat. Enquanto isso, vou pensando em como escrever o próximo capítulo, que já está demorando demais.
Boina voadora

Voa, voa, chapeuzinho
Hoje protagonizei um episódio que me levou a concluir que sou Mercúrio, o deus cujo chapéu tinha asas. Ou isso, ou sou um tremendo idiota. Tirem suas próprias conclusões, mas antes devo voltar um pouco no tempo.
Início deste mês, voltando de Paraty, resolvi descansar um pouco numa parada qualquer da estrada. Eis que salta-me aos olhos a monstruosidade que é aquele Frango Assado (a parada rodoviária, não a posição sexual) da Carvalho Pinto (o ex-governador, não o trocadilho). Comi lá uma coxinha, tomei uma coca-cola, um café. Ia saindo e meu olhar foi atraído por uma prateleira que exibia chapéus. Entre os chapéus, uma fileira de boinas pretas, de lã, daquelas tradicionais. Eu sempre quis ter uma boina, então achei que seria um bom memento da viagem empreendida naquela semana. Então foi com alegria que peguei a estrada de volta a São Paulo devidamente alimentado, cafeinado e com um novo adereço de cabeça.
A boina fez sucesso. Minha mãe disse que eu parecia Seu Júlio, meu avô paterno. No trabalho, vários me compararam a seus avós. No geral, todo mundo gostou. Minha sobrinha, ao ver a nova peça do vestuário do tio, insistiu com a mãe para que lhe comprasse um chapéu.
O tempo em São Paulo é essa coisa maluca: começou a fazer calor e a boina passou umas semanas dependurada no puxador do guarda-roupa. Mas eis que hoje acordei, notei que fazia frio e decidi que era um bom dia para ostentar novamente meu visual europeu-retrô, ou qualquer veadagem assim. No trabalho, disseram até que eu estava charmoso, que é o que o feio consegue ser quando é feio de um jeito diferente. Maravilha.
Saio do trabalho, vou para a faculdade. Chego atrasado e sou saudado por alguns gaiatos com assovios relutantes. Eu, então, numa demonstração de maturidade, dou uma requebrada de stripper e lanço a boina no ar (ter assistido The Full Monty no fim-de-semana também não ajudou muito).
Ah, meus amigos, a crueldade do destino! O desgraçado do chapéu traçou uma graciosa curva no ar, e depois, numa folha seca digna do velho Didi, caiu na única fresta aberta na janela. São janelões imensos ocupando toda a lateral da sala, dez metros de janelas, com quinze centímetros de abertura disponível, e obviamente o boné maldito foi cair por lá. Deve ter ouvido o grasnar ancestral, o chamado primevo das boinas selvagens que em agosto migram para os Açores.
Sei que a combinação da situação com a metamorfose ocorrida na minha cara — de cínico stripper a pateta atônito — causou um intervalo de dez minutos na aula. A sala veio abaixo, gente que nem falava comigo começou a me chamar de Boina, a professora quase se suicida, o diabo.
Bom, a boina perdeu-se para sempre; deve estar agora mesmo sobrevoando o Atlântico. Eu perdi o respeito que meus 32 anos me fariam merecer. A professora me odeia e já percebi que, se depender dela, vai ser um longo semestre.
É isso. Só queria compartilhar com vocês mais essa desventura.
Maravilha da ortodontia
Antes
Depois
Tudo em apenas três anos e meio.
Fanvideosign
Lembram dos fansigns? Não? Bah, procurem por aí, eu que não vou explicar nada. Pois então: o rapper Doscht, famoso pra caralho, fez um fansign em vídeo para mim, ou melhor, para este blog. Vejam:
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=vaY1zB8rr9g&w=425&h=350]
Amadurecendo?
Entre os posts relacionados ao último, estava esse sobre o Political Compass. Resolvi refazer o teste e comparar os resultados:
Economic Left/Right: -4.75
Social Libertarian/Authoritarian: -5.08
Até onde vai essa bolinha vermelha?
Está nos genes
Diálogo com minha mãe a respeito de fundamentalistas:
— Esse pessoal acha o quê? Que tem que viver a Bíblia nos dias de hoje? Lendo a Bíblia a gente vê como Jesus era sanguinário. Mandava invadir um país, matar não sei quantos…
— Jesus não, mãe. O pai dele.
— Ah, Jesus, Deus, tudo farinha do mesmo saco!
— …
— Deus me perdoe…
Precoce
Desânimo desgraçado, sono dos infernos, cansaço o tempo todo… Alguém aí já ouviu falar em andropausa aos 32 anos?
Estranha mistura
Enfiaram minha cara num discurso do Olavo de Carvalho. Vejam:



