Pronto, cá estou eu em Paraty. Cheguei ontem à noite (com a Clarah me chamando de maluco ao telefone). O ônibus para Trindade só sai às onze, então resolvi dar uma enrolada por aqui. Terça-feira estou de volta, meu povo, e espero voltar direito dessa vez.
Categoria: Amigos
Exclusivo!
Depois de muito apanhar do scanner, aqui estão os autores do Balde de Gelo, numa linda tarde em Trancoso, Bahia.
Mais Drummond
Esse especial para o Risadinha, meu amigo de infortúnios:
Convite Triste
Meu amigo, vamos sofrer,
vamos beber, vamos ler jornal,
vamos dizer que a vida é ruim,
meu amigo, vamos sofrer.
Vamos fazer um poema
ou qualquer outra besteira,
Fitar por exemplo uma estrela
por muito tempo, muito tempo
e dar um suspiro fundo
ou qualquer outra besteira.
Vamos beber uísque, vamos
beber cerveja preta e barata,
beber, gritar e morrer,
ou, quem sabe? beber, apenas.
Vamos xingar a mulher,
que está envenenando a vida
com seus olhos e suas mãos
e o corpo que tem dois seios
e tem um embigo também.
Meu amigo, vamos xingar
o corpo e tudo que é dele
e que nunca será alma.
Meu amigo, vamos cantar,
vamos chorar de mansinho
e ouvir muita vitrola,
depois embriagados vamos
beber mais outros seqüestros
(o olhar obsceno e a mão idiota)
depois vomitar e cair
e dormir.
Drummond
Centenário de Carlos Drummond de Andrade. Eu, que nem sou tão chegado em poesia, tenho a obra completa dele aqui na minha frente. Porque Drummond não é bem poesia. É mais uma coisa que fica entranhada na gente e nunca mais sai. A melancolia por que passo ultimamente tem um pouco a ver com isso: Todo mundo falando em Drummond, o danado resolveu acordar aqui dentro. Então fico pensando nele, nos poemas dele. E penso especialmente nesse aí embaixo, que uma vez a Bárbara disse que tinha a ver comigo. Não sei se tem, mas sempre gostei muito. Aí vai:
Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Agradecimento
Obrigado, Adilson, por ser o único a conseguir me fazer rir hoje, com seu final alternativo para Faroeste Caboclo. Te devo uma. Bem dada.
Pergunta impertinente
“Andou dando no norte?” (Clarah Averbuck)
É cada uma…
Frutas
Merda
Mais um amigo meu vai embora daqui. Tenho cada vez menos amigos aqui, o que torna cada vez mais difícil trabalhar.
O incansável
Esse tal de moskito não cansa de me sacanear. Vejam só a mais recente dele:

Pô. Gostei pra caralho.
Ufa!
Porra, finalmente o Carlos voltou. Já estava com crise de abstinência do JORNALECO!

