Depois de um feriadão passado num sítio entre diversos casais (aquilo parecia a Arca de Noé), cheguei em casa e fui brincar com meu cachorro, outro solitário. Qual não foi minha surpresa ao gritar “ARAMIS!” e ver uma cocker spaniel vindo na minha direção e rosnando de ciúmes. Caraca, até o Aramis se deu bem na Semana Santa! Não era pecado, porra?

Seguinte: Eu apenas REDIRECIONEI o JMC para o ¿de que jeito? no fim-de-semana. Fiz isso de sacanagem com o moskito. Não, o moskito não sou (é?) eu e eu não sou o moskito. Não, eu não escrevo no ¿de que jeito? nem o moskito escreve aqui (a não ser em ocasiões especiais).
O moskito não é o Thiago e o Thiago não é o moskito. O Thiago mora em Sorocaba, o inseto mora no Acre.
Espero que não seja difícil de entender.

Risadinha
Passei um tempão adiando a inauguração desta série. Meus amigos são todos uns ciumentos, e eu ia ter que agüentar nego reclamando: “Por que começou com ele(a)?”. Mas hoje, depois de várias conversas agradáveis, percebi que começar com o Risadinha seria mais do que justo. Não, ele não é meu melhor amigo. Eu não tenho UM melhor amigo: Sâo todos igualmente bons. Amizade para mim é coisa séria. Eu começaria, portanto, pelos meus irmãos, que são as pessoas que eu mais amo no mundo. Mas já puxei demais o saco desses dois, então hoje é dia de Risadinha. Ou Leandro, como a mãe dele o apelida.
Em 1991 nos conhecemos, e foi ódio à primeira vista. Tanto eu quanto ele pensávamos que éramos muito diferentes, e que a única ligação entre nós seria uma aversão recíproca.
Quão enganados estávamos! Na verdade tudo o que tínhamos de semelhante era o que nos assustava, e não demorou muito para percebermos isso: No final daquele ano (cursávamos o primeiro ano do segundo grau), ouvi o Risadinha contar uma história engraçadíssima. Ele tinha deixado um Dadinho (aquele doce de amendoim em forma de cubo) na geladeira, e a avó, pensando que se tratava de caldo de carne, havia botado o dadinho no feijão. “Puta feijão horrível com gosto de paçoca!”, ele concluiu. Naquele momento percebi que estava diante de um irmão. E, como bons irmãos, fingíamos ódio porque admitir o quanto gostávamos um do outro era muito complicado.
A partir de então, todo aquele ódio transformou-se numa amizade sólida e duradoura. Hoje em dia, se eu chego sozinho a algum lugar, as pessoas logo estranham: “Ué, cadê o Risadinha?”. Porque eu sempre quero estar ao lado dele. Questão de status, sabe? É sempre bom andar com pessoas mais inteligentes que você, para parecer que você é inteligente também.
Nesses doze anos brigamos incontáveis vezes. Mas sempre voltamos à velha amizade de sempre. Porque somos irmãos, oras.
Ao contrário do que possam pensar, nunca nos entregamos a arrebatamentos de amizade. Primeiro porque somos ambos machos pra caralho, e esse negócio de sentimentalismo não pega bem. E depois porque não precisamos disso. Eu sei tudo o que ele pensa e sente, e vice-versa. Não há necessidade de explicação nem de reafirmação de amizade nem de qualquer outra coisa. Porque somos irmãos, caralho.

Hoje a Bárbara faz 25 anos. VINTE E CINCO ANOS! Está velha, tadinha. Mas nem parece: desde quando a conheci ela tem a mesma cara, e pelas fotos acho que ela não mudou nada desde que nasceu. Ainda pedem identidade para ela nos bares. Sei não, acho que há um retrato envelhecendo dentro de algum armário na casa dela. Namoramos por pouco mais de três anos. Enquanto eu engordava, enfeiava e encarecava, ela continuava exatamente a mesma. E continua até hoje. Constrangida por isso, às vezes muda o cabelo, e é só.
Há quem pense que ela se resume a isso. Quem a conhece sabe que não; quem não a conhece pode tentar entender lendo sua auto-análise:

Eu sou pequenininha como a minha timidez. Eu sou delicada como minha visão estética. Eu tenho contradições entre corpo e rosto – magra mas com grandes e saudáveis bochechas rosadas, e tenho um rosto mais branco que meu corpo. Minhas olheiras (de família e de nascença) contam a vida desegrada que eu levo. Minhas sardas são a manifestação física da minha ironia e da minha eventual esperteza. Mas o centro de tudo é o meu nariz. Meu nariz abatatado lembra que eu não sou a bonequinha de porcelana que algumas pessoas acreditam que eu sou. Meu nariz é a prova da minha resistência e da minha miscigenação. Eu lembro de uma história, acho que dos irmãos Grimm, em que descobrem que uma moça é mesmo uma princesa quando ela acorda toda dolorida e cheia de marcas após dormir em uma cama cheia de colchões, lençóis, etc, mas com uma ervilha embaixo de tudo. Eu não tenho essas frescuras, eu não sou nenhuma princesa. Eu sou o meu nariz.

E é verdade. Pois quem a vê com aquela cara de menina nem desconfia da mulher que ela é. Inteligente e culta ao extremo, engraçada, bom caráter, corajosa pra caralho. Resiste a tudo, até a um namoro de tanto tempo com um caso perdido feito eu. Uma mulher admirável, enfim.
Bárbara, feliz aniversário para você. E para o seu nariz também.
(Pronto, mulé. Não teve cartão mas teve post, então não me torre. E não esquece de pegar seu urso lá na Funhouse…)