Uma boa notícia, uma má notícia e um pedido.
A boa notícia: estou com o próximo capítulo já quase pronto aqui dentro da cabeça. Deve sair por esses dias.
A má: descobri que perdi boa parte das músicas que gravei para botar no blog. Alguém aí se lembra, por exemplo, da Dança de Israel? Pois é, perdi.
O pedido: você tem alguma de minhas gravações toscas guardada por aí? Se tiver, mande. Ficarei muito agradecido.

Percebo que o potencial deste blog, com tantas visitas e coisa e tal, tem sido sub-utilizado. Aproveito, pois, para fazer alguns pedidos:

  • Conhece alguma empresa que contrate sexagenários? Meu pai está com 61 anos e disposição de quarenta. Tem experiência em tudo que é coisa. Contratem o velho. Ele precisa comprar um carro, já que o seu foi destruído pelo primogênito semi-retardado (eu)
  • Mora na Grande São Paulo e precisa dar uma garibada na casa, apartamento, ou seja o que for? Precisa de um pintor de paredes que trabalhe direito, seja confiável e faça um preço justo? Fale comigo, conheço o cara
  • Dada a quantidade de leitores que tenho, creio que ao menos um há de ser rico. Então é a você, leitor rico, que me dirijo: não quer me dar um carro não? Você entra aqui todo dia, dá risada, se diverte… Custava nada me dar um carrinho, hein?
  • Está vendo aquele banner do Submarino ali em cima? Então: não é enfeite. Se você for comprar algo na loja on-line, entre lá por meio do meu banner. Eu ganho uma comissãozinha, e todos vivemos felizes
  • Ô, leitor rico. E um apartamento, hein? Quero me casar…

Pronto. De volta à programação normal (ou seja, mais uma semana sem postar).

Já repararam no quanto a história humana se complica com o passar do tempo? Pensem em como era na pré-história bem pré-histórica mesmo: acorda. Sai da caverna. Corre pra pegar umas frutas na árvore mais próxima. Corre de volta pra caverna com medo do mamute. Reúne-se com o clã para uma animada catação de piolhos, o que de quebra fornece proteínas. Faz sexo sem saber bem por quê. Dorme. Pronto: assim são todos os dias dos 14 anos de vida do homem pré-histórico.
Durante milênios, mesmo com a evolução do cérebro humano e de suas técnicas cada vez mais complexas, o roteiro básico permaneceu muito semelhante: arar a terra, plantar, torcer pela chuva, colher, construir um barraco para a família, entrar em guerra com a tribo vizinha, um tédio só.
Então o que aconteceu? De repente ficamos complexos e interessantes demais, e tudo começou a acontecer mais rápido e de formas mais surpreendentes e mesmo harmônicas. O que houve?
Eis a minha tese: por muitos milênios, Deus foi o único roteirista de nossa história. Mas sabem como é Deus: o negócio dele é construir as coisas, ou destruí-las eventualmente. Um trabalhador braçal, pois (embora a construção do universo tenha sido toda na base do “haja isso”, “haja aquilo”. Ainda bem que ele não ficou impaciente com nada no meio do processo a ponto de dizer “haja saco”, porque não sei como seria o mundo. Ok, ok, parêntese longo, já volto). Como eu dizia, um trabalhador braçal, sem grandes pendores artísticos. Então escreveu lá um template de roteiro, achou que estava bom e pronto. Com o tempo os atores começaram a improvisar, para surpresa do autor, mas nada que fugisse muito ao script original.
E então o homem inventou a escrita. Inventou e, como acontece com quase tudo que cria, ficou um tempão sem saber bem o que fazer com a invenção. Mas gosto de pensar que o negócio lá em cima começou a mudar com a morte de Homero. Chegou por lá, preencheu os formulários de praxe, e foi chamado por Deus para um particular.
— Heráclito…
— Meu nome é Homero, ó grande Zeus!
— Mané Zeus! Meu nome é Javé!
— Javé? Peraí. O deus daquele povinho bunda, os hebreus, é o verdadeiro Deus?
— Pois é, rapaz! Piada boa, né? Então, mas não te chamei aqui para discutir teologia. Assunto besta. Queria era te pedir um favor.
— Um favor, Javé?
— É, é. Há um tempão que eu escrevo a história do povo da Terra sozinho. Você não quer me dar uma força com isso não?
— Hum. Como são os prazos?
— Mané prazos! Isto aqui é a eternidade, rapaz. Vai escrevendo aí e a gente vai enfiando na história lá embaixo.
— Então tá.
Gosto de pensar que Homero começou a história da colaboração dos escritores mortos nos roteiros de Deus. Iam morrendo, e o batalhão de roteiristas ia aumentando. Ésquilo, Virgílio, Dante Alighieri, Shakespeare, Cervantes, todos eles. E Vitor Hugo, e Dostoiévski, e Tolstói, e Machado de Assis, e outros escritores que jamais cometeriam a fealdade de separar itens numa enumeração com a conjunção “e” após a vírgula. Não é à toa que todo o século XX foi como foi: boa parte de sua história ficou a cargo de Julio Verne e H.G. Wells. Queriam o quê?
Por isso é que eu não quero mais estar por aqui quando morrer o Marcelo Mirisola.

O pior do acidente foi que tudo aconteceu em câmera lenta. Vi o poste chegando, chegando, beeem devagar. E pensava:

— Viiiiiiixe, o pooooooooooosteeeeeeeeee…
Então houve o impacto e eu senti a traseira do carro levantando, a frente se retorcendo e o bicho girando.

— Foooooooodeeeeeeeeeeeeeu. O ciiiiiiiiiiiiinto nãaaaaaaaaao agüeeeeeeeeeenta…
O cinto agüentou, porém, o banco foi jogado pra trás e eu fiquei balangando pra lá e pra cá por um tempo (mas muito lentamente). Vi pedaços do volante e do painel voarem em câmera lenta, e então o mundo voltou a sua rotação normal.
O negócio é que agora eu revivo a cena em todos os seus detalhes. Retrocedo a fita, avanço rapidamente, depois em slow motion, depois quadro-a-quadro. Com o tempo, a coisa sofisticou-se: agora vejo a cena do meu ponto de vista, depois de trás do carro, depois da calçada oposta, depois do ponto de vista do pobre poste.
O resultado é que eu não durmo, então acho que vou atormentá-los com outro post sem pé nem cabeça (ao contrário deste que vos fala, que milagrosamente tem pé, um exagero de cabeça, e tudo intacto entre os dois extremos).

No último post (post, e não poste, seus engraçadinhos), o Leandro Gambim fez um comentário sarcástico perguntando se eu tinha agradecido a Deus por sair bem do acidente. Para minha própria vergonha, devo confessar que sim.

Já repararam que sempre que nos acontece algo de ruim, somos obrigados a reviver o acontecimento constantemente por uns dias. Pensem, por exemplo, no meu caso: graças a uma fechada de um feladaputa e à minha inexperiência atrás do volante, enfiei o carro num poste sábado à noite. O carro bateu de frente no poste, rodou uns 45 graus e estacionou graciosamente sobre a calçada. Eu saí bem, exceto pelos hematomas causados pelo cinto de segurança.
Pois bem: já é ruim o bastante passar por isso menos de um mês depois de tirar a habilitação. Pior ainda é ter que contar a todo mundo. E perguntam o que aconteceu, como foi, se eu anotei a placa do carro do feladaputa, se eu estou bem. E dizem que é normal, que acontece, que todo mundo passa por isso.
Bom. Então eu estava pensando que poderíamos todos andar com chips implantados sob a pele da palma da mão. Nesses chips, gravaríamos nossos blogs públicos, que poderiam ser lidos por todos. O chip viria acompanhado de um relógio que serviria para ler as informações armazenadas. Então todo mundo que cumprimentássemos receberia imediatamente as mais recentes notícias sobre nós: que batemos o carro, que levamos um pé na bunda, que estamos na TPM, que temos hemorróidas.
Ok, talvez isso não fosse adequado para um blog público.
O caso é que um sistema assim facilitaria muito nossa vida.
Um sistema alternativo a esse seria:
— Oi. Que cara é essa? O que aconteceu?
— NÃO INTERESSA, CARALHO! VAI TOMAR NO CU!
A vantagem desse sistema é que o investimento em novas tecnologias é zero.

Pense num blog abandonado…
Olá, amiguinhos. Olá, amiguinhas. Olá, moscas. Olá, traças. Olá, olá.
Sim, este blog está mais parado que o governo federal. Mil perdões, crianças. O negócio é que ando trabalhando demais, e agora o meu trabalho é escrever. Então imaginem minha vontade de fazê-lo nas horas vagas… Quando estou de bobeira, a última coisa que quero fazer é escrever. Mas não se apoquentem, acredito que seja uma fase de adaptação.
Mas não vim aqui para pedir desculpas pela ausência pela milésima vez, nem para dizer que tudo volta logo ao normal em breve. Vocês já estão cansados disso, e eu também. O blog continua, só o ritmo que talvez não volte nunca ao que era. Encaremos essa triste realidade.
[CHORO! RANGER DE DENTES!]
Pois é.
O que me trouxe aqui foi a necessidade de fazer uma consulta de cunho científico. Como bem sabem os leitores mais antigos, eu sou dado a arroubos de pensamento científico de quando em vez; o que seria bom caso eu tivesse qualquer conhecimento de ciência. Como não tenho, penso os maiores absurdos e, não contente, insisto em compartilhar tais pensamentos com vocês.
Acordei esta manhã com um desses pensamentos ricocheteando dentro da cabeçorra. Acompanhem: a molécula de DNA contém informações, não é mesmo? Pois então: o que impede a criação de um sistema que faça um backup dessas informações? Limite de capacidade de processamento, de armazenamento, o quê? Porque, vejam, imagino que armazenar DNA de verdade deve ser uma coisa dispendiosa como o diabo. Recipientes apropriados, temperatura exata, ambiente esterilizado, sei lá. Com a capacidade de fazer uma cópia das informações do DNA para uma unidade de armazenamento, todo o necessário seria um servidor comum num CPD decente. Não?
No futuro, talvez até alguém chegasse à tecnologia capaz de fazer o inverso: ler as informações armazenadas em bits e transformá-la de volta na molécula de DNA. Não acredito que isso seja possível tão logo: seria necessário dominar a técnica da síntese de proteínas, moléculas complexas e tal. Até onde eu sei, essa síntese até é possível hoje em dia, mas as proteínas geradas são instáveis e duram frações de segundo. Vai demorar ainda, portanto, e talvez nunca aconteça.
Mas lembro de ter lido alhures (ALHURES! CONSEGUI!) que o processo de clonagem como efetuado hoje é um jogo irritante de tentativa e erro. Imaginem, porém, que tivéssemos o backup do DNA do bicho, planta ou sei-lá-o-que a ser clonado. Seria possível fazer uma simulação da clonagem no computador antes de botar o processo todo em prática. Não seria? Claro que simular todo o processo até a formação completa do indivíduo seria quase impossível. Mas e até um certo ponto do estágio embrionário? Hein? Hein?
Minha cabeça dói. Há alguém aí que entenda desse assunto, pelamordedeus?
Obrigado.