Estava pensando ontem: não existe nenhuma biografia decente de Raul Seixas, né? Pois então: sei muitos de vocês vão me execrar para sempre, mas o negócio é que eu ouço Raul desde criança, e gosto muito do cara. Então pergunto: muita pretensão minha querer preencher essa lacuna e escrever finalmente uma biografia séria e bem documentada de Raul?

Dança das cadeiras na Blogolândia: Fernanda agora tem domínio próprio, eudiriaque.com.br, com layout fodaço by Jot. O Menezes está no endereço www.mblog.com/generico, e seu blog voltou a chamar-se Genérico Incolor. Outro que também pirulitou-se para o mBlog foi o Alexandre Inagaki: teve seu lendário blog vilipendiado pela Globo.com e agora atende no endereço www.mblog.com/inagaki. O praiano Nelson moveu seu guarda-sol para praiadonelson.com, mudando o nome do blog para um trocadilho daqueles: Ao Mirante, Nelson!.
Esqueci alguém?

(I Samuel 9)

Como, meu Deus, COMO seria escolhido o primeiro rei de Israel? Sei que vocês não agüentam mais de tanta expectativa, que não têm nem dormido direito, nessa agonia de não saberem como foi que começou a se desenhar a monarquia israelita. Pois acalmem-se, vou contar agora.
Hein? Do que cê tá falando, xarope?
Bah! Fica quieto aí, deixa eu contar.
Havia um homem chamado Quis. Sim, Quis. Não, não farei piadinhas com o nome do cara. Quis era filho de Abiel, neto de Zeror, bisneto de Becorate e trineto de Afias. Quem eram esses caras? Sabe Deus… Bom, não importa. O negócio é que o tal Quis era um homem rico e importante (para os padrões da tribo de Benjamim, é claro), e tinha um filho chamado Saul. Saul era muito bonito, considerado por muitos o mais belo dos israelitas. Meio maluco, é verdade, mas um pedaço de homem. Era alto, forte, charmoso, gostoso, uma coisa, UMA COI… Aham… Vamos à história.
Saul parecia destinado a uma vida de playboy e nada mais. Mas o destino de um homem pode tomar o rumo mais absurdo graças a um fato banal. Foi o que aconteceu com ele: um dia Quis chamou o filho. Tinha uma missão pra ele:
— Saul, as jumentas fugiram.
— Pai, eu já pedi pra você não falar assim da mãe e da vovó…
— Não, não essas! As jumentas, jumentas mesmo. Sumiram.
— SUMIRAM? COMO ASSIM? AS JUMENTAS SUMIRAM???
— Ei, calma, não é pra tanto! Eu hein… Pois é, sumiram, escafederam-se. E eu queria te pedir um favor: pegue aí um dos empregados e vá procurar as bichinhas.
— PAI! VÊ LÁ SE EU SOU DE CORRER ATRÁS DE BICH…
— AS JUMENTAS, Saul…
— Ah. Sim, claro. Já estou indo, pai.
— Doido…
— Doido? DOIDO??? QUEM É DOIDO???
— Calma, filho, calma… Só brincadeira do papai. Tá ouvindo? Brincadeira do papai… Brincadeira do papai… Fala.
— Brincadeira do papai… Ahã…
— Iiiiiiiiisso… Agora vai lá, vai.
— Tô indo.
Saul escolheu o empregado de seu pai com quem se dava melhor, e os dois saíram para procurar as jumentas. Chegaram até as montanhas de Efraim, passaram por Salisa e pela terra de Saalim, reentraram em território benjamita, e nada das jumentas. Quando entraram na terra de Zufe, Saul finalmente percebeu que a busca era inútil, e disse ao empregado:
— Bom, chega. Vamos voltar, senão o velho deixa de se preocupar com as jumentas e começa a se apoquentar por nossa causa.
— Que é isso, Seu Saul? Vai desistir de procurar as bichinhas?
— QUEM É QUE TÁ PROCURANDO BICHINHAS, SEU FILHO DE UMA QUENGA?
— As jumentas, Seu Saul…
— Ah. Elas. Então, mas o que podemos fazer? Já estamos andando há três dias, isso lá é vida?
— Mas eu acho que a gente podia usar outros métodos pra caçar as bich… digo, as jumentas.
— Ah, é? Quais? Imitação de jumento? Bom, eu posso fazer, você sabe. Tenho um…
— Não sei e não me interessa. Não, não, tava pensando num método mais sutil.
— Qual?
— Samuel.
— QUEM???
— Vai me dizer que você não conhece o Samuel.
— Conheço não. Quem é?
— VOCÊ É ISRAELITA MESMO?
— Claro que sou, oras! Que pergunta cretina…
— Porra, é impossível alguém em Israel não conhecer esse homem!
— Pois eu não conheço. Não leio jornais. Quem é essa celebridade?
— Eu não acredito… Samuel é o maior herói israelita das últimas décadas! Além do mais, ele tem poderes paranormais. Dizem que adivinha as coisas.
— Tá. E daí?
— E daí que ele mora numa cidade logo ali. Então a gente podia ir até lá e ver se ele nos ajuda a encontrar as jumentas.
— Ué! Mas ele não é importante, poderoso, herói e coisa e tal? Duvido que vá querer ajudar a gente nisso…
— Er… É que ele anda numa fase ruim. Está bem velho, decadente, essas coisas. Mas tem lá seus poderes. Oras, você quer encontrar as jumentas ou não?
— Quero, quero. Mas quanto é que esse santo homem cobra pra fazer suas mágicas? Nem comida nós temos mais. Tem alguma coisa aí pra gente levar pra ele?
— Deixa eu ver… Hum. Tenho um pouco de prata aqui ainda.
— É, acho que tá bom. Vamos lá.
Os dois começaram a subir o morro no alto do qual ficava a cidade. No meio da subida, encontraram umas moças que desciam para pegar água, e Saul foi falar com elas.
— Oi, meninas.
Agora imaginem: um bando de garotas adolescentes encontra em sua frente, como que surgido do nada, o Rodrigo Santoro de Israel, o Brad Pitt de Benjamim. Derretaram-se todas, é claro.
— Ooooooooooi…
— Er… Então… Eu e meu amigo aqui estamos procurando o tal do adivinho que dizem morar na cidade.
— Aham…
— É… E aí a gente queria saber se ele está.
— Ahã…
— E como eu faço pra falar com ele?
— Ahã…
— Moça? Eu fiz uma pergunta.
— Hã? Ah! Sim, sim. Ele está sim. Aliás, é aquele andando ali na frente.
— Aquele cabeludo?
— Ahã…
— Ai meu saco… Tá, tá, obrigado. Vou lá falar com ele.
— Mas é melhor você se apressar.
— Por quê?
— Está na hora do sacrifício. Ele sobe até o morro, abençoa o sacrifício, e só então o povo começa a comer. A bênção é meio demorada, melhor falar com ele antes.
— Muito bem, então vou até lá. Muito obrigado, moças.
— Não tem de quêeee…
— Ai ai…
Saul e seu empregado subiram o monte, interpelando Samuel no portão da cidade:
— O senhor que é o tal vidente?
— Quem quer saber?
— Saul, filho de…
— Eu sei quem você é.
— Sabe? Como?
— Oras, como! Sou vidente, lembra? Cabra burro. Ô, tem certeza que é esse mesmo?
— Como é que é?
— Não estou falando com você.
— …
Podia parecer que Samuel estava maluco, mas não era nada disso: um dia antes, Javé contara a ele que um homem de Benjamim viria até ali. Samuel deveria ungir esse homem como rei de Israel, e ele libertaria o povo do jugo filisteu. Notando, porém, que o tal Saul era meio despombalizado do juízo, dirigiu sua pergunta a Javé. Deus cochichou a resposta: era ele mesmo. Aquele maluco viria a ser rei. Resignado, Samuel começou a desempenhar seu papel:
— Bom, rapaz, o sacrifício está para começar, e o povo está com fome. Você e seu empregado vêm comigo até o lugar de adoração. Jantarão comigo.
— Fico muito agradecido, Seu Samuel. Mas é que eu queria saber…
— Depois, depois! Amanhã cedo eu responderei qualquer pergunta que você quiser, hoje não.
— Mas é que…
— Não se preocupe com as jumentas. Já foram encontradas enquanto vocês dois andavam por aí feito uns paspalhos.
— COMO É QUE O SENHOR SABE DAS JUMENTAS?
— Eu já não falei que sou vidente, cáspita? O que mais você quer que eu diga para acreditar? Quer que eu fale o que você faz com as pobrezinhas quando ninguém está olhando?
— NÃO! NÃO!
— Hehehehe…
— Qual é a graça?
— É que essa última foi chute… Bom, vamos comer. Saul, Saul… O povo de Israel quer você, Saul.
— Por favor, Seu Samuel! Eu sou da tribo de Benjamim, a menor de todas, e minha família nem tem importância. Como o senhor me diz que Israel me quer?
— Depois, depois! Vamos comer, já disse.
Então Samuel levou os dois ao salão de festas, deixando que se sentassem à cabeceira da mesa em que já estavam cerca de trinta convidados.
— Cozinheiro!
— Pois não, Seu Samuel?
— Traga aquele pedaço de carne que eu pedi pra você reservar para o convidado de honra.
— Sim senhor.
O cozinheiro trouxe a carne nobre, e Samuel a ofereceu a Saul. Depois do jantar, os três foram à cidade. O velho vidente e o belo benjamita ficaram conversando no terraço até bem tarde. Na manhã seguinte, Samuel foi acordar Saul:
— Está na hora de você voltar pra casa.
— Puxa. Não me oferece nem um café-da-manhã?
— Já comeu demais às minhas custas, rapaz. Vamos, levante-se!
Saul levantou-se, e Samuel acompanhou-o junto com seu empregado até a rua. Ainda sussurrou a pergunta para Deus:
— Mas você tem certeza mesmo?
O silêncio demonstrava que Javé não voltaria atrás. Samuel suspirou. Tinha que terminar o que começara. Paciência. Então disse ao benjamita:
— Saul, peça ao seu empregado que vá na frente. Tenho um recado de Deus para você.

Meu samba andou parado
até você aparecer mudando tudo
lançando por terra o escudo
do meu coração em repouso
ontem uma rocha fria
hoje, assim exposto
deixando entrar, sem medo, a vida
aquilo que eu não via.
Só agora eu reparei que não vi seu rosto
e que você partiu sem deixar seu nome
só me resta seguir rumo ao futuro
certo de meu coração mais puro.
Quem quiser que pense um pouco
eu não posso explicar meus encontros
ninguém pode explicar a vida
num samba curto.
(Paulinho da Viola)

Alguém aí querendo vender um teclado? Não, não teclado de micro, seus nerds do inferno. Teclado daquele que parece um piano só que é menor e não tem rabo. É o instrumento que está para o piano de cauda assim como o Pinscher está para o São Bernardo. Alguém?

Eternos agradecimentos ao lendário Pedro Nunes, pela lembrança dos dois simpáticos cães