Há dias em que a combinação certa entre tristeza e mau humor me faz odiar os seres humanos, todos eles. As pessoas na rua, no ônibus, no metrô exibem em suas faces uma expressão de tamanha idiotia que eu sinto uma repulsa quase insuportável por elas. Aos meus olhos todos adquirem feições de docilidade e estupidez bovina, e eu sinto ganas de abatê-los a marretadas. Em ocasiões assim, um mero esbarrão se propaga dentro de mim em ondas do mais puro e revigorante ódio. Eu queria um lugar sem pessoas, um lugar para onde fugir em momentos assim.

Aí, para foder tudo, chego em casa e sou comunicado pelo autor que o fale com deus acabou. Puta que pariu.

Ontem fui assistir Charlie’s Angels na sempre agradabilíssima companhia de Camilita. Não há muito o que falar sobre o filme: é engraçado, movimentado, tem cenas de ação ótimas. Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu são gostosas pra caralho, a Demi Moore tá meio derrubada. Não vou falar mal do Rodrigo Santoro só porque o cara passa o tempo todo calado. Ele desempenhou bem o seu papel: ficar 90% do tempo sem camisa, para fazer a mulherada babar.
Um problema muito sério no filme: certas cenas impossíveis parecem mais convincentes do que uma simples caminhada das Panteras por um gramado. Tudo graças a essa maldição chamada chroma key. Para quem não sabe, é aquele lance de o cara atuar em frente a uma tela azul, na qual o cenário é aplicado depois. Há cenas do filme que lembram aquele episódio do Chapolin em Vênus (Uh, Chupulu), de tão toscas. O chroma key deveria ser banido para sempre.
Mas não quero falar de nada disso. Para mim a melhor surpresa do filme é a participação de John Cleese, do Monty Python. Deve ter sido uma honra imensa para o Matt LeBlanc (o Joey de Friends) contracenar com esse mestre absoluto. E toda vez que ele falava “What are you talking about?”, eu lembrava da clássica Dead Parrot Sketch:
— Well, he’s…he’s, ah…probably pining for the fjords.
— PININ’ for the FJORDS?!?!?!? What kind of talk is that???

Eu AMO John Cleese. Acho que falei isso umas duzentas vezes pra Camila. E ainda foi pouco.

Ontem fui assistir Charlie’s Angels na sempre agradabilíssima companhia de Camilita. Não há muito o que falar sobre o filme: é engraçado, movimentado, tem cenas de ação ótimas. Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu são gostosas pra caralho, a Demi Moore tá meio derrubada. Não vou falar mal do Rodrigo Santoro só porque o cara passa o tempo todo calado. Ele desempenhou bem o seu papel: ficar 90% do tempo sem camisa, para fazer a mulherada babar.
Um problema muito sério no filme: certas cenas impossíveis parecem mais convincentes do que uma simples caminhada das Panteras por um gramado. Tudo graças a essa maldição chamada chroma key. Para quem não sabe, é aquele lance de o cara atuar em frente a uma tela azul, na qual o cenário é aplicado depois. Há cenas do filme que lembram aquele episódio do Chapolin em Vênus (Uh, Chupulu), de tão toscas. O chroma key deveria ser banido para sempre.
Mas não quero falar de nada disso. Para mim a melhor surpresa do filme é a participação de John Cleese, do Monty Python. Deve ter sido uma honra imensa para o Matt LeBlanc (o Joey de Friends) contracenar com esse mestre absoluto. E toda vez que ele falava “What are you talking about?”, eu lembrava da clássica Dead Parrot Sketch:
— Well, he’s…he’s, ah…probably pining for the fjords.
— PININ’ for the FJORDS?!?!?!? What kind of talk is that???

Eu AMO John Cleese. Acho que falei isso umas duzentas vezes pra Camila. E ainda foi pouco.

Assistindo Hermes & Renato com meu irmão domingo, lembrei-me de um xingamento que há muito tempo não uso: arrombado. Não há ofensa melhor neste mundo. E sempre que eu ouço uma pessoa chamando outra de arrombada ou eu mesmo o faço, caio na gargalhada. Não consigo evitar. É muito legal chamar alguém de arrombado. Experimente só. Vire-se para a pessoa mais próxima a você agora e diga com vontade:
— Ô, seu (sua) arrombado(a)!
E sinta o imenso prazer que esse singelo xingamento traz. Seu arrombado.

Acabo de receber um email sensacional, de alguém que assina como Deus Está Vendo *.* (deve significar “deus está vendo tudo”; quem conhece DOS sabe do que estou falando…) com “Frutas e Vida Eterna (Lendas Sagradas)” por assunto. Vou tentar resumir ao máximo, preciso compartilhar essa pérola com vocês:

Caros amigos(as)…
“Assim como Deus nos pôs no paraíso quando aqui nos deixou (na Terra), e o paraíso fôra cheio de frutas que Deus plantou, assim devemos também seguir o exemplo “Dele” e transformar esta Terra novamente no paraíso, plantado frutas para os nossos próximos até encher a Terra.”
(…)
Lhes digo que “ora”, se até tendo somente frutas ainda assim uma era proibida, imaginem quanto ao resto! Não importa quanto os antepassados tenham alterado as lendas que Deus nos deixou a fim de poderem comer churrasco, nem as peripécias que o Imperador Constantino fez para unir o Cristianismo ao Mitraísmo e transformar tudo numa única religião. São vocês que têm de ter a consciência do certo e do errado e fazerem o certo. Leiam o e-mail que está circulando por aí:

…………………………………………………………..
De: Deus Está Vendo *.*
Assunto: Frutas e Vida Longa.
Para ter uma vida muito, mas muito longa, ao ponto de parecer eterna, a pessoa deve comer apenas o que a natureza a oferece, e não tirar dela o que ela não oferece. Por exemplo: Ao se comer uma maçã (…ou outra fruta…), você não está danificando a natureza, porque a maçã quando já madura está pronta para ser descartada pela macieira, atingir o solo e servir de abrigo e sustento às sementes que nascerão para se tornarem novos pés de maçã. Você então deverá comer a maçã, tirar suas sementes e plantá-las e, se possível, cuidar para que elas nasçam e cresçam, de modo a substituir aquilo que você tirou da natureza, que é o invólucro que protege a sua existência. Deste modo você não estará interferindo no ciclo da vida para se manter vivo, e fará com que outras pessoas que virão, que já existem, seus pais, irmãos, filhos que você tenha ou porventura vier a ter, você próprio(a), amigos e até inimigos, não deixem de ter a oportunidade de poderem se alimentar graças ao que a natureza oferece de “mãos abertas”. E assim, seguindo este raciocínio, passar a se alimentar para todo o sempre. Ao se comer um tomate, por exemplo, não o acrescentar muito sal. O sal engorda e, sendo danoso à saúde, você poderá sofrer de problemas cardíacos (por exemplo). Ao se vestir, procure usar roupas de algodão, porque o algodão serve apenas para fazer com que a sua semente, ou seja, a semente do pé de algodão, se espalhe com o vento e, assim como enfeita os campos cobrindo-os com sua brancura, você também poderá utilizar o algodão para se cobrir. Uma verdura comum como um pé-de-alface, por exemplo, não deve ser comida porque ela não se está oferecendo para que você a coma. Ela está lá, vegetando a vida dela. Se você a cortar para comer, você estará tirando a vida dela e, da mesma forma que você tira a vida dela, ao ingerir no seu organismo (comê-la), ela tirará um pouco da sua vida. Assim o são todas as verduras e bulbos (rabanetes, beterrabas, cenouras, cebolas, etc.). Estas plantas não se oferecem para que você as coma, pois ao arrancá-las do solo você as mata. Os cereais, que nada mais são que sementes, também não devem ser comidos. Na natureza (se você não cozinhá-los), eles são geralmente duros e praticamente impossíveis de se mastigar ou engolir. Eles não estão se oferecendo para que você os coma, porque eles são o início de uma nova vida. Bebidas alcoólicas são derivadas de plantas que não se oferecem para serem comidas. A cana de açúcar, por exemplo, está lá assim como a alface, vegetando a vida dela, se você tirar a vida dela, ela tirará a sua, mas levará um certo tempo… E depois, uma vez industrializada, ela vira puro veneno, assim como o fumo, maconha, cocaína, heroína, e todas as outras drogas imagináveis. Os animais e tudo que deles advém (ovos e leite, inclusive), sejam eles aquáticos, aéreos ou terrestres, nem se fala! Se você os comer, você envelhecerá e morrerá! Eles, além de não estarem se oferecendo para que você os coma, usam de todas as suas forças para fugir do que “você oferece a eles”. Este tipo de alimento, ao contrário de outros, não tira um pouco de sua vida, mas sim muito. Siga a seguinte seqüência, a depender do quanto você deseja viver: Frutas com semente (Obs.: Não comer as sementes, mas sim plantá-las.), Frutas sem semente, Cereais, Tubérculos e Legumes, Ervas, Produtos de origem Animal – aquáticos, aéreos ou terrestres – incluindo leite e ovos e, por fim, hervas daninhas (Fumo(cigarro), Maconha (baseado), Coca (cocaína), Papoula (heroína e ópio), etc., e drogas industrializadas (Cachaça, por exemplo). Quanto mais você se mantiver no início da seqüência, mais viverá; e, quanto mais você se mantiver no fim da seqüência…, você encontrará também o seu fim. Eu lhe digo isto porque eu, sendo a “Luz do Mundo!, e do Universo Inteiro!”, jamais permitirei que seres que se mantém vivos graças à destruição das outras vidas que, assim como a vocês, também criei com minha luz, vivam eternamente, nem nesta Terra, nem em nenhum outro mundo ou paraíso imaginável!, e ainda mais tendo estes seres evoluídos ao ponto de serem pensantes como eu, detentores do “saber” de distingüir o que é certo ou errado. Minha assinatura: Deus.
……………………………………………………….
Minha identidade e o motivo:
Obviamente que Deus não envia e-mail algum. Trata-se apenas da transcrição de algo em torno de 50% de um sonho que tive há algum tempo, onde Deus se apresentou para mim e me disse algo muito semelhante ao que estou lhe remetendo. O texto é real e verdadeiro, porque durante toda a minha vida Deus nunca disse algo para mim em meus sonhos que não fosse a mais pura verdade. E quanto à minha identidade, espero sinceramente que ninguém nunca a descubra… NÃO MATARÁS!

Sabem o que é pior? Desde que eu recebi o e-mail estou pensando num jeito de fazer graça com ele, mas é impossível. O texto já é uma peça de humor pronta e acabada. Congratulações ao autor.

Tem dias que a gente se sente
um pouco talvez menos gente
um dia daqueles sem graça
de chuva cair na vidraça
um dia qualquer sem pensar
sentindo o futuro no ar
o ar carregado, sutil
um dia de maio ou abril
sem qualquer amigo do lado
sozinho, em silêncio, calado
com uma pergunta na alma:
por que nesta tarde tão calma
o tempo parece parado?

Está em qualquer profecia
dos sábios que viram o futuro
dos loucos que escrevem no muro,
das teias, do sonho remoto
estouro, explosão, maremoto,
a chama da guerra acesa
a fome sentada na mesa,
o copo com álcool no bar
um anjo surgindo no mar,
os selos de fogo, o eclipse
os símbolos do apocalipse,
os séculos de Nostradamus
e a fuga geral dos ciganos
está em qualquer profecia
que o mundo se acaba um dia.

Um gosto azedo na boca,
a moça que sonha, a louca
o homem que quer mas esquece
o mundo do dá ou do desce
está em qualquer profecia
que o mundo se acaba um dia
sem fogo, sem sangue e sem ais
o mundo dos nossos ancestrais
acaba sem guerras mortais,
sem glórias de mártir ferido
sem estrondo, mas com gemido
os selos de fogo, o eclipse,
os símbolos do apocalipse
a fuga geral dos ciganos
os séculos de Nostradamus
está em qualquer profecia
que o mundo se acaba um dia…

Muito bem, onde é que estávamos? Ah, Balaque ofereceu sacrifícios a seus deuses, aquela coisa toda. Pois bem. Na manhã seguinte, Balaque levou Balaão até um lugar chamado Bamote-Baal, de onde se podia ver parte do acampamento dos israelitas. Balaão olhou, coçou o queixo e disse:
— Balaque, esse menino. Faça aqui sete altares de pedra e me arrume sete novilhos e sete carneiros.
Balaque tratou logo de dar as ordens, e em pouco tempo os altares estavam prontos, bem como os animais solicitados. Então Balaque e Balaão ofereceram em sacrifício um novilho e um carneiro em cada altar.
— E agora, Balaão?
— Agora você fica aqui um bocadinho, que eu vou ali ver se Javé me diz o que fazer.
— Balaão, essa sua intimidade aí com o deus dos israelitas, sei não…
— Fique calmo, Balaque. Eu volto já.
Balaão subiu até o alto de um monte onde deus já esperava por ele.
— Eita, Balaão! Sete novilhos e sete carneiros logo cedo? Cês tão querendo me agradar mesmo, hein?
— Pois é, Javé. Todo mundo sabe que seu negócio é sangue, então trouxe esse presentinho aí pra você.
— Muito obrigado, viu? Gostei muito.
— Fico feliz, Javé. Mas e então? O homem tá doidinho pra eu amaldiçoar os israelitas. O que eu faço.
— Tá com a viola aí?
— Mas que pergunta, Javé! Mais fácil eu arrancar um braço do que me separar da minha violinha.
— Muito bem. Então volta lá e canta esses versos aqui pra eles.
— Hum… Deixa eu ver… Eita, Javé! Não é por mal não, mas esses seus versos tão ruins de lascar. Não é melhor eu dar uma garibada não?
— Foi o que eu pude fazer na pressa, e é assim que você vai cantar.
— Tá bom. Só que eu vou falar pra todo mundo que os versos são seus.
— Tudo bem.
Balaão desceu do monte e encontrou Balaque ainda do lado dos altares, ansioso.
— E aí, Balaão? Falou com o tal Javé?
— Falei sim senhor.
— E aí? E aí?
— E aí que ele me mandou cantar uma cantiga. O senhor me dá licença?
— Er… Claro.
— Pois então… Arram… Lá vai:

Balaque, rei, coronel
Foi me buscar no Eufrates
Pra lhe ajudar no combate
E falar mal de Israel
Mas como posso eu só
Se eles são feito o pó:
Ninguém consegue contar
Os tais filhos de Jacó.

Eu não posso condenar
A quem deus abençoou
E foi Javé quem mandou
Eu vir aqui lhes falar:
Queria ser israelita
Ficaria bem na fita
Eles vão se dar muito bem
Ao contrário dos moabitas…

— Que porra é essa, Balaão? Eu te chamei foi pra amaldiçoar esse povo aí, não pra vir aqui falar bem dele!
— Sei de nada não, Seu Balaque. Os versos são de Javé, ele que me mandou cantar.
— Ô, rapaz… Será que a gente não pode tentar de novo?
— Por mim, tudo bem.
— Então vamos.
— Bora.