Foi gente pra caralho, ganhei vários presentes, todos nos divertimos à vera (!). Mas nem tô a fim de contar. Depois eu posto as fotos.
Mês: maio 2003
É hoje, cambada!
Perguntinha
Será que eu NUNCA MAIS vou parar de ouvir Coldplay? Porra.
Balanço
Aniversário é dia de se fazer balanço, então resolvi fazer o meu. Aí lembrei que não levo jeito pra essas coisas. Acho que vou pedir pro meu tio serralheiro fazer um pra mim.
Serralheiro!
Balanço!
Rá!
Ok, vamos tentar de novo.
Geralmente penso na morte no meu aniversário. Este ano foi estranho: Só agora me dei conta que não pensei nela. Não tive tempo. Família, velhos amigos, novos amigos, todo mundo falando tantas coisas lindas para mim, então acabou que só consegui pensar mesmo na vida e no quanto ela às vezes vale a pena.
É o terceiro aniversário seguido em que não tenho um deus ao qual agradecer por mais um ano de vida. Isso faz falta, demais até. O vazio aqui dentro é imenso. Mas meus amigos quase o preenchem. E, houvesse deus em minha vida, muito teria a agradecer a ele. Como não há, vou me dirigir a este moleque de braço quebrado aí.
Ô moleque. Temos convivido esses anos todos. Essa foto aí foi tirada há mais de 26 anos, mas me orgulho de dizer que não deixei que você mudasse muito. Você cresceu, é verdade. Engordou feito um porco, depois emagreceu até virar um esqueleto, aí engordou de novo até ficar parecendo uma porca prenha obesa. Não tinha cabelos nessa época, depois os cabelos cresceram, mas não duraram muito. Mas esse brilho inocente nos olhos e esse sorriso abobalhado continuam quase intactos, as pernas tortas são as mesmas, o jeitinho meio aviadado é idêntico. Eu não o traí, eu não o abandonei, eu sempre ouvi sua voz aqui dentro de mim. Nunca falei com você em tom condescendente, mas sim do jeito que se deve falar com toda criança: Sério, olhando no olho, sem mentiras. E você sempre foi absolutamente sincero e direto comigo, como bom menino que é. Tenho cuidado bem de você esses anos todos, e você de mim.
Houve momentos em que estivemos sozinhos, podendo contar apenas um com o outro, e sobrevivemos. Somos uma dupla e tanto.
Sei que o decepcionei algumas vezes, que o entristeci, que o fiz chorar. Peço desculpas. A convivência com gente grande é prejudicial demais, por isso tento evitá-la ao máximo. Mas há momentos em que é inevitável, e acabo influenciado pelo comportamento sujo dos adultos. Perdão, meu menino.
Vamos prosseguir nosso caminho juntos. Continuarei falando com você da mesma forma que você falava com o Buduque, seu amigo imaginário. Espero que você também continue falando comigo.
Feliz aniversário atrasado, moleque.
É AMANHÃ!
Todo mundo no Velhão a partir das 21 horas. Não sabem do que eu tô falando? Porra, cliquem no anão de braço quebrado aí do lado.
Urgente
Meu povo, alguém aí sabe de um hotel decente e barato aqui em São Paulo? Alguns amigos virão do Rio hoje e não têm onde ficar, porque o Formule 1 já está lotado. E aí?
Agradecimento
Não vou citar nomes, porque sempre acabo esquecendo alguém nessas. Mas quero agradecer muito a todos que mandaram emails, falaram comigo pelo ICQ ou Messenger, telefonaram, escreveram posts, mandaram cartões e o caralho a quatro. Eu vou ficar alguns anos sem chorar depois disso: Sequei. Putos. Odeio a todos. Caralho.
E boquete que é bom, nada…
Comemoração
Bom, cês já tão sabendo da festa de sábado no Velhão, né? COMO NÃO??? Aqui, ó.
Só que hoje tem comemoração também, a partir das 19 horas no bar Opção, que fica na Alameda Casa Branca, atrás do MASP. Barato, fácil de chegar, perto do metrô e da Avenida Paulista. Todo mundo lá.
Bem-vindo à Matrix
15 de maio de 1975 – 9h50min 9h45min(*).
Estou no meu aconchego de sempre, flutuando no líquido em que me sinto tão confortável. De repente, uma movimentação estranha. O líquido se agita e eu acordo. Pela primeira vez sinto mais que uma centelha de consciência de mim mesmo. Mas não tenho tempo de definir a sensação: Ouço vozes lá fora. O lugar onde estou é aberto e mãos gigantescas querem me arrancar lá de dentro. É inútil lutar, as mãos são muito grandes e fortes. Me tiram de meu habitat de forma desajeitada e cortam minha conexão com o lugar que foi minha casa por nove longos meses.
Aqui fora é tudo estranho. É muito seco, há luzes demais, vozes, barulhos. Desligado de minha fonte de nutrientes, sinto uma fome descomunal e reajo da única forma que sou capaz: Choro. Muito alto.
(*)Minha mãe acaba de me ligar. É óbvio que reconheço a voz da minha mãe de primeira, mas sempre sacaneio:
— Quem tá falando, porra?
— A que te pariu há 28 anos.
— Ah…
— Parabéns!
— Valeu, véia.
— Ô seu corno, você nasceu numa quinta-feira também, sabia?
— Sabia, mãe. Todo ano cê fala isso.
— Às 9h45min
— 9h50min, mãe.
— 9h45min.
— Na minha certidão de nascimento tá 9h50min.
— Porque enfiaram 5 minutos no cu. Vai querer discutir comigo?
— …
— HUMPF
Agora sim
(Com participação especial da minha mãe que me pariu)
