Lembro-me de uma ou duas ocasiões em que meu pai resolveu fazer uma extravagância quando eu e meus irmãos éramos crianças: Ele nos levava a uma loja de brinquedos e dizia “Vão lá, podem escolher o que quiserem”. Claro que não era pra valer, se um de nós viesse com algo absurdo ele obviamente diria “O que quiserem, menos isto”, mas valia a aventura de andar entre prateleiras de brinquedos para escolhermos o que bem entendêssemos.
Minutos depois, voltávamos com nossas escolhas. Ana Cristina com uma boneca maior que ela. O equivalente a, sei lá, 150 reais (a moeda da época, lembrem-se, era o cruzeiro. Estamos falando da primeira metade dos anos 80). Roberto com um carrinho todo cheio de firulas. 200 reais.
Marco Aurélio com uma lanterna. 2 reais.
— Marco, mas só isso? Eu falei que pode escolher o que quiser.
— Então. Eu quero uma lanterna.
— Hum… Tá, então você pode escolher outra coisa.
Então eu saía todo feliz, sob o olhar de piedade dos meus pais. E voltava com um Jogo da Memória. 8 reais. Então eles desistiam, e eu era a criança mais feliz do mundo porque tinha ganhado dois presentes.
“A que vem essa historinha?”, vocês estarão se perguntando. Bom. Próxima quinta-feira, dia 15 de maio, é meu aniversário. Completo 28 anos, mas continuo a mesma criança de gostos simples. Por isso resolvi elaborar uma lista de presentes, para facilitar a vida das pessoas que não sabem o que me dar. Entrar no Submarino e escolher meus presentes lá foi como reviver a experiência de percorrer as prateleiras abarrotadas de brinquedos de minha infância, todos eles ao meu alcance. Vejam:

LISTA DE PRESENTES DO MARCO AURÉLIO

Visitem e, se possível, me comprem uma lembrancinha qualquer…

O Pelezinho me chamou a atenção para uma questão intrigante:

Será mesmo possível que Giovana Ruaro, atual musa de todos os blogs (exceto do JMC, que é muito fiel à sua musa), e Patricia Abravanel, filha que o Silvio Santos foi obrigado a aceitar de volta apesar da grana que ofereceu para os caras ficarem com ela, será possível, eu perguntava, que elas sejam irmãs gêmeas ou até, quiçá, a mesma pessoa?
Fica a pergunta no ar.

Bom, farisaiada, acho que é hora de voltarmos à Bíblia. E não chiem.
Bom, no dia em que Moisés terminou de erguer o Tabernáculo, ungiu tudo, consagrou, fez a bagaça toda, os chefes das tribos vieram trazer suas ofertas.
— Q-que po-porra é e-essa?
— Viemos trazer ofertas para o Tabernáculo, seu Moisés. Pra dar uma força, sacumé.
— S-sei. Cês q-querem é se ga-garantir co-como ch-chefes das t-tribos.
— Hum… Tá, é um pouco isso aí também.
— E-então tá. V-vamos ver. O q-que cês t-tão trazendo?
— Cada um de nós trouxe um boi e meia carroça.
— M-meia ca-carroça??? Q-que eu v-vou fa-fazer com m-meia ca-carroça???
— Porra, Moisés, não somos tão burros. Queríamos trazer uma carroça cada um, mas ficava muito caro. Então nos dividimos em duplas e cada dupla comprou uma carroça.
— E-entendi. P-peraí q-que eu v-vou a-ali fa-falar com o Ja-Javé.
E lá foi ele ver com deus se dava pra fazer negócio com as ofertas que os caras haviam trazido.
— Sei não, Moisés… Doze bois e seis carroças? É pouco. Faz o seguinte: Pega as ofertas deles e entrega pros levitas.
— T-tá bom.
— Mas faz direito. Divide igualmente entre os caras: duas carroças e quatro bois para os gersonitas e quatro carroças e oito bois para os meraritas.
— Q-que po-porra de di-divisão é e-essa? E os c-coatitas?
— Quem?
— Os CO-COATITAS!
— Ah, esses. Então. Eles não vão ganhar nada. As coisas que eles vão transportar têm que ser levadas nos ombros, lembra?
— A-ah é.
— Então. Agora cê vai lá e diz pros caras que eu aceito a oferta deles de bom grado, fico muito feliz e coisa e tal. Mas dê a entender que talvez fosse uma boa idéia trazer uns agrados a mais aí, sabe, só pra garantir, coisa e tal. Eles vão entender o recado.
— T-tá bom.
— E outra coisa: Fala pra eles não virem todos ao mesmo tempo. Olha a zona que tá la fora com tanto boi e carroça. Diz que podem vir um a cada dia, começando pelo Nasom, depois o Netanel, o Eliabe, o Elisur, o Selumiel, o Eliasafe, o Elisama, o Gamaliel, o Abidã, o Aiezer, o Pagiel e por último o Aira.
— P-peraí, tô a-anotando… A-Aiezer… P-Pagiel… P-pronto.
— Beleza. Vai lá, fala com os caras.
Moisés foi, falou com os chefes, explicou a situação e eles entenderam o recado. No dia seguinte Nasom, chefe da tribo de Judá, trouxe ao Tabernáculo uma bandeja de prata de um quilo e meio, uma bacia de prata de oitocentos gramas (tanto o prato como a bacia cheios de farinha e azeite para oferta de cereais), um prato de ouro de cento e quinze gramas cheio de incenso, um touro novo, um carneiro e um carneirinho de um ano para serem queimados no altar, um bode para ser oferecido pelo perdão dos pecados, mais dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco carneirinhos de um ano. No dia seguinte o chefe da tribo de Issacar, Netanel, trouxe uma oferta idêntica. E assim fizeram todos os outros chefes. Agora vocês façam as contas: Tudo isso multiplicado por doze. O Tabernáculo ficou bem mais rico nesse dia. E os chefes mantiveram-se chefes. Já naquele tempo uma mão lavava a outra.