Clodovil


(Êxodo 28:1-5)
— Pois muito bem, Moisés, negócio seguinte: Cê vai separar do povo o seu irmão Arão, e também os filhos dele, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar, para que me sirvam como sacerdotes. Só que para isso eles vão precisar de roupas que dêem a eles dignidade e beleza. Então passamos agora ao curso de corte e costura.
— V-vai d-dar uma d-de e-estilista, Ja-Javé? E-essa eu q-quero v-ver…
— Tá me estranhando, Moisés? Eu sou um deus macho, porra! Cê acha que eu vou dar uma de costureiro a essa altura da minha vida?
— U-ué, mas cê fa-falou q-que…
— Eu falei que agora vamos passar para essa parte de confecção e tal. Mas não disse que eu ia te passar o desenho das roupas. Para isso eu contratei um cara que tava desempregado aí, precisando de uma força. O pobre coitado conseguiu ser demitido de todas as emissoras de TV, e você sabe como bicha velha tem tendências depressivas. Clodovil! Vem aqui pra eu te apresentar ao Moisés.
— Oi, Jajá. Ah, você que é o Moisés, né? Hum…
— J-J-J-JAJÁ??? HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!
Numfode, Moisés…
— Olha, Moisés, você não pode se mover pelo preconceito, porque somos todos iguais, não é mesmo? Hoje eu sou eu e você é você, amanhã pode ser que você seja eu e que eu seja você, porque é tudo um processo cármico que se desencadeia e que torna a todos irmãos, de modo que todos devem viver em harmonia, sob a proteção de um mesmo pai. Que vem a ser o Jajá.
— Tá, tá, vamos logo ao que interessa.
— Calma lá, bofe! Tá pensando o quê? Eu vim lá de Ubatuba até aqui só pra isso e não estou reclamando! O Jajá me convenceu a aceitar esse emprego. Eu não queria, mas sabe como é o Jajá, tem essa coisa toda dele de saber convencer as pessoas, falou que se eu não viesse ele ia matar todos os viados, aí já viu, né? HAHAHAHAHAHA. Mas vamos lá. Você vai chamar toooooooodas as costureiras do povo de Israel para confeccionarem essas roupas que eu vou desenhar agora. Peraí, deixa eu pegar minha prancheta. Hum-hum… Cadê meus pincéis? MEUS PINCÉIS! Ah, tão aqui. Ui. Cada pincelão, olha só!
— Va-vamos pa-parar de vi-viadagem.
— Noooooooossa, a mona tá nervosa! Olha aqui, presta atenção no desenho e não reclama. Vê só, a roupa vai ter esse peitoral assim… Aí tem o manto sacerdotal, beeem bonito e chamativo… Uma sobrepeliz chiquéeeeeerrima… Uma túnica toda bordada, desse jeito assiiiiiiiiiiim… Uma mitra bem estilosa… E o cinto vai ser assim, ó. Pronto. Tudo de bom, né? Pra essas roupas serão usados fios de lã azul, púrpura e vermelha, fios de ouro, linho fino, miçangas, paetês, lantejoulas, purpurina, plumas de pavão, de perdiz e avestruz.
— Hum… Clodovil?
— Sim, Jajá?
— Será que você não está exagerando não? Os caras vão ser meus sacerdotes, vão ter que impor respeito ao povo. Se as roupas deles forem feitas com essas coisas todas aí, vai virar palhaçada. Se eu quisesse que fosse assim, tinha chamado o Clóvis Bornay pra ser sumo-sacerdote.
— Ai, Jajá, mas não vai ser nada muito espalhafatoso! Só estava pensando numa alegoria de cabeça e um esplendor com plumas. Podíamos até dar nome pra essa obra de arte, Pavão Misterioso Multicor na Côrte de Assurbanípal, ou qualquer coisa assim…
— Porra, Clodovil, não sacaneia. Faz direito a bagaça aí.
— Tá bom, tá bom. Moisés, desconsidera o que eu falei das miçangas pra frente. Humpf.
— P-pô, que pe-pena… Ia s-ser le-legal v-ver o A-A-Arão de t-travesti…
— Ai, vocês não compreendem minha arte. Mas tudo bem, nessa vida a gente não é nada: A gente é TUDO, não é mesmo? HAHAHAHAHA. Amanhã eu volto para dar os detalhes do manto sacerdotal, se Jajá quiser. E ele HÁ de querer.
— Pu-puta q-que pa-pariu, e-essa vi-viadagem v-vai lo-longe…

Estava falando agora para a Bianca (amiga minha que tem um blog muito legal, para o qual infelizmente não posso botar link aqui) que é muito raro encontrar mulheres com senso de humor. E ela não discordou, mesmo porque é uma mulher com um senso de humor apuradíssimo.
Mas essa questão me incomoda muito. Não sei se outros passam por isso, ou se só acontece comigo por ser feio, gordo, careca e pobre: Você dirige a palavra a uma garota e ela fica na defensiva, não deixa a conversa rolar naturalmente. Ô, mulherada! Cês precisam relaxar! Parece que têm medo da gente, oras. Podem conversar normalmente, podem falar coisas engraçadas, podem rir. Parece que vocês pensam que homem só fala com mulher tendo o sexo como objetivo. Não é bem assim! Nem sempre a gente quer comer vocês quando puxa conversa, ok?
Às vezes a gente quer só uma chupetinha.

Exclusivo! VixPita resolveu me contar a origem do nome Jesus, me chicoteia! (para quem não sabe, não é criação minha, ela que vivia falando isso e eu copiei): Estava ela viajando pelo interior de Minas Gerais com uma amiga. Essa amiga, por sua vez, tinha uma amiga médica numa cidadezinha perdida no cu de Minas (não confundir com o cu das minas), uma baixinha ruiva, desbocada e atéia. Uma das características da doutora era se utilizar de expressões religiosas, distorcendo-as para causar um efeito cômico. Dentre essas expressões, além de “Jesus, apague a luz, que eu não quero ver isso”, constava o nosso tão familiar “Jesus, me chicoteia!”.
Vejam só. Uma atéia que gostava de tirar sarro da religião falou isso, uma evangélica adotou, veio parar nos ouvidos de um ateu que gosta de tirar sarro de religião, e hoje é o nome disto aqui. É pra gente pensar, não? Não? Tá bom, então.

Cheguei, fui pegar meus e-mails, e deparei-me com uma mensagem cujo assunto era: “FUI EU! FUI EU! EU SOU UMA BICHA! UI!!!!!”. Pensei, “Quem será o desvairado autor de tal mensagem, entregando-se dessa maneira tão despudorada? Quem será essa bicha sem-vergonha?”. Fui ver o remetente e tive que ler três vezes para ter certeza. A gazela saltitante atende pelo nome de Pedro Nunes, embora eu ache que ande atendendo por outros nomes, inclusive pela porta dos fundos. E o intuito da mensagem era só dizer que a biba tinha sido o 60.000º visitante do Jesus, me chicoteia!, com prova e tudo:

Parabéns, Pedro. Mas procure se conter da próxima vez. Eu, hein…

Se esta afirmação de deus é correta, então podemos dizer que o filme a partir de agora chama-se Cidade do Zé Pequeno? Porque se assim for, o personagem não poderá mais se chamar Zé Pequeno. Deus, talvez. Sei não, acho que este é um daqueles raciocínios cíclicos/vertiginosos/causadores de insônia. Ou só estupidez minha mesmo.
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— Buscapé, irmão do Marreco
— Marreco?
Falecido Marreco…
— HAHAHAHAHAHAHA

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Tá, tá, já parei.