Estou há meses cadastrado na Catho, e sempre procurando vagas de Analista de Suporte, Administrador de Redes, essas coisas. Pois bem. Hoje (depois de ficar duas horas rolando na cama sem conseguir dormir) resolvi entrar lá e começar a mandar currículos para vagas de Redator, Revisor, Jornalista, o diabo a quatro. Junto com o currículo, envio a seguinte carta de apresentação:

Caros senhores,
Como podem ver, meu CV não guarda qualquer relação com a vaga para a qual resolvi aplicar-me. O caso é que, tendo trabalhado dez anos na área de informática (em desenvolvimento e suporte técnico, principalmente), resolvi que é hora de mudar. Como cursei dois anos da faculdade de Jornalismo, achei por bem lustrar minha cara-de-pau e apresentar-me para a vaga. Tenho boa redação, como os senhores podem verificar nos sites http://baldedegelo.blogspot.com (que será publicado como livro em breve) e http://www.jesusmechicoteia.com.br (não se assustem com o nome, não morde).
Sendo assim, apresento-me como candidato à vaga, esperando que alguém seja visionário (ou maluco) o suficiente para me contratar.
Atenciosamente
Marco Aurélio Gois dos Santos

Sim, estou desesperado. E não tenho vergonha na cara. Acho que são duas boas características num ser humano. Ou mesmo em mim.

— Eu quero mudar de área.
Esse é meu mantra há anos. Trabalhando há mais de dez anos com esse negócio de informática (quase sempre com suporte técnico), sinto-me permanentemente de saco cheio. Procuro emprego sem muito empenho porque sei muito bem qual é a verdade: eu não quero mais trabalhar com isso. Não quero! É chato, é um mercado saturado, você tem que conviver com pessoas maçantes e falar sobre assuntos soníferos. Um saco, meu Deus, um saco!
Só que aí há a pergunta: como é que se muda de área? Não, não, outra mais básica: mudar para QUAL área? Eu sei que tenho que abandonar essa vida de “Você tirou o disquete do drive?” ou “A impressora está ligada?”, mas e depois? Alguém aí sabe fazer teste vocacional? Sinto-me um adolescente. O que eu faço da minha vida???

As respostas “Vai escrever” e “Vai dar a bunda” serão ignoradas. Sou moço de família, estão pensando o quê?

Putz, o Pelezinho engessou o pé e está de molho desde terça-feira. O médico disse que ele terá que ficar em casa durante 15 dias. Diz ele que não, que vai ficar só uma semana, mas se esse moleque me aparecer no escritório semana que vem, quebro-lhe a cara. Mas deve ser foda pra alguém que gosta tanto de trabalhar ficar bundando…

Pelezinho, um brasileiro

Fui conseguir dormir eram quase três da manhã. Acordei às seis. “Pelo menos vou dormir um pouco no fretado”, pensei. Pobre de mim: O ônibus de sempre quebrou, então vim numa carroça sem cortinas, aquela claridade batendo na cara. Mas acho que até conseguiria dormir se não fosse um fato bizarro: O cara sentado à minha frente tinha dois remoinhos atrás da cabeça. Imaginem só: Duas áreas circulares vazias, com um tufo de cabelo no meio de cada uma. Pareciam dois olhos arregalado me encarando o tempo todo! Sabe aquelas borboletas que têm desenho de olhos nas asas, o que afasta os predadores? Acho que esse cara vem de uma longa linhagem de homens que eram pêgos por trás, então a espécie acabou desenvolvendo essa defesa. Meda! Dormir? Sei lá, acho que só sábado.