Olha aí: Alê Félix, nossa editora, vai sortear livros entre aqueles que divulgarem o lançamento do Balde de Gelo em seus blogs. Para saber como participar, leia lá o último post.
Categoria: Leituras
Mais Balde de Gelo
Vocês já devem ter reparado: ali na barra da direita, sob o título “Missão”, estão os bannerzinhos de divulgação do lançamento do Balde de Gelo. Sapequem em seus blogs, sites e outros cybermuquifos. Obrigado!
Lançamentos blogueiros – 2004
Quando Alexandre Soares Silva escreveu que os melhores autores contemporâneos escreviam em blogs por aí, achei que fosse exagero dele. Com tantos livros de blogueiros lançados ultimamente, no entanto, sinto-me forçado a concordar com ele. Já escrevi sobre Morte e Vida Celestina, do próprio Alexandre, dias depois do lançamento, mas deixei de falar do que foi lançado de março para cá. Então lá vamos nós, que tem livro pra todos os gostos. Para comprá-los, cliquem nas capas:
Primavera Eterna – Paula Foschia
Logo que conheci Paula Foschia, há cerca de dois anos, ela me enviou alguns textos seus para que eu lesse. Li e os achei bons, mais nada. Não vi nada de errado, também não me empolguei. Em abril do ano passado, estando de bobeira no Rio, fui convocado à sua casa para participar da leitura de uma peça que havia escrito. Fiquei surpreso ao constatar o salto de qualidade no texto da mulher: estava mais ágil, mais engraçado, mais rico.
Nada poderia me preparar, porém, para esse Primavera Eterna. O que se vê nesse primeiro romance da Paula é uma escritora que anda a passos largos na direção da maturidade, sem com isso se tornar chata ou pretensiosa: o texto continua leve e ágil, mas há uma certa melancolia contornando todo o desenvolver da história. O enredo é simples: mulher bem sucedida viaja a Nova Iorque para reencontrar o homem pelo qual se apaixonou quando ambos eram pouco mais do que crianças. Uma história assim, que em mãos menos preparadas descambaria facilmente para o clichê e o sentimentalismo barato, sob os cuidados de Paula Foschia torna-se uma história atraente. Literatura de mulherzinha? Talvez. Mas o livro é tão bom que pega pelo colarinho até um macho bruto feito eu (sem risos! sem risos!): grudei na primeira página e não larguei o livro até de madrugada, quando o terminei (e triste por já haver acabado). Primor de texto, essa menina vai longe.
Transpiauí: uma peregrinação proctológica – Wagner Martins (Mr. Manson)
O lançamento do primeiro livro do irresponsável pelo Cocadaboa gerou um certo rebuliço. O autor foi acusado de preconceito, racismo, nazismo, o diabo. Eu, com minha longa ascendência nordestina, precisava conferir. Fui, portanto, ao lançamento, e finalmente conheci o temível Wagner Martins. Temível? Fama besta: Mr. Manson é um rapaz tão meigo e doce que beira a veadagem. Enfim, o cu é dele. Falemos do livro.
Transpiauí é um diabo de um livro que só faz a gente passar vergonha. Lendo no metrô, ria sozinho. Andando na rua, lembrava de uma piada e ria sozinho. Já tenho fama de maluco, e Mr. Manson colaborou para que ela aumentasse. Preconceito? Nazismo? Balela! Se o Governo do Estado do Piauí tivesse um mínimo de visão estratégica, distribuiria o livro como material de fomento ao turismo. Depois de lê-lo eu fui tomado por uma vontade besta de seguir os passos do autor e me embrenhar pelo sertão piauiense. Há um pecado apenas: às vezes o ritmo é quebrado por parênteses imensos que o autor abre para contar suas batalhas e desventuras no comando do Cocadaboa. Só isso. No mais é um livro engraçado, com ótimas piadas e, pasmem, seguidas demonstrações de carinho pelo povo feio e pobre do Piauí.
Wunderblogs.Com – Uma caralhada de autores
Capitaneados por seu webmaster Marcelo De Polli, o maior escritor do Brasil (tem mais de dois metros de altura, dá medo), os wunderbloggers são provavelmente os sujeitos mais discutidos dessa coisa medonha chamada blogosfera: são direitistas, conservadores, carolas, arrogantes, enrustidos, nojentos, vesgos. Ah, já se disse muito sobre eles. Mas o óbvio é: escrevem bem. Alguns escrevem bem demais, e tiram o sono de escritores medíocres como eu. Ah, a inveja…
Ler o livro Wunderblogs.Com serve bem ao propósito de conhecer esses sujeitos e saber a que vêm. Cada um deles fez um apanhado de seus melhores posts para o livro. O resultado é uma sopa de letrinhas (olha o clichê! Credo!) bem interessante. Eu já conhecia bem os escritos de Alexandre Soares Silva e Ruy Goiaba. Lendo o livro, selecionei outros que me agradaram também (mais gente para me causar inveja), e os botei ali nos Profetas. Mas enfim, os caras são direitistas? Creio que grande parte deles. Conservadores? Também. Carolas? Sei não, sei não… Alguns deles são mesmo bem religiosos, outros nem tocam no assunto. E o FDR é mais ateu e libertário do que eu, além de parecer o Pedro Cardoso.
Sugestão: leia o livro. São tantos estilos diferentes que é impossível que você não goste de pelo menos dois ou três. Eu gostei de quase todos, e incluí nos meus links aqueles que me fizeram passar mais raiva. Como escrevem bem, os desgraçados!
Vida de Gato – Clarah Averbuck
Li o primeiro rascunho de Vida de Gato antes mesmo do lançamento do primeiro romance da Clarah, Máquina de Pinball. É complicado falar dela: de todos os listados, ela é, ao lado da Paula, a mais próxima a mim. Bom, ninguém é neutro quando se trata de Clarah Averbuck, e isso fica bem claro na comunidade do Orkut dedicada a ela: uns a amam demais, outros espumam de ódio só de ler seu nome. Crítica sensata? Difícil. Talvez seja necessário ser amigo da Clarah para entender bem o que ela quer fazer e dizer. E como ela me autorizou, dizendo na dedicatória do primeiro livro que eu seria um dos poucos a entender, dou meu pitaco.
Lady Averbuck se diz fiel a sua Santíssima Trindade: John Fante, Charles Bukowski e Paulo Leminski. Ela é mesmo. Máquina de Pinball tinha óbvia influência de Bukowski. O novo romance fica mais próximo de Fante, com seu lirismo meio acanhado. Clarah compensa certas deficiências narrativas (ela mesma me confessou certa vez que precisava aprender a contar histórias direito) com um talento nato para sugerir ambientes, criar atmosferas. Com duas ou três pinceladas o leitor já sabe exatamente onde está, que tipo de gente está em volta, qual o sabor da bebida e dos salgadinhos servidos, tudo. Eu bem queria saber fazer isso. Clarah escreve como canta: com paixão extrema, mas sabendo exatamente o que faz. Nego pensa que aquilo são linhas jogadas no papel, numa espécie de êxtase religioso. É nada: poucas pessoas que conheço são tão racionais quanto Clarah Averbuck, e ela sabe muito bem como usar essa racionalidade para criar o efeito que bem entender.
Ah, e o livro tem um dos meus trechos favoritos de toda a história da literatura ocidental: “Entramos no carro. Jesus, me chicoteia.”. Não é lindo?
Todas as Festas Felizes Demais – Fabio Danesi Rossi
Comecei a ler o blog do FDR depois de ler sua seleção de textos para o Wunderblogs.Com e sentir muita raiva: quem esse Pedro Cardoso cover pensa que é para escrever assim, melhor que todo mundo? Então quando saiu esse seu livro de contos, tratei de comprá-lo logo para passar mais raiva ainda.
Fabrício Carpinejar mata a charada já na orelha do livro: o que Fabio Danesi Rossi faz é uma mescla de conto e crônica, em textos que talvez possamos chamar de côntricos. Podemos? Então. Li todos os côntricos do FDR numa tarde de sol encarapitado no morrão. Eu precisava trabalhar, estava só passando minha hora de almoço, mas e tinha jeito? A cada história que eu terminava de ler, pensava “Vou ler a próxima e depois volto ao trabalho”. E assim cheguei ao fim do livro. Eis o grande problema de Todas as Festas Felizes Demais: suas 95 páginas não bastam para saciar o leitor. Danesi Rossi é um traficante que dá ao leitor uma quantidade pequena de seu entorpecente, só para viciá-lo, e depois o deixa na mão. Ô, FDR. Espero que o próximo tenha pelo menos umas seiscentas páginas. Isso foi sacanagem sua.
De resto, nada a acrescentar: há os surpreendentes textos superconcisos (como um chamado All you need is love, que consiste apenas nas frases: “Eu me amo. O diabo é que não sou correspondido”), um ou dois contos não têm nada de especial, quase todos são bons ou ótimos, e uns três são excepcionais, coisa de Fernando Sabino ou Rubem Braga. Aliás, aqui na minha biblioteca o Todas as Festas está justamente ao lado dos livros de Sabino. Acho que o FDR vai gostar de saber dessa boa vizinhança.
Balde de Gelo
Olá, crianças. Tudo corrido por aqui, mas eu precisava falar sobre isso com vocês: a revisão está pronta, orelhas também, as capas (sim, são duas) idem. Então a Ale resolveu criar uma comunidade no Orkut para os fãs do Balde de Gelo. Lá teremos uma fonte de informações em primeira mão sobre a publicação, datas de lançamento, essas coisas. Ah, e lá vocês poderão conhecer uma das capas do livro também. Entrem, entrem.
Poema sem título
O que há em mim é sobretudo cansaço –
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, êle mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amôres intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas tôdas –
Essas e o que falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Êste cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada –
Três tipos de idealistas, e eu nenhum dêles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…
E o resultado?
Para êles a vida vivida ou sonhada,
Para êles o sonho sonhado ou vivido,
Para êles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço…
(Álvaro de Campos)
Lançamento amanhã HOJE

(Haddock Lobo, 141. Mapa aqui, fica pertinho da Paulista, dá pra ir de metrô)
Eu estarei lá, é claro, e espero que vocês também. Venham, senhoras e senhores, não percam a oportunidade de ver e tocar Paulo Polzonoff, o basilisco de Curitiba.
TODO MUNDO LÁ!
Rondó do Capitão
Bão Balalão
Senhor capitão
Tirai este peso
Do meu coração
Não é de tristeza
Não é de aflição
É só de esperança
Senhor capitão
A leve esperança
Aérea esperança…
Aérea, pois não!
Peso mais pesado
Não existe não
Ai, livrai-me dele
Senhor capitão.
(Manuel Bandeira)
É HOJE!
Meus livros
Quando aprendi a ler, aos cinco anos de idade, dois livros me fascinaram logo de cara: um tinha capa preta com o título, “Bíblia Sagrada”, em letras douradas. Na primeira página, uma dedicatória:
Marco Aurélio,
Leia e será abençoado.
Lindauro
Levei a sério a dedicatória do meu pai e comecei a ler. Gostava da leitura, me empolgava com as histórias, achava algumas cenas hilariantes e não entendia como é que tanta gente dizia que era um livro complicado. De jeito nenhum! Tinha um monte de palavras novas, é verdade, mas para isso eu tinha o meu outro livro. Um livro que me chamou a atenção logo que eu consegui ler seu título na lombada enorme: Dicionário Aurélio. Eu não sabia quem era o tal de Dicionário, mas logo simpatizei com ele por também chamar-se Aurélio. Meu pai me explicou para que servia e como funcionava, e eu quase endoidei: então era só abrir aquele livrão e pronto, eu saberia o significado de qualquer palavra? Magnífico!, como diria o Compadre Washington.
Eu lia a Bíblia com gosto, e quando me deparava com monstrengos como aleivosia, opróbrio ou concupiscência, corria para o livro que tinha meu nome e descobria o sentido de todas elas. Era um mundo novo de personagens maravilhosos, histórias fantásticas e palavras belíssimas.
E vejam só no que deu…


