O post sobre o mau humor feminino rendeu muitos comentários. Dentre eles, destaco uma frase de minha querida Una: “Homem não gosta muito de mulher que pensa”. Tem razão, Una. E vou mais longe: Os homens são tão burros, mas tão burros, que não sabem apreciar nas mulheres qualquer qualidade que não seja física: Têm medo de mulheres inteligentes, dizendo que são prepotentes, fogem de mulheres bem humoradas, alegando que são debochadas, se escondem de mulheres que gostam de sexo, pensando que são putas. Porque os homens são tão burros, ranzinzas e entendem tão pouco de sexo, que precisam de mulheres bem apagadinhas ao seu lado, para que seu brilho doentio apareça. Mulher com luz própria? Nem pensar! Quem vai pagar a conta?
* * *Meus caros leitores, não se ofendam. Não estou dizendo que vocês sejam nada disso, é só uma generalização. Sabe como é, fazer mulher entender as coisas é uma dificuldade, tem que ser assim, mastigadinho…
(Porra, como eu sou filho da puta…)

Repararam que eu tirei o bannerzinho do Lula ali da barra lateral? Então. Como vocês sabem, estou fazendo curso desde a semana passada, o último de uma série que parecia interminável. O instituto que oferece os tais cursos fica na Avenida Paulista, cartão postal de São Paulo na falta de paisagem melhor. Pois muito bem: A Paulista está imunda.

— A Paulista É imunda, Chicoteia!
Calaboca. Não falo do lixo que meus irmãos paulistanos jogam na rua, nem do saudável monóxido de carbono que respiramos. A nova sujeira, a mais ultrajante, vem da propaganda eleitoral: os postes da cidade inteira, e principalmente da Paulista, estão totalmente vestidos com cartazes e flâmulas de plástico-entope-bueiro. A cada dia, conforme o 6 de outubro se aproxima, a cidade fica mais suja: Postes, pontes, viadutos, muros, árvores, tudo serve na hora de pendurar o nome e o número do porcalhão filho da puta. E nisso todos são iguais mesmo: petistas, tucanos, peemedebistas, malufistas, comunistas, contra-burguês-vote-dezesseisistas, liberais, e até os verdes, que em tese deveriam proteger o meio-ambiente e aquela balela toda.
E depois das eleições, será que os comitês de cada candidato sairão às ruas para recolher a sujeira que fizeram? Claro que não: essa limpeza ficará a cargo dos garis da prefeitura, que já têm trabalho mais do que suficiente nessa cidade imunda. Isso sem contar que uma chuva como a da última sexta-feira se encarrega de parte do trabalho, arrastando essa sujeira toda para os bueiros. “Ah, não sei porque tem tanta enchente em São Paulo”.
Malditos candidatos. Maldita campanha eleitoral. Eu não sou porco. Meu pai me ensinou a nunca jogar lixo na rua e a dar bronca em quem o faz, e eu costumo seguir os ensinamentos do velho. Então no dia 6 de outubro, farei questão de ir até minha seção eleitoral para apertar 6 vezes BRANCO + CONFIRMA.

Gostei muito de Sinais. Gostei mesmo. Mas não me empolguei. Ando meio exigente para filmes depois de ter visto Cidade de Deus. Isso já aconteceu outras vezes, depois de assistir Matrix, Clube da Luta, Um Plano Simples, A Trapaça. Mas dessa vez tá demorando pra passar. Acho que serei incapaz de gostar mesmo de qualquer filme nos próximos meses.
Hein? Você ainda não viu Cidade de Deus? Ah, deixa de ser cabaço!

Fui assistir Sinais, do M. Night Shyamalan. “Ah, mas tem o Mel Gibson, o Joaquin Phoenix, porra!”. Não importa: O cara faz filmes em que o menos importante é o elenco. Só esse indiano consegue fazer o público ter medo de uma porta, de um copo, de uma laranja, apenas pela forma como utiliza as câmeras, botando em primeiro plano o que teoricamente deveria estar lá no fundo da cena, ou nem aparecer.

Sinais, assim como Sexto Sentido e Corpo Fechado, traz como tema central a fé. Neste filme, o personagem principal é um reverendo que abandonou a batina após a morte da esposa. E aí entram os círculos nas plantações e os ETs. Sinais tem uma boa dose de humor, talvez para compensar os sustos de fazer o coração rodopiar no peito. Assistam, é uma merda falar sobre filmes, eu sempre acabo contando o final.

* * *

Certas cenas do filme têm um significado muito forte para mim. Uma é quando o personagem de Mel Gibson, reagindo com agressividade à sugestão do filho de rezarem antes de jantar, diz que não vai desperdiçar nem mais um minuto de sua vida com orações. Mais tarde, frente a uma possibilidade de tragédia, ele repete “Eu o odeio” várias vezes, claramente dirigindo-se a deus. Muito foda, como são universais certas coisas que achamos tão particulares.

E fica assim: Se acontecer comigo o que acontece ao Mel Gibson no filme, eu não só volto a acreditar em deus, como ainda viro pastor.

Porra, faz um tempão que eu não falo de Casa dos Artistas, né? É que eu estava sem assistir. Hoje o curso terminou mais cedo e consegui ver um pedaço. E peguei a Ellen Roche dizendo uma coisa linda pro Rafael Vanusa, com a maior cara de conteúdo desse mundo: “Uma coisa que eu aprendi com a Suzana, Rafa: Quanto mais você mexe numa coisa pequena, mais ela cresce”. Sabemos disso, Ellen, sabemos disso.
O legal de uma mulher como a Ellen Roche é que ela fala uma besteira desse tamanho e a gente pensa, “Bah, que porta!”. Aí no final do programa mostram ela ajeitando a calcinha e pronto: Está redimida.