FOLHA – Houve um retrocesso no humor brasileiro com relação aos anos da ditadura?
JAGUAR – Sim. Essa coisa de não poder chamar crioulo de crioulo, por exemplo. Fui casado dez anos com uma crioula. Não é pejorativo. Não vou começar a dizer que casei com uma afro-descendente. É uma hipocrisia.
Mas a maioria dos humoristas hoje é muito certinha. Criou-se um limite e, se a gente passa um pouco, leva pito. Eu não levo mais porque sou velho e sou o Jaguar. Aí as pessoas dizem: “Ah, é o Jaguar, deixa ele”.
Daqui.
Categoria: Críticas
Parceria inovadora
O Google e o iG anunciaram hoje uma parceria de colaboração tecnológica. Levando-se em conta isso e isso, só posso chegar a uma conclusão: acabou a era da internet. Chegamos finalmente ao ápice da história da humanidade, a era do fax.
Maldito fax!
Vocês sabem do meu ódio por essa ferramenta obsoleta chamada fax. É um equipamento típico de empresas de outrora, d’antanho, do tempo do onça. Pois imaginem minha surpresa ao receber um e-mail do Google dizendo que vai haver uma mudança na forma de pagamento de seu programa de anúncios, e que eu deveria enviar informações bancárias por fax.
FAX!
O GOOGLE!
Então pensem comigo: se a empresa que quer dominar o mundo, que tem como um de seus vice-presidentes o tiozinho surdo conhecido como pai da Internet, prefere que seus parceiros enviem informações por FAX, eu começo a repensar seriamente meus conceitos. Se o Google não confia na Internet, por que eu vou confiar?
Seguinte: este blog está morto. A partir de hoje, datilografo meus posts e mando pra vocês. Por fax, claro.
Ganhei!
Lembram-se do furdunço com o iG e o Santander? Aquele negócio de mandar fax e ser mal atendido? Então: resolvido. A reclamação que eu registrei contra o Santander no site do Banco Central deu resultado. Esta semana o banco depositou o dinheiro na minha conta, um valor muito maior do que eu esperava.
Minha irmã trabalha no iG, meu irmão trabalha no Santander, e eu sou editor de um site chamado Consumidor Moderno (em breve com nova cara). Pois não fui aporrinhar meus irmãos nem dei carteirada de jornalista em ninguém. Resolvi tudo pelos meios convencionais.
Imaginem se, por exemplo, eu tivesse pedido uma forcinha pro meu irmão. Todo correntista do banco que eu conheço ia querer encher o saco do moleque. Ou que eu publicasse uma reclamação no site ou na revista Consumidor Moderno? Todo mundo ia querer que EU resolvesse suas pendengas por aí.
Então, o que aprendemos hoje, crianças? Aprendemos que problemas podem ser resolvidos sem precisar de jeitinho nem forcinha. É assim que se constrói um país sério.
Por hoje é só. Até a próxima lição.
Desenterrando os caloteiros
Todos os dias surge na lista de de espera por aprovação algum comentário feito num post antigo. Até aí, nada demais: nego chega aqui pelo Google, cai de pára-quedas numa página arquivada qualquer, aproveita e sapeca lá seu comentário. No caso em questão, no entanto, me chamaram a atenção dois detalhes. O primeiro é que se tratava do post Caloteiros do quê?, publicado em maio de 2002, em que eu protestava contra uma matéria da revista Época. O comentário atrasado, provável fruto de uma reportagem da Veja desta semana em que são desfiadas todas as pilantragens do pio casal:
farizeu naoo!! haha juzinha
O segundo detalhe é que esse post, jogado no limbo há tantos anos, tem recebido comentários esporádicos, provavelmente de gente que procura os tais servos de Deu$ no outro Deus. É engraçado notar a polarização do troço: ou são os seguidores do apóstata apóstolo e da besta bispa, babando-se de amor zeloso por seus líderes, feito ovelhas hidrófobas, ou são anti-evangélicos raivosos, com os olhos injetados de sangue e a boca pingando veneno.
Nenhum dos lados domina o idioma pátrio, é claro.
Enfiem o diploma no cu
Jornalista é uma raça do inferno. Nos bastidores, muitos coleguinhas queridos torcem o nariz diante do fato de eu ser editor de dois sites (em breve reformulados) sem ter diploma de jornalismo nem de qualquer outra coisa. Tempos atrás, um sujeito até comentou no Pérolas que eu ficava “pagando de jornalista gatinho” nas coletivas de imprensa. Confesso que cheguei a me incomodar com isso, tanto que até me esforcei ao máximo para passar no processo seletivo da Uninove (com o Bernardinho fungando no meu cangote).
E eis que hoje, por acaso, descubro que Ricardo Feltrin, editor-chefe da Folha Online, não é formado em jornalismo nem em nada. Assim como eu, começou várias faculdades e não concluiu nenhuma.
Então eu digo: se ele pode, eu posso. Foda-se o corporativismo besta dos jornalistas que se acham sacerdotes. Vou lá fazer a tal faculdade só porque eu sei que os idiotas sempre vencem, e que mais cedo ou mais tarde algum deles vai pular na minha frente exigindo o documento. Que será apresentado depois que eu limpar a bunda com ele (o diploma, não o idiota).
Offshoring pra boi dormir
“Estamos no mesmo fuso horário que os americanos”. Esse, vejam que coisa triste, é o principal argumento dos executivos brasileiros para a crença na transformação do país num grande centro global de offshore, especialmente para desenvolvimento de software. Explico: empresas de países desenvolvidos perceberam que o processo de criação de programas de computador poderia ser desmembrado, e a parte mais chata do trabalho feita por profissionais cuja hora de trabalho custa muito menos do que na sede dessas empresas. Índia e China despontaram como potências do offshoring. Como esses dois países ficam do outro lado do mundo, os brasileiros se saíram com essa: estamos aqui do lado, mesmo fuso, é só ligar e nós atendemos. Pergunte a um desses executivos por que, então, o país não abocanha sua fatia desse mercado. Xi, é uma choradeira danada: é o governo que não apóia, é a carga tributária, são os encargos trabalhistas, são os gringos que não confiam na gente, é Deus que se esqueceu de suas origens e virou americano.
Nunca entendi esse negócio do fuso horário. Porque, vejam, o processo de desenvolvimento de software envolve várias etapas. Na parte de desenvolvimento propriamente dito, podemos citar programação, testes e homologação. Ora, suponha que um certo módulo de um novo software requeira 8 horas de programação, 4 de testes e 4 de homologação. Terceirizando a programação para a Índia ou China, o serviço será feito enquanto é dia por lá, enquanto os americanos dormem. Quando eles acordam e vão trabalhar, já têm código pronto esperando por eles e pelos testes e homologação. O fuso horário oposto é, portanto, uma vantagem: terceirizando esse serviço para o Brasil, por exemplo, testes e homologação seriam feitos em dias alternados, já que seria necessário esperar o trabalho dos brasileiros.
É tão óbvio que desconfio da sinceridade de quem cita o fuso horário como grande vantagem competitiva. Será que esses caras estão querendo é corte de impostos e informalização das relações de trabalho? Se for isso, estou com eles. Desconfio, porém, que há mais que isso. Acho que nego está querendo é um dinheirim do governo. Os cineastas podem, por que não os empresários de TI, não é mesmo?
Ah, jornalistas!
Meu parente Ancelmo Gois escreveu ontem em sua coluna no Globo:
João Gilberto, 75 anos, gênio da MPB, acaba de saber que é pai de uma menina de dois anos e meio, fruto de uma relação com uma fã carioca.
O mestre já tem uma filha famosa, a cantora Bebel Gilberto, com Miúcha
Relevo esse lance de chamar de “gênio da MPB” um cara cuja carreira já estava mais do que consolidada quando a sigla surgiu. De resto, a nota do Ancelmo está certinha. Notem que ele diz que João tem uma filha famosa. Então a Folha, triste e furada, dá sua versão hoje:
Eu sempre soube que Bebel não era a única filha de João. Ou será que João Marcelo morreu e eu não fiquei sabendo? Ou pior: será que só conta filho famoso? Eita preula. Eita preguiça de conferir uma informaçãozinha que seja. Eita raça.
Trama
Fui honrado com um convite da Tatiana Dias para participar da série Autopublicação na prática do projeto Trama Universitário. Minha participação está aqui. Trecho:
Você acha que o ambiente universitário ajuda a formar o espírito crítico? Como foi com você?
Eu acho que atrapalha muito. Faculdade é um encolhedor de cérebros, um nivelador por baixo. Nas duas faculdades que tentei fazer me senti emburrecer. Vou para uma terceira agora, mas com o firme propósito de ficar calado até o final, pagando em dia para pegar meu diploma logo. Pelo menos garanto o direito a cela especial.
Quero ser português!
Chega. Cansei dos brasileiros sendo insuportavelmente constrangedores no orkut, nos fotologs, nos blogs. Cansei do dialeto internetês, das miguxas, desse povo que está sempre di bowa. Chega, chega! Sinto-me como um personagem de Invasores de Corpos, ou de Eles Vivem: parte de uma minoria que vê seres alienígenas tomarem conta do mundo. Eles são muitos, e eu desisto. Quero asilo cultural em Portugal. Ah, os blogs portugueses! Ah, o idioma bem escrito, a fina ironia, a vasta cultura dos portugueses!
Pensando nisso tudo, criei uma comunidade no orkut para reunir outros que pensem como eu. Vamos nos organizar e migrar em massa para Portugal. E os portugueses não precisam se preocupar: somos pouquíssimos, não causaremos explosão demográfica em vossa terra.
Estamos cercados. Vamos, pois, antes que seja tarde.
