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Eu sempre odiei aquela banheira sobre rodas impulsionada pelo hálito de Belzebu que é o Corcel II. Nunca tive nenhum motivo concreto para detestar isso que chamam de carro. Meu pai não teve uma carroça dessas, nem fui atropelado por uma delas quando criança. Meu contato mais próximo com a banheira foi uma vez em que eu, meu irmão, Risadinha e Zezinho pegamos carona num Corcel II. Eu estava resfriado, o banco do motorista estava rasgado e o Zezinho aproveitou para estofar o banco com toneladas de lenços de papel ranhentos. Nenhum motivo aí para odiar o carro, só para achá-lo ridículo — o que é inevitável.
O filme é tão bom que fez minha marida voltar a escrever no blog depois de 8 meses. Vão ver!
Passou a Vanusa, passou o Sete de Setembro, inevitável ficar com o Hino Nacional na cabeça. Aí lembrei de quando cantava o hino na escola.
As crianças ainda cantam o Hino Nacional na escola? Quando eu era moleque, tinha que cantar. E todo ano a professora explicava que era “braço forte” e não “braços fortes”, que era “sonho intenso” na primeira parte e “amor eterno” na segunda (porque, dizia ela, primeiro a gente sonha e depois a gente ama). Era uma chateação, todo mundo cantava desanimado e as explicações adiantavam nada: saía “braços fortes” mesmo, “amonho interno”, um horror.
Isso começou a mudar acho que em 1986, 87, por aí. Era uma escola municipal e lembro que o projeto veio na gestão do Jânio Quadros, que se elegeu prefeito de São Paulo em 85. Era assim: todos os alunos da escola iam se reunir no pátio uma vez por semana para cantar o Hino Nacional. Bom, talvez não fossem toooooodos os alunos. Acho que eram todos os alunos de cada período, ou de cada série, sei lá. Bom, um monte de aluno no pátio pra cantar o Hino Nacional e — aí vem o truque para tornar o ritual mais atraente — uma música popular escolhida pelos próprios alunos.
Não sei de quem partiu essa idéia, mas funcionou. Passamos umas duas semanas para escolher qual seria a nossa música. Uma briga danada entre as salas, não chegávamos a um acordo. Até que uma alma iluminada sugeriu uma música que foi aprovada por aclamação quase unânime (eu preferia que fosse alguma coisa do Raul Seixas, mas nem falei nada).
E foi assim que, durante alguns meses de 1987 (86?), os alunos da Escola Municipal de Primeiro Grau Amadeu Amaral pegaram gosto pelo Hino Nacional. Toda quarta-feira íamos para o pátio e cantávamos o hino com fervor patriótico. Entã0 chegava o “Pátria amada, Brasil”, os acordes finais, e emendávamos: “Fui num pagode na casa do gago…”
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A música não é do Bezerra da Silva. É de um sujeito chamado Gracia do Salgueiro
Hoje, em piulas:
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