O fato: manquitola conta durante culto no templo da Igreja Universal da avenida Celso Garcia, Zona Leste de São Paulo, que participou de ritual satânico envolvendo sacrifício humano. Pessoas que ouviam o culto pelo rádio acionam a polícia. As otoridade da terra chamam duas otoridade do céu, pastores que participavam da celebração, para prestarem depoimento. Agora a polícia quer ver as imagens do circuito interno de câmeras para tentar identificar a mulher que confessou o crime.
Agora leiam como a notícia foi publicada na Folha Online. É impressão minha ou fica parecendo que aconteceu um ritual satânico durante um culto da Universal?

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Voa, voa, chapeuzinho


Hoje protagonizei um episódio que me levou a concluir que sou Mercúrio, o deus cujo chapéu tinha asas. Ou isso, ou sou um tremendo idiota. Tirem suas próprias conclusões, mas antes devo voltar um pouco no tempo.
Início deste mês, voltando de Paraty, resolvi descansar um pouco numa parada qualquer da estrada. Eis que salta-me aos olhos a monstruosidade que é aquele Frango Assado (a parada rodoviária, não a posição sexual) da Carvalho Pinto (o ex-governador, não o trocadilho). Comi lá uma coxinha, tomei uma coca-cola, um café. Ia saindo e meu olhar foi atraído por uma prateleira que exibia chapéus. Entre os chapéus, uma fileira de boinas pretas, de lã, daquelas tradicionais. Eu sempre quis ter uma boina, então achei que seria um bom memento da viagem empreendida naquela semana. Então foi com alegria que peguei a estrada de volta a São Paulo devidamente alimentado, cafeinado e com um novo adereço de cabeça.
A boina fez sucesso. Minha mãe disse que eu parecia Seu Júlio, meu avô paterno. No trabalho, vários me compararam a seus avós. No geral, todo mundo gostou. Minha sobrinha, ao ver a nova peça do vestuário do tio, insistiu com a mãe para que lhe comprasse um chapéu.
O tempo em São Paulo é essa coisa maluca: começou a fazer calor e a boina passou umas semanas dependurada no puxador do guarda-roupa. Mas eis que hoje acordei, notei que fazia frio e decidi que era um bom dia para ostentar novamente meu visual europeu-retrô, ou qualquer veadagem assim. No trabalho, disseram até que eu estava charmoso, que é o que o feio consegue ser quando é feio de um jeito diferente. Maravilha.
Saio do trabalho, vou para a faculdade. Chego atrasado e sou saudado por alguns gaiatos com assovios relutantes. Eu, então, numa demonstração de maturidade, dou uma requebrada de stripper e lanço a boina no ar (ter assistido The Full Monty no fim-de-semana também não ajudou muito).
Ah, meus amigos, a crueldade do destino! O desgraçado do chapéu traçou uma graciosa curva no ar, e depois, numa folha seca digna do velho Didi, caiu na única fresta aberta na janela. São janelões imensos ocupando toda a lateral da sala, dez metros de janelas, com quinze centímetros de abertura disponível, e obviamente o boné maldito foi cair por lá. Deve ter ouvido o grasnar ancestral, o chamado primevo das boinas selvagens que em agosto migram para os Açores.
Sei que a combinação da situação com a metamorfose ocorrida na minha cara — de cínico stripper a pateta atônito — causou um intervalo de dez minutos na aula. A sala veio abaixo, gente que nem falava comigo começou a me chamar de Boina, a professora quase se suicida, o diabo.
Bom, a boina perdeu-se para sempre; deve estar agora mesmo sobrevoando o Atlântico. Eu perdi o respeito que meus 32 anos me fariam merecer. A professora me odeia e já percebi que, se depender dela, vai ser um longo semestre.
É isso. Só queria compartilhar com vocês mais essa desventura.

Há duas coisas que são cada vez mais difíceis de se encontrar por aí: bons cristãos e amendocrem. Antes das férias mesmo fui ao Extra comprar amendocrem e quem disse que encontrei? Digo mais: desconfio que as pessoas de lá também não eram muito cristãs. Um feeling, sei lá. Mas nem é disso que quero falar. Pulemos para o próximo parágrafo.
Olá. Então. Antigamente os cristãos eram machos pra dedéu. Tão machos, na verdade, que a Cristandade quase morreu por W.O. logo no início, com tantos mártires apedrejados, crucificados, decapitados, devorados pelas feras. O reino deles não era deste mundo, então tanto fazia viver como morrer, já que viveriam eternamente ao lado de Cristo no céu.
O cristianismo resistiu a essa primeira onda de sacrifícios pela fé, mas estes não se esgortaram: pelos séculos seguintes, homens e mulheres pelo mundo todo deram suas vidas pela cruz.
Sabem o que os cristãos de hoje fazem? Pedem coisas. Alguns seguem líderes que afirmam que tudo está à disposição deles. Alguns desses líderes, pasmem!, chegam a dizer que o fiel deve exigir de Deus aquilo que querem, feito criança malcriada no corredor do supermercado. Mesmo aqueles que mantêm distância da tal Teologia da Prosperidade, no entanto, exercem sua fé pedindo coisas.
Claro que esses pedidos não vêm sem oferta de sacrifícios. Várias pessoas com quem convivo estão atualmente cumprindo alguma promessa. Mais da metade prometeu ficar sem comer chocolate por um determinado período. Aposto que Deus lá em cima fica muito impressionado. “Oh, ele vai ficar sem comer chocolate, deixa eu bancar o gênio da lâmpada para o pobrezinho”. Antigamente as pessoas davam suas vidas, ou pelo menos faziam um jejum sério. Agora é esse negócio de ficar um ano sem comer chocolate, seis meses sem beber refrigerante, parar de fumar por uma semana. E eu, que quero logo pagar minha metade do carro e arrumar dinheiro para dar entrada num apartamento, fico pensando em entrar numa barganha dessas com o além. É mole.
Mas então me lembro do caso dos missionários coreanos no Afeganistão. Só pode ser um sinal. Mais tarde vou ao Extra ver se encontro amendocrem.