Eu achava que só o abandono da religião causasse eventuais sentimentos de culpa. Qual o quê! Foi só eu criticar a esquerda para meu passado me condenar em forma de sonho.
Sonhei que tocavam a campainha lá de casa, e era o senador Aloízio Mercadante. Vinha com duas gordonas e vinha pedir ajuda: seu carro enguiçara e ele precisava de uma carona urgente. Eu, bom companheiro que sou, me dispus a ajudar o trio.
Saímos rodando por São Paulo, o senador ao volante, eu no banco do carona e as fofoletes no banco de trás. Sobe rua, desce rua, vira aqui, vira ali, eis que chegamos ao alto de um morro. Ninguém em volta. Nada.
— Desce — ordenou Mercadante, já destituído de sua simpatia costumeira.
Eu obedeci. Ele também desceu e me ofereceu um Toddynho.
— Foi você que chamou o pessoal da USP de vagabundo, né?
A pergunta era retórica. Antes que eu tentasse me justificar, o senador puxou uma arma e ordenou:
— Sai andando.
A idéia dele fazia todo o sentido no sonho: quando achassem meu corpo, diriam, “Coitado, estava caminhando tranqüilamente tomando seu Toddynho, foi vítima de bala perdida”. Revoltado com isso, peguei o canudinho e rabisquei “Foi o PT” em um braço e “Mercadante” no outro. Assim que terminei, ouvi os disparos, senti uma dor nas costas e caí.
Acordei assustado. Quando voltei a dormir, sonhei que o pagodeiro Alexandre Pires tinha gravado uma música de autoria do meu pai. A música falava sobre os males da passagem do tempo. Só lembro de um trecho: “Eu queria ter a palavra unânime / seeeeeeer uma pessoa unânime”.
Acho que esse sonho não teve nada a ver com o anterior.

Eu vinha tentando evitar tocar nesse assunto, mas serei obrigado. Acabo de receber um press release de um site de nome idiota e pedante, Jornalirismo, que “… foi à USP (Universidade de São Paulo) para participar da aula de democracia que os estudantes da universidade estão dando todos os dias”. O comunicado vai mais longe: “Os estudantes ensinam e aprendem a democracia, no ressurgimento do movimento estudantil”.
Pois bem, vejamos: escândalos explodem todos os dias, eminências pardas de nomes dúbios controlam o país dos bastidores, os legisladores federais, estaduais e municipais aumentam seus proventos à vontade, grandes corporações e pequenos pilantras minam o dinheiro dos impostos que nós pagamos. Tudo isso, e o tal movimento estudantil quietinho. Aí alguém resolve fazer alguma coisa certa: o governador José Serra (que foi da UNE nos tempos em que a sigla significava alguma coisa além do esquema de distribuição de carteirinhas de meia entrada) decide que a USP deve prestar contas do dinheiro que recebe (nosso dinheiro). É o que basta: vagabundos que não precisam ralar para pagar uma mensalidade, apoiados por seus professores meia-oito, ocupam o prédio da reitoria universidade. Apenas o fato de invadirem o prédio já demonstra que a universidade tem seus esqueletos no armário. Os estudantes, coitados, com suas pobres cabecinhas cheias de fumaça de cannabis, são massa de manobra de algum corruptozinho acadêmico que anda mandando pro bolso o dinheiro (nosso dinheiro) destinado à universidade. Reclamam que o governador quer dar ênfase à pesquisa acadêmica que seja voltada ao mercado. Oh, que absurdo! Então o careca quer que a universidade se dedique a atividades de pesquisa e desenvolvimento que ajudem a impulsionar o crescimento do país? Que maluquice!
A polícia, dócil, já deu todos os prazos possíveis para que os filhinhos de papai se retirem do prédio. Mas qual! Eles estão se divertindo, é como um acampamento! É brincar de movimento estudantil lutando contra a opressão, só que sem o risco de prisão, tortura ou morte, ou seja, sem opressão nenhuma. Falava sobre isso com Daniela ontem. Ela, que anda muito sem paciência, acha que a polícia devia invadir logo o prédio. E eu, que sempre fui um pacifista, concordo com ela: quero ver a polícia entrando no prédio dando peteleco nessa molecada. Assim eles têm um gostinho do que é a brutalidade do “sistema”, e de quebra guardam uma historinha de “resistência” para contar para os netos.
Vagabundos. Safados.

Não é que eu queira ser implicante, mas que diabo pensam essas mulheres que fazem chapinha nos cabelos? Pensam que ninguém percebe que o cabelo foi alisado a ferro quente? “Mas é escova tailandesa”, dizem. Tudo a mesma coisa: apavorados pela mistura de calor e formol, os fios de cabelo formam fitas de cabelo, exibindo aquela aparência de artificialidade gritante. Dia desses morreu uma por causa dos produtos utilizados. Queria ficar bonita, provavelmente. Podem reparar: mulher que faz chapinha pra “ficar bonita” fica, no máximo, uma baranga de cabelos lisos.
A mulherada vê filmes e fotos dos anos 80 e ri daquelas moças de permanente. Daqui a dez anos, com cabelos artificialmente encrespados, rirão das chapadas de hoje. Vá o diabo entender as mulheres…

Há muito tempo eu alimento esse sentimento de amor e ódio por Caetano Veloso. Nisso não sou nada original: o sentimento causado pela beleza de suas canções em contraste com falas desastrosas aqui e ali acaba causando esse sentimento em muita gente. Já cheguei mesmo a dizer que ele era uma sombra sobre a música brasileira, e que todo artista surgido depois dele se sentia na obrigação de pedir-lhe a bênção. Fiquei incomodado com as incursões de Caetano no universo do Los Hermanos. E então veio o e o Som Brasil da última sexta-feira, na Globo.
Caetano está parecendo o Clodovil, é verdade. Fora isso, exibe vitalidade e energia incomuns para um senhor de 65 anos. Então percebo que não é culpa dele: ele dá um tempo para alguém surgir com algo novo. Como não surge, vem ele mesmo à frente da cena para refrescar o cenário musical de Pindorama. Com o fim do Los Hermanos, esse senhor de cabelos brancos passa a ser o maior expoente do rock nacional.
Todo mundo imita Caetano Veloso, só ele é diferente de si mesmo a cada instante.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=JIqpf0qgCfc&w=425&h=350]

Alegrar-me numa segunda-feira é tarefa das mais difíceis. Agradeço ao autor da mensagem abaixo, que conseguiu esse feito:

só quero dizer algo a vcs q blsfemam contra o único Deus deste mundo, quem vos livrará da ira vindolra, aliás pra vcs não é vindolra é presente, fostes colocado na balança, e eis que fostes achado em falta!!!!
Assim como a palavra garante que não há perdão para aqueles que blsfemam contra o Espirito Santo, eu vos digo, o juízo jaz em vossas vidas, a partir q vcs lêem este recado, a casa de vcs começarão a cair, por que afrontaste ao Deus vivo, bando de incircuncizos, raça de cobras das piores espécies, profetizo sobre vcs, fogo consumador, e vos digo ainda existe um Deus nos céus que tudo vê, e sempre existirá!!!! Não pensas que passará impuni todos os vossos atos e blasfêmia contra a palavra de Deus, eis que o Senhor ferirá a voz com as pragas que feristes o Egito, não sabem, então leiam, e depois de tudo isso, vcs virão a mim, implorando para que cesse este sofrimento sobre todos vcs, pois assim diz o Senhor Deus, de mim não se zomba, a muitos que riem de vossas piadas, mais vcs serão achados por motivo de escárnio, e o que se unirem a vcs, serão exterminados junto de vocês!!!!!
Acreditem, arrepende-se pq virá imediatamente tudo isso sobre vcs.
josé carlos (profeta e servo do Deus altíssimo).

A mensagem de José Carlos aka Profeta do Fogo (assim ele se identifica no campo de remetente) mereceu uma resposta no velho estilo corporativo da casa:

Prezado José Carlos,
As Organizações “Jesus, me chicoteia!” agradecem pelo contato. É para nós razão de muita alegria saber que mesmo pessoas com as mais sérias limitações encontram dentro de si um impulso, aquele algo mais, e conseguem, ao fim e ao cabo, redigir uma missiva como essa. Caso se tratasse da mensagem de uma pessoa normal, seria motivo de chacota por nossa parte. Principalmente pelo “vindolra”, que é impagável — imaginamos que o senhor quis dizer “vindoura” — e por todos os tropeços de concordância, regência, ortografia, pontuação, acentuação etc. Sendo, porém, fruto de um esforço hercúleo por parte de uma mente obnubilada por séria deficiência, temos apenas motivos para louvar tamanho feito.
De resto, nada temos a comentar. Sua mensagem — e imaginamos o quanto lhe custou escrevê-la — consiste apenas de uma colagem de vitupérios do Velho Testamento com ameaças de bicho-papão do Apocalipse. Pois vejamos: o senhor afirma que fomos colocados na balança, e achados em falta. Isso é de Daniel, do banquete do rei Belsazar, a mãozinha escrevendo na parede e coisa e tal. Eu (Marco Aurélio, único autor do blog; não sei de onde vocês, fundamentalistas, tiraram a idéia de que sou uma legião de demônios) estou atualmente beirando os 110 quilos. Se eu fui ou não colocado na balança é algo a se questionar, mas de forma alguma serei achado em falta. Em sobra, certamente.
A seguir, o senhor diz que minha casa (esqueçamos os plurais) vai começar a cair a partir de agora. Gostaria de mais detalhes: vai começar por onde? Que cômodo ruirá primeiro? Assim dou um jeito de ir botando umas escoras aqui e ali. Casa é coisa séria; obrigado pelo aviso.
Que mais? Ah, o senhor me chama de incircunciso. De fato, a pele de meu prepúcio nunca foi cortada. O que me intriga é: como o senhor sabe com tanta certeza desse detalhe de minha anatomia? Andou me espiando no banho, foi? Safadão! E depois ainda fala em cobra, o que é muita bondade sua. Nesse frio fica mais pra minhoca mesmo.
E então o senhor diz que virão sobre mim as pragas do Egito. Pergunto: na mesma ordem em que vieram então? É importantíssimo que eu saiba disso. Se for na mesma ordem, vou começar a estocar coca-cola desde já. Assim, quando as águas se tornarem sangue eu nem vou dar bola. Obrigado por mais esse aviso, prezado amigo.
O resto de sua mensagem é bastante obscuro. Não entendo se quem fala é o senhor ou é Javé. “De mim não se zomba”, o senhor diz. Se está falando de si mesmo, desculpe, é tarde demais. Se é de Deus que fala, idem.
Agradecemos (note!) mais uma vez pelo contato e pelos momentos de diversão.
Marco Aurélio Gois dos Santos
CEO – Jesus, me chicoteia!

(II Reis 2)
De todos os homens escolhidos por Javé para transmitir sua mensagem, nenhum sofreu tanto quanto Elias. Isolado no papel de representante da tradicional religião israelita, execrado pelas autoridades de seu país, vivendo seminu no deserto, o mal humorado profeta tinha sua fé provada a cada dia. Era tão difícil sua vida, na verdade, que Javé resolveu lhe conceder um plano de aposentadoria inédito. Antes, porém, Elias precisava enfrentar um outro problema: Eliseu.
Não que Eliseu fosse ruim. Escolhido por Deus como sucessor de Elias, o rapaz até que era bem intencionado, atencioso, esforçado, enfim, todos esses adjetivos que formam um chato perfeito. Interessado em aprender, vivia fazendo perguntas. “Seu Elias, é verdade que o senhor ressuscitou um menino?”, “Seu Elias, é verdade que os corvos te deram comida?”, “Seu Elias, o senhor não poderia pelo menos arranjar uma cueca?”. A todas essas, Elias só respondia com um “Humpf” ou um “Vai dar, moleque”. Nem assim Eliseu diminuía sua veneração pelo chefe. Talvez fosse pelas grandes diferenças entre os dois: ranzinza e seguro de si, o velho profeta tinha sempre uma gota de ácido na ponta da língua, que não perdoava ninguém. Eliseu, por outro lado, era retraído e inseguro, titubeava ao falar e vivia gaguejando desculpas. Às vezes, quando provocado até seu limite, se encolhia, cerrava os punhos. Em casos extremos, e principalmente quando mencionavam sua calvície precoce, murmurava um “Deus te foda”. A isso se limitavam suas reações.
Agora Elias precisava de sossego para sair de cena, mas Eliseu teimava em ficar ao seu lado. No caminho para Gilgal, o profeta exasperou-se com a presença de seu auxiliar.
— Vai dar, moleque.
— Não adianta, seu Elias. Eu prometi ficar ao seu lado, e vou ficar ao seu lado até o fim.
— Fica aqui, diabo! Javé me mandou ir até Betel. Ele disse assim: “Elias, vá até Betel”. Você ouviu ele dizer “Eliseu, vá até Betel”?
— Não senhor.
— Então.
— Mas subentende-se.
— Cê vai deixar desse negócio de subentender as coisas quando eu te der uma muquetada na orelha, moleque! Me larga!
— De jeito nenhum!
Elias fechou a cara e continuou a caminhar; e sempre com Eliseu em seu encalço. Quando chegaram a Betel, uns profetas que ali moravam chamaram o ajudante para uma conversa particular.
— Ô, carequinha.
— Deus te foda.
— Que foi?
— Nada.
— Olha aqui. Você sabe que Javé vai levar seu chefe hoje, não sabe?
— Sei sim.
— Então por que você não deixa de ser chato e larga o cara?
— Me deixem!
— Que que você está arrumando confusão aí, Eliseu.
— Nada não, Seu Elias. É que eles disseram que Javé vai…
— Bom, foda-se. Deus me enviou a Jericó. Me espera aqui que eu já volto.
— Ah, de jeito nenhum! Aonde o senhor for eu vou.
— Porra, moleque, tu é minha nega agora?
— …
— Tá, tá. Vamos logo.
Quando os dois chegaram a Jericó, a mesma cena se repetiu: outro grupo de profetas lembrou a Eliseu do que estava para acontecer a seu mestre, Elias disse que teria que ir a outro lugar (agora o rio Jordão), Eliseu insistiu em acompanhá-lo. Saindo da cidade, os dois foram seguidos por cinqüenta profetas. Quando chegaram à beira do rio, os profetas ficaram olhando de longe. Como se não fosse nada, Elias enrolou sua capa e bateu com ela nas águas do Jordão, que se abriu para sua passagem. Do outro lado, Elias olhou para trás e viu satisfeito que estava sozinho. Deu meia-volta para prosseguir seu caminho e deu de cara com Eliseu.
— DE ONDE VOCÊ SAIU, MOLEQUE?
— Estou sendo discreto, Seu Elias, como o senhor me ensinou.
— …
— E agora, o que fazemos?
— Você, eu não sei. Eu preciso resolver minha vida. MINHA vida, está entendendo? Que diabo você quer para me deixar em paz?
— Eu quero o dobro do seu poder.
— Er… Como é?
— O dobro do seu poder. Como herança.
— Endoidou, moleque? Como é que eu vou te dar isso?
— O senhor não precisa me dar nada. É uma herança a que eu tenho direito por lei.
— Lei de onde, moleque do inferno? Da Apae?
— Pela Lei de Moisés, Seu Elias. A Lei não diz que o filho mais velho tem direito ao dobro da herança?
— Sim, mas eu não tenho filho.
— Exato. Não tem filho e também não tem merda nenhuma para deixar de herança. Mas veja, eu estou acompanhando o senhor há tanto tempo que já posso ser considerado herdeiro legítimo. E como só o que o senhor tem é esse poder de ressuscitar mortos, dividir as águas, usar corvo de garçom e coisa e tal, é essa minha herança.
— Sua herança?
— Sim. Em dobro.
— Hum. Você até que não é tão idiota quanto parece, sabia?
— Obrigado, Seu Elias.
— Mas não posso garantir nada. Isso é lá com Javé, entenda. Mas vamos fazer assim: se você me vir indo embora, receberá o que pede. Se não vir, fica sem nada.
— Tudo bem. Aliás, para onde o senhor vai?
— Você já vai ver.
— É longe?
— Shhhh…
— É que eu queria sab…
[PARÃM-PÃMPAMPAM-PÃAAAAAAAAAAM]
— Que música é essa?
[PARÃM-PÃMPAM-PÃM]
— Seu Elias?
[PARÃM-PÃMPAMPAM-PÃAAAAAAAAAAM]
— Está ouvindo?
[PARÃM-PÃMPAM-PÃMMMMMMMM]
Eliseu só lembrou o nome da melodia quando viu a carruagem de fogo passar entre ele e seu mestre, rápida como um raio. Era uma visão e tanto, com seus cavalos flamejantes e suas rodas de ferro incandescente. Enquanto Eliseu e os profetas do outro lado do rio se deslumbravam com a carruagem, Elias, como se fosse um saci, foi levado ao céu num redemoinho. Séculos depois do Êxodo, Javé voltava a investir pesado em efeitos especiais.
— Papai! — gritou Eliseu. Lá de cima, Elias ouviu e entendeu de uma vez só o sentimento que movia o garoto. Não podia mais voltar atrás, porém: acabava de se aposentar am alto estilo, levado aos céus, um feito que só Enoque conseguira antes dele.
Entristecido com a partida de seu mestre, Eliseu rasgou suas roupas em sinal de tristeza. Depois pegou a capa que Elias deixara cair e voltou para a margem do Jordão.
— Onde está Javé agora? — gritou ele, e bateu com a capa na água do rio, que se abriu imediatamente.
O novo profeta atravessou o rio a seco, e foi recebido do outro lado por cinqüenta colegas prostrados a seus pés. Os profetas se ofereceram para procurar por Elias, pois acreditavam que Javé apenas o transportara dali para outro lugar. Eliseu hesitou mas, mesmo sabendo da verdade, acabou por autorizá-los. Depois de três dias, desistiram das buscas.
Arrebatado por Javé, Elias entrou para o imaginário judaico com a mesma força de Moisés. Séculos mais tarde, alguns comparariam João Batista (que também pregava no deserto e enfrentava as autoridades) a ele, e o próprio Jesus faria menção à semelhança. Numa das passagens mais intrigantes do Novo Testamento, os discípulos vêem Jesus Cristo conversando com Elias e Moisés.
Depois de repartir as águas do Jordão, Eliseu parecia outra pessoa. Quando os habitantes de Jericó vieram lhe dizer que a água que servia a cidade era salobra e chegava até a provocar abortos, o profeta não hesitou. Mandou que lhe entregassem um punhado de sal dentro de uma tigela, sal que jogou no manancial, dizendo:
— Javé diz que purificou essa água, e que ela não causará mais problemas.
No mesmo instante os que o acompanhavam provaram a água, e estava pura e cristalina.
No caminho de volta para Betel, porém, Eliseu vacilou por um instante. Enquanto se aproximava da cidade, um grupo grande de garotos lá em cima gritava:
— Some daqui, careca! Sai, aeroporto de mosquito! Fora, Kojak! Sua testa vai até o calcanhar!
Eliseu parou, olhou firme para eles, mas na hora as palavras lhe fugiram. Então abaixou a cabeça, cerrou os punhos e murmurou:
— Deus te foda.
No mesmo momento duas ursas saíram do mato e despedaçaram quarenta e dois dos zombadores.
Eliseu nem ficou muito tempo em Betel: tratou de ir até o monte Carmelo e de lá voltar a Samaria. Dali por diante precisaria ter mais cuidado com tudo o que dissesse.