Vocês sabem muito bem que não sou homem de acreditar em augúrios. As coisas são porque são, e não há um significado maior subjacente aos fatos. Pois então.
Há um tipo de sinal, porém, que eu levo muito em conta: algo que me mostra que estou no caminho certo, não por ser um aviso dos céus, ou o universo conspirando por mim, ou qualquer outra bobagem, mas sim por ser um dos efeitos de ter eu escolhido esse determinado caminho, e não um dos milhares de outros que apareceram na minha frente. Vejam: escolhi manter um blog para exercitar a escrita, único talento de que disponho, e mesmo assim em pequena porção. Depois de muito exercício, percebi que precisava escrever cada vez mais, e por isso escolhi voltar ao jornalismo, profissão que havia abandonado havia quase uma década. Retomada a profissão, toca a tentar terminar a faculdade.
E eis que hoje dois rapazes muito simpáticos de minha sala na Uninove revelaram-se leitores fiéis deste porco blog. Não vou reproduzir aqui o que eles disseram — seria suspeito — mas digo que foram palavras muito gentis e coisa e tal. Leonardo e Vinícius, suas bichas safadas, muito obrigado. Vocês me ajudaram a ver que estou no caminho certo.
Mês: fevereiro 2007
Pegadinha
A Unifesp começou a selecionar voluntários para um estudo sobre ansiedade. Na nota divulgada à imprensa, há um número de telefone. Quando você liga, é atendido por uma gravação da Telefônica, dizendo que o número está temporariamente fora de operação.
…
PORRA!
Maldito fax!
Vocês sabem do meu ódio por essa ferramenta obsoleta chamada fax. É um equipamento típico de empresas de outrora, d’antanho, do tempo do onça. Pois imaginem minha surpresa ao receber um e-mail do Google dizendo que vai haver uma mudança na forma de pagamento de seu programa de anúncios, e que eu deveria enviar informações bancárias por fax.
FAX!
O GOOGLE!
Então pensem comigo: se a empresa que quer dominar o mundo, que tem como um de seus vice-presidentes o tiozinho surdo conhecido como pai da Internet, prefere que seus parceiros enviem informações por FAX, eu começo a repensar seriamente meus conceitos. Se o Google não confia na Internet, por que eu vou confiar?
Seguinte: este blog está morto. A partir de hoje, datilografo meus posts e mando pra vocês. Por fax, claro.
Tô ficando mole
Terceiro dia de aula, percebo que a faculdade não é tão ruim assim. Há uma praça de alimentação decente, e as pessoas até que são agradáveis. Prevejo que vai me acontecer o de sempre: eu tento abraçar a misantropia com todas as minhas forças, mas acabo socializando. Oh, vida bipolar…
Mas e a festa, hein?
Ixe
Agora é que eu sumo de vez deste blog: comecei a freqüentar as aulas da Unidez. Noto um ar levemente bovino em meus colegas, mas deve ser só aquela minha má vontade de sempre com o ensino superior. Seja como for, agüentem as pontas. Se eu conseguir passar o primeiro semestre assistindo a poucas aulas (acho que consigo eliminar umas coisas por lá) eu reapareço.
Enquanto isso, ainda precisamos decidir o lugar da festa. Eu queria fazer no Central das Artes, mas os caras estão lotados até abril. Bom, talvez eu faça a festa em abril. O que vocês acham?
Aniversário
Sempre que eu vejo essa gente que lê livros de auto-ajuda e assiste a palestras dos gurus do marketing pessoal, seguindo cada dica como se fosse um dogma religioso, não consigo evitar um pensamento: o sonho desse povo, seu objetivo na vida, é ser como meu irmão.
O caçula lá de casa é um sedutor de pessoas. Fazer amigos e influenciar pessoas é para ele o que há de mais fácil no mundo. Ele sempre sabe quem mexeu no seu queijo, e sabe o que podemos aprender com os cisnes. Tem essa coisa meio monge, meio executivo. É o verdadeiro Sim na terra do Não. E o melhor, não perde seu tempo lendo nada desse lixo: seus talentos e traquejo social são naturais.
Hoje ele completa 27 anos de vida (eu me lembro perfeitamente do dia em que ele chegou da maternidade; vejam como sou velho). Somos muito diferentes. Ele sabe lidar com pessoas e com dinheiro, por exemplo, duas habilidades que não desenvolvi. Mas também somos muito iguais no que importa: sentimentais baianos, choramos e rimos à toa. Palhaços melancólicos, fazemos as melhores piadas quando estamos tristes.
Em homenagem a ele1, posto de novo uma gravação antológica de uma música de Zeca Pagodinho. Meu irmão canta e eu toco violão, canequinha e sacola de plástico:
Feliz aniversário, moleque. Te amo pra caralho.
É preciso estar atento
Quando você está andando sem nada melhor para fazer, e esbarra com a capa da Playboy por aí, é melhor considerar isso um sinal.
Amanhã será um bom dia.
Aniversário
Este blog completa hoje cinco anos de existência, e só agora eu tive tempo de falar sobre isso. Congratulem-me, portanto, e continuem mandando dicas de onde fazer a festa.
(Dicas de verdade, ok? Só há uma vaga para engraçadinho neste blog, e já foi preenchida pelo autor)
Vacas calouras e uma lição do caçula
Estou prestes a completar 32 anos. Não sou nenhum jovenzinho, sei muito bem. Nem por isso, porém, vou aceitar desaforo. Pois vejam: semana passada estava eu feliz da vida encarando o trânsito da Radial Leste para chegar ao trabalho. Eis que paro num farol1 ali na Mooca e sou abordado por duas garotas de cara pintada. “Amazonas guerreiras!”, pensei eu, antes de perceber que eram apenas duas calouras da São Judas. Faziam parte de um grupo grande de calouros, que estavam ali tentando arrecadar uns trocados para os veteranos. Uma delas se debruçou na minha janela, expondo uma boa fatia dos peitos. Eu, mais que depressa, olhei para o outro lado.
…
Tá, talvez não tãaaaaaao depressa.
…
Ok, ok! Sequei os peitos da garota, tá bom? É um impulso mais forte do que eu, não consigo evitar. Enfim, a filhadaputa mostrou as muxibinhas e abriu a matraca:
— Tio, ajuda a gente, compra um pacote de balas. Só dois reais, tio!
O tal “pacote” era um saquinho com duas ou três balas dentro. Fiz que não com a cabeça. A outra, que trazia nas mãos um chumaço de cabelos, não perdeu a oportunidade:
— Então compra cabelo, tio. Cê tá precisando!
Vacas. Putas. Ornitorrincas adolescentes com suas vozes esganiçadas. Eu queria descer do carro e espancar as duas. Mas me controlei e disse:
— Vocês estão fazendo o quê?
— É trote, tio! Os veteranos obrigaram a gente a…
— EU SEI que é trote. Estou perguntando que porra de CURSO vocês estão fazendo na faculdade.
— Ah… Rádio e TV, tio!
— Pois então, Rádio e TV. Vocês vão passar o resto da vida na merda, sem dinheiro nem pra comer. É melhor irem se acostumando a ficar sem dinheiro, né?
— …
— Olha lá, o farol abriu. Com licença.
Parti satisfeito, mas não plenamente. Minha vontade mesmo era dizer: “Tio? Não sabia que meu irmão andava comendo tua mãe”. Merda de civilidade.
Por falar no meu irmão, não é que o moleque me ensinou algo muito importante e valioso dia desses? Pois foi! Ele me ensinou que não se deve exibir comportamento socialmente inaceitável, fiando-se no manto ilusório de anonimato oferecido pela multidão. Conto.
Semana passada. Estava caminhando pelo centro da cidade, comportando-me alegremente da forma mais inaceitável possível. Ninguém me conhecia, que se fodessem todos. Entrando na Praça Ramos de Azevedo, porém, levei um susto quando um sujeito de terno gritou:
— ÊÊÊ, DEDÃO NO NARIZ!
Era meu irmão, que estava voltando do almoço. Imaginem a minha cara.
Experiência de quase morte
Este blog quase bateu os bits. Um excesso de spam nos comentários do Emotionrélio levou o pessoal do serviço de hospedagem a mover a pasta do Movable Type (programa que eu uso como base deste troço) para outro canto. Na tentativa de arrumar sozinho, acabei fodendo o negócio mais ainda. Estava desde quarta-feira impossibilitado de postar.
Bom, mas depois do susto cá estamos. Tenho histórias pra contar, talvez até um novo capítulo bíblico, mas não agora. Agora eu quero saber o seguinte: onde é que tem um lugar decente pra gente fazer a festa do JMC? Entendam por “lugar decente” um estabelecimento que possa ser fechado exclusivamente para a festa, e que fique num lugar acessível de São Paulo.

