Marco Aurélio chegou pegando geral!

Eu e Romarinho, o mascote da musa Giovanna Cantarelli, numa foto roubada para encher lingüiça aqui
Marco Aurélio chegou pegando geral!

Eu e Romarinho, o mascote da musa Giovanna Cantarelli, numa foto roubada para encher lingüiça aqui
1. Se você é tão carente que ameaça privar os outros de sua presença só para ver se ganha alguma atenção, isso é problema seu. Não pense, porém, que o mundo todo age assim. Estou de saco cheio, não quero mais escrever. Isso pode passar hoje mesmo, daqui a uma semana ou um ano. Já aconteceu antes, e toda vez parece a definitiva. O negócio é: não quero, não preciso e não pedi “massagens no ego” nem nada do tipo. Massageie sua próstata e me deixe.
2. E tem aquele que vem com o velho papo de “Você precisa comer alguém”. Para um sujeito assim, todo homem triste e toda mulher de mau humor está na verdade precisando de sexo. Só lamento esse tipo de pensamento mesquinho e burro. Vá se sentar num mastruço e me deixe.
3. Os fundamentalistas têm atacado como nunca antes. Puta que pariu, vão lá lamber as bolas de seu deus bundão e me deixem!
Por que vocês continuam vindo aqui, se sabem que o autor está em crise e o blog dá toda a pinta de que vai acabar?
Alguém precisa avisar à Luiza Tomé que aquele — hum — corte de cabelo não se usa mais…
Leiam o comentário do Walter para o último post:
Eu tava pensando, sabe o que eu acho que tá faltando nas histórias bíblicas, em relação às do começo do Blog? Personagens! Desde Moisés, eu não lembro de nenhum personagem digno de nota, que nos fizesse ter qualquer sentimento por ele… Dá a impressão de que você só está contando a história! Por isso que eu fico sempre pedindo que Deus se manifeste, porque é um personagem muito legal.
Nesse post, por exemplo, o Absalão tinha tudo pra virar um capo mafioso em busca de poder a qualquer preço (queima das plantações), ou um general conspirando contra um João Goulart frouxo, ou até um Zé Alencar Ministro da Defesa traindo o Lula e botando ele na parede (pra comentar o post e os comentários)…
Estás coberto de razão, meu velho. O negócio é que reescrever a Bíblia tem sido cada vez mais um ato ditado pelo meu comportamento obsessivo-compulsivo do que algo que me dê prazer. Escrevo os capítulos na pressa de terminar o livro, e quero terminar logo um livro para começar o próximo, e daí chegar ao fim da história da monarquia, depois aos livros poéticos, à restauração, aos profetas maiores e menores e ao Novo Testamento. Assim, não me preocupo em pensar nos personagens: apenas pego a história e narro de uma maneira supostamente engraçada.
Obrigado pelo toque, Walter (piadinhas no segundo corredor à direita, ok?) Vou ver se ainda consigo consertar Absalão e Davi. E vou pensar direito no que fazer com Salomão.
(II Samuel 15)
Depois de fazer as pazes com Davi, Absalão se sentiu à vontade para botar seus planos em prática. Para começar, mandou preparar para si um carro com cavalos de raça, e chamou cinqüenta homens para correrem adiante dele. Todo dia de manhã ele acordava e ia assim escoltado para o portão da Jerusalém, onde a estrada terminava. Ali passava o dia inteiro interpelando os israelitas que levavam questões e processos ao rei. A cada um que chegava, Absalão perguntava de onde vinha. Em seguida, jogava sua conversa:
— Veio de longe, hein? Pois é, rapaz… E pior é que você está certo aí nessa questão, certíssimo!, só que não tem ninguém para ouvir seu caso. Nenhum representante, conselheiro, nada. Mas paciência, né? Assim são as coisas. Puxa… Ah, se eu fosse juiz por aqui! Quem tivesse questões assim poderia me procurar, eu tentaria resolver da melhor forma possível. Enfim, deixa pra lá. Não sou juiz, paciência. Entra lá, talvez te ofereçam um cafezinho, pelo menos.
Não contente em plantar tais idéias nos ouvidos do povo, o príncipe adotava também uma postura demagoga: sempre que alguém chegava perto para curvar-se diante dele em sinal de respeito, ele abraçava e beijava a pessoa:
— Que é isso, meu irmão? Somos iguais, pra que é que você vai vir se inclinar na minha frente? Deixa isso lá pro rei, eu sou do povo, sou igual a você.
Agindo assim, Absalão ia conquistando a simpatia dos israelitas. Aos poucos, sem pressa, como era de seu feitio: apenas quatro anos depois de começar essa atividade diária ele começou a segunda parte de seu plano. Foi falar com o rei:
— Pai, vou a Hebrom oferecer sacrifícios a Javé.
— Ué. Virou religioso, Absalão?
— Não é isso. É que quando eu estava em Gesur, fiz uma promessa: se Deus permitisse que eu voltasse a Jerusalém, eu ofereceria sacrifícios a ele em Hebrom.
— Que bonito… Mas tá atrasado, hein? Você voltou faz o quê? Seis anos?
— Pois é, pois é… Tanta coisa para fazer, a gente vai adiando. Agora estou mais sossegado, então queria ir lá cumprir meu voto.
— Então vá em paz, meu filho.
Absalão agradeceu e saiu. Olhando o filho se afastar, tão belo e forte, Davi sentia o orgulho lhe estufar o peito. Não ficaria tão tomado pela corujice, porém, se soubesse o que o rapaz andava tramando. Pois Absalão, assim que chegou a Hebrom, mandou mensageiros a todas as tribos de Israel. A mensagem era simples: instruía o povo a proclamar que Absalão havia se tornado rei em Hebrom assim que ouvisse um determinado toque de trombeta. Era arriscado tentar usurpar o trono dessa maneira, mas Absalão contava com a simpatia que granjeara durante os quatro anos em que ficara bajulando os israelitas às portas de Jerusalém. Mas saíra da cidade acompanhado de duzentos homens. Estes, embora não soubessem nada de seus planos e o acompanhassem de boa-fé, poderiam vir a ser de grande serventia. Além do mais, para ter maior garantia, o filho de Davi achou que seria bom ter um reforço de peso. Mandou então chamar Aitofel, originário da cidade de Gilo e conselheiro de Davi. Absalão explicou a ele seus planos de se tornar rei, pintou um futuro pujante para Israel, prometeu grandes recompensas a quem ficasse a seu lado. Aitofel não precisou de muito mais que isso para bandear-se para o lado dos conspiradores, e assim fortaleceu a revolta contra o rei.
Davi ainda pensava com orgulho no filho que saíra para Hebrom quando um mensageiro veio lhe trazer a bomba:
— Majestade, trago-lhe uma bomba.
— Uma bomba?
— É. Olha que beleza.
— Hum. Pra que serve?
— O senhor bota seu pênis real dentro disso aqui e vai apertando a borrachinha. A propaganda diz que pode aumentar em até sete centímetros.
— SETE?! Mas que beleza de produto!
Er… Com licença?
— Claro, narrador, sinta-se à vontade.
Obrigado. Então. Quando eu disse “bomba”, era na verdade uma metáfora para “notícia ruim”.
— Ah! Bem que eu estranhei. Bom, vou sair e entrar de novo, tudo bem?
Manda bala.
— Vou precisar de uma arma, então.
NÃO! ARGH! Olha, apenas entre e dê sua notícia, ok? Vai lá.
— Aham… Majestade! Absalão proclamou-se rei!
— Rei? Rei de onde?
— Oras, de onde! De Israel!
— Absalão? Rei de Israel? Bah, deve estar bêbado.
— É mais sério que isso, majestade, lhe garanto. O povo está do lado dele.
— O povo? O povo de Israel? Mas como o povo está do lado dele? Eu sou rei há tantos anos, nunca deixei faltar nada à nação, e é assim que me pagam?
— O senhor não se lembra de Absalão na porta da cidade, conversando com todo mundo que vinha aqui?
— Sim, mas o que que tem?
— Pois é. Foi bajulando, bajulando, convencendo as pessoas que ele seria um rei melhor que o senhor, e aí está.
— Mas que grande filho-da-puta me saiu esse moleque!
— É. E aí? Que fazemos?
— Damos no pé, isso é o que fazemos.
— Eita! E abandonar Jerusalém assim, sem resistência.
— Prestenção: pra começar, você é só um mensageiro. Eu poderia muito bem matá-lo só por ter trazido notícia ruim, quanto mais por ficar me questionando. Além disso, conheço o filho que tenho. Ele é pior do que eu quando tinha aquela idade. Ele não vai descansar enquanto não se sentar neste trono. Não, não: se quisermos escapar, temos que fugir, e agora mesmo. Se Absalão nos pega aqui, mata todo mundo.
O rei não perdeu tempo: mandou chamar todos os funcionários e a soldadesca e picou a mula, deixando no palácio dez de suas concubinas como guardas. Bom, esse papo de guardar o palácio era balela: era mais um presentinho para quem viesse.
Saiu o rei, com todos os seus funcionários em volta dele, e com sua guarda pessoal e os seiscentos homens que o seguiam desde o tempo em que era ele próprio um revoltoso, e pararam todos já perto da muralha. Ali Davi se deu conta da presença de Itai, um giteu comandante de seu exército. Exasperou-se:
— Por que você me acompanha, Itai? É estrangeiro refugiado, mora em Israel há pouco tempo, não tem nada com esse furdunço todo. Volte com seus amigos para Jerusalém, juntem-se ao rei Absalão. Eu saí de lá fugido, não sei para onde vou. Por que faria você ir comigo? Volte para a cidade com a minha bênção.
— O senhor me desculpe, majestade, mas não concordo com isso. Israel é o meu lar. Irei com o senhor aonde for, mesmo que morra por isso.
— Hum. Então tá. Bora.
Era uma cena triste de se ver: enquanto o cortejo passava por Jerusalém, as pessoas choravam nas portas de suas casas, despedindo-se do rei. Agora que já estavam fora da cidade, restava apenas escolher um rumo a seguir. Tanto fazia, estavam fugindo. Só não podiam ir para os lados de Hebrom, ou corriam o risco de encontrar Absalão e seus homens. Então atravessaram o Vale do Cedrom na direção do deserto. No meio do cortejo ia o sacerdote Zadoque e todos os levitas carregando a Arca do Acordo. Ainda no vale, puseram a Arca no chão, e Abiatar ofereceu sacrifícios pedindo a Javé que os protegesse naquela jornada para sabe-se lá onde. Vendo os sacerdotes e levitas, Davi teve uma súbita inspiração que o animou um pouco. E foi com o brilho dos velhos tempos nos olhos que foi falar com o sacerdote:
— Zadoque, você vai voltar para Jerusalém.
— Mas de maneira nenhuma! Vou com o senhor aonde for.
— Deixa de ser puxa-saco e me escuta, homem! Seguinte: você vai pagar a Arca e voltar para a cidade. Se Javé for mesmo com a minha cara, ele fará com que um dia eu volte a Jerusalém e reveja a Arca. Caso contrário, paciência.
— Mas, majestade…
— Não terminei ainda, cáspita! Você vai voltar para lá juntamente com seu filho Aimaás e Jônatas, filho do Abiatar. Eu vou ficar aí pelo deserto até receber alguma notícia de vocês.
— Ah! O senhor quer que nós sejamos agentes secretos!
— Isso, espertão! Olha, bem que me disseram que você era vidente! Biduzão! Humpf…
Zadoque chamou Abiatar e voltaram com seus filhos para Jerusalém, carregando a Arca nos ombros. Ao ver sumir longe o símbolo maior da religião e da nação de que fazia parte, Davi desanimou novamente. Rasgou suas roupas em desespero e subiu o Monte das Oliveiras chorando de dor. Os que o acompanhavam fizeram o mesmo. No meio do caminho, o rei foi informado da traição de Aitofel, o que só contribuiu para deprimi-lo mais ainda. Apelou:
— Oh, Deus! Faz com que os conselhos de Aitofel confundam a cabeça de Absalão!
Mas não precisou da ajuda divina: quando chegou ao alto do monte, num lugar onde se costumava oferecer sacrifícios, seu fiel amigo Husai, o arquita, foi encontrar-se com ele. Trazia, como todos os outros, as roupas esfarrapadas e a cara inchada de tanto chorar.
— Ô, meu velho.
— Vou com você, Davi.
— Hum… Sabe que você me deu uma idéia? Ir comigo não vai adiantar muito. Preciso de você é em Jerusalém, infernizando a vida de Aitofel.
— Estou ouvindo.
— Vá até o palácio e apresente-se a Absalão dizendo que quer juntar-se a seu grupo. Ele o conhece, sabe que você sempre esteve a meu lado, vai pensar que você pode ser útil a ele. Mas você será útil a mim: sempre que Aitofel der um conselho ao rei, dê um jeito de contrariá-lo. Quero que aquele canalha passe muita vergonha. Além disso, mantenha os ouvidos bem abertos. Os sacerdotes Zadoque e Abiatar estão em Jerusalém, também como agentes meus. Conte a eles tudo que você ouvir no palácio e considerar importante; eles darão um jeito de transmitir a mim.
— Opa, beleza. Pode deixar comigo, Davi.
— Obrigado, amigo.
— Oras, estou aqui pra isso.
Husai despediu-se do rei e dirigiu-se à cidade. Por coincidência, chegou a Jerusalém no mesmo instante em que Absalão chegava.
Não sei como é isso hoje. Sei que antigamente são-paulino tinha fama de gente pouco ligada em futebol. Eu e alguns amigos ainda somos assim:
— E o São Paulo, hein?
— Que tem o São Paulo?
— Cê não viu o jogo ontem?
— O São Paulo jogou?
— Mas rapaz! Que raio de são-paulino é você?
— São-paulino típico, oras.
Funciona assim: o São Paulo joga e joga, e eu nunca sei os resultados, nem a posição do time na tabela, nem por qual campeonato é esta ou aquela partida. Escalação, então, faço nem idéia: sei do Rogério Ceni, e é só. Dia desses teve um São Paulo X Santos e eu queria assistir. Haviam me dito que os dois times estavam na briga pelo título. Não lembro o resultado, mas sei que só depois do jogo fui saber que a partida não era pelo Campeonato Brasileiro, era outra coisa qualquer (é Campeonato Brasileiro isso que está rolando agora, né?).
Como eu dizia, não sei se a torcida do Tricolor ainda carrega essa pecha. A fama de torcida gay continua a mesma, disso eu sei, mas nada impede os Bambis de terem se envolvido mais com esse negócio de futebol nos últimos anos. Não vem ao caso: a fama era essa. Dizia-se que a bola passava a quilômetros da trave adversária, saía quase pela lateral, e a Independente exclamava “Uuuuuuuuh…!”, como se tivesse sido um lance perigoso.
Mas esse nariz-de-cera já ficou grande demais e eu ainda não disse a que vem a conversa: hoje estava pensando na relação que as pessoas têm com sua crença (ou falta dela), e me ocorreu que a maior parte age como a torcida do São Paulo. Um sujeito diz que acredita em Deus e pára por aí. Não considera sua fé um fator determinante de sua vida. Outro diz que não acredita, e pronto. Não pára pra pensar no vazio em que pode se tornar uma vida sem a noção da transcendência.
Eu não acredito, e sofro por isso. Queria acreditar. Queria que Deus falasse comigo, que me sussurasse alguma coisa, que me mandasse um sinal, que me desse um beliscão na bunda, qualquer coisa que me fizesse ao menos pressupor sua existência. Nada disso acontece, porém, e eu sofro. Penso na fé artificial que parcamente sustentei pela maior parte da vida, e percebo o quão ridículo era aquilo. Olho ao meu redor e vejo outras pessoas tentando equilibrar sua fé sobre os mesmos fundamentos podres que eram o arrimo da minha. Penso na minha vida, que vai acabar um dia, e ela não faz o mínimo sentido. Olho para o céu e tento imaginar o tamanho do Universo e a dimensão de minha insignificância. Chego a sentir náuseas.
Levando tudo em conta, sou obrigado a concluir algo que me causa o maior desgosto: em termos espirituais, sou corintiano.
If we’re talking about love
Then I have to tell you
Dear readers, I’m not sure where I’m headed
I’ve gotten lost before
I’ve woke up stone drunk
Face down in the floor
Late afternoon, the house is hot
I started, I jumped up
Everyone hates a bore
Everybody hates a drunk
This may be a lit invention
Professors muddled in their intent
To try to rope in followers
To float their malcontent
As for this reader,
I’m already spent
Late afternoon, the house is hot
I started, I jumped up
Everyone hates a sad professor
I hate where I wound up
Dear readers, my apologies
I’m drifting in and out of sleep
Long silence presents the tragedies
Of love. Note the age. Get afraid
The surface hazy with attendant thoughts
A lazy eye metaphor on the rocks
Late afternoon, the house is hot
I started, I jumped up
Everyone hates a bore
Everybody hates a drunk
Everyone hates a sad professor
I hate where I wound up
I hate where I wound up
(REM)
Seguinte, meu povo: eu até comecei a escrever o próximo capítulo bíblico, contando as novas peripécias de Absalão, o filho mais maluco do rei Davi. Acontece que eu não ando muito a fim de graça, e acho uma falta de respeito com vocês eu escrever de qualquer jeito, como foi o último capítulo. Então já fica aqui a resposta para “Quando é que vai ter capítulo novo?”: quando o autor largar de veadagem.
— Ai, caralho. Então vai demorar…
Atomanocu.
Metrô, passa de meia-noite. O sujeito entrou no vagão empunhando um violão folk e com uma gaita presa ao pescoço. Apresentou-se aos ilustres passageiros e começou a tocar um blues. Ninguém deu muita atenção. Um preto que viajava em pé o chamou para fazer um pedido. “Pronto”, pensei eu, o mulato racista, “lá vem pagode”. Qual nada! O cara tinha pedido Legião Urbana, que é o que as pessoas pedem quando há um violão por perto. Foi bonito de se ver: o cara começou a tocar Será. Uma moça começou a cantar junto, dois bêbados se juntaram a ela, eu somei minha voz ao coro, e logo o vagão todo estava cantando. Ao final, todos aplaudiram. O músico mambembe, espantado com a reação, esqueceu-se de passar o chapéu e saiu do trem agradecendo.
No mesmo instante, me lembrei de quando Renato Russo morreu. No domingo seguinte, os amigos vieram aqui em casa (foi numa época distante, quando os amigos me visitavam, quando conversávamos sobre o futuro. Agora o futuro chegou, e é uma bela porcaria). Estávamos conversando na sala, falando as bobagens de sempre e assistindo TV. De repente a TV e a luz da sala se apagam: queda de energia. Fomos procurar velas, acendemos algumas e continuamos a conversa. Peguei o violão e comecei a tocar alguma coisa da Legião Urbana. Terminei a música, e um deles pediu outra. E depois outra. Só Legião Urbana. Cantamos até a Eletropaulo resolver o problema, à luz de velas, como num ritual em memória de Renato Russo, cujas letras haviam embalado nossa adolescência recém-terminada.
Hoje há uma tendência a se subestimar as músicas da Legião Urbana, tidas como infantis, bobas, cheias de lugares-comuns. Isso pode até ser verdade, sei lá. Eu sei que o adolescente ingênuo que eu era então ouvia aquelas letras e só conseguia pensar, “Puxa, eu não estou sozinho”. O que era ingenuidade demais até para mim: é claro que estou sozinho, todos estamos.