Cês tão lembrados daquele episódio em que a bicharada ensandecida de Sodoma cercou a casa de Lot atrás dos dois varões e o cara ofereceu as filhas virgens? Pois vejam o que as duas aprontaram…
Lot tinha ido pra Zoar, como vocês sabem. Mas chegou lá e ficou com meda, a bicha velha, e resolveu ir morar na montanha. É, isso mesmo, choramingou tanto quando os anjos o mandaram pra montanha, e depois resolveu ir pra lá mesmo, morar numa caverna. A mona era de lua, como vocês já devem ter percebido.
Na montanha, a filha mais velha de Lot, que tinha sido criada entre viados, foi atormentada por uma angústia: não havia homens e nem ela nem a irmã tinham filhos. Aí vocês me perguntam: “Mas e os homens de Zoar?”, e eu respondo: Sei lá, vai ver era habitada pela bicharada também, só que essas disfarçavam melhor que as de Sodoma e por isso foram poupadas. E se eu quisesse ser mais infame diria: Os homens de Zoar não queriam nada sério, só queriam mesmo zoar. Tá, parei. E vocês podem perguntar ainda: “Mas e os namorados delas?”. Olha, sei não, mas pelo jeito que a história é contada parece que os dois eram naturais de Sodoma, e a gente sabe muito bem o que se espera dos sodomitas até os dias de hoje. Vai ver até fugiram com os anjos, sei lá.
O que eu sei é que essa filha mais velha teve a idéia de embebedar o pai e se aproveitar da embriaguez do velho. Contou sua idéia para a irmã mais nova, e naquela noite mesmo botou o plano em prática: encheu o rabo do véio de vinho barato e trepou com ele. Lot nem percebeu, de tão breaco que estava. Na noite seguinte foi a vez da mais nova: mandou a birita pra dentro da goela de Lot e montou em cima do pobre viado velho.
Pois Lot podia estar velho, podia ser viado, podia estar bêbado, mas broxa ele não era não. E também não era estéril, porque as duas filhas engravidaram. Nove meses depois a mais velha pariu Moab e a outra deu à luz Ben-Ami.
Bom essa história toda é pra justificar um negócio que vai acontecer muito mais tarde, no tempo de Moisés (lembrem-se que o Gênesis, junto com os outros quatro primeiros livros da Bíblia, são atribuídos a Moisés). É uma história que um dia eu vou contar, mas basta a vocês saberem que os israelitas tinham ódio mortal de dois povos: os Moabitas e os Amonitas. Apesar do ódio, intuíam que esses povos tinham uma origem muito próxima da origem de Israel, eram parecidos e tal. Então essa história que culmina com o nascimento de Moab (pai dos moabitas) e Ben-Ami (pai dos amonitas) serve para explicar que sim, eles são descendentes do sobrinho de Abraão, portanto têm origem parecida com a de Israel, mas não há problemas em odiá-los, já que são frutos de incesto. A história toda guira em torno de trocadilhos: em hebraico, a palavra “Moab” soa parecida com outra que significa “do meu pai”, e “Ben-Ami” se parece com outra que significa “filho do meu parente”.

Pois é, meu povo. Pesquisa DataFolha: Roseana cai e Serra sobe, ou seja, mesma merda. Com a queda do Zé Ribamar de saias, o PFL blefa e cogita apoiar Ciro Gomes. Ciro Gomes, lembrem-se, é aquele cara que de bom só tem a namorada, Patricia Pillar. Com a saída do PFL do governo. FHC estreita laços com a direita do PMDB, com o PPB e o PTB. Partidos nos quais eu penso quando quero me convencer de que existe coisa pior que o PFL nesse país.
E as novas regras para alianças partidárias? Agora as alianças em âmbito nacional devem ser as mesmas nos estados, é isso? Quer dizer, o PPB e o PMDB apóiam o PSDB. Isso significa que veremos Maluf, Alckmin e Quércia de bracinhos dados? É tão bonita a harmonia entre os povos… E se sair essa aliança do PT com o PL? Já pensou, o Lula aparecendo do lado do Rossi na TV? Triste…
Aliás, só me falta rolar esse PT+PL para eu votar no Enéas e despirocar de vez. Oh, vida!

E então, onde foi mesmo que deixamos o Lot? Ah, é. Os anjos falaram pra ele juntar seus paninhos de bunda e se picar. Lot foi correndo chamar os namorados das filhas (dormindo na casa das namoradas naquela época, vejam só a putaria que era Sodoma!).
— Acorda, cambada, que deus vai destruir a porra toda aqui. Vambora!
— Ah, sogrão, para com isso… Tudo bem, a gente não dorme mais aqui, tamo abusando, beleza. Mas não precisa contar essa historinha.
E ficaram nesse lenga-lenga. Já era de madrugada quando os anjos — doidinhos para começarem mais um genocídio — voltaram a aperrear o pobre do Lot. Porra, o cara tinha as coisinhas dele, já tava abandonando a casa e os caras ficavam apressando? Ah, mas eram anjos de deus, e cês sabem como essa raça pode ser impaciente: pegaram Lot e toda a família pelas mãos e os levaram para os limites da cidade.
— Vai, cambada, todo mundo correndo. Vão se esconder ali na montanha, se não cês tão na roça.
— Assim não, senhor! (aqui cabe uma observação: pela primeira vez em sua história, Jesus, me chicoteia! transcreve uma frase exatamente como está na bíblia, ou pelo menos na tradução João Ferreira de Almeida Revista e Corrigida. Podem conferir, Gênesis 19:18. Resolvi escrever igual porque tem o mesmo tom que eu uso para contar essas histórias. Ah, a tradução Na Linguagem de Hoje, da Sociedade Bíblica do Brasil traz “Senhor, não me obrigue a fazer isso, por favor!”. Muito chato. Eita parêntese comprido, vamos voltar à fala de Lot, que tá esperando até agora pra concluir) Obrigado, Marco, fofo! Como eu ia dizendo, assim não, senhor! Com todo respeito, a tal montanha fica lá na casa do caralho, só parece perto. Antes que eu chegue lá, já virei churrasco grego.
— Você não é grego, Lot. A Grécia nem existe ainda.
— Porra, não é esse o ponto! Olha, sou muito agradecido por vocês salvarem a gente e tal. Mas fazer a gente ir láaaa pra montanha é sacanagem. Tá vendo aquela cidadezinha ali? É pertinho, e olha como é pequena. É tão pequena que nem tem condição de ter putaria lá feito em Sodoma. Eu vou pra lá com minha mulher, minhas filhas e os canalhas dos meus genros, e fica tudo bem. Que tal?
— Lot, que família ranheta, hein? Ontem mesmo tivemos que aturar o seu tio barganhando, agora vem você com essa historinha. Bom, pra você não falar que somos felasdaputa, pode ir pra tal cidadezinha, não vamos destruir aquela bostinha de nada. Mas vai depressa, que acabo de receber um bipe de deus dizendo não vai autorizar a destruição enquanto você não chegar lá, e a gente tá seco pra fazer churrasquinho de veado.
Os anjos ainda ordenaram que eles não olhassem para trás para ver a destruição, porque ia ser um puta dum marketing negativo para deus, justo quando o ibope das Pegadinhas de Jeová batia nas alturas. E Lot correu para a cidadezinha (que passou a chamar-se Zoar, não porque os anjos zoaram com Lot, mas porque “zoar” significa “pequena”), chegando lá ao nascer do sol. Foi ele chegar e começou o pega-pra-capar em Sodoma e Gomorra. Começou com o tempo fechando com nuvens de cores estranhas. As bichinhas olhavam para cima e comentavam umas com as outras:
— Menina, que céu lindo!
— Ma-ra-vi-lho-so!
— Arrasou Gomorra em chamas!
Logo começou a chuva de fogo e enxofre
— Cuidado, biba, seu cabelo tá pegando fogo!
— Pegando fogo tá seu rabo, mona!
— Tô falando sério, porra, seu viado burro! (deu ataque de macheza nas bichas nos momentos finais)
Era lindo de se ver (de longe, claro). Todo aquele fogo caindo do céu, uma barulheira… A mulher de Lot resolveu olhar para trás nessa hora e virou uma estátua de sal instantaneamente. Lot deve ter ficado muito feliz, imagino o quanto deve ser difícil para uma gazela feito ele manter por tantos anos um casamento de aparências.
Na manhã seguinte, Abraão acordou e foi até o lugar onde tinha falado com os anjos. De lá ele viu o lugar onde antes ficavam Sodoma e Gomorra, agora parecendo uma filial do inferno. E deve ter pensado: “Se a bicha do meu sobrinho escapou dessa, o cara é ninja”.
(PUTA QUE PARIU, TERMINEI A HISTÓRIA DE SODOMA E GOMORRA!!!!!!!)

Vocês viram o post Pink Floyd e a ontogênese no blog da Bárbara? Ora, ora, ora! E pensar que a pessoa mais inteligente que eu conheço já passou dos quarenta, não se cansa de ouvir Pink Floyd e agora vai ter que jogar toda a coleção fora. Que preju pro meu tio Zé Augusto… E eu, pobre de mim? Quase trinta anos nas costas e ouvindo Pink Floyd!
Já vou logo dizendo que acho uma merda tocar Pink Floyd no rádio, assim como acho uma merda tocar Led Zeppelin. Quem gosta dessas bandas tem os discos, pode ouvir as músicas quantas vezes quiser. E todo mundo sabe que música pop não é minha praia. Minha “evolução pop” começou com os anos 80 (das poucas vezes em que fui contemporâneo das músicas que ouvia), voltou para os 70, pulou direto para os 90, depois descobri os anos 60 e os 50 e comecei recentemente — influenciado pelos senhores Lucio Ribeiro, Daniela Macedo e Denis Tonon — a ouvir as bandas novas, mas já me enfastiei e voltei para João Gilberto e Chico Buarque, que não me cansam nunca mesmo. Claro que de tudo sobrou alguma coisa: Chuck Berry, Elvis, Rolling Stones, Beatles (pouco), The Who, Led Zeppelin, Pink Floyd, Sex Pistols, Ramones, The Cure, Nirvana, Pearl Jam, Belle & Sebastian… Ao contrário do que acontece na ontogênese, eu não preciso descartar as fases anteriores. Aliás, é saudável mantê-las. Claro que a gente vai selecionando. Por exemplo: no longínquo ano de 1979 eu tinha 4 anos de idade e só queria ouvir “Sandra Rosa Madalena”, do Sidney Magal, e “Não Chore Mais”, do Gilberto Gil. Com o tempo, descartei o Magal e mantive o Gil (imaginem o desastre se acontecesse o contrário).
Ah, ficou confuso isso aqui. No fim das contas, é o seguinte: o post me fez lembrar que estou chegando aos trinta anos. Deprimente.

Como esse cara consegue escrever todo dia um negócio genial? Filho de uma puta!
A teoria da toupeira
No vocabulário da espionagem, ou pelo menos dos livros de espionagem, “mole”, ou toupeira, é o agente infiltrado na hierarquia inimiga com a tarefa de subir discretamente até atingir um posto em que pode causar o máximo dano, e só então agir. A teoria da toupeira aplicada à atual situação nacional começa com uma hipotética reunião em Santiago, durante o governo Allende. Dois exilados marxistas brasileiros, Fernando Henrique Cardoso e José Serra, recebem a visita de um tal, digamos, Molokov, recrutador da KGB disfarçado de cozinheiro na embaixada soviética no Chile. O três acertam o plano a ser seguido no Brasil, onde a conversão para o comunismo não será como no Chile, e exigirá um trabalho longo e meticuloso. Corta para março de 2002. Cardoso e Serra atingiram postos dentro da hierarquia brasileira jamais sonhados pelos seus controladores comunistas. Um é presidente da República, o outro é o candidato oficial à sua sucessão. Chegou a hora de agirem. Durante o governo Cardoso, uma fingida predileção pelo modelo econômico neoliberal e pela submissão aos Estados Unidos só serviu para desmoralizar o neoliberalismo e a receita americana, pois os índices sociais só pioram. Na pasta da Saúde, Serra, solertemente, cria condições para a volta de doenças epidêmicas, havendo até a suspeita de aliciamento de mosquitos, o que aumenta a revolta da população. Dando a impressão de que era usado pela direita autêntica, do PFL, numa aliança simbolizada pela presença de Marco Maciel – cujo formato, num toque talvez inconsciente de ironia, lembra o mapa do Chile – na sua Vice-Presidência, Cardoso na verdade trabalhou para a sua eliminação como opção política, numa manobra que culminou com o aniquilamento da sua candidata anunciada, Roseana Sarney, num complô urdido pelo ministro da Justiça, Aloysio Nunes, outro agente comunista infiltrado. O cenário está pronto para o triunfo final do Plano Molokov: a eleição de Lula e a comunização do Brasil. (O triunfo só não seria festejado pelo próprio Molokov, hoje um hipotético concessionário do McDonald’s em Moscou).
Outra versão da teoria da toupeira é igual a esta, a não ser por um detalhe.
Por trás de tudo não estão os comunistas, mas sim um consórcio de empreiteiras (OAS, Odebrecht, etc., os suspeitos de sempre) interessadas no trabalho de reconstrução do Brasil depois do inevitável ataque nuclear americano, com a vitória do Lula.

Pois largamos Abraão lá no meio do campo, os anjos indo embora. Mas vocês já conhecem Abraão, acham que ele deixou os caras irem? Nãaaaaaaaao… Foi atrás pra barganhar com os caras:
— Aê. Tipo, cês vão destruir Sodoma e Gomorra, beleza. Mas e se tiver uns 50 mano sangue bom lá, cês vão fuder com a vida dos caras? Porra, cês não vão fazer isso, né? Os caras nem fizeram nada, tão de boa. Cês não têm coragem.
— Tá, tá, Abraão. Se encontrarmos 50 justos, não destruiremos a cidade.
— Hum… — disse Abraão, desincorporando o mano que tinha baixado nele — Mas pra cinqüenta podem faltar cinco, e aí?
— Se encontrarmos 45 justos, não destruiremos Sodoma e Gomorra.
— Olha, cês me desculpem a chateação, mas e se forem 40, cês vão destruir as cidades?
— Não, Abraão.
— E se forem trintinha, vão detonar tudo?
— Não, Abraão, não.
— Vinte…?
— Os vinte salvam o resto, entendeu?
— Tá, mas e se forem dez?
— Porra, Abraão, cê tá pior que a tua patroa com aquele negócio de “riu”, “não ri”, “riu”, não ri”, “riu”, “não ri”… Não entendeu ainda a lógica da bagaça? Não tamos indo pra lá pra matar gente boa não, compreendeu? Cara chato…
E Abraão, percebendo que tinha irritado as santas, digo, os santos, deixou-os ir.
* * *
E olha a complicação aí de novo. Esse novo capítulo (Genêsis 19) começa assim: “E vieram os dois anjos a Sodoma à tarde”. Cadê o terceiro cara? Foi pra Gomorra? Voltou pro céu pra não perder as Pegadinhas de Jeová? Ou será que esse terceiro era deus mesmo e, como a gente sabe, ele não gosta de botar a mão na massa, muito menos se for pra fazer o serviço sujo?
Bom, deixemos passar. Chegaram os dois e estavam na praça da cidade quando Lot os viu e foi ao seu encontro.
— Bofes, digo, varões, vamos lá pra minha casa, vocês comem alguma coisa, dormem lá e depois continuam sua viagem.
— Não, cara, obrigado. Vamos dormir aqui na praça mesmo.
— Dormir na praça, varões? Ora, deixem de bobagem. Isso aí, além de lembrar título de música brega e irritante, é um risco aqui em Sodoma.
— Não temos medo, o Senhor nos protege.
— Não se fiem nisso! Já vi muitos casos de varões que dormiram na praça aqui em Sodoma e ficaram uma semana sentando de ladinho. Vai, vamos pra minha casa…
Os anjos pensaram bem e concluíram que seria mais fácil enfrentar uma bicha velha e enrustida do que toda uma população de gazelas. Foram então pra casa de Lot. Comeram muito bem (o jantar, seus pervertidos) e preparavam-se para dormir quando ouviram uma algazarra do lado de fora. Olharam e era toda a população de homens de todos os bairros de Sodoma, desde bichinhas impúberes até veadões macróbios. E berravam, as loucas:
— Lot, sua mona! Cadê os bofes que entraram no seu cafofo, que não se fala noutra coisa nessa cidade, menino? Traz eles aqui pra fora, pra gente se divertir um pouco. Faz tempo que não aparece carne nova nesses cafundós!
Dizem que anjo não tem sexo. Mas quem tem cu tem medo, e os dois tremeram na base nessa hora, e nunca ouvi falar que anjo não tivesse cu.
— Minhas irmãs — disse Lot, logo se corrigindo —, digo, meus irmãos! Tenho duas filhas virgens aqui, vocês podem fazer o que quiserem com elas, mas deixem esses meninos em paz, pois vieram para minha casa por que estavam morrrrrrrrrrtas de medo de vocês.
— Sai daí, biba velha! — Gritavam — Veio lá não sei de onde para a nossa cidade e quer decidir tudo, é? Então tá. A gente ia ser carinhoso com os dois meninos, mas agora vamos pegar você e a-ca-bar com essa sua carcaça pelancuda!
E avançaram sobre o pobre do Lot. Mas os anjos, recobrados do susto, puxaram Lot pra dentro e trancaram a porta. Estenderam então a mão e os moradores da cidade ficaram cegos. Cansadas de procurar a porta e de trombarem uns nos outros, as bichas foram embora. E disseram os anjos:
— Lot, quem você tem nessa cidade? Seu genro, seus filhos e suas filhas, né? Então pega todo mundo, porque nós vamos destruir isso aqui. Já sabíamos que o bicho tava pegando e viemos apenas para averiguação. Mas essa foi foda, imagina, voltar pro céu e não passar no teste da farinha. Foi a gota d’água. Vai embora com a sua família, que nós vamos foder essa bicharada de um jeito que eles nunca vão esquecer.