Meus livros

Quando aprendi a ler, aos cinco anos de idade, dois livros me fascinaram logo de cara: um tinha capa preta com o título, “Bíblia Sagrada”, em letras douradas. Na primeira página, uma dedicatória:


Marco Aurélio,

Leia e será abençoado.
Lindauro

Levei a sério a dedicatória do meu pai e comecei a ler. Gostava da leitura, me empolgava com as histórias, achava algumas cenas hilariantes e não entendia como é que tanta gente dizia que era um livro complicado. De jeito nenhum! Tinha um monte de palavras novas, é verdade, mas para isso eu tinha o meu outro livro. Um livro que me chamou a atenção logo que eu consegui ler seu título na lombada enorme: Dicionário Aurélio. Eu não sabia quem era o tal de Dicionário, mas logo simpatizei com ele por também chamar-se Aurélio. Meu pai me explicou para que servia e como funcionava, e eu quase endoidei: então era só abrir aquele livrão e pronto, eu saberia o significado de qualquer palavra? Magnífico!, como diria o Compadre Washington.
Eu lia a Bíblia com gosto, e quando me deparava com monstrengos como aleivosia, opróbrio ou concupiscência, corria para o livro que tinha meu nome e descobria o sentido de todas elas. Era um mundo novo de personagens maravilhosos, histórias fantásticas e palavras belíssimas.
E vejam só no que deu…

12 comments

  1. Eu também adoro o dicionário, mas alguém na minha casa fez o favor de desaparecer com ele e acabar com a minha fonte de sabedoria…
    Eu sempre quis ler a bíblia, mas gostaria de lê-la cronologicamente, me parece que tem um jeito certo de ler a bíblia, e eu ainda não aprendi…
    As vezes eu pego, começo a ler e enjoô.. aídeixo pra lá e esqueço…
    Beijinhos

  2. Minha mãe me ensinou a ler quando eu tinha 4 anos de idade. Eu tinha uns livros da Disney que chamavam “Disney Mundo”, onde os personagens da Disney visitavam vários países e iam descrevendo as suas características. Toda vez que eles chegavam à um novo país, no início do capítulo havia uma bandeira do país com o nome do país ao lado, escrito em letras bem grandes e de forma. E eu aprendi a ler, lendo o nome de cada um dos países. Depois que eu já estava lendo com uma certa facilidade, comecei a ler sobre a vida dos astrônomos na enciclopédia Conhecer. De Copérnico a Halley. E vejam só no que deu…

  3. Fala, Marco!!!
    Então, eu tive a chance de ler a bíblia, assim, como quem lê um romance, duas vezes. E teimo em dizer: a bíblia está entre as melhores obras de “ficção” que eu já li. A grande saga do Senhor dos Anéis é uma novelinha das seis no vale a pena ver de novo, perto da Bíblia. Concordo plenamente contigo, Marco, e digo mais: se as pessoas aprendessem a levar a Bíblia um pouco menos a sério, talvez o mundo fosse um lugar menos alienado hoje.
    See Ya

  4. “O fogo que veio do céu” – meu primeiro livro.
    Onde aprendi a ler.
    Muito bom o texto.
    PS: preciso assistir a esse filme Magnólia. Já são duas as pessoas importantes que fazem referência a ele.

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