Nos dias frios ela se encolhe toda, coloca um gorro que a faz parecer uma menina russa, e põe os dedos em concha sobre o nariz.
— Precisava uma touca de nariz — ela comenta, e essa imagem me vem à mente nos mais diversos momentos: a mulher que eu amo, toda friorenta e pensando num acessório absurdo para proteger o nariz do frio.
Este ano combinamos não trocar presentes. No ano que vem, arranjo a tal touca de nariz.

Vejam que e-mail triste acabo de receber:

Sua verdade não foi aprovada
Olá Marco Aurélio,
“A campanha do Gol não é uma campanha. É só uma cópia descarada do Chuck Norris Facts (www.chucknorrisfacts.com)”
Não foi dessa vez que a sua verdade entrou no site do Gol.
Mas não desista. Se você for uma pessoa guerreira de verdade, como o Gol, ainda vai conseguir emplacar uma outra verdade no site.

Clique aqui para visitar o site
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Por que será, né?

Fiquei besta com esse negócio que o moskito escreveu. Parece o canto de cisne de uma geração. No ritmo da internet, nós já somos os velhos blogueiros. Eu, nos meus 32, posso conviver com isso alegremente; já entrei nessa de tiozão mesmo. Mas o moskito nem menstruou ainda e já se sente como peça de museu. E com razão.
Estou deprimido. Tchau.

Segundo esse vídeo do Avesso, a campanha Verdades sobre o Gol teria sido inspirada nos Chuck Norris Facts. Claro. E o Emotionrélio foi inspirado no Emotioneric. Não, nada de cópia descarada: inspiração. Entenderam?
Acho que a profissão de publicitário nunca foi tão fácil quanto hoje: basta esperar aparecer uma febre na internet. Aí cria-se uma campanha inspirada no hype e com apoio de um site cujo conteúdo é totalmente produzido pelos visitantes. Trabalhão, hein?

Diálogo com minha mãe a respeito de fundamentalistas:
— Esse pessoal acha o quê? Que tem que viver a Bíblia nos dias de hoje? Lendo a Bíblia a gente vê como Jesus era sanguinário. Mandava invadir um país, matar não sei quantos…
— Jesus não, mãe. O pai dele.
— Ah, Jesus, Deus, tudo farinha do mesmo saco!
— …
— Deus me perdoe…

Eu achava que só o abandono da religião causasse eventuais sentimentos de culpa. Qual o quê! Foi só eu criticar a esquerda para meu passado me condenar em forma de sonho.
Sonhei que tocavam a campainha lá de casa, e era o senador Aloízio Mercadante. Vinha com duas gordonas e vinha pedir ajuda: seu carro enguiçara e ele precisava de uma carona urgente. Eu, bom companheiro que sou, me dispus a ajudar o trio.
Saímos rodando por São Paulo, o senador ao volante, eu no banco do carona e as fofoletes no banco de trás. Sobe rua, desce rua, vira aqui, vira ali, eis que chegamos ao alto de um morro. Ninguém em volta. Nada.
— Desce — ordenou Mercadante, já destituído de sua simpatia costumeira.
Eu obedeci. Ele também desceu e me ofereceu um Toddynho.
— Foi você que chamou o pessoal da USP de vagabundo, né?
A pergunta era retórica. Antes que eu tentasse me justificar, o senador puxou uma arma e ordenou:
— Sai andando.
A idéia dele fazia todo o sentido no sonho: quando achassem meu corpo, diriam, “Coitado, estava caminhando tranqüilamente tomando seu Toddynho, foi vítima de bala perdida”. Revoltado com isso, peguei o canudinho e rabisquei “Foi o PT” em um braço e “Mercadante” no outro. Assim que terminei, ouvi os disparos, senti uma dor nas costas e caí.
Acordei assustado. Quando voltei a dormir, sonhei que o pagodeiro Alexandre Pires tinha gravado uma música de autoria do meu pai. A música falava sobre os males da passagem do tempo. Só lembro de um trecho: “Eu queria ter a palavra unânime / seeeeeeer uma pessoa unânime”.
Acho que esse sonho não teve nada a ver com o anterior.

Eu vinha tentando evitar tocar nesse assunto, mas serei obrigado. Acabo de receber um press release de um site de nome idiota e pedante, Jornalirismo, que “… foi à USP (Universidade de São Paulo) para participar da aula de democracia que os estudantes da universidade estão dando todos os dias”. O comunicado vai mais longe: “Os estudantes ensinam e aprendem a democracia, no ressurgimento do movimento estudantil”.
Pois bem, vejamos: escândalos explodem todos os dias, eminências pardas de nomes dúbios controlam o país dos bastidores, os legisladores federais, estaduais e municipais aumentam seus proventos à vontade, grandes corporações e pequenos pilantras minam o dinheiro dos impostos que nós pagamos. Tudo isso, e o tal movimento estudantil quietinho. Aí alguém resolve fazer alguma coisa certa: o governador José Serra (que foi da UNE nos tempos em que a sigla significava alguma coisa além do esquema de distribuição de carteirinhas de meia entrada) decide que a USP deve prestar contas do dinheiro que recebe (nosso dinheiro). É o que basta: vagabundos que não precisam ralar para pagar uma mensalidade, apoiados por seus professores meia-oito, ocupam o prédio da reitoria universidade. Apenas o fato de invadirem o prédio já demonstra que a universidade tem seus esqueletos no armário. Os estudantes, coitados, com suas pobres cabecinhas cheias de fumaça de cannabis, são massa de manobra de algum corruptozinho acadêmico que anda mandando pro bolso o dinheiro (nosso dinheiro) destinado à universidade. Reclamam que o governador quer dar ênfase à pesquisa acadêmica que seja voltada ao mercado. Oh, que absurdo! Então o careca quer que a universidade se dedique a atividades de pesquisa e desenvolvimento que ajudem a impulsionar o crescimento do país? Que maluquice!
A polícia, dócil, já deu todos os prazos possíveis para que os filhinhos de papai se retirem do prédio. Mas qual! Eles estão se divertindo, é como um acampamento! É brincar de movimento estudantil lutando contra a opressão, só que sem o risco de prisão, tortura ou morte, ou seja, sem opressão nenhuma. Falava sobre isso com Daniela ontem. Ela, que anda muito sem paciência, acha que a polícia devia invadir logo o prédio. E eu, que sempre fui um pacifista, concordo com ela: quero ver a polícia entrando no prédio dando peteleco nessa molecada. Assim eles têm um gostinho do que é a brutalidade do “sistema”, e de quebra guardam uma historinha de “resistência” para contar para os netos.
Vagabundos. Safados.

Não é que eu queira ser implicante, mas que diabo pensam essas mulheres que fazem chapinha nos cabelos? Pensam que ninguém percebe que o cabelo foi alisado a ferro quente? “Mas é escova tailandesa”, dizem. Tudo a mesma coisa: apavorados pela mistura de calor e formol, os fios de cabelo formam fitas de cabelo, exibindo aquela aparência de artificialidade gritante. Dia desses morreu uma por causa dos produtos utilizados. Queria ficar bonita, provavelmente. Podem reparar: mulher que faz chapinha pra “ficar bonita” fica, no máximo, uma baranga de cabelos lisos.
A mulherada vê filmes e fotos dos anos 80 e ri daquelas moças de permanente. Daqui a dez anos, com cabelos artificialmente encrespados, rirão das chapadas de hoje. Vá o diabo entender as mulheres…