Trabalho em Higienópolis, tradicional bairro judaico de São Paulo. Saindo para o almoço hoje, vi um casal com bebê no colo descer de uma Saveiro. O que me chamou a atenção foi o adesivo na traseira do carro, que dizia:

Ein Volk, Ein Reich, Ein Führer 88

Com meu parco conhecimento do idioma alemão, traduzi a frase como “Um povo, uma nação, um Führer”. O “88”, pesquisei agora, é uma tradicional saudação nazista. Como o h é a oitava letra do alfabeto, o número corresponde à abreviação da saudação Heil, Hitler!
Cadê o Henry Sobel quando mais precisamos dele?

Detalhe: era um casal de mulatos mais escuros do que eu…

Cineastas que dizem que os filmes devem ter um viés social (ou seja lá qual for o nome que dão praquele negócio de olhar pros pobres e dizer “ô, coitados…”) são os mesmos que se perfilam para mamar nas tetas do governo. Já repararam?
Para ir ao cinema, o pobre precisa de dinheiro. Para ter dinheiro, precisa trabalhar. Para trabalhar, precisa estudar. Para estudar, precisa comer. Para comer, precisa ter dinheiro. Só que não pode estudar, comer ou trabalhar porque o dinheiro que poderia ser investido em educação, agricultura e emprego vai para certos cineastas mostrarem crianças ranhentas em close na tela grande.
Atravessadores!
E o Movimento Literatura Urgente, hein? O que não faz a preguiça de trabalhar… Abjeta essa fila de escritores beijando a mão do Ministro Rebolante em troca de migalhas.
Não, não. Sério. Os caras querem um Programa de Compra Direta de Livros do próprio autor inspirado no Programa de Compra Direta de Alimentos da Agricultura Familiar. Como se escrever um livro fosse tão importante quanto plantar batatas. E NÃO É! Pelamordedeus, NÃO É!
E não querem só dinheirinho não, viu? Além de fomento daqui, fomento dacolá, os danados ainda querem passear. Querem que o governo (o governo uma porra, eu e você) financie viagens para eles. Citando:

Caravanas de cinco escritores e poetas deverão circular pelas universidades das cinco regiões do Brasil (Norte, Nordeste, Centro, Sudeste, Sul), para debates sobre literatura, leituras públicas e lançamentos de livros e revistas. Cada caravana deverá passar por, no mínimo, cinco cidades diferentes. Serão, portanto, cinco caravanas simultâneas, com cinco escritores cada. Total: 25 escritores. Essas caravanas deverão ser trimestrais. Sugestão de nome: Projeto Waly Salomão.

Ah, que beleza! “Vamos batizar o projeto com o nome de um finado amigo do Ministro Saracoteante, quem sabe ele não amolece?”. E não é só! Também querem um programa desse, de turismo, em parceria com governos estaduais e municipais. E mais! Intercâmbio com outros governos de latinoamerica para passeios de escritores pra lá e pra cá. Eita! Onde é que eu assino? Tenho um livro publicado, também quero mamar. Que que é? Só eu sou bobo agora?
Não sei o que meus pais tinham na cabeça quando me ensinaram que nada vem fácil, que é preciso trabalhar e coisa e tal. Agora, aos 30 anos, percebo que os ensinamentos que recebi na infância estavam equivocados. Pena.
E leiam o que o Mercuccio escreveu a respeito.

grandegaroto_mjEstava assistindo ao filme “Um Grande Garoto” (About a Boy), aquele baseado no livro do Nick Hornby e protagonizado pelo Hugh Grant (que homem, meu Deus!). Vendo o filme, comecei a pensar duas coisas:
1. Eu preciso de companhia para ver filmes. Tá ficando meio triste isso de estar sozinho o tempo todo. Bom.
2. Seria possível nos EUA um filme em que um garoto de doze anos passa a freqüentar a casa de um homem solteiro de 38, passando um tempão sozinho com ele? Será que a síndrome do politicamente correto não acabaria por pesar mais? Sei não, sei não… (esse “Sei não, sei não…” bem que podia virar minha marca registrada, né? Tipo um bordão que as pessoas repetiriam na rua e… Ok, parei).
Eis onde quero chegar: há provas contra Michael Jackson? Há evidências de que um dia ele tenha praticado pedofilia? E se (e se!) aquela história de levar meninos para a casa dele para servir leite com biscoitos e contar histórias for verdade? Oras, não riam! Larguem o cinismo um pouco, tentem entender que há pessoas inocentes no mundo, e vocês poderiam muito bem aceitar Michael Jackson como uma delas, não fosse ele uma figura, digamos, diferente. É a mesma perseguição das hordas contra o monstro do Dr. Frankenstein ou o Edward Mãos-de-Tesoura. Eu vejo a imprensa mundial como homens encapuzados correndo com tochas, foices e ancinhos atrás de um monstro assustado.
E digo isso porque EU gosto de crianças. Muito. Passo horas brincando com as crianças, e prefiro mil vezes sua companhia à dos adultos. Às vezes penso “Ei, e se uma dessas mães malucas começar a ter idéias? Se começar a pensar que eu ando ‘tocando’ o filho dela?”. E fico aterrorizado ante tal pensamento: “ARGH! Ninguém seria tão doente!”
Mas eu estou errado, claro. A maioria é bem doente mesmo.
(um post inspirado na Fer, uma menina que acredita na inocência)